Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)
Tem caído a noite
na América Latina,
o meu coração
o cosmos ilumina.
Buscando derrubar
totens mesmo
parada no mesmo
lugar para não
naufragar sigo
com as duas
mãos estendidas.
Tudo por aqui
parece que tem
tornado o tempo
pesado e lento.
Pressentindo que
posso ser a tua
Lua em sentido
explícito até quando
posso me distrair
com as estrelas,
e assim me tranquilizo.
Tem caído a noite
e nunca a vontade
de nos teus braços
o meu querer de verdade.
Como uma vereda
que vai seguindo
o seu próprio curso,
vou escrevendo
em prosa e poesia
até a próxima
estação do destino
que será o encontro,
a convergência
e a alegre festa
de ir até a janela,
e ver o Universo
inteiro aceso
quando cair a noite,...
Mesmo sem ter
sequer uma sacada,
para apreciar
as tempestades
e as noites
sem teus abraços;
Tenho a gentileza
da minha janela
e a doçura do quintal
que me ajudam
a superar a dureza
da vida e das nuvens
que encobrem
dias ensolarados,
céus estrelados
e as noites de Superlua
que delas não escapam,...
Cheia de utopia
em preparação
para vencer a si própria,
derrubar egos e totens
e libertar povos deste século
dos campos de concentração:
abri para você o meu coração.
A janela do quarto
com ares de poesia
e arte do espaço:
noite de Superlua
nublada, hipertensa
gelada e impulsiva,
Diz muito mais
do que infinitas
páginas de jornais.
É a tal insônia que
surgiu para pensar
no curso da vida,
E escrever com
o orvalho da manhã
um poema que fale
como oceanografia
e não falhe contra
a desgraça que por
anomia foi espargida.
O amparo poético de
não parar de acreditar
que no final da história
tudo haverá de voltar
ao seu devido lugar
tem sido como uma ilha,
Onde nós dois somos
os ilustres refugiados
deste humano barco
que pelos poderosos
foi naufragado de propósito.
Você bateu os olhos
em mim naquela
tarde subindo
a ladeira da tua rua,
Reconheceu que
sou adrenalina pura;
Talvez o jogo mais
perigoso da tua vida:
presença que alucina.
Ainda sou presença
que te fascina,
Mesmo que a distância
não permita,
Sinto que ainda
com fogo me anseia.
Até hoje você não
consegue me tirar
da tua cabeça
E a tua memória
ainda sente o meu
perfume de Lua,
Tudo por causa
daquela tal tarde
na ladeira da tua rua.
Orbito nos horóscopos
secretos das galáxias,
Ninguém me captura
nem por medo,
Como borboleta nômade
não tenho e não terei
nenhum governo;
Não há autoritarismo
que me dobre ou prenda,
A minha liberdade interior
é a indestrutível crença.
Tentar insistir é loucura,
trago os signos
e as fases da Lua,
Como borboleta nômade
vivo pronta a escapar,
Ninguém nunca
há de me dominar;
Tenho vela, bússola
e orientação interior:
ignoro o quê tumultua,
Estou por onde você
menos imaginar
todos os dias
sempre a surpreender
onde menos esperar.
Talvez seja a canção
que anuncia
o fim da tecnocracia,
ou o início
de uma Nova Era,
todas as vezes
que penso em você
o mundo para
e algo superior
sempre me reinicia,
Não faço sequer ideia,
mas algo tem dito
e evidenciado
que há tudo de amor
como Lua suspensa
no teu céu interior
nascida para ser
tua fortuna poética
e em ti permanecer;
Talvez seja a canção
do século não escrita,
nos lábios sincréticos
que cantam simultâneos
em total suspense
e místico devocionário,
onde tenho o teu rosto
como meu escapulário.
Convido a erguer
a cabeça, olhos
e os teus sonhos,
para jamais desistir
dos teus planos,...
O amor vence
e sempre pode
vencer a morte,
Quem acredita
pode e vence,
Sê igual ventania
que afastando
as nuvens
para que seja
com luzes
lida a caligrafia
das estrelas:
O amor pode
e vence a morte,
Quem acredita
vence e pode
inevitavelmente;
Se o céu não
estiver aberto
até a próxima Lua,
Vencer a morte
é missão tua
mesmo que
não perceba,
Porque se
você tem amor
aconteça o quê
vier acontecer
e seja por onde for:
tu tens todo o poder.
