Coleção pessoal de biancavasconcelos
Ninguém disse que é fácil se relacionar. É por isso que muitos têm medo. É por isso que tantos outros preferem relações de uma noite, um final de semana, um mês. É por isso que muita gente troca de parceiro como quem troca de calcinha. Relações duradouras e casamentos longos são espécies raras hoje em dia.
Nem faço muita questão que as pessoas me conheçam a fundo. Tem gente que não merece o nosso coração aberto. Certas pessoas não precisam conhecer nossa alma. Porque elas nem vão saber o que fazer com tanta informação. Tem gente ruim no mundo, já me convenci disso. Espero que você entenda isso também. E que não sofra tanto ao constatar que nem todo mundo quer o seu bem. Algumas pessoas sentem prazer em perturbar os outros. O que ganham em troca? Não sei. E nem quero descobrir.
Andei pensando no quanto somos frágeis. Uma simples gripe nos torna fracos. Uma palavra mal empregada nos abate. Um abraço não dado nos faz sofrer. Um sentimento não vivido faz a gente perder a esperança. Tenho um pouco de medo da duração das coisas. Antes, eu acreditava no eterno. Mas depois de tantos percalços, tantas coisas perdidas e tantos nãos guardados no bolso eu já não sei mais.
Você não é vulgar quando usa um mini vestido, mas sim quando tem um mini cérebro pra achar que isso é sua única arma de sedução.
Quem fala que não está nem aí para o que os outros pensam é porque está querendo que os outros pensem isso.
Sempre gostei de ser verdadeira, mas não sei até onde isso me leva. Não, eu não quero levar vantagem em nada. Só quero a reciprocidade, a sinceridade do outro como recompensa. Ando frustrada ao constatar que amigos verdadeiros posso contar apenas em uma mão. E, ainda assim, não sei se posso ser verdadeira com eles. Uma palavra atinge, fere, frustra, repele.
O ser humano adora procurar um motivo para sofrer. Adora arrumar uma infelicidade para contar para o outro. É assim comigo, é assim com você. Acho que quando a gente amadurece emocionalmente se dá conta do seguinte: fazemos o possível, o que está ao nosso alcance. Se não deu certo, paciência. Isso não vai te fazer melhor ou pior que ninguém. Você não vai ser rotulada de fracassada. Você não vai ficar solteira até o fim da vida. Você vai, sim, amar de novo. Porque o coração nunca para.
Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Dispute uma corrida com o silêncio. Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento. Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho de rio. Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta. Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja séria; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodada. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça, cantarolar uma música ainda sem letra. Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. Almoce sozinha para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade.
Num mundo tão cheio de “talvez”, é bom ter uma certeza, pelo menos uma vez na vida.
É bom encostar a cabeça no travesseiro e ter certeza de que os pesadelos não me assustarão. É bom fechar os olhos e saber que vai ter alguém lá.
Eu não sou nada. Eu nunca fui nada. Eu só sinto. Sinto tanto que não tenho tempo pra outra coisa. Se me perguntarem o que levarei daqui, do que levarei da vida, posso dizer que apenas os meus pensamentos. As minhas tristezas, pra ser mais honesto. As minhas inúmeras mágoas. E, principalmente, o desejo de saber se depois de anos e anos, eu ainda faria alguma falta.
Eu não consigo dormir, eu não consigo fazer sequer outra coisa senão chorar. E pesar o que tenho, quem eu sou, onde estou e concluir que o que fiz até aqui foi tão pouco. Foram só rastros. Foram só farelos jogados pelo caminho. Eu não tenho história, eu não tenho laços, eu não tenho identidade... Eu só tenho a mim mesmo tentando suportar cada dia que passa. A vida sorri, inquieta, me jogando um outro coração tão doente quanto o meu, mas nem isso eu sei valorizar. Eu nunca sei valorizar nada, porque isso também não nos ensinam. Ensinam só o que é obrigação. Nos ensinam só que um dia encontraremos o caminho da felicidade e que tudo passará a ser mais fácil, mas não é verdade. A cada dia que passa a vida pesa mais, ela te empurra pra baixo, as pessoas te empurram pra baixo, o sempre se torna mais uma palavra vazia e a solidão é tudo o que sobra. Eu fico imaginando o quão fácil seria se a solidão fosse física e não um sentimento, porque só assim o pra sempre teria sentido e as pessoas seriam completas.
