Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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É Dia dos Namorados,
não me sinto solitária,
melhor só do que mal
acompanhada,
Não posso ser leviana
comigo mesma,
Não me permito viver
sem usar a cabeça.

Tenho uma ancestralidade que me autoriza a torcer durante a Copa inteira.


A Copa para mim não começa com a festa de abertura, e sim quando o Brasil entra em campo.

O tempo é aliado para aquele que
tem direção para escolher e honrar
quem merece caminhar lado a lado,
e receber o amor como legado.


Para amar tão devagarinho
que cada suspiro venha se integrar à pele,
fazendo a sua presença ser beijada
como se o mundo estivesse dando o último adeus,
e inteiramente amada todos os dias
de tal jeito como se o mundo
estivesse sendo criado novamente por Deus.


Olho embevecida com a certeza de ser
e ter encontrado quem eu procurava,
para serenar e incendiar inteiramente
sem doer as expectativas românticas
em águas totalmente claras e atlânticas.


Manifesto querer-te como quem encontra
um templo num paraíso perdido.
Sem permissão, pularei etapas,
mergulharei sem ver o fundo
e me entregarei na tua imensidão:
sem dificuldades assumo o seu coração.


Meu desejo por você é silencioso,
queima tão cheio de fogo e mesmo assim
me faz tão completamente segura,
por perceber que és a minha casa e fortuna,
com direito a florada do castiçal-imperador
da minha América do Sul com todo o amor.


Teus olhos, teu corpo e toda a tua existência
têm desarmado com intensidade e sem pressa,
embora se revelem de tal maneira uma a uma
como presenças renovadas
para te possuir, te guardar e mimar,
e para o meu nome com muito amor passar.


.

Renascer para mim
é em algum lugar
encontrar você,
para começar a viver:
com a melhor arte.

Não é a primeira vez que pedi
para você aprender a voltar
os teus olhos para o céu austral
de ponta a ponta no continente.
Eles querem que percamos
o interesse pela gente para sempre.


Com as mãos eu pego a conjunção
de Vênus, Júpiter e da aurora matutina.
Daqui a pouco vai ter jogo da Copa do Mundo,
enquanto a Bolívia marcha sozinha,
difamada, torturada e esquecida pela rua,
ultrapassando até memória bíblica,
mas vivendo o seu autêntico deserto.


Há um jogo imundo que ninguém
sairá ileso por covardia da tentativa
de fazer vista grossa,
Não perceberam que estamos
atravessando independente
da direção e da bandeira,
a fase mais perigosa da travessia
goste ou não, queira ou não queira.


Por causa da anomia alheia,
cheguei até a jurar que nunca mais
iria escrever poesia política,
Não por falta de empatia ou coisa parecida,
mas por cansaço de ver que o poder
vampiriza a última gota de sangue,
e por ser difícil buscar quem realmente
com a vida se envolve e de fato se alia.
Como calar sufoca, até represa transborda,
não retenho o que é de natureza reativa.

Quero tudo ao mesmo tempo
sincronicamente e sinfonicamente.
Por ambição requintada inspirar,
e dar os mais amorosos suspiros,
E, sobretudo, ler os versos contidos
nas linhas da tua íris misteriosa:
as tradições românticas dos povos.


Envolvida, o meu corpo inteiro
treme e a boca saliva como
se estivesse diante de uma vitrine de doces,
só de pensar na sua mão deslizando
serena e forte na minha cintura.


Tudo isso é mais do que o suficiente
para me enlouquecer o dia todo,
sobre aquilo que sou capaz de te orgulhar
em público e bagunçar quando
tivermos o nosso paraíso particular,
com um canteiro de sálvias escarlates,
para receber uma grinalda entrelaçada
pelas tuas mãos habilidosas quando
chegar a florada para me enfeitar.


Querer sentir que sou o território
do alfa ao ômega — a sua propriedade,
o seu melhor assunto e a sua liberdade;
Tudo o que excita, livra e fascina,
por ser a mais feminina, a mais viciante,
a mais segura e a mais alucinante.


Em cavalgação orientada, devagar,
quando sem testemunhas você se enredar
nos meus cabelos e a gente se encaixar,
do teu jeito favorito me reivindicar
com delicadeza, delícia e firmeza:
ninguém vai nos distrair ou segurar,
viveremos sob a lei da nossa natureza.

