Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Há anos ninguém aprendeu
e nem mais ensinou
nesta porção continental
a olhar para o alto
do nosso Hemisfério Austral.
Onde a posição, a voz
e a memória indígena
são todos os dias cortados
até em meio aos Andes,
Das lágrimas do povo
aguayos têm sido tecidos,
Nenhum dos capítulos
serão por mim esquecidos.
Por audácia e pretensão
continuo por herança
se a tal que incomoda,
A guerra sempre é
a dileta filha da fofoca,
Por isso quero ser sempre
que a minha língua
seja a espada que a corta.
Olhos e mente de Condor
sem pausa diante da vista,
ainda seja por pura poesia;
Porque a América do Sul
não merece virar nostalgia.
Lembro da época em que ler jornais
e revistas de fofocas de artistas
expostos pelo jornaleiro
era motivo de encontro social.
Ir apreciar a beleza feminina, para uns,
era combustível fundamental.
A infância e a adolescência
de muita gente passou pela banca de jornal,
que vendia revistinhas,
brinquedos, álbuns de figurinhas,
doces, selos e até
clássicos da literatura mundial.
Ir ao jornaleiro era parte
da nossa rotina sócio-cultural.
Revistas de carros, revistas de receitas,
revistas de viagens, revistas de beleza,
revistas de religião e até revistas de arte,
também se encontravam nas bancas de jornal;
e conversar com o jornaleiro
fazia parte da ida à banca como ritual.
Hoje, em tempos em que alguns
desqualificam a nossa cultura
para pavimentar a reescrita por forças alheias,
mal se encontra nas esquinas das cidades
uma simples banca de jornal.
Depois de tudo, afastados desse detalhe,
tudo indica que fomos lançados
ao desastre intelectual como projeto
de braços do oculto, fadados
a um futuro anormal.
Sem me retratar, não consigo pensar
num acaso de maneira natural.
A mesa brasileira é tão perfeita
por mais que alguns tentem,
não tem como alterar a ordem.
É tão magnífica a mesa brasileira
que dá para escrever coletâneas,
ela é indígena, africana, europeia,
e recebeu muitas outras influências.
Da mesa brasileira todos têm a sua
parcela pela contribuição da origem
que cada antepassado levou para esta terra.
Meu amor, você sabe bem
que os pensamentos seus
tomaram conta dos meus,
sem nenhuma censura
e com infinita ternura.
É fato que não tenho
olhos para mais ninguém;
sorrio por sua causa,
sem tempo para trégua,
muito além de maio
e nem um pouco de soslaio.
Aguardo um sinal seu
como quem aguarda um milagre
dos céus em Santa Catarina;
a Alegria-dos-jardins cresceu
e floresceu repleta de poesia.
Não sei quanto tempo
levará para que você seja meu
e para que eu seja tua;
de todo o coração, tens habitado
até na minha prece noturna.
Não importa o caos do mundo,
o que importa é o que podemos
fazer com muito amor por dentro.
O silêncio não é distanciamento
quando se carrega alguém
no coração e no pensamento.
Capinxigui florescido em maio,
do desejável embalo por nada
e nem por ninguém me distraio.
Neste tempo de florescimento
que cura e adoça com mel
não só o momento e o tormento.
A Ponte Hercílio Luz em centenário
ainda não sentiu os nossos passos,
prevejo caminhos sendo traçados.
Sob o Hemisfério Celestial Sul
entre sonhos e embalos cultivados,
coloco todos nas alturas confiados.
Mantendo lembranças vivas
como quem planta camélias,
colhe e com elas se enfeita
por onde quer que se passe.
O espírito abolicionista sabe
que a justiça e a liberdade
ainda não chegaram de verdade
e pedem de todos continuidade.
O abolicionismo vigilante
e atuante deve ser mantido
como pacto pela Pátria inteira,
porque queira ou não queira.
Só assim teremos, enfim,
a tão sonhada harmonia perfeita.
Enquanto houver um só irmão
sob o jugo de qualquer senhor,
todos estaremos acorrentados.
