Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠Amor suave, macio
e perfumado como
campos de aveia é
o nosso amor que
celebramos até
onde não houver
momento porque
passamos por muitas,
e mão um do outro
jamais abriremos.

⁠O fio do zinco do destino
nos une e nos guia,
e celebramos hoje a nossa
união de amor com alegria.

⁠O destino com os seus
sete movimentos,
seus bastões girantes
estão batendo fortes
o meu caminho
para o coração ficar
vivo e com ritmo.

A palavra é o refúgio
que nada tem a ver
com fuga ou precipício,
é subir no mirante
para espiar da onde
virá o auspício.

Não que eu esteja feliz
tenha um amor
ou esteja com dinheiro,
Os três eu não tenho,
e vergonha também não.

É na poesia da dança
do vilão vou bailando,
na palavra buscando
o equilíbrio para quem
sabe o amor encontrar,
e a felicidade conosco ficar.

Amor ao dinheiro é flertar
com o aborrecedor,
Ação sem verbo é como beijo
sem língua que não tem sabor:
destino sem dança é autodestruidor.

⁠Os nossos arcos floridos
por nós foram unidos
para fazer a balainha,
continuamos a dançar
em nome das voltas
que o mundo dá,
o teu amor é meu,
e para sempre será;
Está escrito na terra,
nas águas e no ar:
a poesia que nunca
irá por nada se apagar.

⁠De ida na mesma direção
e de volta na mesma direção,
O bailão imita a vida
quando o assunto é coração;
E lá vamos nós neste xote
das sete voltas pelo salão,
e a poesia desta invernada
nos inundando de paixão.

⁠Na roda da Meia-Canha
os meus versos foram recitados,
Encontrei ali o meu amado,
e continuamos enamorados
além do amor e da poesia:
Somos afinação e harmonia.

⁠A vida de vez em quando
se parece um bailão,
Existe gente com duas damas dançando xote no coração,
Só sei que quem quer duas
não fica com nenhuma;
Nada tendo a ver com poesia
é a lição inevitável da vida,
Xote das duas damas só mesmo
é no bailão que se pratica.

⁠Meus sarandeios
e teus sapateios,
Você indo para lá
e eu indo para cá
só na Rancheira
de Carreirinha
com a gauchada,
Você sabe que
estou apaixonada,
e te querendo
mais do que poesia,
Eu sei que sou
a tua amadinha
e você não sabe
mais me deixar sozinha.

⁠Você sapateia
e para mim sarandeia
E eu me derreto
e para ti sarandeio,
É a poesia do Anú
nesta dança acontecendo;
Sabemos que um
para o outro não
somos aves de verão,
Só falta mesmo é a confissão.

⁠Você na minha frente
castanholando os dedos,
- nós dois sem segredos,
Você me encantando
com as suas esporas,
e eu com o balanço
das saias te hipnotizando
querendo que você
me roube um beijo
como quem colhe amoras,
Nós dois só no ritmo
do amor e do sarrabalho
celebrando estações e auroras.

⁠Eu gosto de lembrar daquilo
que é bom e bonito,
Não me esqueço de lembrar
quando você dançou
Chico Sapateado comigo;
Você da minha
cabeça não tem saído,
e a minha poesia
está sempre contigo.

⁠No espaço da preparação
do mate amargo
que adoça o coração,
Fomos dançar a Chimarrita
no meio da sala de casa
para estarmos afinados
para o dia do bailão,
No fundo dos seus olhos
vi o amor e a paixão,
Você é melhor do que poesia
e qualquer truque de sedução;
És a minha canção preferida,
amor para toda a minha vida.

⁠Nós na fila entre
gaúchos e prendas,
A poesia da gente
já estava no olhar,
Você parou de repente,
bateu as esporas duas vezes,
Começou a fazer dois
passos para lá e dois para cá,
dançamos a Quero-Mana,
pude captar a sua manha
e a vontade de me namorar.

⁠A lança já está no chão,
sapateando no salão
você me encontrou
no meio da multidão
dançando chula
e ao mesmo tempo
tocando música
na gaita do coração:
Foi assim que o amor
aconteceu e formamos
o par mais romântico
que se tem notícia
escrevendo o destino
com toda a poesia
e a mais doce sedução.

⁠A animação da gente
no bailão dançando
a dança do caranguejo
que não apagou
da lembrança do coração,
A minha saia suspensa
por cada uma das mãos,
As tuas esporas fazendo
parte da percussão,
É a poesia do encontro
se espalhando pelo salão.

⁠Chemtrails cruzando
o céu neste anoitecer,
O ar anda pesado
no meio dessa gente
que se cala ou fala
com você como
não fosse meritório
de receber o mínimo
de respeito e educação.

Balão espião que
atravessou as fronteiras
da Soberania
_metáfora lúcida,
e sem poesia nenhuma
para o cardápio do dia.

Não estamos em época
de São João,
O trem para a roça
descarrilhou
e ninguém anda fazendo
questão de colocar
de novo no trilho:
O transtorno para muitos
tem sido o objetivo.

O melhor que posso
fazer daqui adiante
nesta estranha vida
é conversar sozinha
ou nas entrelinhas
esperando pelo fim do mundo.


(Não consigo viver de mentiras).

⁠Quem plantou a cana verde
não foi e nem foi você,
Quem plantou a cana verde
foi a poesia para te levar
para comigo no festão dançar,
girando com uma mão só
e eu com a saia a bailar:
Para quem sabe nos teus
lábios de cana a doçura
conseguir encontrar
e o teu coração conquistar.

⁠Os nossos lenços a postos
nas nossas cinturas,
Você veio na minha
direção e eu perdi o ar,
Quis capturar o seu
respirar porque não
via a hora de te beijar
a poesia estava no seu olhar,
Começamos a dançar
a Tirana do Lenço
com cada um no seu tempo
colocamos os lenços a girar.

⁠A tua mão nas costas,
a minha na cintura,
somos loucura pura
rodopiando no salão
ao ritmo do bugio,
Você sabe que caímos
no truque do destino,
És meu amor sacudido
e eu sou a poesia
que te fez a voltar
a ter coração de menino.

⁠Na altura dos olhos,
muito mais altas
do que os sonhos,
as nossas mãos
começaram serenas
a se enamorar no ritmo
da Valsa de Mão Trocada,
Que num estalo fez
de mim por ti gamada.

Os gaúchos e as prendas
a rodopiar começaram
no salão a se alternar,
Não quis fazer nenhum
esforço para disfarçar.

A poesia romântica
do seu perfume a partir
deste dia nunca mais
eu consegui olvidar:
Você não vai se segurar.