Antes de tudo isso
acontecer ao nosso redor,
percebi o teu entusiasmo
eflorescer enamorado,
a cada passo de amor
heroicamente bailado
nesta total imensidão
para tentar alcançá-lo.
O teu inefável candor
me fez te desejar
como meu caminho
sem volta através
da doçura do teu olhar
nas minhas noites
longas de Lua solitária.
Minha deidade elegida
que leva estrelas
nos ombros e uma
história tão linda,
em silêncio te espero
para orbitar na tua vida.
No amor constelação
adentro em noites
de tremenda paixão,
e entregues aos beijos:
que nós dois merecemos.
Quem dera dominar
a arte da música,
para me salvar
de um mundo
que só se sabe gritar.
Sei, a poesia salva
mesmo silenciosa,
mas não é a todos
que de fato ela toca.
Ah, se eu soubesse
tocar no meio desta
humana tempestade,
onde uns depreciam
a própria liberdade.
Sei, a poesia me leva
para onde talvez
nunca vou estar:
lá nos raios de luar.
As minhas veias
são as ondas do mar,
e estão as sereias
que fazem você
o tempo todo pelo
meu nome clamar.
Ah, nesta onda ruim
não vou mergulhar!
O tempo vai melhorar
e o céu se abrirá
ao nosso amor que virá.
A noite outonal pairou
na mente transformada
em um aldeamento
repleto de demônios,
e os loucos fantasmas
dançando ao som
do conjunto de cigarras,
Quem tem a ventura
de ver na vida in natura
a graça da beleza,
no abismo não pula
num mundo em transe
viciado em agressão
por mera repetição,...
A noite outonal inspira
para no céu da tua
mente ser a Lua fixa
mesmo com a minha
num estado de turbilhão,
da loucura do mundo
sou a eterna foragida,
Porque das loucuras
existentes prefiro viver
eternamente refugiada
na minha própria,
como quem vive
numa cidadela perdida
no meio do nada
e por antigos espíritos
há muito tempo ocupada.
Toda a ditadura sempre
começa reprimindo
a liberdade de expressão,
povoando a sua mente
com duros espinhos,
cortando os laços afetivos
sociais e com a tua Nação.
A poesia rompe silêncios,
é caos, aquietamento
e vive andando pelada
rebolando na tua mente
sem nenhuma negociação.
Todo o poeta não deixa
de ser um iluminado pela Lua
quando ocorrem na vida
os mais obscuros tormentos,
é sempre aquele que quer
todo mundo andando
o tempo todo amado pela rua.
Se este poema te incomodou
é um sinal que tem alguma
coisa de muito errada
que por muito pouco
te fez perder a cabeça.
Quando você se sentir
sem paz ou sozinho,
a oração e a poesia,
são as únicas amigas
que silenciosas
nunca te abandonarão,
e em teu socorro elas virão.
Bem no meio
desta multidão
você conseguiu
me encontrar
e com mágica
conseguiu sutil
se aproximar,...
Com um clarão
imenso no olhar
que parecia até
o luar a me beijar
até agora contigo
estou relembrar
o nosso arrepio,
Vindo na minha
direção devagar
dançando dois
passos para lá
e dois para cá,
fez o meu peito
por você disparar,...
Com este sorriso
discreto de lado,
cheio de charme
e esbanjando
toda a tua hipnose,
você conseguiu
fácil me carregar,
Minh'alma anda
cantando por paixão,
encanto e loucura
essas voltas que
a vida sempre
anda nos dando,
e por mais que
a gente se esforce
não há como discretar.
A missão pioneira
tripulada indo
ao lunar destino,
e bem devagar
estou dirigindo
os meus passos,
porque não
sou passageira
no teu caminho,...
O quê quero de ti
é o muito simples,
é café-da-manhã
posto na mesa
ou na nossa cama,
o teu corpo fatal
que tanto me clama
e teu peito que ama.
Quero o teu verbo
total inundando
com delicadeza,
porque já basta
o mundo que
tem corrompido
os dias com
tanta aspereza,...
A lição de amor
farta nos levando
o pão com marzipan
nos nossos lábios
todas as tardes,
os perfumes
nas nossas peles
quando estivermos
por outros lugares.
