Coleção pessoal de Amontesfnunes

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ARIDEZ

Aquela poça d'água
cheia de enxurrada
com seca, secou...

Não sobrou sapo, lama
nada... Nada sobrou,
alem da dor.

As flores do sertão, estão murchando

rios sem verde, leitos sem vidas.

Antonio Montes

SONHO D’OIRADO

Peixe dourado d’oira
Os olhos da minha amada
Embelezando-os com o sentir
Com sua beleza d’oirada.

Ali na margem do lago
O peixe d’oirado eu vi
Expondo o seu lindo nado!
Que a meu fado consenti.

Nade meu peixe d’oirado, nade?
Nade... Nade em seu existir
Nade o seu d’oirado pra mim.

Sob o meu coração... É verdade
Que sempre estive junto a ti
No meu sonho... Assim, assim.

Antonio Montes

MENINA NA RUA

Menina pela rua,
presa em seus sentimentos
vê o sol em seu tempo
preso em sua janela.

Em seu sonho sem dono
nunca acha a razão
no peito triste, seu coração
chora o seu abandono.

Seu arco-íris é quadrado
pelos ferros da vida
saudade,todavia é doida
em seu mundo de entalo.

Escora-se, em suas esperanças
no passo a passo dos sonhos
seu caminho, ficou medonho
desdê o tempo de criança.

Antonio Montes

REFLEXO

É o cachorro perseguindo osso
é o pássaro pulando atrás da fruta
é o vento doido no mês de agosto
é o bruto testando a força bruta.

É a espuma do mar sempre persistindo
é o lobisomem namorando a lua cheia
é a saudade tirando o todo o sossego
é o desespero da mulher feia.

é a morte amável e amiga de adeus
ao mesmo tempo inimiga da vida
pensamentos dos outros não seu teus
são todos tortos em causas perdidas.

Os pensamentos sim, são mesmo torto
irmãos de todos os infelizes aleijados
em vida têm enjoou, vômito e aborto
orgulho, vontades e desconfiados.

O galho da rosa não tem somente flor
tem caule com casacas e também espinho
o mundo é uma precisão de paz e amor
para encontrar-se com meiguice e carinho.

Antonio Montes

A MENINA POETISA

Mamãe eu vou ali, voltarei já, irei colher flores de maracujá... Eu posso ir mamãezinha?..
A senhora vai deixar?! _ Vá, mas volte logo filha minha não se esqueça de que você é a perola dessa família.Além do mais já é quase chegada a hora do almoço: meio dia, e depois eu não quero te ver envolvida com garotos.
_ Oh minha mãezinha!’ porque tanta ladainha assim! Eu também quero ter tempo para passar no jardim... Colher folhas de alecrim, E aqui aproveito a nossa prosa para te falar que das rosas eu colherei pétalas, para mim, e também trarei para ti pétalas de flores de todas as cores
lindas grenás como sabe, todas as rosas vermelhas esboçando os meigos amores.
_ Minha filha você também tem a lição escolar para fazer; meu sonho filha minha, e a minha paixão para quando você crescer e for uma médica sensível e cheia de mimo como você é,
e sempre será.
_ A mãezinha a senhora ainda não sabe que se estuda muito para ser médico, e assim com esse poder aquisitivo baixíssimo que nos possuímos, é claro que nunca serei uma médica.
Nessa via só sou menina pobre só sei brincar,
Brincar de boneca, pula corda ciranda, eu sei
rodar, gosto de bambolê pular sorrir e cantar
nasci para ser rainha do lar medica não serei!
Quem dera chegar lá?! Tenho estudado:
Anatomia, matemática socialismo e biologia
Para que desse modo de ser, pobre eu saia
um dia. Mas aqui, a vida é simples, sem stress
sem conta e sem processos, não tem carros
nem aglomeração os dias são meigos
e a esperança existe no coração.
A lua por aqui, a noite ainda se vê no céu
Ver também todas as estrelas... Sobre o sol,
se anda de chapéu observa-se as chuvas
as enxurradas a correr fazendo aranzel.
Ver também o vento farfalhar as folhas
O joão-de-barro revoando para lá e pra cá
fazendo a sua casinha e com a sua amada cantando a namorar, tenho visto o
tico-tico no terreiro bicando o fubá os
pássaros todos alegres a chilrear, o galo
no poleiro apresentado o seu cantar.
Mãe eu não sei se quero ser medica viver
sob quatro paredes não me agrada. Não me
agrada aprender tanto, tanto! Para depois
viver sobre tensão carregando um controlador
“bipe” e nunca mais da vida nada!’ poder degustar, sou mesmo uma pessoa simples,
admiro a saúde a paz e o amar, fico feliz
apenas com uma musica, um cantar.

Antonio Montes

ROSA MULHER

Olhe a rosa?!
_ Mas que rosa?
_ A Rosa Maria
Mulher do vigia
Ela zanza à noite
Dorme durante o dia.

_ Mas que vigia?
_ O vigia José
Que trabalha, trabalha
E a Rosa, nem café...

Eita mulher que falha!
Outro dia ela saiu
Logo ao entardecer
Invisível ninguém viu
E ela só foi aparecer
Na aurora ao amanhecer.

