Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠Quem se mete
com os protegidos
do Nego D'Água,
do Minhocão do Pari
e do Pé-de-Garrafa
não sabe a ideia
que está arrumando,
Não ignore o quê
estou te avisando,
Depois não diga
que não te avisei.

⁠O encontro das Cheganças
vem rompendo o silêncio
desta cidade romântica,
As pessoas pouco a pouco
estão aparecendo acenando
das janelas das suas casas,
Estas Cheganças nascidas
da fé e do nosso inspirado
povo que compõem
saudações ao Padroeiro
trazem o condão e a poética;
Um olhando para o outro
cumprem do mesmo jeito
o gostoso efeito de festa,
porque nossos corações
fazem música de orquestra,
e deixamos nos envolver por
este amor que a gente venera.

⁠Por premonição vejo
o sangue de um fluindo
para as veias do outro,
Mudamos de lugar
neste Balandê Baião,
Começamos a dançar
no ritmo da sedução
até a hora do balancê
da paixão vir alcançar
os apelos do coração.

⁠Poliglota dos idiomas
dos outros e dos idiomas
que criei mim mesma,
Vivo tentando traduzir
o quê está na cabeça.

Para não me transformar
no Arranca-Línguas
da lenda melhor mesmo
é escrever um poema.

Trancando o meu próprio
Diabo na Garrafa,
Dou boa noite para quem
é da noite e dou bom dia
para quem é do dia.

(Porque na vida tudo é nuvem).

⁠Falar de paz nunca é demais. Falar em paz nunca é demais. Varrer o veneno da ofensa e a ironia na fala ajuda demais.

⁠O meu nome há de ser a sua
música favorita quando menos esperar vai se pegar cantando
porque sei que o seu coração
está todos os dias embalando.

Entre Enfeitados e Mascarados
dançando com o Boi Calemba,
Sou eu a dama deste folguedo
vestida com este gentil poema.

Quando este folguedo for findado
a Lua estiver bem posta,
e sem precisar de aposta:
não me negue a serenata
amorosa de cavalheiro apaixonado.

⁠Do centro da roda do Bambelô
ouvi você batucando,
eu tenho certeza que é amor,
Meu bonito Zambê,
O Bambelô tem o DNA
do Coco e do Batuque,
E eu te quero sem censura
e sem nenhum truque;
Você vem sem eu precisar
chamar porque colado
no meu coração é o teu lugar.

⁠Quem controla demais é porque nada tem a oferecer ou oferecerá nada mais do que nada menos do que o Inferno.

⁠Minha Mãezinha-de-Ouro,
nos caminhos do Brasil
profundo se a senhora
me ajudar encontrar
algum tiquinho de ouro
como prêmio desta andança,
ficarei muito agradecida;
embora seja outra a minha
verdadeira esperança.

Sabe, minha Mãezinha,
se a senhora resolver
me ajudar a encontrar o amor,
Daí sim! Eu vou ficar rica,
porque o ouro acaba
e o amor é que sempre fica.

⁠Se não for para falar de paz ou defendê-la, o silêncio sempre será a melhor opção.

⁠Saúdo a Cabaceira porque
sem ela não há cabaça
para o Samba de Cumbuca,
Sem Samba de Cumbuca
eu não escuto você cantar,
E ficar sem te ouvir cantar
é a mesma coisa que deixar
de ler poesias por todo o lugar.

⁠Do envelhecimento só tenho dois medos: medo de perder a vontade de aprender e medo de deixar de ser interessante para mim mesma.
No mais, cada segundo de vida conquistado pede gratidão e celebração mesmo de forma silenciosa.

⁠A vivacidade intelectual é o mais importante, quando se cultiva isso penso que a exterioridade se torna um detalhe imperceptível. Pessoas inteligentes não envelhecem.

⁠Os seus olhos brilharam
mais do que uma constelação
quando me viram
no meio desta multidão,
Você me convidou para dançar
o rasqueado cuiabano
para defender a tradição,
E lá nós dois fomos
rodopiando no meio do salão.

⁠Mais assustadora
do que a lenda
da Missa do Dia dos Mortos
é a sua cara feia,
Para ficar correndo atrás
de casamento,
não nasci com tal paciência.

Pior do que a sua própria
cara sou capaz de ficar
quando estou de mau humor,
aconselho não se arriscar,
Sobre a guerra dos sexos
nunca vou me interessar,
Se nasci para ser Tia Velha
não faço nem questão de lutar.

Das versões mais
convincentes da Mula Sem Cabeça,
sou aquela que não se casa
e deixa até o padre em paz;
E assim aqui está escrito o poema
da solteirona sem dilema.

⁠Todo o meu respeito
devoto às mulinhas
do nosso Brasil,
Só não quero que você
seja como o vaqueiro
da Mulinha de Ouro;
Eu sou feita de poesia,
cuide do meu coração
como o teu tesouro,
Se o teu amor não
for impoluto como
o quê eu tenho para te dar,
Continuo a escrever
poemas e ver o cortejo passar.

⁠Quando deixam
de te olhar nos olhos,
Quando deixam
de te emprestar os ouvidos,
Quando deixam
de falar inexplicavelmente contigo,
Quando absolutamente
nada conspira a seu favor,
Sempre será o livro que continuará
te fazendo companhia,
viajando, debaixo da chuva,
no meio da guerra
ou quando você se encontrar
absolutamente sozinho.

O livro ensina a ser e a não ser,
por isso escolha bem o seu livro
como quem escolhe o melhor amigo.

⁠Mistura de corpos, gingas
e ritmos na memória,
Não me esqueci a Lambada
da História e não preciso
deixar de gostar mesmo
que tenha saído de moda,
Quando você chegar
mesmo sem saber dançar
é bom você saber que
vou dançar Lambada contigo.

⁠Lidando com os mitos
dos amores impossíveis,
Mergulhando no lago
de tédio neste domingo
E tendo as belezas
do Vale Europeu Catarinense
para beijar os meus
olhos enquanto o amor
dos meus sonhos,
Revisito a "La Sarneghera"
em busca do perfeito poema,
Dou graças que moro
em Rodeio no Médio Vale do Itajaí
E agradeço a ancestralidade
por ter chegado até aqui.

Porque o amor tem
o seu próprio tempo,
e o melhor mesmo
é não ter pressa e nem medo
para evitar qualquer contratempo.

⁠Você já leu ou ouviu
isso antes, e Hobbes
que perdoe a paráfrase:
"O Homem é
o Lobisomem do Homem",
Os tempos mudaram,
e ninguém precisa sair
por aí para matar ninguém
mesmo que seja pela via
da reputação de outrem.

A bala de prata agora
tomou outra forma,
a bala de prata nos tempos
de hoje é a palavra,
Em tempos de mentirosos
basta falar a verdade que o Mal acaba.