Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠As artes postais que
pediam basta de guerra
foram recusadas em prédios
públicos na Argentina,
Fiquei muito perplexa
quando soube da notícia.

No meio da praça cada
arte foi parar como
alma exposta no varal
graças ao esforço sem
igual da artista coerente
com a soberania pátria
sobre as ilhas Malvinas.

A América Latina vem
sendo rodeada por
detestáveis sombras
e o interminável
pesadelo de olhos
abertos de todo o Haiti:

(Não é exclusivo daí,
é sobre tudo o quê
se avizinha sobre nossas vidas).

Todos estamos sitiados
por relapsos,
e como isso dói daqui.

Deixo tudo isso registrado
nestes versos latino-americanos
enquanto o tempo passa
e vejo a partida do velho tupamaro,
a injustiça operante contra
paisanos, uma tropa e um General,
e toda a nossa região mergulhada num interminável caos e desgraça.

E ainda há de se consertar um mapa,
e quero que você saiba que noGuadacapiapu-tepui
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros onze tepuis habitam.

⁠A paz é o bem invisível mais caro que mais proporciona todas as possibilidades para que conquistas concretas ocorram nas nossas vidas.

⁠A gentileza e a gratidão fazem o teu nome.

⁠Em mim vive a América do Sul
ao som de todos os tambores
das nossas Pátrias e amores.

Sempre que ouço que mataram
um país dentro de um peito,
Entendo a dor do outro e respeito.

Se não for atento matam mesmo,
As guerras nos mostram o quanto
é atroz, profundo e verdadeiro.

Sempre recordo o tempo inteiro
canções, sinais e legados,
para que não haja apagamento.

Todos os dias tentam matar
o meu país dentro do meu peito,
Só que o meu espírito
é de rebelião e eu jamais cedo.

Todos os dias tentam matar
aos poucos o continente inteiro,
E se não vigiar acabam com todos
nós do dia para noite mesmo.

Antes fosse poesia contemporânea
e até mesmo total devaneio,
Paisagens, cidades e identidades
desaparecidas dos mapas e do tempo.

⁠Poesia oculta feita de vários
livros nas estantes das bibliotecas,
Assim sou eu a abrir caminhos
para todas as descobertas.

Por mais que fechem ou queimem
sempre serei aquele livro
que ao reaparecer iluminará alguém
quando menos esperarem.

Porque silenciosa de vários livros jamais serei rebelião controlada,
Podem me fechar ou queimar,
que sempre haverá alguma escapada.

⁠Yantias em parte da cena alterada,
A caminhada não será parada,
Karma para uns agora é carma,
O silêncio de quem deveria falar,
Não vai atrapalhar por nada,
Tua fé também é a minha,
Isso ninguém vai nos roubar,
Poesia contemporânea desta terra:
União da gente que ninguém quebra;
Todos vão nos ver juntos por aí,
E sentirão orgulho da nossa História
Porque o Esequibo é todo nosso,
Unidos sempre e imparáveis
Iremos vencer os inimigos do destino.

Meu pensamento e o coração são teus,
Amor meu e meu presente de Deus,
Razão e todos os porquês de seguir
Insistindo nesta História até a vitória
Num lugar onde todos perderam a fé,
Gostaria de dizer que não desistam:
Mesmo que digam que está perdido,
A recuperação está bem próxima.
Ter paciência é iminente,
E ter coragem é mais que urgente
Para imparável caminhar em frente,
Unindo sonhos persistentes de seguir
Insistindo e protegendo o Esequibo.

⁠Ninguém precisa ser
amado disfarçadamente,
Quem ama, sonha,
confia, realiza e demonstra

Ninguém precisa ser
o plano B de ninguém,
porque foi o último
que sobrou para quem
precisa sentir que é alguém.

Quem ama é poesia,
do Universo toca
facilmente a fibra
e sempre surpreende.

Ninguém precisa
ser o artifício para
chamar a atenção
de um outro alguém
ou por autoafirmação.

Quem ama quando
acorda vai embora
e esquece para sempre
o caminho de volta.

Ninguém precisa ficar
onde o amor não é
inteiro e para se livrar
basta um passo de cada
vez para nunca mais voltar.

⁠Eu sou o poema
da dupla fronteira
venezuelana e brasileira,
E de todos os povos
originários do continente.

⁠Se unir ao aparentemente mais forte não significa maior garantia de paz.

⁠Às vezes penso que
o meu continente
está mergulhando
lentamente no lago
parado da morte.

Na América Latina
não tem sido nenhum
pouco diferente,
E imparável só penso
a cada dia mais
em resistir porque
junto eu não
vou e não quero ir.

O atraso processual
anda castigando
os presos e as paredes
das prisões e existe
um oceano de gente
que finge não ver.

