Coleção pessoal de ateodoro72
Quem se empanturra com cortes e recortes de conteúdos para matar a fome apressada de informação pode acreditar em qualquer coisa, menos estar alimentado o bastante para sair arrotando verdades fabricadas por aí.
O político influencer tem o direito de considerar idiotas seus asseclas apaixonados, mas não mais que ele.
Com tanto humano latindo, muito em breve, dialogar será privilégio dos cães.
Há uma medonha cacofonia tomando conta do mundo.
Fala-se muito — mas ouve-se quase nada.
As palavras, outrora pontes entre consciências, hoje se erguem como muros de pura vaidade.
Infelizmente, o verbo já está perdendo o dom de unir.
Transformando-se em arma, em ruído, em reflexo de uma humanidade que insiste em confundir — por maldade, descuido ou capricho — tom e volume com a razão.
Cada um late a própria certeza, a própria verdade,
defendendo-a como quem protege um osso invisível.
Nos palcos digitais, nas praças e nas conversas de esquina,
o diálogo virou duelo,
a escuta, fraqueza,
e o silêncio — que quase sempre foi sabedoria —
agora é interpretado como rendição.
Latimos para provar que existimos,
mas quanto mais alto gritamos,
menos presença há em nossas vozes.
Perdemos o dom de conversar
porque deixamos de querer compreender.
Estamos quase sempre empenhados em ouvir só para responder.
Talvez, por ironia divina,
os cães — que nunca precisaram de palavras —
sejam hoje os últimos guardiões do diálogo.
Eles não falam, mas entendem.
Não argumentam, mas acolhem.
Escutam o tom, o gesto, o invisível…
Enquanto o homem se afoga em certezas,
o cão permanece fiel à simplicidade da escuta.
E quando o mundo estiver exausto de tanto barulho,
talvez apenas eles saibam o que significa realmente conversar:
olhar nos olhos, respirar junto,
e compreender o que o outro sente —
antes mesmo de dizer.
Porque, no fim das contas,
o diálogo nunca foi sobre ter razão,
mas sobre ter alma suficiente para ouvir.
E talvez, enquanto o humano retroalimenta o medo do cão chupar manga,
o maior — e único — medo do cão
seja tanto humano latindo.
Para destituir o STF, nem comprando um cabo e um soldado, mas para instituir prisão impressa basta comprar um ferro de solda.
Já não se percebe a dimensão do problema que o mundo enfrenta pelos choros e gemidos, mas pela invalidação da dor do outro.
O Crime Organizado costuma ser mais previsível que muitos Líderes Religiosos que se ajoelham diante da política.
E talvez seja exatamente aí que mora o perigo: na previsibilidade do perverso e na imprevisibilidade dos que deveriam ser farol.
Quando o crime se apresenta, já sabemos o que esperar — sua brutalidade não promete virtudes, nem esconde seus métodos.
Ainda que precipitado nos infortúnios da própria escuridão, ele consegue ser até mais honesto do que quem tem agenda oculta para cumprir.
Mas quando a fé, aquela que deveria ser abrigo, se confunde com palanque;
quando o altar, aquele que deveria ser refúgio, vira plataforma;
quando a palavra sagrada, que deveria orientar consciências, começa a servir a conveniências… passa a ser usada para se esconder, aparecer e se promover,
então a confusão deixa de ser acidente e se torna estratégia.
A fé não é o problema.
O problema é quando ela é sequestrada por ambições.
Quando mãos que deveriam erguer feridos, erguem partidos.
E quando vozes que deveriam consolar, inflamam disputas.
Quando líderes que deveriam curar feridas, as utilizam como moeda política.
E, por ironia muito amarga, enquanto o crime mantém sua lógica previsível — tão trágica quanto constante — a espiritualidade distorcida por interesses se torna um território nebuloso, onde o risco não é apenas o engano, mas a perda do discernimento coletivo.
Porque quando quem deveria apontar o caminho se ajoelha diante do poder, os que com ele caminham é que se perdem.
Aos que brigaram em defesa de políticos-influencers, talvez ainda seja cedo — cedo demais — para fazer as pazes.
Não porque o rancor seja nobre, mas, porque, ainda não reconhecemos a dimensão do estrago causado pelas paixões emprestadas.
O cheiro medonho de enxofre da polarização já volta a subir, reinventando-se com a mesma esperteza de sempre, à espera de corações inflamáveis, mentes exaustas e sequestráveis.
E no ano que se avizinha, quando o espetáculo reabrir suas cortinas, eles vão precisar muito mais da nossa chama do que da nossa lucidez.
Pois, paixão, quando sequestrada, vira munição nas mãos dos que nunca lutaram realmente por nós.
