Coleção pessoal de ALENCAR_VC

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O Tribunal do Saco Preto


Passava das duas da tarde e o calor, aquele típico aqui de Altamira que parece derreter até o pensamento, castigava as ruas empoeiradas de Cachoeira da Serra. Empurrando meu carrinho de coleta pelos restos de asfalto quente, eu ia fazendo o meu trabalho diário de recolher o que os outros não querem mais. Parecia que eu tinha meu próprio sol ali, bem do meu lado, fazendo-me cozinhar por dentro e escaldar por fora, mesmo assim, a mente trabalhava mais rápido que as mãos.


Dizem por aí que para conhecer os segredos de uma pessoa, basta invadir o celular dela. Bobagem. Como trabalhador das ruas, eu garanto: quer saber quem é alguém de verdade? Esqueça a senha do Wi-Fi e olhe para o lixo que ela joga na calçada.


Outro dia mesmo, passei na frente da casa do "Doutor" da esquina, aquele que anda de caminhonete importada e fala alto no celular para todo mundo ver. No saco de lixo dele? Só embalagem de macarrão instantâneo, garrafa de cachaça barata e notas de cobrança rasgadas. Na mesma rua, parei na casa da Dona Rita, que anda a pé e conta as moedas para comprar a farinha nossa de cada dia. A lixeira dela estava cheia de aparas de lápis e rascunhos de redação escritos à mão pelos netos — o retrato claro de quem investe o pouco que tem na esperança de um futuro melhor.


É engraçado como a gente vive em uma época de aparências. As pessoas postam fotos sorrindo, vestem roupas de marca e fingem que a vida é um comercial de margarina. Mas o lixo não tem filtro de rede social; ele é fidedigno, não sabe mentir. No momento em que você dá um nó na sacola, a sua privacidade acaba e a sua verdadeira essência é exposta na calçada. Como bem disse Veríssimo em uma de suas crônicas, através do lixo, o nosso particular se torna domínio público.


A verdade é que a lixeira é o nosso maior tribunal. E enquanto eu separo o papelão do plástico debaixo desse sol de rachar, só consigo rir sozinho da ironia de tudo isso. Fica a pergunta para você, que me lê agora: quando eu passar na frente da sua casa amanhã, o que o seu saco de lixo vai fofocar sobre você? Hum?!


ALENCAR.V.C.

⁠Uma vida sem amar a Cristo, sem tentar seguir os Seus passos é despropositada, oca e insignificante!

O amor que Cristo nos convida a respirar e transbordar

Transforma...
Preenche...
Cura!

O amor é fonte de vida e de vontade de viver!

O amor é ar!
É sangue!
É alimento!

O amor é!