Coleção pessoal de Acirdacruzcamargo
Em Angola, tudo se passa de maneira diferente. O militar recém-chegado não tem apenas que enfrentar uma formidável máquina de propaganda. O incitamento ao crime é permanente, mórbido. Com a agravante de que o genocídio é exaltado como epopeia. Assassinar friamente um africano deixa de ser um ato punível pelas leis e códigos para se transformar em demonstração do mais puro patriotismo. E de Portugal, através do Rádio e da Imprensa, não chega um voz discordante"
Miguel Urbano Rodrigues, Revista Paz e Terra - 10/1969
- Ditadura, Angola, Palestina
O fascismo português... Tentou esmagar a rebelião das populações do norte angolano com uma ferocidade ilimitada. E falhou...Centenas de milhares de angolanos foram expulsos das suas terras, dezenas de milhares pereceram de inanição nas regiões devastadas, e incontáveis multidões de gentes indefesas vítimas do genocídio organizado. Horrores só comparáveis aos da Gestapo e das SS hitlerianas repetiram-se e ampliaram-se nos campos de Angola"
Revista Paz e Terra, 10/1969 - Miguel Urbano Rodrigues - Conferência na PUC-SP em 23/09/1968
História de Angola
"Les Grandes Éscoles" na França; Oxford e Cambridge, na Inglaterra; Tóquio e Kioto, no Japão e não menos que uma dúzia de universidades nos Estados Unidos - entre elas, Harvard, Chicago e Standford - são estruturadas, também, com esse fim. Essas instituições seguem sistemáticas diferenciadas das prevalentes no sistema universitário ordinário. Elas enfatizam as disciplinas de conteúdo histórico, cultural e político, mesmo em currículos de carreiras técnicas, como ocorre, por exemplo, na "École Polytechnique" de França.
BAUTISTA VIDAL - De estado servil à nação soberana
Não é por acaso que sistemas educacionais de países como a França, Inglaterra, Japão e EUA, por exemplo, destacam instituições universitárias de grande prestígio, com o objetivo político precípuo de formar seus respectivos dirigentes. Nessas instituições, se educam os futuros líderes na afirmação dos valores nacionais; na sublimação do respeito e da valorização de seus antepassados e da sua história; na consolidação de uma enérgica auto-estima; no estímulo a tudo o que promove e prestigia a sua gente, os seus costumes e a sua cultura..."Les Grandes Écoles", na França; Oxford e Cambridge, na Inglaterra; Tóquio e Kioto, no Japão e não menos que uma dúzia de universidades nos EUA - entre elas, Harvard, Chicago e Stanford - são estruturadas, também, com esse fim"
J. BAUTISTA VIDAL - De estado servil...
A inexistência, no Brasil, de um projeto nacional e as dificuldades para implantá-lo são sintomas que esclarecem razões de nossos tropeços institucionais, bem como da natureza dos interesses vinculados à manutenção do status quo. Isto, naturalmente, está na origem das nossas dificuldades para estabelecer uma dinâmica de vida que tenha como objetivo a existência de uma Nação justa, organizada e independente"
J. BAUTISTA VIDAL - De estado servil a nação soberana
"... a Universidade Brasileira atual é fruto do "modelo" de crescimento econômico, tecnológico e culturalmente dependente de países hegemônicos. Seu desempenho em certos setores não lhe retira a vulnerabilidade de não ser instituição estratégica de nossa evolução e, portanto, incapaz de criar soluções para os grandes problemas do País. Não sendo essa incapacidade incongênita, mas induzida pela natureza do "modelo" que vem, há três décadas, orientando a vida nacional, não é, portanto, irreversível. A pesquisa científica que realiza é principalmente dirigida para objetivos desvinculados do próprio meio; a extensão, quando existe, é limitada e particularmente dirigida para o setor artístico e o ensino é quase que exclusivamente centrado na formação de profissionais do tipo liberal, e para o suprimento de seus próprios quadros docentes e os de nível secundário. A pós-graduação tem sido, em geral, uma complementação a uma formação de graduação incompleta" - J. BAUTISTA VIDAL - De estado servil a nação soberana.
Entre as instituições mais sensíveis ao problema de independência nacional, devido à sua vinculação direta com a criatividade humana, está a Universidade. Sua natureza intrínseca não permite a sobrevivênci no marasmo, na passividade, na dependência da caridade dos outros. A subsserviência e a indignidade não se ajustam à sua função primordial desde as suas origens no século XII"
JEAN BAUTISTA VIDAL - De estado servil à nação soberana -
Se queremos salvar a educação, a escola pública, o ensino fundamental e médio, será urgente que os governantes retirem a formação dos futuros professores das universidades. Elas não conseguem ir além dos bacharelados. Deixem a formação de professores para os Institutos de Educação e Colégios de renome e história.
