Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Como brasileira, sou nacionalista romântica, considero a minha segunda cidadania a sul-americana, sou latino-americanista radical com pendência ao panamericanismo, político-filosoficamente sou transcendentalista porque é a ideologia mais genuína das Américas.

​O meu olhar de longe alcança
tudo o que você reserva.
És a minha diversão favorita
e o meu território de paz,
tudo o que faz a diferença
como ninguém na vida faz.


​O teu olhar de longe alcança
igual o que suscito,
como a tua principal distração favorita,
como teu porto seguro exclusivo
e todo cheio de poesia.


​Aguardo que assuma o controle
para que nós o percamos em nós,
porque o amor tem o nosso nome;
e a urgência é faminta da nossa fome.


Embora o Ipê-amarelo-da-mata
floresça em agosto, não somos diferentes:
em julho, como ele, começamos
a dar os primeiros sinais amáveis
ainda longe do litoral catarinense —
no que se tenta controlar e sente.

Ter a doce, livre e leve posse sobre ti,
E o meu dedo indicador pousar
nos lábios mais lindos que já vi,
no afã intenso de angariar,
Após o beijo, a pausa amorosa.


Para o teu fino aroma respirar...
E em toques leves, em paz divina,
Curar qualquer dor que porventura apareça,
Sendo a tua envolvente endorfina
com o maior orgulho e toda a delícia.


Assim nos colocar em movimento
e rir quando o tempo não colaborar
ou mesmo até se estiver fechado,
Para o voto de amar não ceder
ao padecimento e ao esvaziamento.


Florir em tempo de julho invernal
com convicção guaçatunga,
ser existencialmente toda tua,
a cada sinal teu, que se inaugura,
compartilhar a mais alta ternura.

Sem ter pressa de nada,
construir com encanto,
fiel aos vínculos afetivos.
Um elevar o outro como
a sua tão querida fonte
de ocitocina favorita;
fazer o coração confiar,
cultivar a intropatia
e crer que é possível
viver com generosidade.


​Abraçá-lo por inteiro,
abraçar tanto
até a tua alma alcançar
e com a minha se encaixar;
brincar como se ainda
fôssemos crianças
com animais de estimação,
e não permitir que nada
desoriente o coração.


​Manter à disposição
a nossa companhia
de quem precisar da gente,
manter-se perto
das pessoas queridas;
não permitir que
nenhuma intranquilidade
entre nas nossas vidas,
para que o amor entenda
que ele é feito para durar.


​Quando for percebido
o risco de desapaixonar,
recordar que é possível
se apaixonar várias vezes
por tudo aquilo que fez
a gente se encontrar
e com amor nos enveredar;
de igual maneira que depois
da florada do guanandi,
saberemos o momento
certo dos frutos encontrar
para o nosso paladar adoçar.

Fazendo da palavra a joalheria,
não busco o atalho do desejo;
E sim, insisto ser todo o universo
para recebê-lo potente e íntegro.


Não nos temos no momento,
mas me vejo sendo o teu riso,
o seu lidar com todas as artes
com domínio e pedestrianismo.


Enquanto não me tens mesmo,
sou a maior fonte de endorfina,
Tornei-me a sua grã liberação
com toda a calmante poesia.


Como afelandra em flor e raízes
imortais na amada Mata Atlântica,
não sou apenas enfeite ou pista,
assumo que sou a protagonista.


Porque descobri ser a alma da tua,
e a recíproca tem sido verdadeira;
Habitamos a transcendescência
com apego e sem interferência.

Tornar-me o sol pela manhã,
o caminho ao ar livre,
a sua alimentação, a gratidão
e a razão da sua satisfação,
que aumenta a sua serotonina.


Ser tudo isso com equilíbrio e alegria,
para que eleja todos os dias
viver com a minha companhia.


Deixar que a Timbuva cresça
onde quer que ela eleja,
para quando o verão chegar
tenhamos uma boa sombra fresca;
jamais deixar perder o espírito
de diversão, aconteça o que aconteça.


Que o amor nos colha como
a queda d'água que desce a serra,
para que venha em cheias,
e encontre, com bondade, a terra.


Permitindo eleger orgulhosamente
o que vale à aferra, e nada encerra;
para que sejamos naturalmente
o curso e o ciclo intermináveis onde
só há emergência pela matéria;
buscando ser o que somos entre dogmas,
sem entrar no campo do comum
de gente habituada a fazer guerra.

Eu me considero conservadora, embora escreva poesia de forma ousada, mas sem titubear, me vejo conservadora em muitos aspectos sem ter a necessidade de ser patrulheira do outro. Ninguém é obrigado a ser igual a ninguém.

O mito de pais liberal em relação ao Brasil é só mito mesmo. As bases da sociedade brasileira são conservadoras. O povo é alegre e com conceitos conservadores imutáveis. A caricatura que fizeram do Brasil é falsa.

Reger as tuas vias dopaminérgicas
Para alçar a sensação de prazer,
Tocar no teu sistema de recompensa
Para a motivação se arrojar a fazer
Mais e melhor, como a sentença.


Para ativação intensa sem temer
O comportamento de dependência,
E colocar tudo meu nas tuas mãos
Com certeza, vontade e excelência
Afinadas numa inequívoca cadência.


