Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
No mundo em conflito
com os próprios caleidoscópios,
Tu imperceptível trazes
a precessão dos equinócios
com a tua ímpar amabilidade.
Reconfigurando-nos amorosos
e silentes pelo lado de dentro,
Os astros estão em movimento
e os dois em pleno envolvimento.
Sem temer dar passos concretos,
embora ainda que secretos,
orgulhosos na contramão dos séculos.
Em mim vive Araverá
sob o toborochi.
Trazes tudo de colibri,
tu me envolveste
e assim me seduziste.
Cortejando-me total
com o teu caporal,
de ti não paro de querer
o tempo todo o sideral.
Não sei se é delírio
ou muito perto disso:
insisto ser o teu destino.
Tudo tem sido motivo
para deixar bem claro isso.
Todos os dias tenho desejado
como manda a lei dos namorados:
vir a contar galáxias contidas
nos teus olhos apaixonados.
Compartilhar contigo sonhos
absolutos no banco da praça,
para não pedir à vida mais nada.
A paralaxe estelar
nunca irá alcançar
o que o coração
consegue enxergar:
Não há como negar
De muito amor
inteiro tu és feito.
[Venero o teu jeito.]
No céu surge a Aurora austral
quando os deuses dançam,
Há uma pulsão transcendental
que nossos corações cantam
no mesmo ritmo e idioma:
As urgências não amainam
o sonho na imensidão universal.
[Não é apenas querer, é sem igual.]
O Solstício de inverno
faria de fato sentido,
se eu tivesse você perto.
Como querer no momento
não tem sido poder:
rendo culto aqui dentro.
Algo entre nós se parece
com alinhamento de planetas:
Por nós tenho contado estrelas
e escrito amorosos poemas...
Luar Crescente de madrugada
na minha cidade de Rodeio
atravessando a serena mata
anuncia a queda de temperatura,
Uma companhia que enternura
o silêncio e a poesia profunda.
(O meu coração de procura).
Esperar qualquer coisa do outro é nadar de braçada num oceano de subjetividades.
A melhor inspiração é a da figura dos faroleiros, eles não abandonam os faróis nem durante as tempestades.
Se o outro for visita será bem-vindo e quando se for receberá a despedida a altura.
A permanência lado a lado compensa só se fizer sentido, e a rotina do farol segue sendo a mesma.
Tingi os meus lábios
com o rubro do ceibo,
para vir a declamar
com o melhor jeito
enraizado e o olhar
voltado para a Via Láctea.
Não estou distante de ti
porque moro dentro,
como rezam as lendas
dos amores eternos
e o chamamé patagônico,
com os passos certos.
Ouvirei sobre a Raihué,
colheremos frutos do pé,
quando fizer dos teus
braços a minha casa,
e quando tornar-me
a tua preservada marina.
Dos teus lábios doces
provarei o michay,
cantarei aquecida
contigo: Neuquén e Limay.
Lembramos como foram
reunidos e juntos formam
o majestoso Rio Negro;
e assim, entre nós, não faltarão
razões para um novo desejo.
Gegenschein de seda
que se revela e a Via Láctea
discretamente decora,
O peito se enamora da sua
existência toda amorosa,
Sem olhar para o calendário,
sem perguntar se é hora,
sem pensar em outra rota
para o desabrochar da rosa.
Da sedução fervorosa...
Abrigar o que é mistério
após o entardecer
ou antes do amanhecer:
Sob o véu da luz zodiacal
proteger o que é real,
e permitir acontecer o sideral.
Pela rendição sem igual...
O meu romantismo poético é opção estilística, uma maneira de manter a chama acesa e também é filtro num mundo habitado pela guerra dos sexos e pela vulgaridade extrema.
O coração passou
a dançar no mesmo
ritmo do que o meu.
Percebi que somos
quasares distantes,
unidos pelo mesmo fio.
[Abismos cósmicos
podem nos unir.
Decididos podemos
brilhar mais do que
a Via Láctea inteira...]
Nas nossas intimidades correm,
vibrantes, os rios ocultos,
buscando cultivar,
conter os nossos impulsos.
As fantasias mais vertiginosas
andam em transbordamento:
corações pulsantes tendo
como som de fundo um qilaat.
Tocados por sentimentos
doces e profundos
em todos os nossos tempos,
não nos resistiremos.
Aguardando as floradas
das bétulas e dos salgueiros,
logo quando forem acariciadas
pelo tempo de céu aberto —
(Não tenho dúvidas de que nos encontraremos).
