Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
No dobrar das auroras
matutina e vespertina,
o mistério contido
no teu olhar fascina.
Permaneceste intocado,
porque não foi elucidado,
E assim tornou-se parte
perene dos sentidos.
Minhas veias parecidas
com Maipo, Bío-Bío e Loa
rumo ao Oceano Pacífico,
assim te levo comigo.
De um jeito muito parecido
quando os deuses
dançam e nasce no céu
do Chile a aurora austral,
que o pehuén ancestral
ilumina com poesia celestial:
Algo ainda pede que insista
acima dos conceitos
que dizem que ser fantasia;
Não quero estar enganada,
percebo o seu amor chegando
para tocar-me como sinfonia,
beira o inacreditável a nossa sintonia.
Nutrir a ânsia com delícia
de vestir-me com os teus olhos,
absolutos, cor de mar.
Tornar-me a maruja deles
e rotas nunca determinar.
Saciar nos teus lábios,
a sede e o ímpeto
daquilo que não quero domar.
Deixar nas tuas mãos,
tudo o que não quero guiar.
Onde por ti fui colocada,
o tempo não me fez apagada.
Sair deste lugar só depende
da tua iniciativa pacificada
para ajustarmos a caminhada.
Crescente é a vontade que não
cessa de ser incendiada,
com poesia que é chama imparável
que, assim, tem feito aumentada
nos momentos de silêncio.
Infrene a convergência
haverá de ser celebrada
na estação própria para colher
na beira do rio da vida
os frutos das sapucaias,
porque tu me tens como a favorita.
Olhar para frente
é um dever em busca
da metamorfose,
Baixo a ocupação
via doutrinação
por outra Nação,
é dever da nossa
conquistar a libertação.
Sou a única capaz
de quebrar com amor
os teus termômetros,
Sou a mulher potente
vestida das auroras,
que o teu coração se rende:
Por ser a única estação
em ti permanente
da mais alta sedução.
Ouço o vento cantar
o que vai chegar,
e nada me preocupa.
O meu teto celestial
é o Hemisfério Austral
que tanto bem eu quero.
Semente de ceibo
para unir com beleza e flor,
sentimento de pertencimento,
toda a gente com muito fervor
ao mar e ao continente inteiro.
Para o florescimento
glorioso da Argentina
de janeiro a janeiro
con amor e encantamento.
Tudo o que une o arquipélago
e o continente ao povo originário,
surgiu fortemente na mente,
Atacama, Chané, Charrúa e Chorote,
e vejo que vir a encontrar
os teus olhos não é questão de sorte.
Tudo o que une o continente
e o arquipélago ao povo originário,
trago comigo simplesmente,
Chulupí, Comechingón, Diaguita e Guaraní,
não nego que te admiro desde
o primeiro dia que eu te vi.
Tudo em mim tem a cor de Ceibo
que do continente mira o arquipélago,
e com um poemário e profundo jeito,
Huarpe, Kolla, Lule, Mbyá Guaraní,
e esperar o que há para ser revelado,
todo o dia é mais um que resisti.
Na ventania e no curso do rio
que encontra o mar há algo
que entre nós está para surgir,
Ao escutar canções e sentir algo
Mocoví, Ocloya, Pampa e Pehuenche,
em revelação no sul do sul continente.
Do arquipélago, do continente,
do rio e o encontro com o mar,
Tudo nos leva a nos encontrar,
porque temos a urgência de amar;
Pilagá, Quechua, Ranquel e Sanavirón,
sabemos as rotas para os encontrar.
Seja na terra, na água ou no ar,
está escrito no Hemisfério Austral
que o que há de mais romântico há de brindar;
Selk'nam, Tapiete, Mapuche e Tehuelche,
Nada deles a gente nem por
um instante a gente não esquece.
Não é hoje que tenho escrito
que a gente se combina e se merece;
Não há nada que desvie o destino
quando conhece da raiz até o caminho
em cantos de Toba, Tonocoté, Vilela e Wichí,
não me importo com quem duvide
ou pensa que o céu é o limite,
ou pense que a história acabou ou esqueci.
