Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
O meu coração romântico
com raízes bem fincadas
na Mata de Terra Firme,
Desejo perpétuo e sublime
envolvido pelo capuz ebúrneo
íntimo que guarda secreto
o sonho de ver de perto
o seu semblante decidido.
Encanto perene e mútuo
de entrega o tempo atravessa,
Castanheira-do-pará em flor
confiante do seu amor celebra
por antecipação a entrega
que haverá de acontecer:
nas tuas mãos pacientes
sem nada deixar arrefecer.
Nem brasa e nem fumaça,
em nós há um fogo que
queima, arde e não se apaga,
Há em nós permissão ampla,
fina, incontida e deliberada,
É questão de tempo aberto
para a rota encaminhada
para encontrar a Via Láctea.
Tenho um pouco das orquídeas
das várzeas baixas ou altas,
Não posso me contentar com
o que os olhos não veem.
Só posso me contentar com
águas cristalinas e doces,
E com todo o amor que
o coração deseja e mantém.
Não amo o que convém,
sem saber onde e quem;
Quero o que posso ver
e sentir que me faz bem.
Colocar-nos sob a testemunha
do Hemisfério Celestial Sul,
e permitir a licenciosa ternura.
Envolver-nos com carícias
da absoluta Seda de Tururi,
e pedir mais que sete vidas.
Render as selvagens primícias,
as empolgações, as delícias
os encantos e as doces malícias.
Erguer os marcos necessários,
estabelecer o território seguro
para o amor se manter e estabelecer.
Emergir o lado monomaníaco
por celebrar com audácia tudo
o que traz para perto o erotismo.
Entre afagos e digitopressões
sensuais aliviando as tensões,
e escapar do mundo virado.
Porque a entrega é amazônica
onde convergem permanecer
e nesta doçura de estremecer.
Cobri-lo como se fosse uma
deidade com uma manta feita
de Seda de Miriti sob a Lua.
Deixar que o descanso ofereça
tudo o que não posso oferecer --
diante de ti não posso arrefecer.
Com a Seda de Sumaúma
acolchoar o seu conforto,
com o meu beijo de hortelã
colocar você nos braços
dos nossos íntimos sonhos
nem frios e nem mornos.
Até o momento do abandono
para zelar com amor o sono,
e fazer o mesmo para estar
de pé antes de despertar.
Para quando o acordar vir,
seja faceiro e risonho
e plenos nos encontrar
no café-da-manhã pronto.
Teus olhos magníficos
iluminam infinitos,
com luares crescentes
nos dois contidos.
Fazendo-me Vitória-régia
nívea na Mata de Igapó,
Esperando na tua pele
e para a dança me leve.
Sob a tua seda das noites
tornar-me a rósea sutil
da satisfação e pendores,
para sermos senhores.
Não sentiremos nenhuma
receio, fome, sede ou frio,
Apenas seremos convictos
que o amor não traz desafio.
Floração de Manduí
silenciosa no coração,
É a minha presença
que traz o frescor
com flores do amor
discreto e feminino,
Que não será resistido
por nada nessa vida.
Revelo-me como titular
assumida da rebelião
interna que não pode
ser dentro de ti contida,
Eis-me a inabalável
que mantém o tempo
todo a tua pele acendida,
e a fantasia mais realista.
Quando a palavra me fere
como Jacarandá de espinho
elejo ser porque floresce,
e a indiferença não fenece.
Espargindo flores e carinho
trazendo beleza solene
infinita pelo caminho,
sem nos deixar sozinhos.
Somente me defino sob
a régua da Via Láctea,
nem o bloqueio a Cuba
amordaça a minha fala.
Os Românticos de Cuba
coloquei à meia-luz da sala
para o ambiente preparar
esperando me encontrar.
Nos quatro hemisférios
há poeira das estrelas
dispersas e mistérios
ao redor flores místicas
do Fedegoso em pleno
majestoso fevereiro,
adornando emoções,
desabrochando com tentações,
E tocando as cordas
o coração romântico;
Para sob ele te encontrar
pronto para o amor,
e paixão inesquecíveis,
Porque sei que juntos
seremos irresistíveis.
Folia de Carnaval
anunciada no silêncio
citadino de Rodeio,
Antecipando do que
ainda para nós não veio,
e que não pede freio.
Do teu amor não
terei nenhum receio,
E o seu coração
com o meu terá jeito.
Sob a Lua de Neve
por dois escrevo,
O sutil encanto que
ilumina o romance
bonito que preludia
com gala e magia.
Não tenho vocação
para ser Paraselene,
trago amor perene
como a Lua Austral
que te pertence infrene.
No alcance das mãos,
a ternura no céu íntimo
possuidor das estrelas
que iluminam o destino,
que com astúcia mimo.
