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Coleção pessoal de Acirdacruzcamargo

41 - 60 do total de 179 pensamentos na coleção de Acirdacruzcamargo

⁠Estava nas nossas tradições, realmente, o regime republicano, marcadas pelas rebeliões contra a dominação metropolitana, desde as suas primeiras manifestações...Ela animou os sonhos dos conjurados mineiros e baianos, como os rebelados de 1817. Como marcou os sonhos de todos os que se rebelaram, após a autonomia, nos movimentos provinciais...Para as classes dominantes brasileiras que presidiram o processo da autonomia, entretanto, tratava-se, essencialmente, de preservar os seus privilégios e evitar que a separação da metrópole se aprofundasse em alterações significativas na estrutura estabelecida na fase na fase colonial. Tratava-se, como sempre, de EVITAR UMA REVOLUÇÃO. É por isso, inclusive, que os compêndios "adotados" repetem com capricho que a autonomia, aqui, foi mansa, sem derramamento de sangue, etc.

⁠Uma independência submetida aos interesses das classes dominantes internas e da burguesia britânica no exterior. Uma independência relativa, por isso mesmo...O Império foi, essencialmente, a conjugação do latifúndio e do escravismo...Foram, pois, os senhores de terras e de escravos que empresaram a independência"
A REPÚBLICA, pág. 12

⁠Ser monarquista tornou-se, entre nós, não uma opção fundada em razões políticas mas a forma que travestiu o reacionarismo mais empedernido...O que importa, para eles, é a maneira de expressar o descontentamento, a profunda insatisfação com os traços de democracia que surgem entre nós...Para essa mentalidade, que tem raízes coloniais, a atividade política, e particularmente a representação, deveria ser privativa das elites"
A REPÚBLICA, pág. 10

Que⁠ livros importantes estavam aparecendo? Algumas reedições, como a da Contribuição à História das Ideias no Brasil, de Cruz Costa; o Itinerário de Silvio Romero, de Sílvio Rabelo; a Educação como Prática de Liberdade, de Paulo Freire...
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 206

⁠Aprendi muito, com essa viagem, particularmente na URSS. Os dias passados em Baku foram inesquecíveis; o Congresso surpreendeu-nos em pouco, pela maneira como foi organizado, mas a cidade era fascinante, na sua mistura de influências orientais, ancoradas no passado histórico, e condições modernas, como a da existência do metrô, inaugurado há pouco; e o povo era muito parecido como nosso: MORENO, ALEGRE, HOSPITALEIRO; a festa de despedida foi o maior espetáculo a que já assisti..."
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 210

⁠A gente gosta, em viagens, dos lugares onde foi bem tratado, onde encontrou amigos, porque a solidão, no estrangeiro, deve ser horrível e não há paisagens que a disfarce"
A FÚRIA DE CALIBÃ - Pág. 209

⁠Nas revistas universitárias, as deficiências eram tão lamentáveis que faziam "pensar serem os trabalhos apresentados redigidos por estudantes que mal terminaram o curso médio"
A FÚRIA DE CALIBÃ - Pág. 206

⁠Nós começamos, na verdade, a morrer quando perdemos aqueles a quem amamos"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 193

⁠...quando se estabelece condições de igualdade para coisas desiguais, sempre se está privilegiando o mais forte"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 173

⁠Eu não era, não sou, jamais serei neutro, nem permaneci, ou permanecerei, acima das lutas, nem aceito a concepção abstrata de liberdade, mas a concepção historicamente condicionada, aquela que a define como a consciência da necessidade.
A FÚRIA DE CALIBÃ - pág. 192

⁠Essa liberdade é a mesma que dá igualdade de direitos ao milionário e ao mendigo de dormir debaixo das pontes. Mas o milionário prefere dormir em outro lugar e dispensa essa liberdade, que lhe é concedida tão graciosamente.
A FÚRIA DE CALIBÃ - pág. 192"

⁠"...jamais fixei minha posição como independente. Muito ao contrário, ela é uma posição comprometida, vinculada"
A FÚRIA DE CALIBÃ - pág. 191

