Coleção pessoal de alanaabdilla
Há um momento em que a consciência desperta e você percebe:
nem tudo que chega à sua vida é seu para carregar.
Alguns vínculos são aprendizado.
Algumas escolhas são espelhos.
Alguns ciclos simplesmente cumpriram seu propósito.
A chave virou.
E quando se começa a enxergar, já não existe retorno ao antigo estado de consciência.
Tudo o que é dito sobre a verdade não é a verdade. A verdade não pode ser expressa; ela simplesmente é.
Algumas pessoas desaparecem por um tempo e o mundo acha que elas desistiram.
Mas nem todo isolamento é fuga.
Às vezes, é construção.
Enquanto todos estão ocupados mostrando resultados, algumas pessoas estão aprendendo, errando, estudando, treinando e reorganizando a própria vida em silêncio.
A natureza funciona assim. A semente cresce debaixo da terra antes de romper a superfície. O aço é forjado longe dos aplausos. E grandes transformações quase sempre acontecem quando ninguém está olhando.
O problema é que o silêncio costuma ser confundido com fraqueza.
Mas quem usa esse período para evoluir volta diferente. Com mais clareza, mais habilidade, mais disciplina e menos necessidade de aprovação.
Nem todo mundo que se afasta está perdido.
Alguns estão apenas se preparando para retornar em um nível que ninguém esperava.
O caminho interior não é uma subida constante até a luz. É um movimento de encontro entre luz e sombra. Às vezes você está em uma fase de clareza; outras vezes, em uma fase de recolhimento, onde parece que nada está acontecendo, mas muita coisa está sendo reorganizada internamente.
No meu âmago, a metanoia permanece viva todos os dias. Ela se tornou uma presença silenciosa, lembrando quem eu sou, mesmo quando me esqueço por um instante.
A metanoia não é uma mudança de opinião; é a dissolução daquele que acreditávamos ser.
O mundo exterior permanece o mesmo, mas o observador já não é. Os véus não desaparecem; apenas deixam de enganar quem aprendeu a ver.
Desde então, compreendi que a maior prisão não está nas circunstâncias, mas na ignorância da própria natureza. E que a maior liberdade não consiste em fazer tudo o que se deseja, mas em reconhecer aquilo que verdadeiramente se é.
Ainda caminho entre as distrações do mundo. Ainda sou humana e, por vezes, me esqueço. Mas há um conhecimento silencioso que nunca mais me abandona.
A metanoia é isso: morrer para a ilusão sem abandonar a vida; permanecer no mundo sem pertencer aos seus enganos; recordar, incessantemente, a centelha da verdade que sempre esteve presente.
A sombra do invisível cobriu o trono do dia. Nenhum fogo ardeu no altar do meu peito, nem o verme da solidão ousou roer minha paz; contudo, chorei pela ausência de um Deus que esqueci de inventar.
Conhecer a si mesmo não é decifrar um enigma definitivo, mas aprender a navegar com paciência pela imensidão de quem nos tornamos a cada dia.
Uma das coisas mais libertadoras que você aprende sobre comportamento humano é que não precisa descobrir tudo sobre alguém.
No começo, você escuta o que as pessoas dizem.
Depois, começa a prestar atenção no que elas fazem.
Até perceber que existe uma diferença importante entre intenção e comportamento.
Intenções podem ser explicadas.
Palavras podem ser ajustadas.
Mas padrões são difíceis de esconder.
Eles aparecem nas escolhas.
Nas prioridades.
Nas ausências.
Na forma como alguém age quando não tem nada a ganhar.
Por isso, maturidade não é desenvolver um talento para decifrar pessoas.
É aprender a não ignorar aquilo que já está evidente.
Porque, no fim, os padrões respondem perguntas que as palavras deixam em aberto.
E quase sempre dizem a verdade.
Existe uma diferença entre chamar a atenção de uma mulher e marcar a vida dela.
