Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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Não posso fazer versos,


com ou sem acento,


com ou sem ortografia,


para quem acredito que


nasceu com asas e poesia.






À poetisa Gioconda, sempre querida

Ludovico, um papagaio.




A memória desta ave é longeva
para boas ou más experiências.
E não se trata apenas de um poema,
é para deixar para a vida toda
registrado: porque o que se leva
na memória nunca será passado.


Há mais de três décadas foi
pela dona procurado.
Dizem que ele para a Baixada Litorânea,
na Região dos Lagos, foi levado,
e pode estar vivo em qualquer lado;
ele nasceu no Rio de Janeiro,
ele era amado e bem cuidado.


[Ludovico era um papagaio
que nunca mais foi encontrado.]


"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida,
Que os anos não trazem mais!"


— Casimiro de Abreu

Meu peito primaveral
celebra a estação
no Hemisfério Austral;
Floresce a primícia
do ciclo da vida,
e põe a teus pés
amor, paixão e sinestesia.

Numa guerra não há anjos e nem demônios, apenas homens.


Os óculos para ler uma guerra precisam as lentes da frieza e da factualidade.


Uma guerra jamais pode ser romanceada.

Olhar na sua companhia
o tempo solar que irradia
energia nesta primavera
com toda ternura e alegria.


[Encanto, atração e sinergia.]

Em nós a floração
do primeiro verão,
a real primavera
além da estação. 🌺

Toda a guerra rouba a ingenuidade das crianças sejam elas do lado agressor ou do lado agredido.


Poupem as crianças dos comentários maldosos.


As crianças merecem receber comentários públicos dignos. Crianças não são parte em nenhum conflito, e sim vítimas.

Meu tormento preferido,
não mais tarde,
Seja o meu destino
sob o Hemisfério Austral.


Me dê a sua mão,
o peito e o desassossego:
Beije o meu desejo.


Juro a retribuição primaveral!

Sou a sereia que espia
entre as formações da Ilha Deserta
e Parcel do Calhau de São Pedro,
Enquanto no meu mar tu navega,
e eu cultivo o coral do silêncio.


[É sobre ser quem é em segredo.]

Nas formações
da Ilha do Arvoredo
a beleza sem retoques,
sem nenhum receio,
revela-se coralínea
em ti catarina serena,
no teu íntimo sossega
e no teu ser se revela.


...


Como sereia colocar você
em transe alucinante,
Hipnotizar e me seguir
pelos Corais da Ilha da Galé
e fazer você voltar a ter
no amor a mais vigorosa fé.

Não aceito outro jogo
vindouro e duradouro
que não seja o do encontro
de cinturas marinhas
feitas de corais livres,
em intenções sedutoras,
ações arrebatadoras
e sentimentos da imensidão
do Oceano Atlântico Sul.

Simplesmente habitar
nas cidades submersas
e seus raros berçários
dos Bancos de Rodólitos,
Sentir na pele os insólitos
cruzar os profundos abismos
e salvar-se dos desastres.


[Nas letras o abissal
entre os nódulos formados
por algas vermelhas,
celebrar ousadias calcárias vivas,
e com elas escrever poemas.]


...


Com corais de mar profundo
da minha cintura de sereia,
Tornar-me a habitante
preferida da tua imaginação
entre a adrenalina e a dopamina.


...


Nos recifes profundos
dos teus olhos misteriosos,
Dar o meu nome
para todos os teus desejos,
ocupar os pensamentos,
as emoções e os sentimentos.


...


Nos recifes de água turvas
onde há rota aprofundas,
as nossas intimidades
não temem correntes
e nada ordena as liberdades.


...


A alma dançando solta
entre recifes de franja,
se fazendo de sereia
e vestindo a esperança


...


Coração de atol,
alma de sol
e olhar de farol.


...


...


Mergulhar contigo,
estar sob chapeirões,
viver altas emoções,
confiar e nos entregar
às melhores sensações.


...


Chapeirões de Abrolhos
para abrigar os sonhos,
O oceano não é limite
e nem mesmo o céu.


[Tudo teu é convite.]

Há algo tão guardado
dentro de nós sob
a névoa romântica
do amoroso silêncio,
Que queremos
tão bem preservado
de um jeito sobrenatural
quanto o Parcel do Calhau.

Poetisa e peixe,
toda feita,
para a sua rede.


Mesmo que digam
que não vai dar praia,
e não dará em nada.


[Já nos vejo
no Parcel do Dada.]

No Parcel do Campo Bom
ouvir do mar o grão som,
a terna música da tua voz
e o coração ajustar no tom.


Desfrutar do teu dom...

No Parcel da Corvina,
a entrega e a total
folia no mar de poesia.

Ainda não fomos
no Parcel do Esteves,
Só sei que teus flertes
provocam e pescam.


Do teu mar, sou a sereia.

Os cavalos de troia
só entram na mente,
se você permitir.
No Parcel da Monobóia
melhor submergir.

Encontrar-se ali
no Parcel da Draga,
Não abandonar-se,
e não permitir-se
ser por nada enganada.

Num mundo que tudo
é campo de batalha,
Prefiro encontrar
o Parcel da Granada,
e continuar inspirada.


[Convicta e apaixonada.]