Do Alto do Moura sou
a tal boneca de barro
feita por Mestre Vitalino,
Do teu pensamento
o mais apaixonado,
Com toda a certeza
é você o meu bem amado.
De Caruaru o Forró
mais possante que já
havia te tocado,
Do teu peito o batimento
mais cadenciado,
Sem nenhuma dúvida,
é você o amor desejado.
De Pernambuco sou
as festas e os sabores
que de ti têm se apostado,
é por mim que o teu
olhar encontra o meu
todos os dias enamorado,
Com toda a certeza
até debaixo da chuva,
tu és o meu Sol e eu a tua Lua.
(Somos o poema fora da curva.)
Voo imparável e com intenção.
Minha doce e divina unção,
tenho você com amor e paixão.
Cai a chuva sobre a terra
e os sentidos que a envolve,
não há quem nos derrote.
Com o Hemisfério Celestial Sul
ambos temos intimidade,
No céu do coração voamos
com toda a maior liberdade.
Somos aves prodigiosas
deste glorioso continente,
Que por anos a fio abrigamos
um silencioso romance,
que nos pede uma chance.
As estrelas, o sol e a verdade
lida William Shakespeare,
A dúvida e a liberdade
de vestir a cada instante,
Só não vale desistir da certeza
que ainda vamos viver
além do poema o romance,
Ainda que a gente não se veja,
e o amor nos pareça distante.
Não vamos deixar de crer,
aconteça o que aconteça,
que o nosso amor irá florescer.
Em algum lindo lugar
para a gente passear
na América do Sul
sob o suave céu azul
e uma cobertura colorida
feita por mãos artesãs,
Encontrarei toda a poesia
de mãos dadas contigo,
e se cumprirá o destino.
Flor-de-seda que desabrocha
na nossa América Tropical
que a borboleta com delicadeza
pousa amorosa sem igual.
Confessoras do intenso fascínio
sentimental de um mistério
que talvez não seja elucidado,
por anos tem me apaixonado.
Quero que revele-se vasto como
o nosso Hemisfério Sul estrelado,
e se preciso o manterei segredado.
Não falo o que não posso cumprir,
mas juro que farei com empenho tudo
para mantê-lo preservado do mundo.
A minha araucária
é árvore ancestral
que alimenta e abriga
sob o Hemisfério Austral,
Que juntos são a real
e mais pura poesia.
A minha araucária
é árvore ancestral
que alimenta e abriga,
sob o Hemisfério Austral.
É a expressão genuína
da mais pura poesia
Feito eu e você do jeito
que ninguém imagina.
Não me importo ainda
que digam que é fantasia.
Tal qual trapoeraba-azul
a cada dia floresço
também sem céu azul,
Agarro no teu peito
com jeito de norte e de sul.
Intenso e sutilmente
no próprio tempo.
Sem olhar no relógio
busco o merecimento.
Dou ao florescimento
a liberdade para receba
com genuíno sentimento.
Capturada pelos teus olhos de Coaraci
mantém os meus infinitos, o Anhangá,
a Caapora, o Guirapuru e o Uauairá.
No meu pensamento e no meu coração,
sempre comigo flamejante está.
Sim, os teus olhos de deidade
invocamo que há de mais ameríndio,
e enlevam-me à total territorialidade
fazendo-me convicta a tua Jaci.
Desde a primeira vez que percebi,
recordo que ser tua foi a senda
mais amorosa e honorífica que escolhi.
Porque de ti não há mais outro destino:
mesmo sem dizer, próximo te sinto,
e sei que o mesmo ocorre contigo.
Tudo e todos, sem ninguém sobressair uns aos outros, fazem parte da tapeçaria histórica e cultural de um país.
Sem falar de amor coloquei
a mesa do nosso café da manhã
de acordo com o seu gosto,
assim muito amor te demonstro.
E em silêncio nos celebro
como o mais refinado gesto,
para que desfrute pleno
da paz no teu porto seguro.
Abri todas as janelas ao redor
com jeito para que o sol entre
junto com a palavra de amor.
Separei um colar de tucum
com carinho para cada um,
e os lábios com beijos selei com mel.
