Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Infância bem brasileira
debaixo do pé de Urucum,
abrindo as cascas,
estalando as sementes,
sorriso genuíno sem
ser entre os nossos dentes.


A alegria de criança arteira
cantando e separando
o que era para brincadeira,
e o que ía para tempero
das mães, das avós, das tias
e para as nossas vizinhas.


O fogãozinho era revezado,
e era o celebrado brinquedo,
os perigos eram conhecidos,
vivíamos quase sem medo,
não tínhamos nem mesmo
vontade de guardar segredos.

Não é pranto, é tudo
e mais um pouco,
o que a tua indiferença
não me permitiu falar,
É um cristal partido
no solo do tempo
que me fez meditar.


E agora jaz congelado
na mais plena forma,
que nem mesmo
o rio do teu remorso
jamais fará com
que eu volte atrás.


Dei milhões de passos
todos acrobáticos,
e fui para os braços
do giro do mundo,
certa que não vamos
mais nos encontrar;
Porque quem decidiu
não me escutar,
nunca irá me respeitar.

Lembre-se do passado
sem carregar o peso,
Ninguém esteve ao seu
lado quando o fogo
atravessava a existência,
Manter a memória acesa
é questão de inteligência.


Quem não te apoiou ontem
mesmo que tu hoje conceda
o seu apoio heroico --
pouco garante ou mantém
a fidelidade do outro intocada,
O vício alheio por domínio
é algo que não permite-se
esquecer por causa deste
veneno quase o ter sucumbido.


Caso irá apoiá-lo não se esqueça
de quem trai uma única vez,
o trairá milhões de vezes -'
Apoie desde que ele retribua
de imediato os seus interesses,


O Deus Doador de Fé, Protetor,
Poderoso, Irresistível e Majestoso
que te sustentou e sustenta
agora na paz te sustentará;
na sua paz com direito aos oásis
e o seu celeste caravançará.


Por tua escolha ou onde quer
que fique ou pela vida passe,
será cercado por serenidade
tulipas vermelhas e pinheiros
em floração sempre na direção
do teu tranquilo e verdadeiro amor.

Docemente transformaste-me
o ímpar estepário refúgio
onde floresce com total
augúrio de levar o silencioso
amor virtuoso e puro --
que somos capazes de proteger,
sem ressignificar e pertencer.


O teu olhar que guarda o auge
celeste sei que me pertence
com a potência mais alta,
no fundo sabe que o Oriente
não é apenas de alma,
e sim herança viva e perene,
sobre tudo o que perece.


De caravansário em caravansário
do rumo sei que não se perderá,
porque o destino nos reunirá
sob a vontade de Deus que é
Sagrado, Clemente, Soberano
Misericordioso e Fonte da Paz,
e que orienta e só o Bem traz.

Venero-te como o Tingui-preto
finca as raízes na terra serena,
O teu olhar apolíneo me rega,
concede milhões de asas --
e ainda não nem é primavera.


Do Tingui-preto com carinho
preparo a surpresa de banhar,
O meu ser de Mata Atlântica,
é o teu paraíso de descansar,
entregar e de doce enredar.


Como a palma da minha mão
é o caminho para o coração
sem tempo e sem distância,
Porque de ti sou eu a ilustre
habitante sublime e romântica.

O Sol se pôs e a Lua se ergueu,
foi no Galo da Madrugada
que o amor para nós aconteceu
numa noite estrelada --
O mundo parecia que parou,
e no final era só você e eu.

Provocar imensamente


sem deixar explícito


Preencher com erotismo


no auge do seu silêncio






Deixar que chovam


os teus saborosos beijos






Deixar que aumentem


ainda mais o desejo


de nessa chuva se molhar


e da gente se amarrar






(Falta o seu sinal para amar).

A música da ribeira toca
harpejante a Mata Ciliar,
Se espalha a vontade
de invadir e devotar.


O olhar para o dossel
místico do Ingazeiro
buscando a doçura
parecida com beijo.


De ti e da tua boca
hei inteira me cobrir,
É claro que irei com
muito amor retribuir.


Sei que me aguarda
para vir me deliciar,
Sou Ibitinga florida
que não para de roçar.


(Nos braços e nas mãos
da tez do teu desejo,
vou cair e me seduzir).

Os Bonecos do Berbigão do Boca
durante o sonho com os olhos abertos
quando estava a dançar contigo,
Pareciam que já estavam sabendo
que o amor era o nosso destino,
Então, até o Sol raiar fica comigo,
porque à partir de hoje não podemos
mais sair do nosso doce caminho.

Quando te encontrei
no Enterro da Tristeza
na bela Florianópolis,
A folia soprou o poema
todo alegre nos avisando
que a vida começava
ali naquele momento,
dando adeus à cantilena
no coração e pensamento.


...

No absoluto do Cerradão
plena sob o Pequizeiro
generosamente carregado,
Com o coração indomado,
e brio de Ipê-amarelo
plenamente em floração.


Ser escolhida ou opção,
prefiro escolher e ser
por total determinação;
Ostento o imparável
e a convicção selvagem,
não cairei em rendição.


