Coleção pessoal de Anonimo82929
Um dia após a morte dela, despertei, mas parecia que ainda sonhava. Tudo aquilo tinha a aparência de um pesadelo vivido de olhos abertos. Então recebi uma das notícias mais cruéis que alguém poderia ouvir: a garota que eu amava havia partido.
O mais doloroso é que nem ela, nem ninguém, sabia que eu a amava.
Neste momento, você deve estar se perguntando o porquê. Eu era jovem demais, ela era mais velha, e me faltava coragem para revelar o que sentia. Mas os olhos jamais mentem. Ela sabia que eu a amava, e eu também sabia que, de alguma forma, aquele amor seria correspondido.
Só que, quando finalmente encontrei coragem, já era tarde demais.
Ela estava deitada em uma cama, presa à própria fragilidade, e eu apenas observava, torcendo para que saísse daquela situação, para que eu pudesse dizer tudo o que meu coração guardava. Mas a vida foi rápida e cruel demais: em um dia criei coragem; no outro, ela já não estava mais aqui para me ouvir.
Já se passaram sete anos.
Pessoas que diziam ser amigas já não se lembram mais. Familiares voltaram a sorrir sem o peso do luto. A escola já não veste mais o silêncio da saudade.
E eu… como estou?
Eu ainda continuo a amá-la.
Continuo lembrando dela nos mínimos detalhes possíveis: em um poema, em um livro, em um filme, ou até na astronomia — aquilo que ela mais amava.
E há algo que posso afirmar com toda certeza: ela jamais deixará de existir. Nem em minha mente, nem em meu coração.
Não sei se existe vida após a morte… mas, se existir, espero poder reencontrá-la e finalmente dizer tudo aquilo que o tempo me roubou enquanto ela ainda estava aqui
