Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Permitir ser tomada pelo absoluto,
ser guiada e guiar em pleno
domínio por nós construído,
e adorar de joelhos tudo isso;
Ser moldada pelas mãos fortes
e derreter-me em rendição,
servir na nossa amorosa alcova
caber dentro do seu coração.


Não me importar com rótulos
de outrora porque escolhemos
ser prisioneiros voluntários,
e escravos de luxo que o amor
sempre falará mais alto e por dois.


Escolher ser o teu troféu de saia,
ser o troféu pleno de salto alto,
e ser o troféu edênico descalço,
colhendo Jatobá e me ocupando,
só para viver imparável e amando.

Contemplar o curvar-se
para beijar o meu ventre
cheio de Primavera
até a altura onde se pisa,
Sem precisar rastejar
sem implorar e sem haver
o tal obedecer sem pestanejar.

Porque torná-lo possuído,
e, ao mesmo tempo, render-se,
para entregar as rédeas,
é de poesia, e nos é imperativo;
para alinhar planetas,
acordar cidades inteiras
e românticos tocar cometas.


Admito ser a tua Rainha,
e tu és o meu Rei escrito;
Somos donos do destino,
onde a sedução é soberana,
é deusa, senhora, ama,
a guarda-chaves e a Lei,
por nós ser obedecida,
com sabor de Jacaratiá e folia.

Não há nem sequer
algema de flores,
chave, cadeado ou senha,
não há gaiola no coração,
e coleira de veludo
é totalmente dispensável;
porque a intenção aprazível
é torná-lo meu e imparável,
e jamais vir a te deter.


O que tenho a oferecer
é a real liberdade pura
de escolher o que vai ser,
é perfume de chuva
após encontrar a mata,
é colheita de Jabuticabas,
é amar sem se perder,
é fazer do seu e do meu querer,
o nosso bem querer;
sem nada requerer - apenas viver.


(É você morar dentro de mim
e eu morar inteira dentro de você).

A chave no meio do decote
com habilidade o seu paladar
maduro conseguiu encontrar,
Não nego que virei predadora
dos teus lábios de Umbu-cajá.


Com esta brincadeira sedutora,
vamos que vamos nos entregar,
Juntos somos o que queremos
do jeitinho perfeito de namorar.


A cada novo segredo conhecido
surgirá outro descoberto
por instinto, e o que é infinito.


Quanto mais iremos buscar
em nós, mais vamos achar.

O preço para ser mulher
fatal de salto agulha,
é algo que admito que
não consigo sustentar,
Nem mesmo as que assumem
este papel - lá no fundo -
nunca conseguiram,
e nem conseguirão se realizar.


A maîtresse oportuna sempre
que oportuna conhece o espaço
para o seu papel mostrar,
Como a poesia que sou, lembre,
que a minha vocação é feita,
- para durar, e continuar;
Porque corre nas minhas veias
a essência das mulheres eternas.


Destas mulheres que reconhecem
o seu apoio para colher a Gueroba,
que contam com a sua força
para colher quando chegar
no tempo certo o palmito,
Não precisam nem pedir
o seu senso de preservação,
porque tu sabe que é preciso;
e te retribuir com uma boa
mesa posta com todo o carinho.

Sururina-da-serra
cantando a memória
comigo não erra.

Canta o Aracuã
na hora que ele quer,
Tendo o teu amor,
nada mais vou querer
a não ser viver ou viver.

Lírio da Caatinga
explode em flor,
E eu quero levar
você para onde for.

Aninhar-se no amoroso
regaço deixar a língua
beijar os turgescentes,
Entregar os ondulantes
quadris embriagantes,
e os gemido provocantes.


Nos fulgores das nossas
águas que se beijam,
a concha entreaberta,
nas mãos do meu bem,
que não mais sabe,
E nem quer mais estar
com os pés na terra;
e que me bebe de fluxos
em fluxos libidinosos.


Com direitos e deveres
a espasmos deliciados
entre dois clamorosos,
por lascívia viciados,
debaixo da Guabiroba.

O quê ocorre aqui no Brasil deveria ser estudado: o brasileiro que gosta do país é recriminado, aqui uma boa parte quer ser qualquer coisa menos brasileiro, todos os países podem ter as belezas e a cultura apreciada, e se o brasileiro manifesta apreço pelo próprio país é zoado!

Com vontade de me aferrar
ao antídoto pedestal mais
viril que se pode inventar,
as tuas falanges guiam
ao eflúvio mais poético
da existência do Universo.


Sigo em transcendescência
titânia para fazer repousar
- na minha paz cutânea,
a sua inquietude visceral
pós tremores voluptuosos
e intensos sulcos úmidos.