⁠"Tratava-se, no fim de contas, mais uma vez, do conceito de liberdade, honrado em abstrato, normalmente, pelos intelectuais, no individualismo que os aperta, na solidão do trabalho que executam, no valor desmedido que transferem ao resultado desse trabalho, na vaidade que, por isso mesmo, os atormenta"
A FÚRIA DE CALIBÃ - pág. 190

⁠"Pouco antes de seguir para a França, minha filha deixara com a Civilização um ensaio sobre a situação da mulher na sociedade; não era trabalho perfeito, mas, com todas as suas insuficiências, estava acima do que vinha sendo aparecendo, aqui, no gênero"
A FÚRIA DE CALIBÃ - pág. 181

⁠"Nesse grupo, estavaam presentes figuras que se apregoavam "independentes" e desenvolviam um sutil anticomunismo, o anticomunismo eficaz, o de esquerda, ao mesmo tempo que buscava caminhos radicais, desesperados, criticando os que combatiam essa tendência à aventura. Era um pouco o que se convencionou conhecer como "esquerda festiva", que pretendia conciliar o ímpeto revolucionário com largo consumo de uísque e frequência costumeira a boates e reuniões em apartamentos luxuosos, onde se misturava política com negócios"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 178

⁠março de 1966...Em setembro, minha filha Olga seguiu para a França, com bolsa de estudos. A solidão começava a tornar-se acentuada. Vivíamos, agora, num país triste, agoniado, com a população passando privações e sob ambiente tenso"
A FÚRIA DE CALIBÃ

⁠Vai a pessoa pelo seu caminho, metida com os seus pensamentos, e sai-lhe um vira-lata atrás, mordendo-lhe o calcanhar
A FÚRIA DE CALIBÃ

⁠⁠Mas o amor aos livros é algo de infinito, não acomodável, exigindo sempre mais espaço, mais vista, mais dinheiro. Tudo isso começa faltar um dia: o espaço, a vista, o dinheiro. Os sacrifíciõs são cada vez maiores, para que os livros continuem a entrar, quando alguém os ama, verdadeiramente. Foi sempre honroso o convívio dos livros
A FÚRIA DE CALIBÃ

Esse anedotário repetido, a que foi relegada a análise do processo histórico em toda a sua complexidade, deriva, em grande parte, de uma historiografia vesga e ideologicamente interessada, que ocupa o espaço dos compêndios "adotados" e vive nas aulas, mesmo, e talvez principalmente, no nível dito superior. Essa resistência a reconhecer a República como resultado de um profundo processo de mudança, de uma necessidade histórica, é a forma que assume, normalmente, o disfarce de uma posição reacionária. É a forma de resistência à mudança, de maneira generalizada, a aversão às alterações atuais, contemporâneas, de que o País necessita.
A República: uma revisão histórica

⁠É simples decorrência da confusão metodológica, quanto à interpretação do processo histórico, comum no Brasil, abrangendo autores da categoria daquele inicialmente citado, a análise que fazem, e que ele faz, dos eventos de novembro de 1889. É a tese da República por acidente, que vive da repetição. O autor referido escreve, a certa altura do seu volume sobre o fim da monarquia brasileira, que ela foi aqui "dissolvida abruptamente", acrescentando o detalhe que isso se deu "por efeito de um movimento sedicioso que, segundo a primeira intenção de seu chefe, visava apenas a mudar o gabinete, mas acabará deitando por terra a Monarquia". Adiante, volta a colocar o problema nos mesmos termos: "Quando, ao proclamar-se a República, a massa da população, tomada de surpresa pelo acontecimento, se mostra alheia ou indiferente a princípio, Pelotas, que pertence, aliás, à velha linhagem de soldados cuja origem data dos tempos coloniais, acha injustificável a omissão das camadas populares e vê nisto o mal de origem do novo regime. Em realidade, a República é obra exclusiva do exército, ou mais precisamente, da guarnição da Corte, embora seja apresentada, também, como da armada, que não teve parte na mudança das instituições e em nome do povo que a tudo assistiu 'bestializado"
A República: uma revisão histórica