Coleção pessoal de antonio_evangelista_1

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Os cabelos, cor de prata fosca, emolduravam lhe o rosto sereno, algum tanto arrugado, não por desgostos, que os não tivera, mas pelos anos. Os olhos luziam de muita vida, e eram a parte mais juvenil do rosto.

Há criaturas que chegam aos cinquenta anos sem nunca passar dos quinze, tão símplices, tão cegas, tão verdes as compõe a natureza; para essas o crepúsculo é o prolongamento da aurora. Outras não; amadurecem na sazão das flores; vêm ao mundo com a ruga da reflexão no espírito, - embora, sem prejuízo do sentimento, que nelas vive e influi, mas não domina. Nestas o coração nasce enfreado; trota largo, vai a passo ou galopa, como coração que é, mas não dispara nunca, não se perde nem perde o cavaleiro.

Reflete que os movimentos do coração não estão nas mãos da vontade.

Há no amor um gérmen de ódio que pode vir a desenvolver-se depois.

A felicidade é isto mesmo; raro lhe sobra memória para as dores alheias.

Em nosso país a vulgaridade é um título, a mediocridade um brasão.

Há pessoas que não sabem, ou não se lembram, de raspar a casca do riso para ver o que há dentro.

Quem conhece o solo e o subsolo da vida, sabe muito bem que um trecho de muro, um banco, um tapete, um guarda-chuva, são ricos de ideias ou de sentimentos, quando nós também o somos, e que as reflexões de parceria entre os homens e as coisas compõem um dos mais interessantes fenômenos da terra.

Não é a verdade que vence, é a convicção.

O que importa notar é que todas essas multidões de mortos – por uma causa justa ou injusta – são os figurantes anônimos da tragédia universal e humana.

Longe de educar o gosto, o teatro serve apenas para desfantasiar o espírito, nos dias de maior aborrecimento.

Não se comenta Shakespeare, admira-se.

O sonho é uma fresta do espírito.

Que os segredos, amiga minha, também são gente; nascem, vivem e morrem.

Esquece-se o real e palpa-se o impossível.

Mas, onde cessava ali a realidade e começava a aparência? Vinha de tratar com um infeliz ou um hipócrita?

Purgatório é uma casa de penhores, que empresta sobre todas as virtudes, a juro alto e prazo curto.

O presente que se ignora vale o futuro.

Tudo é possível debaixo do sol, – e a mesma coisa sucederá acima dele, – Deus sabe.

Ouça-me este conselho: em política, não se perdoa nem se esquece nada.