O velho tupamaro
originário segue
em martírio há
mais de vinte dias,
E a Comandante n°2
em situação infernal:

(países diferentes
num pesadelo igual
com ideologias
e tragédias coincidentes).

Não é segredo que
corações maus levam
qualquer ideologia
à total deriva e tudo
o quê leva na vida
tempo para conquistar.

Em Fuerte Tiuna
estou entre aquilo
que muito machuca
e tudo aquilo que
é muito impossível
de compreender.

No meio desta
gente que precisa
de paz para se entender,
todo o santo dia
quero saber da tropa,
do General e do mapa.

No Guadacapiapu-tepui
do Esequibo Venezuelano
por todos e tudo isso
insisto nos meus versos
latino-americanos com a intimidade
que todos ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.

⁠Quem não concede a palavra ao outro não poderá reclamar quando perder a voz.

⁠Guerras terminam e tiranos
caem quando entendemos que
só com a união que a amizade
pode trazer a possibilidade
de todos reerguerem as suas vidas.

⁠Quero plantar flores,
e no mundo
despertar amores.

⁠O amor
que sinto
é o poema
mais lindo.

⁠As pessoas reclamam,
a irmã reclama,
Os amigos reclamam,
todo mundo reclama,
E eu que não tenho nada
a ver com a História também,
Devemos ser solidários
para o nosso próprio bem.

Enquanto reclamo fico
contando e recontando tepuis,
e assim tem sido desde
dois mil e dezoito pouco
depois da prisão injusta
que o General preso continua
passando por pelo aumento
de restrições ainda mais
fortes junto com outros
presos de consciência
em Fuerte Tiuna.

Ah, eu sou a voz da minha
Mãe que pela vida
do velho tupamaro e pelo
Esequibo também reclama,
Não se esqueçam disso,
dele que está passando
por greve de fome há mais
de vinte dias e com a vida
em perigo porque
a Justiça não dá ouvidos

O quê é de política é de política,
E o quê é de direito
de recuperação territorial
É de direito
de recuperação territorial;
Em vez de quedas de braço
inúteis já deveriam ter
feito a reconciliação nacional.

E no Yuruani-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.

⁠Os meus poemas estão
explodindo todos
os dias no seu coração.

Não adianta apagar
os meus poemas porque
as tuas bombas um dia
acabarão e os meus poemas não.

Traidores deixaram escorrer
Kherson pelos dedos
e para nós não há mais segredos.

Você prefere continuar
condenando 30 milhões abaixo
da linha da miséria
para continuar cometendo
os seus crimes de guerra.

Nestes meus poemas tenho
salvo o máximo o quê consigo
de todas as memórias:
Mykolaiv, Kharkhiv e Odesa
foram pelos ares nestes últimos dias.

Você prefere mergulhar
no orgulho e os outros
na comodidade da covardia,
e eu que sou a parte fraca
da corda o quê posso fazer é poesia.

⁠A vida é maravilhosa. A alma humana é perversa. A dor que se sente dilacera, mas não chega perto da grandeza da vida e dos milagres que nascem a cada instante. Das cicatrizes da alma brotam jardins infinitos.

⁠Daqui onde se fecharam
muitas bibliotecas,
Vem virando um grande
gabinete a céu aberto
de mentes vazias
que só têm nutrido
as almas com idolatrias.

Para tentar salvar a mim
mesma e quem me lê,
E por ambição encontrar
uma luz no final do túnel
para os presos de consciência,
aqui estão os meus
versos latino-americanos
à um General e uma tropa
porque eles estão presos onde
o tempo não passa e sufoca.

Não é fácil, entendo e respeito
e eu sei que leva tempo
segurar firme os rumos
para que os distraídos não
se deixem ir pelas águas aparentemente tranquilas
e nas delícias saborosas
que na verdade não
passam de armadilhas.

Só sei que enquanto não
houver uma resposta
satisfatória ao velho tupamaro,
ao General injustiçado,
aos presos políticos como eles
e o mapa e rumos continuarem
sem ser corrigidos:
serei a continental inquietação.

⁠O General continua preso
injustamente há mais
de quatros anos por causa
de uma falsa acusação
de instigação a rebelião,
e sem nenhuma previsão
de justiça simplesmente.

Há paisanos e militares
em trágica situação
igual onde as vidas
estão contando com
o milagre do encontro,
diálogo e da reconciliação.

Expresso preocupação
pela vida do velho tupamaro
em espírito de rebelião
que não come há vinte dias,
E preocupada com
as últimas notícias do que
dizem estar passando os presos
de consciência em Fuerte Tiuna

Separar os fatos é preciso,
devolver o território
à Venezuela é um imperativo
que a Corte Internacional deve
agir em nome do que é de Direito.

E no Achipo-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.