Irretratável, coloco-me à mostra:
sem timidez, como uma artista de rua
que se expõe diante de ti em praça pública,
onde és o único pedestre e interesse
que com gentil presença permeia
hipnótico de uma indescritível maneira.


O mundo não me tem dito mais nada.
Até agora vivi entre os calendários
e os relógios — até descobrir
por antecipação que há poemários
em a serem traduzidos e lidos
sob todas as luzes e ângulos.


Irretocável e irrefreável, trazes-me
perto do pomo inexorável
dos teus fascinantes lábios,
Quero eu te apresentar os meus
lábios e também os astrolábios.


Faço a evocação à sua força
e a sua serenidade porque o que
importa é o ápice além zênite
e a curva onde alcança o nadir
desde que se encontrem em seu poder;
sob as formas alquímica e de obra-prima
para nos labirintos da sedução e do prazer,
entrarmos em alinhamento e na sintonia
do beija-flor que com a caliandra se alinha.

Pressa de te pertencer
assumo que tenho,
Ao ponto de vir sussurrando
o melhor desejo
de fazer o tempo parar
aqui em Rodeio.


Para onde me levar
as estrelas certamente
na sua companhia contar,
e com gestos confessar.


Quando o dia chegar
a existência da pressa
não vou nem mais lembrar,
e você também não;
O mundo será obrigado a parar,
e um nos braços do outro
irá docemente sossegar e morar.

A cozinha nordestina é um templo.🫶

Imperceptivelmente,
em estado de genuflexão,
com sensual litania,
liguei os seus sensores
nos meus sensores,
aqueci os nossos motores,
rente à sua respiração.


Ganhei o teu olhar fácil,
e não me preocupo
com os amores de outrora,
com juventude ou beleza;
A rota é segura e a entrega é perigosa,
e a melhor parte com sutileza
foi graças à coincidência.


Sem modéstia, sou a primeira
sob a sombra da garapeira
que apresentou a melhor versão
que não tinha ideia que existia.


Depois de mim, a tua vida não
será nunca mais a mesma.
Só de me ler já está imaginar,
como será a cada instante
os dias dedicados a cativar.


Na rua ou quando a porta se fecha,
sei que estou a te acompanhar.
Porque sou a tua favorita leitura
que respira o seu divino aroma,
tem a sua mão na minha cintura,
e estamos prestes de romper a redoma.

Sem fazer questão de manter
ativa as minhas defesas,
Deixo nas tuas mãos a construção
das nossas fortalezas,
Porque quero desfrutar da minha
vulnerabilidade e da tua direção
a cada nova estação na sua mente,
paulatinamente e poderosamente.


Ser floração e festa a cada condução,
e presa em ti ser o teu coração
em movimento sem deslocamento;
Esquecer do meu nome e agradecer
que exclusivamente te pertenço.


De maneira inequívoca e silenciosa
sem ouvir uma palavra sua ler na íris
do teu olhar quando o desejo
está a me convocar a qualquer hora,
como a titular da tua fome e da pressa,
a constante reivindicação amorosa.


Com fascinação absoluta ser nativa
do teu interior a tua arte com amor,
o acesso exclusivo e encantador;
Como o manacá-da-serra sob o sol,
total em flor render-me ao seu calor,
do jeito que quiser e da maneira que for.

Ter a rua totalmente livre,
patinar na sua direção,
Fazer loucas acrobacias
para chamar atenção,
e quem sabe conquistar
um espaço no seu coração.

Leio cada linha do seu subtexto
que carrega mais do que mostra,
Além de seduzir, arte elevada
sou presença, constância
e substância até a distância.


Não quero que haja controle:
quero desejo, resposta e êxtase.
Não quero que haja negociação,
quero que venha como um furacão.


Sim, eu quero tomar e ser tomada,
por tudo o que é profundo e sem limite.
Desde o primeiro instante do clique,
da primícia do jequitiguaçu em flor,
da colheita e do preparo para o banho de amor.


Caminhar sobre o meu chão pátrio
e amoroso que também é feito
de mais de mil mármores e dolomitas:
Brincar além do tempo e soltar pipas.

Com os pés descalços
nas brancas areias,
Com você no coração
navego em poemas.


(Sem testemunhas,
sem preocupações ou teoremas).

Referências de beleza mesmo as inalcançáveis distraem a cabeça do peso da vida e nutrem a alma.

