Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Tal qual trapoeraba-azul
a cada dia floresço
também sem céu azul,
Agarro no teu peito
com jeito de norte e de sul.
Intenso e sutilmente
no próprio tempo.
Sem olhar no relógio
busco o merecimento.
Dou ao florescimento
a liberdade para receba
com genuíno sentimento.
Capturada pelos teus olhos de Coaraci
mantém os meus infinitos, o Anhangá,
a Caapora, o Guirapuru e o Uauairá.
No meu pensamento e no meu coração,
sempre comigo flamejante está.
Sim, os teus olhos de deidade
invocamo que há de mais ameríndio,
e enlevam-me à total territorialidade
fazendo-me convicta a tua Jaci.
Desde a primeira vez que percebi,
recordo que ser tua foi a senda
mais amorosa e honorífica que escolhi.
Porque de ti não há mais outro destino:
mesmo sem dizer, próximo te sinto,
e sei que o mesmo ocorre contigo.
Tudo e todos, sem ninguém sobressair uns aos outros, fazem parte da tapeçaria histórica e cultural de um país.
Sem falar de amor coloquei
a mesa do nosso café da manhã
de acordo com o seu gosto,
assim muito amor te demonstro.
E em silêncio nos celebro
como o mais refinado gesto,
para que desfrute pleno
da paz no teu porto seguro.
Abri todas as janelas ao redor
com jeito para que o sol entre
junto com a palavra de amor.
Separei um colar de tucum
com carinho para cada um,
e os lábios com beijos selei com mel.
Não sabia a quem
havia pertencido o quimono,
Não sabia da onde
tinha vindo,
Não sabia nem que
era o escolhido,
Não sabia qual seria
o próprio destino,
Ao final pela escuridão
e pelo mistério foi absorvido.
Criar as suas próprias asas
sempre que tentarem impôr
certezas por onde você for.
Permitir que o Açaí-do-Pará
continue a florir e a frutificar,
para que a vida ao redor
com o seu ciclo continuar.
Ter o peito voltado para o céu,
os pés como raízes fincadas,
a vontade de seguir em frente
e o pacto de coragem existencial
neste nosso continente ancestral.
Vestir-se de liberdade e beleza,
colocar somente as cartas
que nos pertencem na mesa,
para que a vida não se perca,
o amor dure e a gente continue,
e a real história se escreva.
Se você procurar por aqui ainda
se encontra alguma Festa Julina,
enquanto alguns escrevem poesia.
Recordar que no mês de julho
aqui na Rodeio tranquila que fica
no abençoado Médio Vale do Itajaí
a tranquilidade e muita alegria
têm endereço certos até neste inverno.
Muitos se preparam para dançar
e se encontrar no Baile do Vinho,
enquanto uns são escritos pela poesia.
Com toda a tradição a festa se faz
para o colono e o motorista,
que desfilam com muito orgulho
os seus carros e tratores pela cidade,
e sem saber que eles também
escrevem a poesia dos dias na realidade.
Do Hemisfério Celestial Sul,
sou, talvez, a mais romântica,
habitante nascida sob medida
para a tu'alma feita de tambor;
pela primeira vez descobriste,
na vida, o que é o verdadeiro amor.
Da América do Sul, sou a favorita,
que, na madrugada íntima, a tua
imaginação procura recorrente;
sei que o teu coração me pertence
com amor, paixão e desejo quente.
Sou aquela tal latina exuberante
que o teu olhar fascina e invade,
falando e sendo a própria poesia,
falando que, nas Ilhas, quem nasceu
primeiro foi o Daniel, filho da Francisca.
A sul-americana cheia de memória,
sem lapidar a própria retórica,
conta que foi Rosendo Mendizábal
que fez, para o Tango, a primeira partitura,
e te ama sob o sol e até sob a chuva.
Sou aquela que, em estado de rebeldia,
conheceu e, hipnotizado, se rendeu,
e que não permite que ninguém ouse
falar que não houve feitos afro-argentinos
a cada momento profundo da História;
e não há um só dia que não queira como glória.
O infiel é alguém
que tem uma relação
negativa consigo,
Faça o favor de entender
que quando um infiel
cruzar no seu caminho,
Não tem nada a ver
de forma alguma contigo.
Até por espelhamento
sei o que está destinado
na vida para mim ou não.
O que flui neste coração
tem a ver o curso do rio.
Talvez cada reflexo seu
seja para mim ou não.
