Coleção pessoal de anacaon
Quanto tempo demora? - perguntou ele.
- Não sei. Um pouco.
Sohrab deu de ombros e voltou a sorrir, desta vez era um sorriso mais largo.
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.
- Maçã ácida?
- Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs.
Mas o diabinho gritou forte no meu ouvido direito e o anjo tosco que dançava do lado esquerdo caiu e quebrou a asa.
Mesmo que a gente não fique juntos pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou aparece no olho mágico da minha porta. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar. Me deixe um dia, se quiser. Mas me deixe te amando. É só o que eu peço.
Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja.
Morava aqui em frente. Professor de matematica do Liceu, o Professor Quadrado era conhecido entre a estudantada como Professor Losango desde que se apaixonara por dona Micaela. Losango, sabem por quê? Não tinha mais ângulo reto. Entortou de amor.
Sabe o que eu quero? Eu quero proteção. Eu quero que alguém me diga que mudou por mim, que eu fiz deste alguém uma pessoa melhor. Eu só preciso andar de mãos dadas, ir comer pizza só pra ficar lado a lado, eu só quero acordar de madrugada com uma mensagenzinha só pra dizer um 'Eu te amo' que mesmo sendo tão simples, signifique muito pra mim. Eu quero ter a certeza de que alguém precisa de mim, que só consegue ir dormir depois de sentir o meu perfume na sua camisa, que fique com saudades alguns minutos após a despedida, que ligue pra mim e me faça ter certeza de que é ele que eu quero. Um alguém que faça um cafuné só pra me fazer dormir; que ama o jeito de como eu mexo os meus cabelos, que adora o meu sorriso, e o meu jeitinho diferente de amar! Eu quero alguém que me deixe segura, que tire os meus medos, que desvende os meus desejos. Alguém que esteja ao meu lado sempre, até mesmo quando eu não merecer. E eu tenho esse alguém, esse alguém, que não sei como e porque, se parece muito com você!
Espantalho: - Eu não tenho um cérebro... só tenho palha.
Dorothy: -Como você pode falar se você não tem um cérebro?
Espantalho: -Eu não sei... Mas algumas pessoas sem cérebro falam de monte, não é?
Dorothy: -É, eu acho que você está certo.
Nem era preciso dizer que não era preciso dizer: eu era o teu lado esquerdo e tu eras o meu lado direito.
Você já deveria conhecer meu tom seco e sarcástico e minha insuportável mania de falar a verdade sem me importar com o que os outros vão pensar. Sem me importar se vão continuar gostando de mim mesmo assim.
Eu nunca precisei fingir que sou uma pessoa boa. Nunca precisei fingir que eu não estou nem aí quando eu estou mais aí do que aqui. Não faz meu tipo. Me esforço às vezes pra ser romântica, pra acreditar nos planos, pra acreditar nas pessoas. Nunca chorei pra convencer. Talvez porque não faça questão de convencer. Ou, como você mesmo diz, sou direta, fria e seca. E nada disso é novidade pra ninguém. É só o meu jeito.
Eu não sou fácil, não me vendo, não aceito migalhas, não gosto de metades. Sou um império do bem e do mal. Sou erótica, sou neurótica. Sou boa, sou má. Sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mousse de maracujá. Só não sou um brinquedinho. Que alguém joga no canto do quarto quando não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar.
Peixes, logo vi, regente Netuno, ah Netuno, cuidado com as ilusões mocinha, profundas e enganosas como o mar que é teu elemento.
Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. (...) Penso como um homem, mas sinto como mulher.
Eu acreditei tanto em você. E o maior motivo da minha crença não eram as nossas risadas, os nossos carinhos, as nossas tardes de conchinha, as nossas noites de gordinhos, os nossos programas de índio, as nossas viagens de improviso, os nossos segredos contados pelos olhos, as nossas descobertas, o nosso amor. Nada disso era o meu maior motivo. Nenhuma briga resolvida, nenhum ciúme infundado, nenhuma discussão com final feliz, nenhuma manha de menina mimada, nenhuma pessoa que tentou atravessar nosso caminho e não conseguiu. Não era isso que me dava certeza de você. Eu acreditava em você, porque você foi a primeira pessoa que me fez acreditar em mim.
"Eu não vou transcrever para vocês as tolices adoráveis que a gente fica trocando um com o outro ao longo das noites, nem descrever a maneira dele de recolocar as minhas mechas atrás da orelha, a suavidade do rosto dele contra o meu, o seu olhar mergulhado no meu. Como estão vendo, eu caio rapidamente nos piores clichês. Rostos grudados, olhos nos olhos, mão na mão... Como a gente fica babaca quando apaixonada."