Mas eu vou continuar tentando e juro por Deus, amanhã eu vou tentar com todas as minhas forças ser alguém melhor pra quem quer ser alguém melhor pra mim. Tem feridas que nunca cicatrizarão, tem vazios que nunca serão supridos, mas tem sentimentos que nos fazem esquecer o quão difícil a vida é. E é por essa pessoa, é por esse sentimento que eu continuo lutando.
Tenho de carregar todos os meus erros, porque não nos dizem que é impossível apagar o ontem. Não nos ensinam que é preciso ser coerente antes de terminar um dia e por isso erramos tanto, tanto que a bagagem não cabe na mala. E, por conta disso, algumas vezes, sentimentos tão bonitos ficam pra trás.
Eu posso ser um pouco louco, eu posso ser um tanto disperso, mas só quem conhece o meu coração lá dentro, lá no fundo, sabe o quanto eu valho à pena. Não se julga um coração pelas suas defesas, pelos muros levantados a sua volta, mas pela capacidade que ele tem de ceder para amar novamente. E eu acredito que a minha capacidade de amar é incondicional. Eu sou possível. As pessoas são possíveis. O problema é que as pessoas não lidam bem com dificuldades. As pessoas não querem lutar por nada nem ninguém nem qualquer coisa que possa no final das contas valer mais do que todo o dinheiro do mundo. As pessoas só querem a comodidade, o conforto do travesseiro mais acolchoado, a bebida mais cara, as melhores festas, enquanto um menino que vive lá dentro de você, sedento por amor sofre, calado, sozinho, sem voz, morrendo de medo de ser infeliz. E esse menino é a única pessoa que estará ao seu lado quando todo o dinheiro, esse conforto, essa comodidade não servir de mais nada. Esse menino que se chama Coração é a única chave da felicidade, do pra sempre, das coisas que de tão simples são as mais bonitas. E será que você tem cuidado bem desse garotinho? Será que você tem parado pra pensar que o seu orgulho é só um sentimento e não te faz levar socos na boca do estômago? Será que tudo o que você deixou pra trás não merecia mesmo uma segunda chance?
Eu sou como café, podendo ser doce ou amargo, forte ou fraco, pra quem souber me coar e me fazer na medida certa pra si mesmo. Tudo é uma questão de manuseio.
Divido pessoas de duas formas: As que são divisores de águas em nossas vidas e as que são pequenos moinhos ou pequenas fases. As primeiras têm a tendência de participarem da nossa vida por um longo intervalo de tempo, modificarem a nossa rotina, acrescentarem conceitos e depois nos deixarem com a missão de jogar todos os planos, sonhos, vontades, desejos na lixeira. As segundas têm a mania de nos cicatrizarem sem deixarem uma única lembrança memorável, mas nos fazem perceber o quão importante é seguir em frente, tocar a nossa vida sem a ideia fixa de que só tendo um outro é que se pode ser feliz.
Não, não é que eu seja feito de mentiras. Sou feito de medos, na verdade. Medo de perder a mim mesmo novamente. Medo de me entregar e perder a minha esperança nas pessoas. Medo de ser eu e não receber recíproca. O tempo, as pessoas ou seja lá o que chamam isso, talvez amadurecimento, tenha me feito ficar um pouco mais arredio, ranzinza, menos romântico e tudo o que tenho a oferecer são as minhas atitudes passionais enquanto me jorram incertezas.