O show ainda
não começou,
os segredos
da Lua de Fogo,
as cartas do jogo
e as peças do xadrez
não pertencem
a mim, a você
e nem a ninguém.
A forte ventania noturna
levou-me para perto
da galáxia de tudo aquilo
que tem me preparado
com integridade
para ser tua na travessia.
Do teu coração tenho
sido a suave melodia
que vem te carregando
nos braços até a Lua,
sendo a sublime fantasia
e te feito dormir aninhado.
A noite promete ser longa,
por você fiz o secreto
voto de aguardá-lo
até o tempo do universo
decidir colocar nós dois
frente a frente e lado a lado.
Do teu coração tenho
sido o sacodido regaço
agarrado neste peito
que quando ouve, lê
ou fala no meu nome
se põe em disparo alucinado.
Inequívoca e doce
ironia do destino
que tem divertido
e povoado de ti
cada um dos
meus pensamentos,
É algo muito mais
forte que nós;
e vem me dizendo
que você foi
feito sobre medida
e está a caminho,
Para viver mais
que uma noite
vestida de gala
da Via Láctea
eclipsando tudo
como Saturno
próximo do Sol,
Com teus anéis
me despindo,
com teus anseios
me cobrindo
e com carinhos
me seduzindo,
Ilustre astronauta
da minha Lua
senhor da fantasia
mais nua e crua,
por ti tenho
tão casta ternura,
O mundo dá voltas,
confio no meu
sexto sentido,
sou o teu amor
além do imaginário,
a perder as horas
e acima do previsto.
Custo deixar-me
crer que comigo
quer se envolver,
e elegi nunca dar
um passo em falso
no céu de azeviche,
Saí pelas órbitas
no terno vício
de buscar estrelas,
Por ser romântica,
um tanto ávida,
e feita de mística:
Por autoproteção
convencionei não
mergulhar sem saber
das profundezas
e não me agarrar
nos doidos cometas,
Assumo que furtei
dos gentis poetas
flores de azahar,
para ter o talento
e no amor o alento
de por ti não parar;
Não quero ser
a missão adiada,
nasci para ser
a urgência feita
de Lua Cheia
de virar a cabeça.
Não preciso abrir a boca
nem mover uma só palha,
cada verso fará por mim
o quê o coração embala
pelo teu encanto alucinante,...
De querer estar abraçada
com o rosto no teu
ombro forte feito muralha
protegendo-me agora
de cada um dos meus
perpétuos fantasmas,
Não preciso solfejar nada
à tua fina sensibilidade
que em mim transborda,
de prever que o agora
longe de nós não mora,...
De querer tão ambiciosa
estar entretida, apoiada
e envolvida no teu ombro
gentil como um mirante,
apreciando a Lua Cheia
brilhando mais que diamante.
Aquela bagunça arrumada
que não pediu licença
para fazer parte da tua vida,
e mesmo assim
ser por você amada,...
Depois que me conheceu
você agora busca
um mundo bem mais gentil,
mesmo nos teus dias
sem sol e sem céu anil,
Agora tem muito mais graça:
as tuas noites de luar
andam bem mais estreladas,
e você voltou a cantar
o amor em todas as baladas,...
Olhe para o mais alto do céu
você vai me encontrar,
porque estou aí dentro
como magia que não
há mais como ninguém tirar,
Porque sou mel na tua boca,
doçura no coração,
loucura de tirar a roupa,
planetário na palma da mão
e tremenda perdição de amor.
Quando passo
na tua frente
tudo acontece,
você descendo
do teu carro
modelo Rigel
que combina
com o meu rímel,
fica a ponto
de se endoidecer
sempre que passo,...
Percebo como reage;
Ficam imparáveis
os anéis de Saturno
dos teus olhos,
que se movem
sempre que veem
os anéis de Netuno
da minha cintura
atravessando a rua,
e que me fazem
a sereia nua
do oceano da tua
sensual imaginação,...
Percebo como surge;
Quando passo
na tua frente,
a primavera entra
em sagração,
por reconhecimento
e fortuna poética,
ocupei território
no teu céu e virei Lua
destinada à paixão,
sem nunca na vida
ter premeditado
seduzir este
teu coração de aço.