Sou primavera gradual
se enraizando dentro,
e com pertencimento.
Tenho virado o plano
silente de madrugada,
A rota de flutuação
onde teus pés resistirão
buscar voltar ao chão.
Viveremos pelas rotas
do açaí-do-amazonas
na amada América do Sul,
O calendário será aliado,
e se sagrará o amoroso laço.
Quem implode a ponte do diálogo comigo, eu sempre perdoo e quero distância. Manter por perto a vida já me provou que não vale o desgaste seja no mundo real ou no mundo virtual. As pessoas são incorrigíveis.
Não existe o momento errado,
apenas o endereço errado.
No coração há o sentimento certo,
nos amamos e ainda nos amamos:
só ainda não não nos encontramos.
Escutando o canto da Jacutinga,
lentamente a aurora vespertina
beija docemente a Mata Atlântica,
o vento com leveza balança
a Juçara-de-espinho e a esperança.
Para recebê-lo, tenho preparado,
certamente a mais doce festança;
O que quero para nós é o que há
de mais raro e pleno de temperança
para viver do amor que jamais se cansa.
Do mesmo jeito dos místicos,
quebrando os arcos e flechas dos cupidos
e rasgando os manuais contemporâneos
de sedução que dizem ser estabelecidos
com o orgulho de ser os últimos românticos.
Para a violência contra a mulher e outros tipos violência de uma forma geral diminuir a mentalidade de quem está ao redor da situação ou mesmo até de que comenta a notícia deve contribuir não justificando a violência, não debochando e não inflamando mais violência.
Permitir que o amor tome
conta de cada escolha,
Trazer a beleza consigo
da Juçara-da-amazônia
recebendo o pouso bonito
do tucanuçu no destino,
E deixar que tudo tenha
igual o curso de um rio.
Sob a aurora matutina
manter o pacto silente
fortalecido com a vida,
com amazona convicção,
Mesmo que tenham
destruído uma ponte
de diálogo no caminho,
nasceste com asas
e a tua pacífica direção.
Não é preciso validação
de ninguém para ser
quem és e quem deseja
ser onde você quiser,
Até para escrever
os versos intimistas:
Para dar-se o luxo
de percorrer novas rotas,
permitir viver todas
as sonhadas escolhas.
Feitas sob medida
para o seu bem-querer
como as pestanas
são os parabrisas do ver,
Do jeito que o sol
está para o amanhecer,
De um jeito novo
todos os dias renasça
quantas vezes for
preciso para manter
o seu melhor para viver.
Da Mata Atlântica à Amazônia,
ter tudo e mais um pouco:
do coração e frutos de juçara,
que nasceu para alimentar,
e merece sempre ser preservada.
Juçara bonita e tão rara,
que além das gentes sustenta
tucanos, jacus, jacutingas,
e os versos deste poema.
Juçara esquecida e tão cara,
que além das gentes sustenta
sabiás, periquitos, maritacas,
e cujas folhas são capazes
de cobrir com beleza as casas.
Juçara magnífica e tão rara,
que além de alimentar as vistas,
sustenta macacos-prego, cotias,
esquilos, e que aos músicos
emprestara ritmo e inspiração
para mais de uma latina canção.
Da Mata Atlântica à Amazônia,
que alimenta mais do que sabemos,
e está deixando de existir para todos:
para os catetos, tatus, capivaras e antas,
e daqui a pouco até para as esperanças!
O interesse no futuro, percebi que não existe,
e pergunto sem resposta neste quase luto:
— Será que é de fato o que queremos?
Chegamos no ponto de vivemos ou vivemos.
A comunicação não-violenta tem que se tornar um exercício constante na Internet. Eu me esforço aqui e no mundo real, porque sei da importância do peso das palavras.
Excessos de modinhas dos dois lados, e ninguém ensina de fato as pessoas terem limites, a serem afetivamente educados e a pactuar o compromisso de formar pares engajados com a sedução mútua.
Quando fiz sete anos de idade o meu avô me falou que o Colonialismo era o mal do mundo. Na maturidade, aprendi sobre o Colonialismo interno. Na contemporaneidade, aprendi que o Colonialismo tem uma infinidade de desdobramentos inimagináveis.
Quem tem o privilégio de ter nascido e de viver num país completo embora desafiador, tem o dever de maneirar os comentários para não empurrar os irmãos que não nasceram com o mesmo privilégio para os braços do colonizador.