Bateu o pé por ai
Desobedeceu se mandou
Depois começou a mentir
Disse que foi caçar pequi
E na verdade com outro
Ela foi fazer amor.

Saiu de carro um dia
Com um cara lá da feira
Não escolhe a quem vai
Diz que tudo é besteira...
Ontem saiu de bicicleta
De fininho por ai
Foi até a beira do rio
Em dia assim de estio
Vejam o que poderá vir.

Garra agarra ela brincou
A tarde toda com amor
Que a outro prometeu
De fininho ela voltou
Jurou para o seu senhor
E para a nossa senhora.

Valei-me meu Deus!
Leva a vida sempre assim
Nem ora e não sabe rezar
Na igreja ela não vai
Sempre zanza por ai
De cara com o satanás.

Antonio Montes

INTEMPÉRIE

temporal d'água
com muita chuva
encheu as luvas
de enxurrada.

Saiu arrastando
carros pelas ruas
alagou as casas
minha e sua.

Desceu asfalto
sem nem um zelo
encheu as bocas
de todos bueiro.

Temporal d'água
veio com ventos
molhou as éguas
e seu jumento.

Antonio montes

VENTO SOLTO

Aquele vento solto no chapadão
alargou-se pelos campos e na larga,
não alisou nada!
Balançou poste, derrubou placa
acalentou caminhões...
Tanta força, tanta força!
que até os olhos do motoqueiro
arrancou da cara.

Sabe aquele poço que estava,
sobre a margem direita da estrada...
Mudou-se para, margem esquerda
e transformou em chuva...
Toda a sua água.

Aquele vento solto no chapadão
causou danos, desconcertou coração...
A tudo que foi feito com as mãos.

Antonio Montes

EXASPERAÇÃO

Pela noite... Lá vai a lua
e a morte espreita a debruçar,
sobre vultos das sombras nas ruas.

Tem choro de menino
estampido de um terrível assassino
e os sinos do medo, estão rindo.

Lagrimas nos rostos desesperados
indica o presente, com o passado.

Antonio Montes

AGLUTINAÇÃO

Em um beijo todo torto
veio a mim com lábios dóceis
com meus anseios, beijei você.

Com sua sede de abraço...
lhe tomei em meu querer
hoje meus olhos, são pra te vê.

Me desse beijos para ficar
e eu... Abraços pra te amar.

ABROLHAR

Essa bola que me dá...
Vem redonda no meu peito
e faz meu coração pulsar.

As vezes fico sem jeito
e com seu efeito de chutar
o que me faz, é eu amar.

Essa bola que me dá, essa bola
faz gol, no meu abotoar da gola.

PITACO

É meu peixe...
Fique frio enquanto nada
pois nada poderá te afogar no rio.

Mas cuidado...
Cuidado com toda essas água
que no dia da deságua, será estio.

Nesse dia, não de rabanada sobre o ar
pois agora poluído, o ar pode matar.

POPULAR

Uma lagrima no rosto
uma fome pede ajuda
o seu olhar de desgosto
é o mal gosto de Judá.

No lixo, mãos tremula
perambula o que comer
mal vistas em seu tema
odiadas por você.

uma lagrima pede alento
na mais cruel decepção
estenda sua mão ao tempo
tenha um pouco de paixão

Estique seus sentimento
que os santos, solidarão
não deixe, mal ventos
arrastar seu coração.

GALHOFA

Bola de meia
bate esta cheia
não póca com ar
nem pula na areia.

Tempo de outrora
com béti com taco
menino d'agora
não corre no saco.

Peteca de pena
voando no ar
em tarde serena
na rima a rimar.

Menina pequena
com cinco marias
pedras sem trena
na calma do dia.

Antonio Montes

DISCORRER

O que tem pra vida
assim toda ida...
A diva querida,
ou a época perdida?

A estrada do dia
aplicação do conceito
o viver na alegria
o sorrir com respeito.

o gargalhar do deboche
escorrego da rua
o fincar no enfoque
d'essa vida só sua.

O que tem para vida
que vai aonde quer
uma vida da vida
ou o feito que quer?

Antonio Montes

ADESÃO

Aquele pedaço do seu pão
o riso escondido no rosto
um simples aperto de mão
fazer? Então faça com gosto.

Divida aquilo que a ti sobra
com quem tem a precisão
olho grande, sim! Só engorda
as manobras árdua do cão.

Tem um peregrino na rua sua
que não pediu para ser pobre
e hoje... Só dorme no chão.

Não faça a ele vista grossa
nem míngüe esse seu coração
pois aquele pobre é seu irmão.

Antonio Montes

SEMÁFORO
Era sol, vermelho aflorou
como pulsar de coração
deu a cor e parou.

VEXAR
Sede sem plano, anos
maltrato, danos em mão
seca infundada no sertão.

ÓBICE

O louco em passos tropos
sob paralelepípedos da avenida
arrastava pedaços da sua vida.

Antonio Montes

ANELAR

Era noite estrelada...
E a lua lá no céu, se fazia prata
a saudade em mim, era de ti e mais nada.

Eu? Eu caminhava pela orla desse amor
aplaudindo a esperança que nos carregava
feliz com seus abraços e seu sorriso em flor.

Sonhei alto e fiz piquenique nas nuvens
vaguei pelo espaço sideral o quanto pude.

Antonio montes