Posso vir até não conquistar
os teus lascivos caminhos
em nossas curvas intumescidas
nas trocas de espaços mesmo
com pulsar ainda que velado,
e engolir: o sentimento calado.


Mas se eu fizer novos poetas
ansiosos por frêmitos secretos
e dobras ávidas de paixão
por ventres trêmulos sem limites,
língua famintas e quadris jerivás
bailantes em busca de encaixes,
cada verso meu terá valido a pena.

Repousar no joelho
mais aconchegante
e encaixar o rosto
com o olhar imperioso,
Erguer e beijar-te
o queixo em gaze
absoluta de desejo
muito bem feito.


Licenciar ao clímax
com gosto as altivas
curvas intumescidas
aos frêmitos discretos,
Dos meus e dos teus
arrebóis carnudos
e dos néctares febris.


Fazer as nossas trocas,
e cravar no broto erétil
- as ávidas dobras
com sabor de uvaia
para recordar o selvagem.


Deixar que as falanges
deslizem sobre minha
cintura e encontrem
eflúvios de loucuras
devotando ternuras.


No ápice de tudo
o que é só nosso,
O quê vier eu juro
que contigo topo,
com total entrega
do direito à incandescência
efusiva das cútis,
para que nada contenha.


Para que se fulgurem
se libertem, se percam
e se encontrem invictos
o que somente se mantém
em festividade intimista,
com tremores voluptuosos,
mergulhados totalmente
em sulcos intensamente
úmidos e compartilhados,
- sem pulsares velados,
e altamente escandalosos.

Na nuca o sopro lascivo,
percorre, domina e põe
totalmente em transe,
Coloquei nas tuas mãos
a volúpia de alta voltagem,
- para o mútuo deleite;
De ti, minha vida, só quero
mesmo o que é selvagem
e de êxtase me arrebatem.


Confio no meu olhar e ginga,
e confio ainda mais nas tuas
delicadezas vorazes e lentas,
para que com todo o tempo
venha, converta, se rendas.


Render-me ao frenesi
do primeiro beijo com sabor
de Gabiroba entregue,
E embarcar a cada devaneio
e vertigem que só nos inclua
na lista de passageiros,
porque o mundo é grande,
e o senso de aventura
tal qual o nosso romance
- são ainda muito maiores.

Enroscar-me no trono perfumado,
mergulhar no teu olhar apaixonado,
Sentir o teu respirar entrecortado
com o meu entregue pacificado.


No silêncio carregado de emoção,
nas trocas de toques demorados,
Na proximidade repleta de sedução
e atração potente e sinestésica.


Não é preciso manter o desejo velado,
e sim cultuar espaços irreprimíveis,
Doces alternâncias de submissão
e de poder - pitangas íntimas secretas.


Com trocas de mimos e segredos
profundos entre pele com pele,
Não existem vestes edênicas melhores
do que as nossas e o que ferve.

No cair da tarde, em ventania,
a imaginação sem retoque,
sem intenção de ser objetiva
e sem insinuação convida
a recolher-se no teu colo soberano.


Algo mais forte do que previa,
tem tomado conta e povoado
com mais de uma sugestão
de carícia carnal total, por dia;
no fundo juro que eu já sabia.


Com ternura quase que febril
os teus olhos oceânicos preludiam
os meus sussurros nos teus ouvidos,
e em retribuição os teus gemidos
em sucessões declaratórias
que decolaremos os nossos sentidos.


Não sei, se serei eu ou você,
ou nós dois que daremos juntos,
o primeiro e essencial passo,
Intuo que lá no fundo voltamos
aos nossos anos mais meninos.


Com direito a pele em brasa,
com a ardência que não faz dano,
no pedestal do mais elevado plano,
sentindo a potência de estarmos
disponíveis ao abandono doce
com sabor de Cereja-do-mato
dada e roubada com infinitos beijos.


No meio disso tudo o que
está florescendo, só pelo fato de vê-lo,
confesso o desejo pleno em pêlo:
que ainda estou aprendendo
de como lidar com tudo isso,
que chegou sem dar nenhum aviso.No cair da tarde, em ventania,
a imaginação sem retoque,
sem intenção de ser objetiva
e sem insinuação convida
a recolher-se no teu colo soberano.


Algo mais forte do que previa,
tem tomado conta e povoado
com mais de uma sugestão
de carícia carnal total, por dia;
no fundo juro que eu já sabia.


Com ternura quase que febril
os teus olhos oceânicos preludiam
os meus sussurros nos teus ouvidos,
e em retribuição os teus gemidos
em sucessões declaratórias
que decolaremos os nossos sentidos.


Não sei, se serei eu ou você,
ou nós dois que daremos juntos,
o primeiro e essencial passo,
Intuo que lá no fundo voltamos
aos nossos anos mais meninos.