Nasci para ser o seu ponto fora da curva,
por isso elegi cultivar o amor e a delícia.
enquanto há quem opte pela queda livre;
Para preservar o elevado e a real direção,
para que nada distraia do que de fato importa.


Em preparação tenho afinado o coração
como um maestro afina um coral,
para receber com gala a sua existência,
para que haja o espaço para a melodia
da Via Láctea, e na garganta seja mantida.


Para o encontro das nossas polaridades
encontrem os encaixes sob os ipês floridos,
E nada seja maior do que nossas liberdades
com pertencimento, elegância e intensidade.


Da forma mais luxuosa e cheia de serenidade
para ser e desfrutar da tua entrega com os pés
descalços na beira de um rio permitindo sentir
a ternura a tocar até mergulhar e nos submergir.

Por ter esta mania de você,
manter vocação para ser tua,
e adoravelmente te dar corda,
para fazer história aqui e agora.


Na minha eletricidade interna
ligar a sua potência à minha,
sem deixar nada a desejar,
liderar: unidos a realidade,
e nos liberar dela, se preciso for,
com doses de fantasia e amor.


Para cumprir com companhia
a pulsante e inconfundível
a partilha das tradições românticas
das nossas correntes atlânticas.


Porque angariar o teu corpo
inteiro em derramamento
místico sobre o meu intenso,
para banhar-me no mel
inequívoco do teu desejo,
palmilhando toda a estrada
enfeitada pela florada
do ​Ipê-Roxo-de-Sete-Folhas.


Em nome da aurivolúpia
assumida total em chamas
para que em fundição progressiva
com a tua masculinidade
fazer-me das damas a mais altiva,
soberana, sublime e digna.

Completa e sem nenhuma variação,
deixo-me levar pelo alto impacto
da sua existência e da sua sedução,
sem precisar de manual de instrução.


Como a capororoca está para o sanhaço
não lutar diante da entrega, será fato.
Que venha no tempo de permanecer
integralmente meu e apaixonado.


​Contigo, sentir o tempo parando lá fora,
viver a rendição acontecendo agora;
ser corpo e a alma que conhecem
a real ordem natural e hipnótica.


​Permitir o coração pleno e aberto
para o amor profundo tomar conta...
Feito és para a veneração elegante,
e não apenas para um instante.


​Incorporar a energia preenchendo,
com o inevitável sentir mesmo tocar;
existo para você inteiro morar,
não preciso pelo seu amor implorar.


​Nadar, se desviar dos clichês,
ter o poder de entregar e envolver
com a capacidade real de empolgar
você para oceanos inteiros cruzar.


​Não preciso te pedir: a tua guarda
facilmente diante de mim se põe.
A reverência somos, ímpar sem negar,
e rendição mútua sem sequer lutar.

Na minha boca só mantenho
a sua pele, os seus beijos
e as melhores e mais finas palavras
misturadas com o aroma
do chá da macela reservada da colheita;
E não o que desejam incutir
para nos manter desorientados;
para nos fazer distanciados.


Os lábios e a carícias veneram
tudo o que se descobre em veios
de ágata deste nosso sul brasileiro
com o norte molhados de desejo
pelos teus lábios bonitos e capazes
de fundir com arte elevada o ródio.


Porque se eu for me perder
que seja na perfeição dos teus traços,
para que o prêmio nos tornemos laços
entre trocas e voluptuosos abraços.


O alucinante, o arrebatador e o viciante
definirão rumo aos nossos passos.
O flerte com a imprevisibilidade,
dissolução de um no outro,
a elegância, a abertura e a multiplicação,
trazendo à tona a inevitabilidade
das polaridades em perfeita rendição.


No painel ordinário dos dias
escrever, pintar e desenhar,
para no cotidiano formas dar
com as nossas cores suntuosas,
inspiradoras e inesquecíveis,
para que nos sintamos incríveis.


O corpo e a mente merecem
a concessão de alternância
para que o amor e o auge liderem,
e a intimidade escreva bela,
reservada e totalmente protegida
ao som do balanço das araucárias.


Para que a hierarquia natural
de quem dá e recebe prazer seja
preservada das influências externas,
para que a reverência não se perca.


Da elegância e rendição existencial
alcancem a pavimentação perfeita,
para que a polaridade se afine
de forma a entender e só responder
os nossos códigos de prazer
sensoriais, secretos e sagrados.

Se permitir ser
um Somorgujo,
Enquanto o mundo
afunda no orgulho.