Talvez defender uma ideia — um posicionamento — sem paixão, seja a arte mais rara e mais corajosa do debate.
Porque, é sim, muito fácil incendiar-se; difícil é manter o fogo no tamanho certo.
É fácil berrar certezas; difícil é defendê-las sem ferir.
Mas há uma escolha ainda muito mais sombria:
Desumanizar quem pensa diferente.
Nada inviabiliza o debate com mais perfeição do que transformar pessoas em inimigos, divergências em crimes e opiniões contrárias em afrontas pessoais.
Quando fazemos isso, deixamos de debater com gente — e passamos a lutar contra caricaturas que nós mesmos pintamos.
No fim, talvez a verdadeira paz não seja aquela feita entre lados irreconciliáveis,
Mas a paz que fazemos conosco:
a de não entregar nossa humanidade ao primeiro que exigir fervor,
a de não perder a lucidez para quem vive de paixões alheias,
a de não permitir que o debate morra pela ausência de coragem
ou pelo excesso de convicções.
Porque não há independência mais urgente e necessária do que a da mente que se recusa a ser incendiada — ou sequestrada e desumanizada — em favor ou desfavor de qualquer bandeira que pintem por aí.
Citações bíblicas são para acender luzes — não para apagá-las, muito menos para monopolizar a Graça.
Insulto maior não há, que ver tantos se valendo das Sagradas Escrituras para se esconder, aparecer... ou se promover.
Porque Deus jamais teria contribuído com uma única vírgula do livro mais vendido, mais lido — e menos vivido do mundo — para legitimar descuidos, maldade ou caprichos de apaixonados.
A Palavra, quando nasce da Fonte, não busca plateia, busca consciência.
Não pede eco, pede postura.
Nem deseja aplauso, deseja transformação.
Mas há os que a tomam como escudo, sem jamais permitir que ela os atravessasse.
Há os que a declare com fervor, mas não a deixe iluminar a própria sombra.
É há os que a cite de cor — e, ainda assim, não a conheça.
Talvez o maior desafio da fé não seja crer, repetir ou pregar… mas permitir que a Graça nos alcancem onde mais resistimos a ser alcançados.
Porque Escritura não foi dada para amarrar ninguém — foi dada para libertar.
E somente quem se deixa iluminar por ela descobre que a verdadeira luz nunca humilha; revela.
Nunca esmaga; desperta. Jamais separa; reconcilia.
E é justamente aí que a Filosofia reencontra a Fé no ponto mais delicado: o ponto em que ambas exigem do sujeito não a obediência cega, mas a coragem de se encarar.
A Filosofia nos pergunta por que acreditamos; a Fé nos pergunta como vivemos o que dizemos acreditar.
E, quando caminhamos sem medo, percebemos que essas perguntas são irmãs — não rivais.
A Escritura nos mostra caminhos, mas jamais os percorre por nós.
A consciência é quem decide se cada passo será um gesto de luz ou de vaidade.
Porque não há texto sagrado, capaz de elevar quem insiste em rastejar pelas conveniências.
E não há versículo que enobreça mãos que o brandem como arma enquanto o coração permanece fechado como punho.
Fé sem reflexão vira fanatismo.
Reflexão sem fé vira desespero.
Mas a união das duas — essa, sim, — é o que faz da Palavra uma ponte em vez de trincheira.
Talvez Deus nunca tenha pedido que interpretássemos a Escritura com perfeição… mas que a vivêssemos com honestidade.
Porque a Verdade, quando realmente é luz, não precisa ser defendida — precisa apenas ser deixada brilhar.
Porque a Oração sem Ação não ascende — retorna.
Não toca o Alto — ressoa no vazio de quem a profere.
E, talvez por isso, seu destino seja apenas os ouvidos dos tolos que imaginam que o Céu se move por frases que nem eles próprios se movem para viver.
Quem romantiza soluções apaixonadas ao alcance das mãos, por descuido, maldade ou capricho, romantiza qualquer coisa: até agendas ocultas.
Talvez acreditar que mais ninguém esteja Ferido — seja só outra forma medonha de Ferir.
Porque a dor, quando não ouvida, vira eco.
E quando presumimos que o mundo está inteiro, deixamos de perceber os cacos que alguém tenta segurar com as próprias mãos.
A verdade é que ninguém sai ileso da travessia — enquanto uns sangram por dentro, outros tentam esconder os cortes com sorrisos.
Estamos quase todos lutando com dores, dificuldades e problemas…
Ainda que diferentes.
Mas ignorar o sofrimento alheio é como esbarrar em uma ferida aberta fingindo ser só o vento.