Não tenho outro padrão
que não me faça única,
ou que não me faça tua;
sou a tua sublime loucura
de amor que em ti perdura.
Até porventura quando
estiveres por acaso distraído,
eis-me como a tua contínua
busca que reina absoluta,
a intocada fortaleza que perdura.
Um pacto romântico
raro para este tempo:
Tornar-me a Rainha
neste Maracatu Rural,
Ser a dama especial,
a tua Lua Brasileira
no céu do sentimento;
E ser o paraíso total
no teu pensamento
a todo o momento,
Porque quero que seja
o meu divino Rei,
o dono do fechamento.
Depois da chuva cair,
seguir os teus passos,
Sentir a delícia que é
o aroma de petricor,
Dançando o Cacuriá
no ritmo do tambor,
que faz o nosso amor.
Tocando na varanda
para a vizinhança ouvir,
Não conhecemos mais
outro ritmo a seguir,
O que queremos traz
só o que ancora e faz.
O mundo lá fora para
tanto faz, e não perfaz
sobre o que importa,
E nunca será diferente
porque amamos amar
avassaladoramente...
Enraizada de tal forma
na minha amada Pátria,
Que tudo de minh'alma
no próximo se replica,
Até o meu alcance revira
quando o Minhocuçu
dança e a terra respira,
em cada grão se apega,
e encontra o que inspira.
Nada retira a autoridade
de ter visto ou vivido,
Ainda é bem vívido
como se tivesse ido
agora para encontrar um
povo gentil que sabia
receber a qualquer hora,
Sem marcar parecia
estar esperando desde
a aurora matutina.
Ali lado a lado de nós,
sem questionar --
e sem importar da onde
veio ou para você onde vai,
olhar para o relógio
não estava em questão.
Nostalgia de Ardósia
bruta ou em placa --
de quem tem memória
estradeira até chegar
de longe em Paraobepa,
Sem mesmo atentar
que ía pavimentando-se
o tempo naquela terra,
e trazer à tona a poeta.
No Hemisfério Celestial Sul,
o céu da minha Pátria amada
a Aurora Austral alcançou --
e em Santa Catarina tocou,
deixando Alfredo Wagner
toda hipnotizada...,
e a mim como mulher
plena, confiante e preparada.
Sim, o meu coração por
um instante apaziguou,
com presença empolgou,
e sigo encantada...,
não pensando mais nada
que me tire dessa cena
que deixou-me extasiada.
Não faço previsão quando
a Aurora Austral voltará
por aqui a iluminar,
Só sei que antes disso
quero estar com você
do lado para gente se mimar,
e do jeito merecido nos amar
de tal forma que não queira
mais para o mundo lá fora voltar,
e outros amores vir a conquistar.
Permita-me tocar
as suas emoções,
Deixa-me habitar
nas sensações,
Libera-me os teus
doces pensamentos
e os sentimentos.
Para que dancem
os deuses em ti
de igual jeito quando
a Aurora Austral
encontra o bailante
Oceano Atlântico Sul,
e sagre o romance.
Porque das cores
desta e de outras
auroras nascemos,
Vestidos e despidos
nós dois estaremos,
sempre que por amor
nos for consentido.
Com os meus pensamentos
eternos de noiva em fuga,
não preciso de televisão
quando abro determinado
a janela do delicado coração
e do meu quarto para que
a brisa do Rio Itajaí-Açu
amavelmente e me refresque.
Fixa no rebanho de nuvens
gentilmente se abrindo
para que venham as estrelas
para me pôr sorrindo,
e fazer companhia aqui
nesta cidade silenciosa cercada
pelo Médio Vale do Itajaí.
Assim terna me encontro
como o eco das vozes
não ouvidas pelo poder
nesta América Austral,
O silêncio forte e gutural
e de pacto rompido pela poesia,
Que te põe nos andares
do heroísmo implacável,
do amor realmente inevitável
e impulso inescapável
feito para toda a sua vida,
alcançando ser notícia
de ser a mulher por ti elegida.
Conheço todos
os seus sinais,
No mar de rosas
os teus lábios
hão de ser o cais,
Para unir-nos
como uma orquestra,
nos leve onde
o céu encontra a terra,
e o amor seja a linha mestra.
Do zênite ao nadir sem precisar
pedir fogo para me aquecer,
Tornei-me habitante do mais
profundo e absoluto querer.
Para quando o meu coração
se deslocar todo para o seu,
não ter que passar fome e frio,
e se unir mansamente contigo
até onde permitir o infinito.
Como os tiranos de interesses
escusos estão fazendo
com o povo do Vale do Tirah,
comigo você jamais fará.
Porque estou preparada
para o jogo alto e feito de veludo,
para fazer da sua pele saborosa:
o meu emaranhado seguro,
quente, sem medo e absoluto.
