Chico Xavier - sobre Disciplina
Rapidinha
Comeram.
Beberam.
Dançaram.
Riram.
Beijaram.
Ela saiu apressada.
Ele ficou na cama, insaciado.
- (Que pena, ela saiu sem pagar).
Sem Você
Meu coração queima
com os raios de sol que saem de teus olhos
Minha boca murmura
palavras e cânticos da totalidade do meu amor por ti
Minha mãos perdidas
procuram a constância e o calor do teu corpo
Minha cabeça gira
só de pensar o que eu seria sem você aqui.
"A música vem de ti"
A música vem de ti
promessa ainda demorada
na luz do tempo
no pó da estrada
A música vem
e chegam também
a urze e o azul
que te precedem
Serás flor na aurora branda
emoção de um lírio por dizer
pedra
corpo
verde e água
na tua boca calada
antes de acontecer
A música vem de ti
Conta-me
Conta-me
Do teu vestido verde
Seda pura
Corte liso
Conta-me
Do que é preciso
Para que vistas luar
E sombra
Pele e luz.
Em Silêncio
Amar-te em silêncio
E estar só
Não é ser forte,
É queimar a alma
Devagar
Como brasa sob cinza
Á revelia do olhar
O desejo queima
E acorda o corpo
Para um destino
De fogo
Ou de mar
E sou crista de onda
Ou céu de prata
E a lua é só uma lata
Sem valor
Sempre que estás comigo
Só então me reconheço
Como um pedaço de ti
Que recusa a independência
Sou livre sempre que voas!
Pausa
Vem e traz o ar de posse
As certezas e a intimidade
Sê a estátua de carne
Neste momento de silêncio
Muda e quieta
Como uma boca pousada
No meu sono
Traz-me de ti
O tudo e o nada
Do abandono
E acampa no trevo
Acre e macio
Deste corpo em festa
Depois, vê o que resta
Da minha fome e do cio
Retoma a tua gesta
Deixa-me vazio
Pelas Mãos te Sei
Pelas mãos te sei
pelos dedos te leio
formas e vazio
luz e esteio
corpo
sede
raiva
e os olhos magoados
de claridade agreste
Espessos os lábios
presas as palavras na garganta
e o teu olhar
a ditar estes silêncios de veludo
Mudo também é o som da noite
imenso jardim de estrelas
e passos sem destino
Basta saber que me esperas
à esquina de qualquer hora
Basta-me sentir a vida
como um sopro leve no rosto
e provar o mosto
do teu vinho
rubro e aceso
com sabor de vida
ao jeito da idade
Homem
menino
velho
destino
e o tempo a tecer rugas e mágoas
a gerar fontes
onde choramos
os amores perdidos
na calma podre das seivas
Petrificadas
Perto
Risco o teu nome na areia
Ao silêncio dos reflexos
Sais-me dos dedos
Mas é na boca que me deixas
O sabor a rosas que há em ti
Sei de caminhos e ruas
Sei de tempestades
Sei de corpos e cidades
Mas a ti amor
Só te adivinho
Contigo
As ausências
São a pausa desejada
Tu é que trazes
Estrelas e luar
À minha noite fechada
Amanhã quando vieres
A este pedaço de céu
Que iluminas
Estarei do outro lado
Da circunstância
Ao alcance do olhar
Se
Se corro
Cega-me a pressa
Para a verdade dos lírios
Se abrando
Fico-me pela delícia
Dos delírios
Em que morro
Nos teus braços
Devagar
"Tragédia"
Tragédia em todos os actos
é quando sem ver o azul
repetidas vezes
descreves negro
sentes noite
e não percebes o aroma
das camélias
que se escondem no breu
Como eu
Brasil
Quão profundas são tuas riquezas
Quão volúvel é a tua história
Quão humano é o teu povo
Quão alegre é a tua nação
Quão límpidas são tuas águas
Quão inconteste é a tua honra
Quão milagrosa é a tua obra
Quão triste é a tua política
Quão sujos são teus políticos
Quão podre é a tua câmara
Quão fraca é a tua justiça
Quão demo é a sua cracia
Quão secretos são teus atos
Quão corrupta é a tua polícia
Quão ilícito é o teu poder
Quão míope é a tua verdade
Quão errôneas são tuas ordens
Quão miragem é o teu progresso
Quão agrária é a tua reforma
Quão fanfarrão é Vossa Excelência
Quão lindas são tuas morenas
Quão nova é tua bossa
Quão popular é tua música
Quão simplório é teu artista
Quão diversas são tuas culturas
Quão impecável é o teu passado
Quão obscuro é o teu futuro
Quão fiel eu sou a minha pátria
Quão independente é minha pátria
Quão minha é minha pátria.