Devemos afastar-nos do passado
que, mesmo sem pensar, ainda vive
nos velhos hábitos que nos prendem
e nos perpetuam como aprisionados.
Permitir ser a tua mulher
sem pressa de viver.
o vital compromisso
com o amor no destino.
Com toda calma atlântica
no lugar que elegeste,
Na tua mão a alma austral
aceite plena, fiel e perene.
Para que o amor respire
sem que nada o sufoque,
o florescer que existe,
e nem o céu não o limite.
Assim as mãos se enlacem
na primavera que acontece,
no romance que floresce
e nenhum mau tempo alcance.
Corri para a janela
à espera do sol,
Uma distração
para não concentrar
a minha mente
nos teus olhos lindos,
como um jeito de tentar.
Desejei boa semana
e saí para passear,
mas com você
no coração de um jeito
que não vai passar,
Comecei a me apaixonar,
não faço a menor
ideia no que irá dar.
Só sei que comecei
a me apaixonar,
e você também tem
me visto por todo o lugar.
Nas auroras sob a tua porção
do Hemisfério Norte,
onde tens porto seguro,
Prometo de ler como quiser,
e basta somente dizer.
quando e do jeito que quer.
Exatamente como o florescer
da Chuva-de-prata
que não pede sequer licença,
ainda sem definitiva sentença.
O que será ou não será,
somente o futuro irá dizer;
Não tenho nenhuma
pressa de como irá ser;
Porque eu sei o que sou
capaz de contigo fazer.
Não há nada que desvie
o que é para ser,
As oscilações são sinais
de que o amor está a envolver.
Em meio ao véu frio
do tempo que envolve
a cidade de Rodeio,
mesmo sob o Sol e o céu azul,
Tudo invoca que é chegado
o mais austral poético momento.
À.partir dos nossos silêncios
contornando o Médio Vale do Itajaí
começarão discretamente
em nós a ser escritos os destinos
Onde o amor guiará pelos caminhos,
somos mais do que livrosa ser lidos.
Nas esquinas das ruas
e das nossas memórias,
fazia sol o chuva,
O sorriso era gratuito
até quando íamos buscar
o prêmio escrito no palito.
Sempre debaixo do guarda-sol
para carrinho de picolé,
vendendo sorvetes ou balas,
Era ponto de orientação
para voltar para casa:
tudo muda, o tempo passa...
Vendo gerações crescer
ou até mesmo se casar,
Nunca mais vi nenhum
por onde tive de passar,
O sorveteiro virou história
para muita gente lembrar.
Do jeito que está o mundo,
só consigo pedir a Deus:
--- Um melhor "Dia das Mães"
a cada novo segundo
do jeito poético e profundo.
Existem entre hemisférios
mistérios que nos unem
Do meu coração para o seu
e do seu coração para o meu,
plenos no firmamento particular
e um paraíso amoroso a cultivar:
(Somos aves migratórias).
Não temer nenhum risco,
num lugar secreto
de ser o universo,
e com os dois pés na terra,
com o peito aberto.
Assumir de tudo
um pouco, sem reserva,
e entre dois mundos —
selar a convergência
com lábios mudos.
De um pacto semeado
sem nenhum pleonasmo,
arcando ser de um
jardim oriental:
todas as frutas
mais doces e macias
para alimentar,
com delícias infindas,
a sua liberdade
de tão linda ave.
As bruxas verdadeiras
não morreram queimadas
nas históricas fogueiras,
As suas gerações estão
vivas espalhando guerras
além de todas as fronteiras.
Não existe nenhuma
distância segura de mim;
pertenço ao coração,
à alma e ao pensamento.
No outono catarinense,
sou a flor persistente
do maracujá-silvestre
descoberta em maio.
Do sagrado ao abrir
e fechar dos teus olhos,
a insurgente favorita
e inabalável enigma.
Cada nova defesa vira
um brinquedo novo;
não me desmotiva
e alimenta a adrenalina.
Não nego que não exista
a emergência de amor,
embora a sedução convide
para o que não é só fantasia.
No Médio Vale do Itajaí,
Borboleta é poema
no coração do jardim,
Do jeito que me vê
sou exatamente assim.
