Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Quando se é por muito tempo invisível,
e só te põem no último lugar seja lá
qual for o motivo o melhor é não se iludir;
És o teu magnífico caminho a seguir,
não perca tempo com o que tende a se esvair.
Você não tem o dever de distrair o tédio,
de ser para o emocional o analgésico
ou de preencher o vazio de ninguém;
Não tenha dúvida que o melhor mesmo
é ficar na sua para o seu próprio bem.
Abra os seus olhos para a beleza e a delicadeza,
permitindo que a florada da Imbuia cubra
todo o seu caminho porque és em todas
as estações a sua melhor companhia;
Para que não perca por causa de quem quer
que seja a sua confiança e a sua alegria.
Esteja de prontidão para que o melhor da vida
te encontre de prontidão para viver o amor
de corpo, alma e coração com integridade;
Se proteja de verdade mesmo que na solitude
te coloquem contra a parede, que os anos passem
ou até que façam você que agora já é tarde.
Política e geopolítica não podem servir de pretexto para um tiranizar o outro individualmente. Não faz nenhum sentido discussões intermináveis entre nós que somos da base da pirâmide sem nenhum poder real de decisão.
Não existe florada igual
ao do poético ceibal
sob o Hemisfério Austral
na beiradinha do rio
dos pássaros coloridos.
Deveria ser proibido
olhar com outros olhos
que não os teus olhos
tão infinitos e lindos
para a beleza do Uruguai.
Porque os teus olhos
são o meu principal motivo
para olhar para frente
com o que há de mais romântico,
e não pensar nunca mais
sequer dar um passo atrás.
Percebi galeanamente
na própria pele o efeito
do que são as veias abertas
da nossa América Latina,
Embora se misture
com leveza e toda a delícia.
Sinto que estou na tua
e você ardente na minha,
levando na carne profunda
a dor da nossa gente,
Vivendo tudo ao mesmo tempo
o que a gente muito sente.
Carrego o mesmo balanço
da Palma de Cera Quindío,
nascida no Vale do Cocora.
Não é de hoje que por ti suspiro
e minh’alma inteira se enamora.
No ritmo vivo do Rio Quindío,
é para tua direção que sempre
tenho buscado o caminho,
perdidamente amoroso,
para que não fique só em sonho.
De ti jamais abrirei mão,
porque sempre que te percebo,
o peito se põe a tocar bambuco,
por loucura de amor e impulso,
mesmo que o mundo diga
que ando flertando com o absurdo.
O tempo propício chegou
de um mostrar o quanto um
pelo outro sempre esperou;
e nada nos dessacralizou.
Por adoração e magnetismo
viramos o magnífico vício
de escrevermos o destino:
o calendário não ultrapassou.
Não há um só dia que não
tenhamos vivido: porque
pelas estações nós sentimos.
E sentindo: ipês seguimos.
Com o ritmo das estações
pelos caminhos floridos.
Florescem em julho,
altivas, as paineiras.
Ali estão as corredeiras,
as quedas-d'água,
e o destino sorrindo
através do seu sorriso.
Com o meu coração
nas tuas mãos macias,
tal qual um peixe
quando encontra
o lugar certo e para:
algo forte prepara,
percebe o rastro
e o coração dispara.
Nos lábios, a canção
antiga que foi cantada
por vários artistas.
Tenho dado as pistas
para mostrar que
a bola está com você,
e certa estou, sentindo
que o coração todos
os dias está se abrindo.
Para que as tuas ações
encontrem e inaugurem
a direção das emoções,
para o amor não se perder,
não vamos jamais arrefecer,
faremos o dobro por merecer.
Quando o Rio Napo
bailar o pasacalle
em terna retribuição
ao sublime charme
da aurora vespertina,
tu haverá de me fazer
parte da tua vida linda.
Num breve estalo
bailaremos o nosso
todo festivo pasacalle
ainda mais apaixonado,
ao redor da mais bonita
e mais antiga cascarilla.
Conheceremos a folia,
o encanto e a alegria,
e para isso não será
preciso esperar a vinda
do inverno para ver
o florescer da cascarilla.
Nos arrecifes da tua íris,
tenho mergulhado pelos dias;
sincronicamente, venho
pressentindo que me enfitas.
Não é nenhuma fantasia,
embora a ciência não explique
o evidente: a gente se combina.
Antecipo que me conheces bem,
e até parece que foi ontem.
O amor não exige
de nós hierarquia.
Onde há encaixe,
serei o seu tijolo;
se fores o tijolo,
serei o seu encaixe.
Se for de verdade,
construção e sintaxe:
entre nós tudo vale.
Cada linha e cada pausa têm
sido a continuidade e rendição
ao ritmo inabalável que levo
pelos anos com amor e paixão;
e que o seu olhar tem lido
inabalável com o seu coração.
Dois mundos que se tocam,
e ainda não se encontraram.