Hoje eu fui encontrar a minha simplicidade que não é compreendida.
sabe, ela é simples como o vento em um dia de verão nulo.
Sempre irá entender o verão como uma nuvem escondida nas trevas; e assim, vai dizer: te entendo
Nossa, e eu ouvir ecoar o som dos meus pensamentos.
(acredita ?)
O pior de tudo é que esse barulho canalizou a minha invenção, e eu acabei de encontrar as minhas mentiras de felicidade.
(Cadê o espelho ? Serve até uma poça de leite, só quero olhar-me e não mais ver o presente.)
Pensou no passado ou no futuro ? (e para piorar, não obtive resposta)
Segue, levanta o seu pensamento.
Continuei, só que me molhei na poça do felino e não consigo acreditar em algo que me desagrade.
(o que fazer agora?)
Corra para o sol e ao menos uma vez se mostre, se recupere.
E quem sabe assim o portador de seus pensamentos é tão parecido com você que resolveu mudar o caminho.
(NÃO! Não terá um atalho)
Tirei o dia para tentar encontar um motivo pela sua passagem em minha vida.
Acha que eu vou pensar muito ?
Sim; eu vou pensar até eu me convencer que não devo procurar coisas que não duram mais que um pensamento.
Cadê o pensamento ?
Então, acabou você .
Não entendo por que razão
a vida tem que ser tão complexa
Tranca-se o coração...
Mas sempre resta uma fresta.
PÁGINA VIRADA
Eu já cansei de ler a mesma história
Páginas arranquei...
Mais nada na memória.
Novos sonhos bailam no ar
Os lírios dos campos
Já ganharam novas cores
O sol de verão anuncia mil amores
Que ainda virão.
O futuro em minha mente preparado
O coração aberto e já todo decorado
Espera a chegada de uma nova estação.
Das mágoas nada guardei
Para que não voltem à tona
Os desalentos que passei
E que me jogaram na lona
De onde me reergui.
Lanço ao vento as cinzas do passado
De tudo que um dia eu sofri.
E quero que saiba
Que sem você ao meu lado
Agora eu me sinto muito mais feliz.
Hoje encaro de frente a esperança
E vislumbro o tempo como uma criança
Que acredita que a vida não tem fim.
Assim sinto as forças restauradas,
A vida cada vez mais renovada
Na certeza de que cada dia é um recomeço...
Minha felicidade... só depende de mim.
Cálice
Irás me ver cantar
Enquanto estiveres chegando
Até teu mau-humor calar-me
E toda cantoria fazer desabar
A sublime sensação de tocar os céus
Irás me ver calar
Enquanto roubas o verbo
Até não te restares mais saliva
E por quaisquer motivos tolos
Pairar a desconfiança no ar
Irás me ver chorar
Enquanto me tratas com indiferença
Até não me restar algum sentimento
E calarás meu soluço
Minhas ultimas lágrimas na cama
Irás me ver sorrir
Enquanto bebe todo o vinho
Até o veneno em ultimo gole
E após um grunhido, o silêncio
Restará apenas o seu cálice no chão.
Sempre dias
Os dias passados em solidão
São como águas turbulentas
Perturbação reveladora de toda clareza
As frases contidas desnorteiam pensamentos
E de perder-se, o controle fica iminente à loucura.
Porta Aberta
Muito tempo já passou
Todo silêncio desnecessário
A porta aberta que você deixou
Nossas lembranças guardei em meu relicário
Só agora entendo o que sinto
Pois tua ausência me ensinou
Amo-te, você sabe eu não minto
Reviva comigo o que não terminou
Para quê tantas conversas de amigo?
Por favor, eu preciso que fale
Diga agora se quer ficar comigo
Essa distância é só mais um grande detalhe
Não espere o ponteiro dar outra volta
Não faça disso uma despedida
Basta dizer: eu sinto sua falta
Desta vez pra sempre, fique em minha vida!
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