Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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À Shanti De Corte, Milou Verhoof e Noelia Castillo Ramos


Com a razão, o coração e as flores
da coerência e da eternidade em mãos,
ergo os meus tijolos de lamentos
pela absurda série de sofrimentos.


A Europa já não está sentada
no touro branco com guirlanda de flores —
e sequer foi notada.
Os sinos dobram por vós, herdeiras,
que não fostes protegidas nem cuidadas.


Há tempos a Europa foi sequestrada.
Não há sinal de vida dela, nem do touro.
Tudo indica que pelos algozes,
foi por suicídio assistido ou eutanasiada,
e o touro, torturado e sacrificado.


Não vai demorar muito para que vós, herdeiras,
sejais esquecidas pela elite depravada,
porque a direção da Europa
há muito já não se entende a si mesma.


Os princípios, a moralidade e os valores
foram enterrados na mesma cova rasa,
sob a indiferença coletiva e televisionada.


Da minha parte não existe desculpa
que me satisfaça da parte de quem vos abandonou nos braços da morte,
abertamente, na beira da estrada.


Sob a luz do dia que a Europa foi executada,
e a indiferença no território está acampada.
Depois disso, não será preciso
absolutamente ninguém dizer mais nada.

Tenha certeza: poetisas
jamais se matam.
Os andares das musas
jamais lhes cabem.
Se um dia morrerem,
é porque Deus quis
que subissem ao andar
das eternidades enfim.


Mas se Deus não quis,
e mesmo assim foram mortas,
é porque tentaram calá-las
sem saber que poetisas partem,
e poesias sempre permanecem,
--- para ecoarem ainda mais alto.


A consequência quando vem,
inabalável vem a quem,
chega com a colheita oculta,
porque poetisas lidam
com a mais alta intimidade
com a alta noite escura,
capazes de gerar sublevações,
tempestades, libertações
e profundas revoluções.

Lua Crescente esplendente
em pleno cair da tarde quente
no Médio Vale do Itajaí,
Que abraça com o seu verde
a nossa amada gente,
que tem espírito de festa,
mantém firme a garra - e é resiliente,
e que continua firme com memória,
sonhos e suas raízes na História
sem jamais desistir de prosseguir.


Lua Crescente magnífica
que ilumina a querida Rodeio
onde poeticamente o Canário-da-telha
está procurando no Ribeirão do Salto
o seu ninho para ir descansar.


No centro desta cidade é o meu lar,
e é daqui que tenho muita história
para recordar e escrevo no tempo,
em prosa, verso e todo o sentimento
que une rios para os vales renovar
seguindo muito além deste lindo luar.

Distante de ser perto
de um qualquer,
Você não é, e não quero
que seja comparado
com nada neste mundo;
Não existem poesias
no Oriente ou no Oriente
que definam completamente
ou se alinham com a gente.


O trapézio do imprevisível
não provoca intimidação,
Porque com o fogo cruzado
nós temos intimidade.


Do nosso Deus tu és o sabre
contra o Mal e a injustiça,
e nos meus sonhos
o trigal mais vasto de amor
que eu já tive notícia;
Por isso espero e faço votos
de render-me sem medida,
e entre nós não haverá
a última dança nem despedida.

O fanatismo político é arma de destruição em massa.

A Noelia Castillo


Não sei se você está
mais viva entre os seus,
Não sei se os olhos
de outros pelos meus
irão ter tempo hábil
para te salvar,
Não sei se este poema
irá te alcançar.


Só sei que o que você
sente como problema,
é o fracasso alheio
de quem cooperou
para apagar a tua estrela,
que fizeram do problema
existencial deles o seu.


O mundo ao seu redor
falhou com você,
Se eu pudesse te falar,
te pediria para ficar;
mesmo que doa,
resista e fique nem
que seja para incomodar.


E se eu tiver a grande graça
de o milagre divino te alcançar,
quero ver você sã e salva
para a sua própria vida proclamar.

Com a tua silente ternura
sua existência tem altura
muito maior que a de Wakhan,
montanha que desafia
o céu, o vento e as estações.


Reluz um Pulwar de ouro puro
nas tuas mãos que para mim
hão de ser absolutas em tudo,
Uma lâmina curva que não fere,
ilumina a escuridão adentro,
A sua mirada, cravou perene
no peito a Charay poética,
não como o aço frio e mortífero,
mas com verso afiado e doce.


Fez arder um fogo sem explicação,
sem dor, sem ferida, sem ardor
que nem médico ou clérigo
são capazes de fato dissolver;
Foi além do que eu ousava prever,
conquistou meu território
sem arsenal e com potência serena.


Não por beleza que ofusca,
nem por força bruta,
nem por poder que impõe
— mas por conhecer de cor
os "Noventa e Nove nomes de Allah",
um a um, como quem sussurra
segredos de Paraíso que foi
perdido revelando em meu ouvido.


Cada nome era uma flecha invisível,
cada sílaba um golpe indelével
e de graça no coração feminino.
E agora sou terra em rendição,
campos de trigo em floração,
onde esse ardor divino
permanece sem explicação.

Os ventos se encarregam
do ciclo natural da vida,
o Hemisfério Austral rege
o continente destes povos,
e o Condor zela a todos
na Cordilheiras dos Andes,
não cabemos nos instantes.


A Águia Harpia com a sua
total natureza territorial,
cumpre a sua vigilância
nos vales úmidos e profundos
da minha América Austral,
que é o melhor dos mundos.


