Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Lua das Flores


A Lua das Flores da estação
no Médio Vale do Itajaí
preludia os ipês rosa e o roxo,
Com certeza percebi
a tua curiosidade bonita
que maio me anuncia.


Se é amor ou não, não sei,
mas que já poesia, virou lei;
Sem precisar da aprovação
alheia constrói o legado
de manter o seu coração
todo em estado de maio.


Não preciso falar o que
sinto porque se me ama,
Saiba que também é amado,
do jeito que não tínhamos
sequer antes imaginado:
do lugar deste amor não
haverá outro para ser ocupado.

Como quem de cima
do seu próprio cavalo,
enxerga o chão sagrado
que o abriga e sustenta,
Vê tudo com clareza,
incluindo a vil vileza,
Com toda a sutileza,
espírito de galpão e tropa
e chimarrão na mão.


Não nego a herança filial
do vento pampeiro
que ninguém controla,
De Sul a Sul balança
o ipê-roxo-de-sete-folhas
em preparação,
em maio, para a sagração
da absoluta floração.


Das raízes ao coração,
fincadas as origens
com apego a este chão,
Carrego alma briosa
de Sepé Tiaraju, que não
permite que a História
sofra mais alteração.


A herança de qualquer povo
ninguém retira,
independente de quem ali guia,
porque, gostando ou não,
quem manda passa, e o povo fica.

Doce de Imbu vou fazer,


Só para te receber


de um jeito que você


não vai esquecer,


Por mim você vai


inteiro se derreter,


De outro sabor que


não for o meu bem


brasileiro você não


nem pensar mais querer.

De Cabo Verde e São Tomé


nascido para comer,


Inhame divino Inhame,


a herança ancestral


só tenho a agradecer,


Se você ainda não provou,


comigo irá comer,


com o meu tempero bem


brasileiro e o bem querer.

Todo poeta


tem canto de Inambu


e pés na terra.

Alma de Tuiuiú no ninho do mês de maio,
que da poesia ostenta --- o mais sagrado,
Onde o desabrochar das flores dos ipês-rosa
como preces recordam a promessa amorosa.


Promessa que foi cumprida e floriu no lugar
que foi enterrado o heroico guerreiro indígena;
Como prova de amor para a sua amada
além da vida que hoje enfeita a nossa vista.


Desta e de tantas recordações que a memória
resgata com particular lírica se finca a história,
para se envaidecer e honrar de cada glória.


Para que legados entre os dedos não escorram,
para de tudo o que importa por nada nem ninguém
tenha nenhum poder de fazer que a gente desista.

Maio floresce com os ipês
sob o Hemisfério Austral,
assumo a minha urgência
que também floresce igual.


De silêncio em silêncio,
o coração sentimental,
indomado e brejeiro:
é puro desejo total.


Venha sem demora,
porque florescer requer
companhia sem hora.


Maio abrirá a porta
secreta e estenderá
o paraíso e a sua aurora.

Línguas ou armas estrangeiras
colocadas contra o meu povo,
da minha parte sempre
encontrarão forte oposição.
Outras Nações jamais
estarão acima da minha Nação.
Espero, da mesma maneira,
que assim seja para você e sua Nação.


Com igual lealdade, ainda que solitária,
tal qual a dos guardiões
das pirâmides do Sudão,
é a que guardo no coração:
ela mantém meus pés e a alma
fincados neste chão
que, sob o Hemisfério Austral,
enlevo em total sagração.
Não sei de onde me lês
nem que terra te chama,
mas desejo a ti a mesma devoção.


Cultivar o nosso amor vivo
em dias solares ou de tormenta,
nas noites de lunação ou escuridão,
é o meu diário voto e querer:
que a poesia se cumpra
e nunca nada me faça esquecer;
para que ninguém nos domine
e nada abale o meu e o teu viver.

O céu vestido de aquarela
do Médio Vale do Itajaí,
O Pico do Montanhão
com todo o amor beija,
Com poesia o coração
tamanha beleza corteja.

Poetisa do Médio Vale do Itajaí


Na mente o segredo da existência
sem excusa e com emergência
de escrever o cotidiano com versos
e cores do Médio Vale do Itajaí,
Que continuam inabaláveis
desde o primeiro dia que vi
com os olhos do meu coração.


O espelhamento é incontestável,
qualquer pretexto vira assunto,
e acaba virando poema no curso
do Rio Itajaí-Açu e os afluentes,
E sobretudo para falar das belezas
e de tudo o que move as gentes.


