Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Carregar algo de extrema beleza
como o aricá enfeitando o destino,
Criando jardins com terra preta
sendo convencida que é poema.
Buscar preservar a tranquilidade
da época a inocência era intocada,
Mantendo alguma parte preservada
para que o que é indomável liberdade.
Capturar o subtexto que se desfere
para não deixar entrar o que fere,
Deixando por conta da nossa liberdade
indomável para que o melhor se preserve.
Não se deixar levar pelas correntes,
caminhando com todas as coragens.
Romperam o silêncio o galo cantando,
os passarinhos no meio da mata,
e o sino da Igreja Matriz São Francisco,
com a sua forte e contagiante badalada,
chamando a nossa vontade indomada.
A neblina repousando com o seu véu
de fada bem no meio da madrugada,
acordando lenta neste silêncio em Rodeio
dos jogos de poder e dos circos de horrores,
dos ruídos e das cortinas de fumaça.
Não se esqueça jamais de que aberrações
são criadas para rotular negativamente:
fraturar as sociedades, justificar tutelas
para desviar o foco do que realmente importa,
secar oceanos e acabar com florestas.
O que é de poesia e da sinuosidade
do Médio Vale do Itajaí dialoga por mim,
e, de certa forma, também por ti;
não podemos falar demais,
nós podemos dialogar com sonhos,
e ler silenciosamente lábios e olhos.
Um círculo parasita
pousou neste lugar,
Nunca teve história
e nem convívio,
Há mais de um iludido
capaz do próprio futuro
nas mãos dele confiar.
Ainda que silenciosos
no campo das carícias
nas nossas emoções,
e das mútuas intenções:
Embalamos tentações.
Iluminados pela Lua,
sou a tua amada Cantuta,
És tu o meu Beija-flor
em meio a brisa noturna.
Com dulçor tudo ao redor
nos coloca para dançar Huayno
com ritmo, ventura e fervor:
Não duvido que existe amor.
Barbatimão que era florescido em agosto
faz lembrar da época que as mulheres
buscavam a sua casca para o misterioso
chá de passar na maturidade e não de tomar.
Lembro-me bem da busca boca a boca,
de quem anunciava a viagem à toda
para o Cerrado ou até para a Caatinga,
e da peregrinação para achar a feirinha.
Os tempos mudaram e hoje ninguém
mais se lembra desta época de outrora;
o Barbatimão que era raro deve ter
sumido da Terra, da vida e da memória.
Como sou poética, por mim é lembrado,
mesmo sem nunca na vida eu ter usado.
Eclipse é arteirice do Sol,
roçando todo faceiro
com a meiguice da Lua,
cúmplice que insinua
na madrugada absoluta.
De dois lugares distantes,
os dois assistindo à dança
nesta nossa Terra absurda
onde ser poesia é aventura.
Chega uma hora que em alguns temas o melhor mesmo é não comentar com algumas pessoas para não entrar em confronto direto que não leva a lugar nenhum.
Ignoro sumariamente para que desapareçam. Muita gente tem que aprender a não ser amplificador de voz para quem não serve para nada.
Segurei na sua mão
em ritmo de Sanjuanito,
Desejei de primeira
o seu sorriso bonito.
Não é somente fruto
da minha imaginação:
Uma flor de Chuquiragua
receberei da tua mão.
Pedirei aos quatro ventos
que mostrem só o que é
de amor, paixão e rendição.
Não vai demorar muito
para me dar o seu coração:
És o meu amor de perdição.
A poesia é a pipa invisível.
Ninguém captura a poesia.
A poesia é a pipa invencível.
A poesia ninguém captura.
Com amor e guarânias
tu hás de nos alegrar,
E os meus cabelos
tu hás de enfeitar
com o véu de ñanduti.
Porque só de ti não
quero outro destino;
Não me importa que
digam que ainda
hoje crer no amor
seja um real desatino.
Saborearemos juntos
o mais doce mburukujá,
Desejamos que a lenda
permaneça onde está:
amar hoje é possível.
O melhor do amor
assim nós queremos,
O Hemisfério Austral
em ritmo inaugural
nos prepara o incrível.
