Coleção pessoal de ATeodoro72
Sempre que vejo religiosos divididos, digladiando e se julgando pela Mãe do meu Senhor, lembro o quão fácil foi persegui-lo.
E ainda há quem defenda o Céu com flechas e pedras na mão.
Quem diga amar o Cristo, mas incapaz de reconhecer o amor no olhar do irmão.
Quem cite versículos para erguer muros — e não pontes…
Sem se esquecer dos que se valem do nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover.
Talvez o maior escândalo da fé não esteja nas diferenças doutrinárias, mas na incapacidade de amar sem rótulos.
Foi esse mesmo zelo sem ternura que O condenou — não o ateísmo, não o império, mas a arrogância de quem julgava conhecer melhor a vontade do Pai.
E assim, em nome d’Ele, seguimos ferindo o que há de mais Divino: o Amor ao próximo!
Que a nossa criança interior não pode morrer, é um fato — que ela não pode matar a criança dos outros — é outro.
Dentro de cada um de nós, habita — ou deveria habitar — uma criança: curiosa, brincalhona, sensível, carente de encantamentos…
É ela quem nos distrai da seriedade cobrada pela vida adulta, nos impedindo de empedernir por completo, e quem nos faz rir de bobagens, sonhar alto e acreditar em recomeços.
Mas há um perigo deveras sutil, quando transformamos essa criança em centro absoluto do mundo: ela deixa de ser símbolo de pureza e se torna instrumento do ego.
Há adultos que justificam suas imaturidades em nome da autenticidade — como se sinceridade fosse salvo-conduto para a falta de empatia.
E assim, ao defender sua própria “criança interior” a qualquer preço, acabam ferindo a dos outros com ironias, indiferença ou desprezo.
A verdadeira maturidade não está em silenciar nossa criança, mas em educá-la.
Ensiná-la que o mundo não gira apenas em torno dos seus desejos, que brincar não é o mesmo que zombar, e que crescer é aprender a reconhecer o outro como extensão da própria humanidade.
A criança interior merece e deve viver — mas sob a tutela do adulto que devemos aprender a ser.
A criança que — graças a Deus — ainda vive em mim, saúda a criança que vive em ti!
Feliz Dia das Crianças, do mundo inteiro e da que vive dentro de você!
Sempre que a saudade desiste de fingir costume e me abraça um pouco mais apertado, o que me consola é a gratidão e a certeza do azar de ter tido tanta sorte.
A terra fica profundamente entristecida com a sua partida, mas com a esperança de vê-la laureada no céu!
Vá em paz!
Apesar do carinho de alguns discentes que ainda resistem à Indiferença — entre o Descuido do Estado e a Romantização do Ofício — o Dia do Professor se sustenta mais em Reivindicações que em Comemorações.
Os que só veem a Felicidade nas Grandes Conquistas, ainda não tomaram Vento na Cara com ela no Carona.
Tão medonho quanto aos seus problemas, é um país acumular a mesma quantidade de especialistas que eles.
Em terras abarrotadas de trabalhadores, gente de bem e servos de Deus mijando fora do penico, muito em breve, invocar o Santo Nome de Deus publicamente será blasfêmia.
Sempre que a igreja se deitar com o Estado e seu braço armado, há que se esperar qualquer coisa, inclusive o trisal parir uma aberração.
Suponho que, em meio ao avanço exponencial da informação, manter um tabu será, muito em breve, uma escolha — e não uma imposição.
Já vivemos tempos em que Tudo — desde que alicerçado na sinergia da Maturidade, Responsabilidade, Sensibilidade e Respeito — pode ser dito, mas quase nada pode ser realmente escutado.
A informação se multiplica, enquanto a escuta se fragmenta.
É mais fácil focar na liberdade de expressão irrestrita que calar para escutar!
O excesso de dados não nos libertou dos preconceitos; apenas os sofisticou.
Hoje, romper um silêncio é fácil — o difícil é sustentar um diálogo.
E, entre certezas inflamadas e convicções fabricadas, o pensamento sereno passou a ser visto quase sempre como provocação.
Talvez o verdadeiro desafio da era da informação não seja aprender mais, mas aprender a pensar sem medo e sem culpa, a questionar sem ser condenado, e a permitir que o outro exista, mesmo quando ele pensa diferente.
Porque, sem transpor a zona desconfortável de se questionar, talvez seja mais fácil apodrecer que amadurecer.
E se tivéssemos duas rodovias paralelas — uma sob concessão, tarifada, bem cuidada, com toda infraestrutura, suporte e segurança; e outra, sob os descuidos do Estado — sobre qual você se deslocaria?
Os fortes impõem limites e são respeitados; os fracos bajulam e são usados.