Onde nascem as begônias
coloridas, místicas e infinitas
que inspiram este coração
para dedicar as minhas poesias,
que nascem, morrem e ressuscitam
neste voto renovado todos os dias.

Aprecio o silêncio
porque nele moro
no teu pensamento.
Desde que comecei
a olhar o espelhamento,
amar-te nele foi fácil,
és transbordamento.


Com muito talento
tu te mostraste,
e que não é somente
[um rosto bonito];
Percebo o fascínio
e que tens gabarito
para ser o meu favorito.


Tudo passou a ser lido
como um recado escrito
pela cor dos teus olhos
que nado como se fosse
o mais distante dos rios.


Neruda disse bem antes
o que já estava escrito:


«Gosto do silêncio
desde que comecei,
a amar-te nele».

No Centro de Rodeio
é onde eu moro,
e não próximo
do Ribeirão São Pedro;
Te conto um segredo
o Canário-da-terra
no Ribeirão São Pedro
cantou diferente.


Algo me disse que
para do amor
não ter mais medo,
e tenho certeza
que ali nos encontraremos
sem nenhum receio;
Porque com todo
o seu carinhoso jeito,
logo virá aqui em Rodeio.

À Catalina Giraldo


Conheci a história da sua travessia,
não nos poupe de ti nesta vida.


Se eu pudesse olhar nos teus olhos,
com certeza te diria:


- Transforme toda esta dor em arte
nesta vida que desafia.


Somente a arte pode ser a ponte
interminável entre a vida e morte.


Não existe nada além da arte
com igual capacidade de conceder
a interminável sorte de morrer,
renascer e fazer-te viva permanecer.

O rio que vem de longe
e abastece a minha fonte.


O Araribá-amarelo cobre
com flores a minha fronte.


Nós habitantes indeléveis
do amor e da paixão inoxidáveis.


Os pensamentos são iguais,
e estamos construindo a paz.


Não somos nuvens passageiras,
não tememos travessias inteiras.

Busquei na sombra
sob o Sol sem conta
andar nos labirintos
da atenção sentimental,
Nos muros coloridos
encontrei e desencontrei,
Porque na verdade a cor
que preciso está no olhar
mais lindo jamais visto,
e por ele o coração está
completamente rendido.

Rio Itajaí-Açu




Não moro na beira


do Rio Itajaí-Açu,


Moro no Centro


da cidade de Rodeio


entre o aconchego


das montanhas,


que com o céu


me entretenho


e a Deus agradeço.






Quando abro a janela


em noite calorenta,


É a brisa do meu


fiel Rio Itajaí-Açu


da minha vida,


que a alma inspira,


enlaça a terra,


e a pele refresca.






É esta brisa que


sempre acalma,


e meu rincão


poético alcança,


trazendo temperança.

Confissões embaladoras
com o afã de submergir,
e abrigar na sua respiração,
coração com o coração
no compartilhado silêncio.


Neste tempo talvez o mais
perigoso da nossa História,
que pede mel nas palavras
por mais que a realidade
flerte com o cruel e o covarde.


Deixar por conta os intentos
das quaresmeiras e as aleluias,
e encontrar sob a floração
da época os maiores motivos
para não apagar os sentidos.

Na companhia de Juana de Ibarbourou


O amor é perfumado,
tem algo que desce
das montanhas na primavera
para defender sua terra.


Como um buquê de rosas
floresce em meio à guerra;
amando, juntos, eles possuem
além de todas as primaveras,
sem temer as noites eternas.

A cidade de Rodeio é cercada
pela graça e toda a majestade
dos gentis vales e montanhas,
que a vida entrega, esbanja
o Rio Itajaí-Açu e por ele é amada,
e pelo Rio Benedito a venerada.


No nosso Médio Vale do Itajaí
é a cidade onde os ribeirões
São Pedro, do Salto, Liberdade
e Rodeio Doze cortejam guardiões
com poemas de amor e eternidade.


E por aqui tudo tornam verdejante,
os olhos absolutamente encanta
tornando o coração mais amoroso,
e com toda a devoção sutil acampa
traçando a rota diária da renovação
nas águas do curso da esperança

A guerra contra o Irã começou errada, existem as partes mais erradas, mas no momento em que todos elegeram agredir civis, todos perderam essa guerra. Todos optaram por ser perdedores.

Guerra dos Sexos: O Conta-Gotas da Destruição


A guerra antes de entrar
sempre precisa cortar
os vínculos afetivos,
e tem por costume nunca
avisar os seus objetivos,
primeiro ela sempre
elege destruir princípios.


Arrebentar a sociedade,
uma sociedade por dentro,
é da guerra — o intrínseco —,
que sempre vem de fora,
para destruir o espírito
e fazer um grande vazio.


A guerra tem por predileção
usar como crueldade tática
o conta-gotas da retórica,
para vir coberta com a vestal
moralizadora e inconteste,
para calar quem a questione.


A guerra dos sexos sempre
cai como uma luva no campo
de batalha das narrativas,
para induzir a destruir
as mentes, os corações
e esvaziar todas as emoções.


[Se você ainda não entendeu
o que está se passando,
passou da hora de ir acordando.]

O Machismo e o Feminismo colocam homens e mulheres no campo de batalha. O meu ser anti-guerra me coloca a distância de ambos. Qualquer coisa a mais que o Grok fale é mentira. Sou anti-guerra dos sexos. Onde há confronto, eu estou fora!