Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)
Sou rosa, sou moça, sou bossa, sou nova, sou rósea, sou eterna, sou roseira, sou terna,sou feiticeira amorosa.
As almas se atraem pela chama e com a força da natureza, O pensamento flutua na estrada da sutileza...
A tardinha serena e orvalhada, Posso vir a pecar por exagero poético, Coisas de minh'alma apaixonada...
Encontrar alguém que se combina se dá mesma forma quando se contempla a sua própria imagem no espelho de uma fonte cristalina.
Os ares da poesia do sertão, Fazem brilhar os meus olhos, Para alguém que carrega um sutil poder de sedução.
A saudade é companheira determinada a reencontrar o teu olhar, A poesia é alimento para que eu viva a sonhar, E jamais desista de te amar...
Surge o cio poético em meio ao véu das estrelas, assim se faz bela a noite, O brilho da tua alma tomou conta, Sonho com o teu beijo, belo açoite.
Sem rigor métrico a poesia encurta as distâncias sendo flecheira no coração, Sou tua doce seiva, Sou tua faceira fascinação...
Os melhores são os versos floridos, maliciosos, delicados, e de preferência os sussurrados para serem pouco compreendidos...
Passeio nas tuas curiosidades, O teu pensamento faz com que você me veja em ti, Sou a tua verdade, doçura e tua lira.
A tua vida nunca mais será a mesma, Você está apaixonado pela minha alma que é vereda, candura e liberdade...
Sou a lágrima da estrela adoçando o teu coração, Vives o impacto da nossa sideração, Virás livre para mim, para vivermos só de paixão...
Lábios cor-de -macieira, Sorriso cintilante, Fazem de mim vacilante, voltei a pensar em ter um romance...
Fortaleza desarmada por cheiro de mato, Sou fera rendida, E inteiramente atrevida, faço do teu corpo o meu território.
Sou o frescor das primaveras, A mocidade que te espera, A mais doce pantera, hipnotizada aos pés do dono...
Os ventos sertanejos estão soprando no corpo e na alma, Esses ventos são desejos que elevam o coração, Que divina flutuação...
A estrela cadente ontem no céu anunciou que irei viver uma doce ternura, doce sideração, À ti dedico a poesia íntima, Estou plena de paixão.
Não há verso, Não há metrificação poética, Sem reverso para o encantamento pleno que ao apreciar a tua tez mais do que estética, - êxtase.