Para tentar a sorte de tocar-te
do jeito mais profundo e amável,
para quem sabe os teus olhos
se voltarem da maneira mais admirável,
E comigo se encontrar noite e dia,
entre as auroras e o Hemisfério Austral
com direito do melhor da minha poesia.

Não existem músicas ou jazz
que me interessam mais
do que os sussurros de meia-noite
capazes de pacificar terras inteiras:


Sempre que saem da sua linda boca,
que esquentam a minha nuca fria,
e que me fazem absoluta e louca.


[Quem dera se verdade fosse,
mas é devaneio místico e poesia].

O Poemário Rodeense
é feito do pôr e do nascer
de muitas e todas luas,
Das doces manias tuas
que se encontram com
as minhas manias de poesia
no Médio Vale do Itajaí.


Jaci que é bem-vinda,
e vista no céu de Rodeio
brincando como trapezista
na corda do Universo,
e eu pensando qual
será o caminho certo
para ser o que pacífica.


Adorada Jaci adorada,
que guia e orienta
e faz a rota protegida
nesta Santa Catarina,
que todo o dia tem uma
flor tem arrancada do jardim
da primavera da vida.


Jaci que me é tão querida,
que me deu o aceno de despedida,
e teve o lugar tomado
pela garoa mansa e tão fria,
sei que não a deixo,
e ela não me deixa,
assim cultivo a minh'alma feminina.

O teu jeito observador
entretém e seduz,
Os meus cabelos alcançam
o Estreito de Ormuz.


O que gostaria mesmo
é que os meus sonhos
tocassem o seu peito,
E entre nós se abrisse
uma generosa passagem,
Porque não quero ser
espectadora da paisagem.


Não penso contar miragens
e tampouco contar com oásis,
Desejo ser a tua escolhida
inequívoca para habitar
a tua dulcíssima paragem.

Placa


Recordo uma época
que todo dono de sítio
sempre fazia questão
de mandar fazer
uma placa com dizeres
talhada por algum artesão,
para status ninguém ligava,
saber quando seria a próxima
reunião era o que se desejava.


O que mais importava mesmo
era poder fazer no próximo
final de semana,
no feriado ou no aniversário:
um bom churrasco.


Criançada era criançada,
todo mundo se visitava
sem ter medo de nada,
Se fazia novos amigos sempre
de forma despreocupada,
Os anos passaram,
e não me esqueci de nada.

Isqueiê


Nas encruzilhadas
e pelas passagens
no Norte de Minas,
assustando viajantes,
quase todos os dias,
Não sei se em assombração
tu realmente acreditas.


Estou lembrando você
do Isqueiê pregando
cada peça em noite alta
e antes do raiar do dia,
Cruz credo! Que agonia!...


Vem! Aperta e esquenta
a minha mão que está tão fria...
Por estes caminhos rezo por dez:




(dez Pai Nosso e dez Ave Maria).

Iukê




O coração é Iukê batendo na terra
nas mãos dos Uapixanás
do Rio Branco até o Rio Amazonas,
O ritmo te põe hipnotizado,
pelas minhas danças embaladoras.


(De todas as existências sedutoras,
a minha é a mais encantadora).

Ipupiara


Poeta que se preze é Ipupiara
ocultado no rio da metáfora.

Do individual para o coletivo sobre o feminicídio:
está na hora de parar de depositar a direção das nossas vidas nas orientações que a classe política incute, dá para evoluir se a gente quiser resgatar a vida do povo. Ninguém deve depender de direção política para ser pacífico e ter uma boa convivência. Basta que sejamos bons uns com os outros. Orientar as pessoas a não entrarem em choque por qualquer coisa, não interferir nas vidas dos casais e não fazerem ironias quando qualquer dissabor vir a acontecer na vida de quem quer que seja. Se a sociedade daqui ou de qualquer lugar do mundo realizar desses pequenos passos a violência de forma geral irá abaixar expressivamente

Nunca tive a intenção
de ultrapassar nenhum limite,
mas você abriu
e deixou a porta entreaberta.
Permaneci em silêncio,
mal tentando falar como antes.


Acho que, condenada a esperar
em "O Dia em que me queiras
não estarei mais em suas mãos,
e apenas meus poemas
à la Gardel permanecerão.


Meu céu cheio de estrelas...

Nenhuma tropa estrangeira está acima das vidas dos cidadãos da minha Pátria. Nenhuma.