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Estados também têm suas DRs… e elas precisam ser tratadas à luz da sinergia entre respeito, maturidade, responsabilidade e sensibilidade — de Estado para Estado — sem interferência da famigerada ferramenta dos moleques especialistas em guerras palavrosas.
Não há interesses mais confusos e covardes quanto aos que confundem amor com carência, e acabam após saciados.
Porque o Amor Verdadeiro não se esgota quando a fome é saciada — ele nasce justamente quando o outro deixa de ser remédio para a solidão e se torna companhia na inteireza.
A carência só quer preencher um vazio; o amor, transbordar!
Quem ama pela falta, consome, desgasta e até usa o outro.
Quem ama por plenitude, compartilha o que tem de mais inteiro.
Por isso, é tão fácil ver relações que começam com tanta intensidade e terminam em silêncios tão ensurdecedores — eram tão somente gritos de necessidade disfarçados de afeto.
O amor não almeja saciedade, mas sim, permanência.
Quando o ser humano perceber que a bola, ainda que chutada, agarrada, liberada, agredida e até acolhida, tem mais voz que o “livro mais vendido” e 'menos vivido do mundo', não haverá mais brigas nem trapaças no futebol.
Há algo de profundamente humano no destino da bola.
Buscada e tocada de todas as formas, e ainda assim continua rodando, unindo pessoas que, fora do campo, talvez jamais se entenderiam.
A bola não julga quem a toca. Ela gira para todos, sem distinção de credo, cor ou fronteira.
E é justamente nesse movimento, tão simples e tão leve, que mora uma lição que o ser humano parece ter esquecido.
Enquanto o mundo se curva diante do livro mais vendido — e, ironicamente, menos vivido —, a bola segue pregando seu evangelho silencioso: o da partilha, da alegria e da verdade do instante.
No gramado, não há espaço para disfarces; o que se é, se mostra.
A bola não aceita trapaças por muito tempo.
Quem tenta enganá-la, mais cedo ou mais tarde, tropeça no próprio engano.
Talvez, quando o ser humano perceber que a bola fala muito mais alto que muitos púlpitos, que seu giro é mais honesto que muitos discursos e que seu jogo é mais limpo que muitas pregações, o futebol voltará a ser o que sempre foi: um espelho do que temos de melhor.
E então, quem sabe, já não haverá mais brigas nem trapaças — apenas o som puro da bola correndo livre, leve e solta, ensinando em silêncio aquilo que tantos livros gritam sem entender.
Enquanto uns choram seus pais que só lhes deixaram aquilo que dinheiro nenhum pode comprar, outros, miseráveis, que não têm nada além do dinheiro — desumanizam os seus.
Em tempos de tanta (cão)fusão, sob chuva ou sob sol, que a euforia da Meta não confunda Etanol com Metanol.
Amém!
O mundo e quase tudo que nele existe foi criado pela palavra…
Mas é pela ironia que ele quase sempre subsiste.
Quando a polarização, acompanhando a carruagem, se reinventou, essa corja convenceu parte do povo a se armar a pretexto de segurança para não perceberem que o chicote era a Bíblia mal-intencionada em suas mãos.
Não obstante, essa ironia, demonizaram a mídia só para monopolizar sua atenção.
Hoje elas não têm pauta mais relevante, senão dar palco para o encardido que arregimentou as almas “inocentes” para salvar o país, e nunca mais parou de tentar vendê-lo para se salvar.
O diabo é um gênio!
Um trisal tão nefasto entre a Igreja, o Estado e seu Braço Armado só poderia parir tamanha aberração.
Não há sutileza nessa união — ela sempre carrega consigo os germes do abuso e da manipulação.
Quando a fé se deita com a política, e ambos convidam o braço armado para o mesmo leito, o resultado buscado nunca é comunhão, mas o controle da nação.
A Igreja, que deveria consolar, torna-se cúmplice do silenciamento.
O Estado, que deveria servir, converte-se em senhor.
E o braço armado — que deveria nos proteger — se vê no direito de intimidar.
É nesse pacto que o sagrado se prostitui, o político se corrompe e a violência se legitima.
Não é difícil reconhecer os frutos dessa aberração: consciências domesticadas em nome da obediência, corpos disciplinados pelo medo e uma sociedade moldada não pelo diálogo, mas pela imposição.
O trisal nefasto não gera filhos livres, mas servos disfarçados de cidadãos.
E talvez o maior desafio não seja tão somente apontar os riscos sem precedentes dessa união, mas perceber como, vez ou outra, ela continua a ser desejada por aqueles que temem mais a liberdade do que as medonhas grades invisíveis da prisão.