Empatia não é diagnóstico — é presença.
É a coragem de admitir que talvez o outro também esteja lutando uma guerra que não machuca e apavora somente você.
E que às vezes, só de reconhecer a batalha, já deixamos de ser um potencial inimigo sem perceber.
Se não soubermos enxergar a dor do outro, a nossa também ficará sem testemunha.
E nada fere ainda mais do que sofrer sozinho num mundo que insiste em parecer inteiro.
A vulnerabilidade compartilhada e o reconhecimento mútuo do sofrimento são, talvez, os caminhos mais curtos para nos sentirmos menos frágeis em um mundo tão quebrado.
Em meio a tantas dores, dificuldades e problemas, quem presume não tê-los — ou imagina que o resto do mundo segue ileso — acaba sendo, sem perceber, a parte mais perigosa deles.
Acordar é tão Fácil — basta estar vivo!
Mas se Deus te deixou acordar, é porque Ele espera que você Desperte.
Acordar até parece algo automático: o corpo abre os olhos, respira, se move… e seguimos.
Mas viver acordado não é o mesmo que estar desperto.
Despertar é perceber o que realmente importa: que há Vida depois dessa vida falível.
É ouvir o chamado que você insiste em adiar...
Enxergar o propósito escondido na rotina.
É reconhecer que cada manhã é mais que repetição — é convite, oportunidade...
Porque, se Deus te deixou acordar hoje, não foi apenas para existir.
Foi para despertar, para não desperdiçar o que só você pode decidir...
E despertar, ao contrário de acordar, não acontece no travesseiro.
Acontece na consciência.
Acontece na coragem.
E acontece especialmente quando você decide viver para além da vida.
Acordar é tão Fácil, basta estar vivo!
E enquanto Deus te deixa acordar, é porque Ele espera que você Desperte.
Não bastasse o desrespeito à opinião e à Liberdade de Expressão, comumente confundida — por descuido ou capricho, com Discurso de Ódio — os tais “juízes virtuais” ainda insistem em cometer outro pecado: o de esvaziar a língua pátria que fingem defender.
É muito curioso…
Julgam com voracidade, apontam erros com fúria, mas tropeçam no português com a elegância de quem pisa no próprio eco.
Têm certezas demais, dúvida de menos, e nenhuma disposição para pensar antes de responder.
E assim seguimos, assistindo aos espetáculos nos quais a intolerância se veste de virtude, a arrogância posa de sabedoria e a medonha preguiça de ler,
tenta se passar por autoridade moral.
O que se perde, no fim, não é apenas o diálogo, tão desvalorizado, especialmente no meio polarizado.
É a delicada arte de discordar sem ferir, sem desumanizar.
Infelizmente, é o português que sangra nas mãos de quem nunca o acariciou.
E é a liberdade — a verdadeira — que sofre nas trincheiras onde as convicções são afiadas, mas o pensamento próprio é rejeitado ou esquecido.
Em tempos dominados pelas certezas fabricadas, talvez a provocação mais urgente e necessária seja:
não basta defender o direito de falar;
é preciso aprender, também, a ouvir, a duvidar e a escrever — com respeito, com cuidado e com a humildade de quem sabe que nenhuma vírgula bem colocada salva uma mente mal-intencionada.
Se não nos acautelarmos com o que consumimos, nos transformarão num Amontoado daquilo que nem sequer existiu.
Às vezes, o que nos ocupa por dentro não passa de um monte de coisas que nunca existiram de verdade.
Medos condimentados demais.
Opiniões mal passadas.
Vontades fabricadas em linha de produção emocional.
Informações que engolimos sem mastigar — e que, depois, fazem morada, como se tivessem sido escolhidas a dedo.
O perigo não está no que consumimos com a boca, mas no que consumimos com a mente.
É ali que mora a grande armadilha: transformar-se em um amontoado de ideias alheias, desejos plantados, certezas embaladas a vácuo.
E, quando percebemos… já não sabemos mais o que pensamos, apenas repetimos o que nos alimentou.
Por isso, é preciso cautela.
Porque o mundo oferece banquetes para todos os gostos, mas quase nenhum deles nutre.
Quase todos apenas enchem.
E o excesso, quando não serve para fortalecer, deforma.
No fim, somos aquilo que digerimos — não aquilo que só engolimos.
O que de fato mais queremos, é alguém que vá à tribuna fingir Bravura — com a sinergia da Eloquência, Oratória e Retórica — disposto a retroalimentar nosso Viés de Confirmação, nos vendendo a solução ao alcance das mãos.
Se não houvesse tanta guerra no próprio Crime Organizado, o Crime Desorganizado — o Estado — acabaria se organizando.