Separados pela silenciação
da elegância da permanência,
cultuam, sem desistir, ao passo
da melancolia da distância,
e firmes ambos continuam.
A cada nova florada da quina
tem nascido uma confissão sutil,
com algo de cordilheira andina,
que, embalado pelas confluências
imparáveis dos rios Apurímac, Ene,
Tambo e o Ucayali, que, unidos
ao Marañón, formam o Rio Amazonas,
revelando que é amor e os sintomas.
Todos reunidos ao magnetismo
da imensidão dos dias e das noites
para inauguração da revelação
que, desde o primeiro dia, sabemos:
chegou o tempo de não pactuar
mais adiamentos, porque nós nos queremos.
O relógio e o tempo são invenções humanas,
criadas para o amor desafiar e subverter.
Amar de verdade é só para quem tem
coragem de sair de si para no outro viver.
Não existe erro e nem acerto na rota,
e sim alinhamento em uma só trajetória;
É só prestar um pouco mais de atenção:
estão abertas a porta e as janelas do coração.
O Ipê-amarelo-da-mata em floração agostina
em Santa Catarina dirá muito dessa confissão
que no embalo romântico têm sido escrita.
Somos livres. Não haverá nada que nos impeça
seja na água, no ar ou mesmo aqui na terra,
porque com pressa ou sem, só amar nos interessa.
Sabe o porquê investem tanto para a gente odiar o próprio berço? Para a gente entregar para qualquer um a nossa própria existência. Eu espero profundamente que nós sul-americanos nos eduquemos o suficiente para aprender amar os nossos países de maneira inabalável.
Os olhos e o coração
florescem, tal qual
tajy no Rio Paraguai,
sob o céu austral,
Sempre que percebo
os teus bonitos sinais,
porque a diferença
para mim tu sabes que faz.
Revoada de papagaios
neste rio que nasceu
filho dos payaguás;
Mergulho acompanhado
do amor em prelúdio,
não quero adiar mais,
porque aprecio tudo
o que sempre me trazes
em todas as tuas fases.
Nas tuas mãos quero
ser a fera macia e domada,
a harpa etérea e afinada
que ecoa a melodia cristalina
com fascinação, a magia
e a potente inspiração
que nos una a América do Sul
em sagração a cada estação.
Tudo o que pedires e me deres,
seja em silêncio ou não,
em entrega e sedução
com prazer farei muito mais
para não deixar nada faltar,
e ser o teu abrigo e fonte de paz.
No teu céu noturno
deixa-me do profundo
ser a Lua serena e mansa,
e ser todas as estrelas
ao redor em festança
e sarau de poemas.
Do teu enleio sublime
ser profeticamente
a Caburé em voo livre,
Até nos momentos
que pedem pausa e limite.
Nenhuma distração tarde
nem permita que falte
o peito de um e do outro
como ninho de ouro.
Juro, que dobrarei a aposta
com todo amor e carinho:
terna, veloz e devagarinho.
Caiçuma bem feita
na beirinha do rio
adoça a palavra,
sempre distrai a ideia
e a atitude destrava,
Funciona tão bem
quanto reza brava.
Quando Cainamé sopra,
ninguém fica de pé,
Quando Cainamé sopra
ninguém segura,
Sopra, sopra, Cainamé
essa gente linguaruda.
Eu consigo mentalizar as guerras sendo convertidas em campeonatos de farmar aura e as tropas abandonando as armas.
Seria lindo ver a juventude do mundo inteiro farmando aura contra os políticos que fazem guerras ou se omitem em relação à elas. Seria o ápice!
Deixa que o amor e o impulso
falem mais alto, ou melhor,
cantem por nós o que tiver
de ser cantado sem se preocupar
com o que irá acontecer
para a gente nunca mais se perder.
Entrega o que o peito e o tempo
têm silenciado porque não há
motivo para manter segredado,
Embora não saiba quem é você,
de longe te sinto apaixonado.
Confia, não tens o que temer,
da minha parte só espero
o seu sinal para começar a viver.
Quero ver o seu rosto,
sentir a sua presença corpo,
e deste pertencer ter orgulho.
Não há o que ser consertado,
nada em nós foi quebrado,
apenas seguimos o curso
dos ventos, no Mataralcito,
e dançamos os ritmos bolivianos.
Não buscamos fazer planos,
nos entretemos com o tempo
e com o som da palma zunkha;
Os corações seguem intactos
não querendo viver mais
de compromissos adiados.
É inverno, estamos em julho,
sem flor e nenhum fruto.
Enquanto a querida sapucaia
repousa tranquila na praça,
O charme da minha mente
anda roçando na tua barba.
A sua vibração anda fazendo
do meu coração um coreto
em afinação para a festa,
Avassaladoramente estou
ocupando-te com intenção
de ser amor e a tua paixão.
Todo o dia a minha rebeldia
em ti anda fazendo a poesia,
e uma deliciosa revolução;
Tu não anda mais aceitando
por atração outra direção
que não seja se entregar à sedução.
