Coleção pessoal de ARRUDAJBde
A verdadeira turismóloga carrega em si um mosaico de culturas, transformando cada encontro em parte de sua essência.
O sabiá-laranjeira, junto com a sinfonia de cigarras, acompanhado do eco dos galos e galinhas, acordam o meu quintal.
Na escritora habitam a curiosidade da criança, a profundidade da filósofa e a precisão da cientista — ela pergunta, pensa e revela.
Filósofos, crianças e cientistas têm em comum a curiosidade, o questionamento e a busca por compreender o mundo de forma criativa.
Vestes da Alma
Na seda que cobre o rosto, não há disfarce — há revelação. A vestimenta não oculta, ela molda o espaço onde o olhar respira.
Os olhos, espelhos do invisível, falam com o ar, sem som, sem pressa. São letras desenhadas no vento, caligrafias da alma em movimento.
Em árabe, dançam como poeira dourada: العيون مرآة الروح — os olhos são espelho do espírito. Em hebraico, gravam luz no silêncio: העיניים מראה לנשמה — o olhar revela a essência. Em sânscrito, flutuam como mantras: नेत्राणां प्रधानं मानं — os olhos medem o coração.
E assim, entre véus e vozes, a alma se veste de mistério, mas nunca se esconde. Ela se mostra — nos olhos que sabem falar com o ar.
Carta à minha alma gêmea
Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.
Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.
Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.
E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.
Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.