Desfilam em noite de céu
aberto do céu olhar lindo
Acrux, Mimosa e Gacrux,
Em retribuição e destino
o céu do meu olhar Carnaval
faz com Imai, Intrometida,
Sirius e Canopus e Spica.


E Procyon, Antares, Rigel
e Betelgeuse começam
a aparecer entre olhares,
Não sei se foi um sonho
com os olhos abertos,
tenho te sentido comigo
pelos lugares, e universos.

Apenas ser, não me cabe,
quero permanecer
plena com minha altura
e aura nua e oculta
caminhando pela rua,
cercada por montanhas,
com uma morada poderosa
em nossas entranhas.

Ouça e sinta a brisa
acariciando a paragem
brasileira e latina --
porque é nela que
minh'alma se aninha
neste berço austral.


Do berço luso-americano
embala a minha poesia,
em floração tímida --
não menos envolvente,
e não menos florida
tal qual a Caroba branca.


Dos relógios do tempo,
e do Sol no firmamento,
aprendi que o tempo que conta
mesmo é o tempo de dentro,
e que cada um tem o seu,
e inclusive o seu movimento.

O deserto que tens
inteiro me oferecido
é nele que caminho,
e tenho buscado abrigo,
entre o zênite e o nadir,
No adágio do teu silêncio
apreciando a fantasia
que carrego e cultivo
quase como um dervixe,
entregando-me para que
a realidade não me devore.

De tudo o que é mais
íntimo e genuíno,
Que há alguma
surpresa no destino,
não mais duvido.


Tudo segue do jeito
que tem que ser,
E bem brasileiro
na onírica Caatinga,
que lições ensina.


O Juazeiro em vigília
saúda o Sol se pôr,
Para o Mandacaru
florescer cheio amor,
sem tempo a perder.


O amanhecer virá
com a cor do céu
do seu lindo olhar,
e com o Sol do seu
abraço acolhedor
que irá me dar
pleno e comovedor,
todo o seu calor -
digno de se emaranhar.

Seu coração que
é Oceano Pacífico,
é o destino do meu coração,
que é o Oceano Atlântico,
Sob o céu do Hemisfério Austral,
sinto que já somos umpar
romântico, absoluto e celestial.

Sua mansuetude desperta


meus demônios e meus anjos,


e eu dou milhares de asas


para sua imaginação e seu coração,


Meu esporte favorito é fazer


todo tipo de provocação


para testar seus limites masculinos,


para por em ferveção


e da cabeça aos pés


brindar-te com flutuação.

De ​Norte a Leste
o meu ​Meridiano é 75° E,
sei o quanto levo,
Há ​Latitudes 35°–55° N
vivas quando quero,
E ​Longitudes 50°–90° E,
e sei o que mereço,
por ter olhar não deixo
perder e não me perco.


Ancestralidade surgida
e guiada por Ursa Maior
pelas amplas estepes
dela tenho nas veias
a ampla memória,
Não permito ninguém
de qualquer maneira
[a minha História],
Ter chegado até onde
cheguei é a real glória.


Onde em cortesia sidérea
a ​Cassiopeia, ​Orion e Polaris,
dançam na Via Láctea,
Ali repousa e se inquieta,
e faz venérea porque
busca saber onde estão
as moças da Ásia Central,
porque há algo muito
além do que é desigual.


A lembrança insistente
revolveu ao passado
como chama acesa,
Daqui a pouco todos irão
dançar ao redor da fogueira,
porque dançar e cantar
é preciso quando o peito
se encontra em lamento.

Porque resistir unidos
e celebrar a chegada
da Primavera é de ordem
exclusivamente existencial,
entre memórias, festejos,
maus-tratos e incertos,
Não parar de perguntar,
é a soma dos desejos
até alguma resposta
conseguir me tranquilizar,
quando tudo irá terminar.

Diante da vastidão
do nosso mundo,
Com noção de realidade
assumo a pequenez;
e na mansidão busco
residir na real altivez.


Diante daquilo que por
um segundo tenta turvar
a visão e a reflexão --
Nunca presenteio
com imediata reação.


Nem tudo na vida
pede de nós resposta
de igual naipe --
Por não valer o desgaste,
ou para não legitimar
qualquer tempestade.


Não permito jamais que
a arrogância fale por si --
Dou o nome que deve ser
dado sem palco intocado
para quem vive de estrelato.


Espero que você também
faça o mesmo porque
somos o nosso próprio
leal espetáculo sem
precisar de validação,
unidos fortemente
somos pelo coração.


Da Imbuia sagrada
somos sementes
no chão desta Pátria,
Temos história a ser
contada na proporção
que a ancestralidade
se fez dia e noite doada,
e merece ser respeitada.

Fique com o que enargeia,
inunda, delicia e incendeia.


Escute o meu doce canto
amoroso de flor de Babaçu
em companhia do vento.


Entregue faça Sol ou Chuva
o que tanto pleno deseja
em meio a Mata dos Cocais,
entre nós o que festeja.


Minha bonita manhã solar
que ilumina e com doçura
tem invadido provando --
que para amar não é tarde,
e me acendeu a sensualidade.