Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Quero ser borboleta
no jardim do mistério.

Com mansidão
a borboleta
do seu coração.

A memória não é uma qualquer,
sabe para quem ou não dar palco;
foi testemunha do tempo
de ateliês de portas abertas.


​Por ela ninguém foi esquecido:
a memória está íntegra,
sabe o que é ter subido e descido
o Morro de Santa Teresa
para pular Carnaval no bloco
no Largo das Neves.


​A memória sobreviveu,
e por dentro continua ainda mais viva
recordando que chegou a ir
sob chuva e fogo seja para ir na gira
ou para dançar Jongo
no quintal de uma casa desconhecida.

Trazer consigo algo
de Rio Chucunaque,
manter a tranquilidade,
não se deixar levar
por aquilo que abale,
e te dar toda a liberdade.


Deixar o coração falar
sempre mais alto,
e o seu amor sussurrar
baixo no ouvido,
sob ou não uma
Árvore de Panamá.


Atrair você todinho
ao som de Tamborito,
e quando houver
silêncio encostar
o seu sorriso no meu,
e assim dizer que
tudo em mim é teu.

Para quem mora aqui em Rodeio
no Médio Vale do Itajaí
a vida também acontece em Timbó:


Ontem, puder ver tudo acontecendo,
os ipês roxo, branco e amarelo
florescendo ao mesmo tempo.


É sobre viver, o olhar e o desejo.

Naturalizar comer uma fruta, cultivar a muda, encontrar um lugar para plantar e deixar que a vida se cumpra. Todos podem ser facilitadores da vida.

Agosto acenou para mim
com pétalas de Ipê-amarelo
logo que saí de casa cedo,
o quanto ainda te espero
foi o que carreguei comigo.


Não nego que aos quatro
ventos sussurei o meu desejo,
Mesmo sentindo a mudança
de estação no corpo
a cada cinco minutos;
Do jeito que você virá não
tenho nenhum receio,
porque virá para mim inteiro.


O Sol que ainda estava
meio desgosto por aqui
na minha cidade de Rodeio,
fiz dele o meu intercessor
para que me guie pelo teu
bonito caminho de amor.

Prefiro ser uma exilada nesta época com arte, música e poesia. Não me dou por vencida.

Rumo indomável,
és o inevitável.


(Meu infinito.)

Não sei se havia
me visto antes,
Não tenho costume
de guardar datas,
Tem um bom tempo
que ele ocupa
o meu pensamento,
Ele é o mistério da década,
Talvez ele seja poeta
e nem tenha descoberto.


Quando o fez,
ele mexeu comigo,
não tenho dúvida
que ele tem algo de divino.

Foi alguém que não sei o nome,
não sei o rosto, não sei a direção,
não sei o entorno, não sei de nada.


Somente sei que com distância,
anonimato, imenso silêncio
e uma inteligência insana:


Ocupa minha mente inteira
do tamanho da Via Láctea.

Ser onda para alisar
toda a tua costa,
Você irá amar,
e vamos nos venerar.

Resido em Rodeio,
e viajo no seu peito.

Teu corpo, que cobiço,


e que ainda não tenho,


põe um doce suplício


no ritmo de Kaseko,


em agitação máxima,


alucinante e contagiante,


diante do Rio Suriname.






Capaz de fazer o desejo


virar orgulho e assunto


na primeira página em Paramaribo,


por fina ironia do destino.






Sob uma palmeira-real,


fazemos juras de amor


neste continente austral;


nunca conheci alguém


capaz de fazer algo igual.

Selvagem. Feminina.
Entregue. Paulatina.
Por ti derretida...

Rodeio e o Pico do Montanhão: Raízes, Memória e Poesia


Na linda Rodeio, doce cidade,
onde há uma parte enraizada,
pois nela o meu avô foi frade.


Nunca estive de passagem,
embora tenha a herança da imigração,
que a resgato sempre com paixão.


Tenho morada e poesia fincada
com o coração sobre as linhas
do magnífico Pico do Montanhão.


Qualquer afirmação contrária
pertence somente a quem
desconhece de onde veio.


[Tenho certeza: não conhece
nenhum pouco a minha história direito.]

A ventania toca Calypso
no frondoso Greenheart.
Perceber o amor no caminho,
e desejar você não é tarde.


Pedir que o tempo pare
sob o céu austral aberto,
para que a gente desfrute
do amor com imensidade.


Não será pedir você demais
ao tempo de espera,
com querer que não desfaz.


Para que o amor conosco fique,
que não se limite e sem se deter
com o que os outros irão dizer.

A Lua Cheia bailarina da noite
que o Médio Vale do Itajaí corteja,
e da minha cidade a poesia acena.

O teu coração com o meu
tocam em ritmo de Aléké
em tempo de Sumaúma
eflorescida bem na beirinha
do majestoso Rio Maroni,
nada teu não mais se esconde,
o meu beijo toca a tua fronte.


Tudo na cena nos coloca
sem nenhuma resistência
nos colocam em reverência,
e não se preocupar mais
com roteiros e decência
põe um nos braços do outro.


A noite vestida perfeita
com a cor dos negros da floresta
por nós acende em inteira festa
as estrelas para nos receber
com gala na Guiana Francesa,
sedutoramente a gente se corteja
com todo o intenso desejo
que pelos nossos poros flameja.


O toque do fim do mundo
ou próximo disso, não tememos.
Unidos pelo amor profundo
até o último passo dançaremos;
para do jeito mais absoluto
para o oceano de fogo, nascemos.

Ninguém se lembra dos corais. O clima também se ajusta nos oceanos.