Com direito a pele em brasa,
com a ardência que não faz dano,
no pedestal do mais elevado plano,
sentindo a potência de estarmos
disponíveis ao abandono doce
com sabor de Cereja-do-mato
dada e roubada com infinitos beijos.


No meio disso tudo o que
está florescendo, só pelo fato de vê-lo,
confesso o desejo pleno em pêlo:
que ainda estou aprendendo
de como lidar com tudo isso,
que chegou sem dar nenhum aviso.

Os teus sussurros inescapáveis
durante a colheita dos Cambucis,
convites plenos e embaladores
ao bom néctar partilhado para render
todo o poder merecido e amor
ao teu brilho sedutor e nele me perder.


O seu fascínio não é mais oculto
e nem mesmo o meu porque
sei que sou eu a tal a bailarina
que dança o inevitável nos sentidos,
e se veste intensamente festiva.


Faço a tua volúpia transbordar
sem volta nas tuas mãos de seda
que escorregadias me tomam
ousadas e soltas para a festa
madura, íntima sem testemunhas;
neste reino sem pejo de muitas luas
feito com todo o charme e cortejo,
que nos meus cabem como luvas.

Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.


Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.


Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.


E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.


Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:

- Já para casa, menina!


...


Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":


​"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."

Com a extravagância de corpos
enlaçados e apaixonados,
Com os nossos olhos fechados
e corações abertos temos
a urgência do próximo ato,
Porque deixamos nos seduzir
pela brincadeira e o perfume
natural do amor que viciados
nós estamos sem volta
e sem tédio totalmente gamados.


Embalados pelos voluptuosos
sons dos nossos ais deliciados
por alternâncias quentíssimas
e ondas divertidas de total prazer,
A luxúria evidenciada nos pertence
com aura magnética e todo o poder.


O caos amável que te trouxe é que
desde o dia que me conheceu a tua
régua romântica nunca mais foi,
e nem será mais a mesma por ter
conhecido de perto e ter nas mãos
o domínio do meu encanto sem igual
de tocá-lo inteiro por dentro do meu
jeito por ninguém conhecido e genial.


Envolvidos pelo sabor do amor,
e do doce de Araticum-açu
nos lábios para declamar tudo
o que é cabido para ser eternizado,
E para que seja recordado
nos meus Versos Intimistas
escritos da gente ter se encontrado.

Celebro ter encontrado
o brilho sedutor e o charme
em um único possuidor,
que com fascínio provocador
tem levado a encontrar
sempre com o mais sedutor
ocultamente renovado
capaz de capaz de hipnotizar
os nossos sentidos
e de os pôr para dançar
doces, envolventes e místicos.

Com a cintilação dos olhos
cheios de puro de desejo
por enrodilhamento de peles,
Enquanto há tempestade lá fora,
nos entregamos às nossas
alegrias hoje consideradas
por uns clandestinas,
e com o silêncio provocador,
deixamos pessoas
assim falando sozinhas.


O presságio de cada êxtase
por dedos encantadores,
para absorver safras
com cada novo perfume
dos dias e das noites todas
imagéticas em nossas
silhuetas magnéticas
com beijos frutados,
poemas sendo tatuados
por labaredas de paixão
e pecados remidos por mistérios
e sentimentos envolvidos,
sem nenhum pudor de despir fantasias
para vestir uma por uma
com uma única pétala de Embiruçu.

Negro, esguio, barbudo,
aparentando ter uma idade avançada,
com o seu chapéu de palha trançada
de maneira incomum e delicada,
com suas roupas de algodão,
e com vários assuntos na ponta língua.


Janjão caminhava muito o dia todo,
com o seu cajado e com um saco
enorme nas costas repleto de soluções,
para todas as classes e estações:
Nunca o vi exaltado ou reclamando,
não havia quem não o saudasse,
e não adiantava nem mesmo
oferecer caronas, pois rejeitava todas.


Acreditava que ficaria mal acostumado,
e dizia que se parasse de caminhar
a morte o alcançaria muito mais rápido.


Até hoje não sei como levava
o mundo nas costas o dia inteiro,
dentro daquele saco nada murchava,
o quê era de horta e as ervas medicinais
até pareciam colhidas na hora;
Sem contar os objetos de madeira
pacientemente esculpidos
que mostrava todo orgulhoso.


Todos compravam com ele,
o povo e os doutores
que tinham os seus sítios,
e quem não pudesse pagar,
Ele dizia para pegar o quê
quisesse sem se preocupar.


A sabedoria dele era sem falha,
parecia que Deus através
dele quando conosco conversava.


Nós como crianças gostávamos
de ir até ele para conversar,
para viver a aventura do caminho
que levava para a casa dele,
e que parecia mais um
jardim botânico paralelo
ao rio completamente cristalino,
Tudo ali era plantado
por ele e sem nenhum equívoco.