Deixar que os conceitos externos
Se diluam com a chuva que cai
E rega a malva-silvestre em flor,
Para nada atrapalhar o nosso amor,
E nos permitir viver como tem que ser.


Porque julho gentil abriu a porta,
Com os jogos de sedução agora,
Sabemos que não há queda de braço
Entre dois vencedores nesta história:
É só questão de afinar passo a passo.


Com doçura, ciência e instrução afetiva.

Existem certas coisas que falo é por pura provocação intelectual, mas tenho a palavra lapidada para cada ocasião.

Não tenho medo de pensar e nem de errar. Tenho medo de não ter olhar atento para me corrigir, e ter compromisso com o erro sem com que eu perceba.

Com ancoragem nos efeitos
de primazia e de recências,
mesmo com ímpares contrastes,
com jeito e sem nenhum alarido,
manterei o fogo da paixão
aceso com toda disposição.


Se não for para contrariar
o que dizem ser coisa de novela,
ou o que só está escrito
nos livros de romance,
é melhor nem começar.
Em ti quero me enlaçar,
para nunca mais soltar,
e sei que partilha de igual pensar.


Baixo ao Hemisfério Austral,
florescem as manduiranas
no início do inverno junino.
A chuva e a escuridão,
trazidas pelo El Niño,
não afetarão o nosso destino.


Quando há o que é recíproco
e a vontade de dar certo,
não há o que se preocupar
se existe alguém interferindo;
e sim manter desejo vívido,
cultivar para viver o amor,
e eleger vê-lo sempre sorrindo.

A tua plenitude existencial
provoca, infrene, a cobiça;
Ver toda a tua beleza física
plena, a minha fantasia atiça.


A reverência e a exaltação
tão queridas serão prestadas
quando nas nossas mãos forem entregues
as rédeas da inequívoca cumplicidade
com intensidade e verdade.


Não é porque é Lua de Morango
que ilumina o Alecrim-do-campo,
Que estou de peito aberto revelando:
é porque sinto que estou me apaixonando.

Entre os nossos hemisférios,
existem os dois trópicos;
além da distância que desafia,
habitar numa única aorta
está escrito com intensidade fina.


Por onde o Trópico de Câncer
passa a imaginária linha,
tu sabes que da Mata Atlântica
sou a mais devotada filha,
e a que te busca para ser
a tua mais alta galhardia.


O nosso mundo é grande,
e para nós a única barreira
que interessa é a indômita
Grande Barreira de Corais;
e o que não nos traz paz,
somos capazes de deixar para trás.

Na tua madrugada
surjo como galáxia,
A sua atenção trago
toda concentrada.


Balança a ventania
a Canela-sassafrás,
A aurora em sintonia
solene acompanha.


O aroma das flores
paira e aqui fica,
e de mim não desliga.


Trago o carinhoso
sopro de harmonia,
paz, fé e amor para a sua vida.

Nasci orgulhosamente
nesta terra austral,
Não nego que carrego
na minha amorosa alma
de tudo um pouco
das caravanas ancestrais:
as bibliotecas perdidas
e os percursos mais
antigos da Rota da Seda.


Quando a tua alma gentil
encontrou e roçou na minha,
No dilúculo da existência,
percebi que eu comecei
a ser realmente lida;
Senti, sem dificuldades,
que a gente se combina.


Na doce viração entre
a aurora matutina
e a aurora vespertina,
passei a desejar fazer
parte da sua vida linda;
E venho percebendo
que tens cobiçado a fazer
parte da minha vida,
Há sinais claro que
somos, enfim, além da poesia.

O meu brio encontra o seu,
ambos pantaneiros,
concedidos pelo nosso Deus:
vivemos tempos alvissareiros.


Durante a descida dos andores,
todos com beleza adornados,
os corações batendo feito tambores
ao som do cururu, todos animados.


Com as mãos mergulhando
São João no Rio Paraguai,
eu de Corumbá e você de Ladário,
o meu coração apaixonado,
morando contigo lado a lado.


Contigo não tem sido diferente:
estamos morando um no outro,
ainda protegidos de toda a gente,
esperando o dia certo para anunciar
que viveremos só de amor imparavelmente.

Noites de verão
sob a Via Láctea,
nos aproximarão.


As ondas do mar
os pés acariciarão,
e as palmeiras
nos reverenciarão.


Nas tuas mãos
macias e solares,
estarei nos teus
paradisíacos lugares,
e você nos meus,
nós em encaixes.


Com água de coco
e nossos beijos:
as sedes cessarão.


O amor e a paixão
as apostas dobrarão.

Que não há alma?


Existe a nossa - que é única.


Insensatos! Eu a vi: é de luz...


Nos teus olhos - inequívoca.






Com relação à minha luz:


(Assoma às tuas pupilas


quando me olhas tu.)






Quem me disse foi


o poeta Rubén Darío, e não tu!






(As "Rimas XII" são dele e minhas.)

O que pode ser melhor dito,
será bendito no silêncio.
A ação é o condão do verbo
em silêncio ocorrido.


Silêncio junto com você
pode ser benquisto,
Olhos nos olhos, amorosos,
será doce e genuíno


O silêncio acompanhado,
pode ser muito expressivo.