O que o professor burocrata, medíocre, displicente, sabe e ensina, não reforma, mas conserva a universidade
Ninguém pode caminhar pelos tortuosos caminhos de uma atividade feita para o público sem arriscar a receber uma mordida de um cão raivoso, ou uma pedrada insólita de um esquizofrênico, ou o bote traiçoeiro de serpente se pisou inadvertidamente
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 247
...Neles , entretanto, é fácil distinguir a divergência da maledicência, da malevolência...Quando essa animosidade..., por trás da pretensa crítica, se escora em divergência ideológica e com ela se disfarça, o caso entrra para a sombria faixa das pequenas infâmias que - destacadamente, em épocas de tirania e de obscurantismo - marcam as criaturas frustradas, covardes e sujas...essas mazelas, que definem ações dos marginais da atividade intelectual...Ninguém pode caminhar pelos tortuosos caminhos de uma atividade feita para o público sem arriscar a receber uma mordida de um cão raivoso, ou uma pedrada insólita de um esquizofrênico, ou o bote traiçoeiro de serpente se pisou inadvertidamente"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 247
Penso que devemos continuar discutindo, na medida do possível e aproveitando todas as oportunidades, esses e outros problemas ou contradições ou antagonismos. Pouco a pouco, e na medida em que se reconquiste a liberdade, as discussões se ampliarão e ganharão conteúdo e nível mais alto...temos compromisso com o futuro. O lixo será removido, sem a menor dúvida
HISTÓRIA E MATERIALISMO HISTÓRICO NO BRASIL, pág. 99
...O acadêmico Anokin é mesmo um grande sábio neste terreno e o nosso Instituto é considerado o mais importante e avançado da URSS neste sentido. Ele acaba de regressar dos Estados Unidos, onde esteve a convite das universidades americanas, e já acabamos de planificar a minha atual e ulterior etapa de trabalhos"
JOÃO BELLINE BURZA - Carta a Nelson Werneck Sodré - A FÚRIA DE CALIBÃ, parte 2, pág. 238
"Prossigo o meu plano de pesquisas sobre a fisiologia do cérebro. Estou ficando com as máquinas eletrônicas e a neurocibernética. Possuo material de laboratório suficientes para compor um tratado sobre esta matéria. Vou chamá-lo "Arquitetura funcional do cérebro e do neurônio". Colecionei também dados experimentais sobre a "Natureza da esquizofrenia". Entretanto, não é fácil realizar uma obra científica séria e profunda. O importante é que, afinal, encontrei o trabalho que consulta as minhas próprias inclinações e aspirações intelectuais. Muito útil também foi que saí da clínica psiquiátrica e neurológica para mergulhar no laboratório de pesquisa. Embora eu tenha mais gosto pela investigação teórica, não me esqueço das necessidades da prática na medicina em geral. A biblioteca especializada que possuo é bastante rara e rica, tanto soviética como internacional. Por vezes, o experimento eletrofisiológico nos animais é assaz laborioso e demanda horas de paciência. Técnicamente, exige bastante precisão. Um erro provoca resultados irreais. Registramos a atividade biológica das numerosas áreas e estruturas do encéfalo, como das células nervosas, em separado e simultaneamente. A análise e interpretação dos achados da experiência é que, então, exigem o verdadeiro desafio da nossa inteligência. Ademais do conhecimento exato das leis da biologia e fisiologia, precisamos adotar métodos matemáticos e as teorias cibernéticas e as leis das máquinas. Em suma, o cérebro e o neurônio constituem mundos maravilhosos para o estudo. São infinitos universos de fenômenos ignorados e surpreendentes. A sorte que eu tenho é que o diretor do meu Instituto não é apenas meu mestre mas meu íntimo amigo... (Parte 1 - Carta a Nelson Werneck Sodré - A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 238)
Não espanta, por isso, que tenha a ação do padre Helder despertado ódios e provocado revides desesperados; não faltaram a tal ação os paradoxais aplausos definidos nas injúrias de pessoas e forças que detestam a mudança e entram em pânico quando ela se anuncia. Há adversários que definem e valorizam o que fazemos; seu aplauso é que seria injurioso ou comprometor. Assim acontece com os que visam as posições assumidas pelo padre Hélder
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 236
Qualquer organização cultural não controlada pela ditadura era qualificada como subversiva
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 235
Foi em julho, ainda, que ministrei, a convite do Diretório Acadêmico da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro, um curso rápido sobre a realidade brasileira. Entre o fechamento do ISEB e os dias em que escrevo estas linhas, foi a única vez que ministrei um curso a estudantes, ou a quaisquer pessoas. Era confortador fazê-lo, mas logo isso se tornou também impossível. O presidente do Diretório Acadêmico que me convidou está hoje exilado no Chile"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 234
Pedro Celso, de Varsóvia, em julho ... anotava, de passagem, que "o comportamento da esquerda francesa foi lamentável e que ela era "bastante responsável por sua fragorosa derrota eleitoral". Como esquerda passou a definir áreas muito vagas e heterogêneas, eu não sabia se estava de acordo ou não com a observação de Pedro Celso"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 233
De Varsóvia, Maurício Martins de Melo me pedia um dossier sobre cultura popular, que minha filha Olga havia organizado, em anos distantes, e lhe prometera. Poderia remeter-lhe esse dossier ou, que seria melhor, levá-lo, para conversarmos? Não era possível, evidentemente"
A FÚRIA DE CALIBÃ, pág. 233
Que se pode dizer mais sobre os demônios? ... Acreditava-se, entre os antigos, que os demônios são os espíritos de homens mortos, que viveram iniquamente, e que voltaram, procurando encontrar corpos mediante os quais pudessem satisfazer aos seus maus desejos, entre os vivos. Essa é uma tradição judaica bem comum, tendo prevalecido no seio da igreja cristã até ao século V de nossa era. E alguns eruditos modernos, como Lange, o principal intérprete bíblico entre os luteranos, têm aceito esse ponto de vista. Além disso, muitos outros estudiosos modernos que têm admitido essa idéia, acreditam que os anjos caídos também são designados pelo termo "demônios", nas Escrituras. ... Em parte alguma da Bíblia, encontramos uma declaração que nos instrua sobre a origem dos demônios. Os estudiosos mais recentes indicam que espíritos humanos de pessoas falecidas, bem como espíritos de outras categorias de ser, podem perseguir os vivos... o termo demônios certamente inclui espíritos elevados, não humanos, embora isso não signifique, necessariamente, que os homens humanos não sejam nunca enumerados entre as entidades que podem prejudicar aos vivos - Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Volume 4, pág. 159