A primeira quase qualquer homem consegue. A segunda pertence aos que observam os detalhes.
O maior afrodisíaco para uma mulher inteligente não é ser ouvida, é ser verdadeiramente compreendida.
A atenção aos detalhes é a forma mais sofisticada de sedução, porque ela não pode ser comprada nem fingida.
Por isso, não tente ser o homem mais interessante da sala. Seja o homem que presta atenção.
Os homens mais marcantes na vida de uma mulher raramente foram os que mais impressionaram. Foram os que a fizeram sentir que, por alguns instantes, ela era a única pessoa no mundo que importava.
Tem dias em que a vida parece uma piada escrita por alguém com um senso de humor extremamente duvidoso.
Você acorda, resolve um problema, aparecem três. Tenta respirar, vem outra pancada. E no fim do dia ainda perguntam: “Mas e aí, tudo bem?”
Tudo. Bem.
O mais curioso da vida adulta é perceber que ninguém sabe realmente o que está fazendo. Tem gente sorrindo com ansiedade, motivando os outros enquanto desaba no banho, dizendo “fé” com a alma parcelada em 12 vezes sem juros.
E mesmo assim o mundo continua.
O ônibus passa.
Os boletos vencem.
O sol nasce com uma arrogância absurda, como se nada tivesse acontecido.
A dor mais funda nem é a tragédia.
É o desgaste.
É perceber que a vida não destrói de uma vez; ela vai mastigando aos poucos: expectativa, inocência, paciência, esperança… E quando você percebe, ficou mais fria, mais cansada e absurdamente boa em dizer “tá tudo certo”.
Mas existe algo quase poético nisso tudo:
Mesmo decepcionada, exausta e ironicamente consciente do caos… continua levantando.
Talvez não por coragem.
Talvez só porque amanhã ainda tem roupa para lavar.
A profundidade da tristeza revela a profundidade da nossa capacidade de amar, sentir e experimentar alegria.
Não existe essa ideia de que alguém seja tudo o que falta. Não existem metades à procura de outra metade, existem pessoas inteiras que se encontram.
O que existe é o encontro consigo mesma. Não posto minha vida como algo para ser observado, mas como expressão do que vivo e compreendo. Cada pessoa segue seu próprio caminho de consciência, e eu sigo atenta ao meu.
E que a vida siga como essa aventura de existir.
Todo o meu tempo sacralizado, eu acordo ao amanhecer com o coração alado pela oportunidade de mais um dia de amor. No meio do caminho, olho o quanto eu já amei. Caminho para a minha casa grata e adormeço, dormindo o sono dos justos. Porque cumpri o meu dia, fiz aquilo que me correspondia, amei. Portanto, tive um dia digno de um ser humano.
Quem vir o rastro da minha vida vai dizer: aqui passou um ser humano. Eu amei.
E depois, quando chegar diante da morte, quem vir o rastro da minha vida vai dizer: eu espalhei amor por onde passei. Busquei a unidade. Busquei o coração de todas as coisas.
Por quê? Porque eu tinha capacidade de encontrar o meu próprio coração e, por paralelismo, fui capaz também de encontrar o coração de todas as coisas.
Talvez eu encontre equilíbrio no silêncio fino entre me perder e me reconstruir, onde o que dói também me reorganiza por dentro.
Hoje eu só queria me dissolver no todo, silenciar quem eu sou por um instante e deixar o mundo me atravessar sem precisar existir como 'eu'.
Tem homem que confunde paciência com aceitação de mediocridade. Se a sua entrega, seja emocional, financeira ou de caráter, é escassa, guarde para quem se contenta com pouco. Eu não sou público-alvo de quem oferece o mínimo e espera o máximo.
Minha busca por 'algo maior' nunca foi sobre ter, sempre foi sobre ser. Conheço o preço das minhas decisões e sempre estive disposta a pagar; afinal, nenhum conforto vale o sacrifício da minha evolução pessoal.
