Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)
Porque tens
os meus cabelos,
Estou mansa entre
os teu dedos,
Pronta para ser
só loucura
Em ritmo e ledos,
Ainda bem
que não temos
Mais [segredos].
Excitam todos
os teus meneios,
Confesso que
já tive mil medos,
Mas muito mais fortes
foram o desejos;
Entusiasmam todos
os teus empregos,
Nunca houve notícia
de tão subversivos enredos,
Nunca chegou perto sequer
dos históricos mancebos.
Tenho no teu regaço
o melhor dos berços.
Porque a poesia
é a boa desculpa
Para que não
nos desviemos,
E sempre para
que nós voltemos
A viver esse espetáculo
venturoso.
Tenho atração pelo teu
beijo meloso,
Que na verdade é um
beijo licoroso,
Somos dois seres
para lá de criteriosos,
Que buscam em matéria de amor
serem primorosos
Confesso-te tudo,
e ainda mais um pouco:
Tens poder sobre mim,
mexeste com os meus impulsos
Para lá de [vigorosos]...
Um pedaço de sanidade,
E outro de insanidade,
Tens um pedaço de verso,
E outro que é só saudade;
Uma boa estrofe descrita,
Para dizer o quê me atina,
Porque somos uma mistura,
Que até ao Universo fascina.
A terra sempre precisa da água,
Você precisa da minha calma,
Quando você me dá o teu sorriso,
Jamais resisto,
Eu te entrego a minh'alma.
Não sei escrever, e nem recitar,
Quero nos viver, vivo a inventar,
Você é o meu mais lindo luminar,
Porque a tua potência provoca,
A tua ausência sempre me sufoca,
Perco até o meu respirar,
Amor, volta logo!... porque és o meu ar.
Sinto muito não saber falar direito,
E também não escrever com o português
Correito - os meus versos são na realidade:
Um por um - todos 'escorreitos'...
A água que sempre ginga na terra,
Exatamente, como a água eu sou;
Basta que você me peça,
Logo, me dou.
Escrevo do meu jeito,
Escrevo para você imaginar tudo,
E do jeito que deve ser imaginado.
É verdade, que mesmo sem saber escrever,
Arrisco-me escrevendo
Para cair na boca do povo,
E deixar esses meus versos falados,
Antes escrever poesia para alguém,
Do que ser inteiramente só
Ou andar mal acompanhado.
Quero o seu olhar em mim,
Conheço os teus enredos,
Sei que abrigas segredos,
Lindos são os teus dedos,
Quero que venhas, enfim.
Os labirintos da vida fizeram
A gente se encontrar...
Existe um amor e um afeto
Para a gente cuidar...
Vamos nos entregar?...
O amor é o sol que ilumina,
As mais escuras prisões,
E transcende todas as estações...
Conheço os mistérios dos porões,
Que levas nos teus olhos escuros,
Não menos lindos, e tão puros...
Fico silenciosa aguardando por você,
Estou aqui esperando o teu mimo,
Por ti não nego que suspiro,
Imaginar você longe - temo, podes rir!...
Com os olhos abertos quase que deliro...
Chegou a hora de desfrutares do amor,
Com o meu doce sabor de infinito,
O amor mais bonito e mais seguro,
O amor mais inesquecível e fecundo,
Não me esqueço de ti em nenhum segundo.
A distância não diminui
você aqui dentro,
Sinto o teu aroma
trazido pelo vento,
Tens as essências de todas
as mil flores,
Nunca vi maior grandiloquência
Dentre todos os amores:
Você que me possui com amor,
Malícia e com intensidades
multicores.
Fico o dia todo
procurando uma canção,
Que me faça te cantar,
E cantando te traga
Na emergência que o amor
compreende.
Trago-te para a primavera
amorosa
Que nos pertence,
E que nunca há
de nos faltar.
Adorando-nos
tremendamente,
Os nossos sabores
nos repletam,
Somos tão
cúmplices,
De provocar capricho
nos amores
Mais ciganos.
Carregamos a alma
De todas as revoluções,
E somos as asas
da liberdade
Batendo pelos campos
floridos,
Tudo isso porque
nos amamos,
Nos desejamos,
E juntos destruímos
os grilhões,
Rumo ao que dizem
que é impossível,
Nada chegou até
hoje mais perto,
E muito menos próximo
do que é incrível:
Carregamos conosco
a segura certeza
De que o amor é imperecível.
Quem ama nunca se deixa,
Ganha outros mares,
Conhece outros países,
Vive com o coração
sem queixa,
Quem ama sempre aparece,
Vive com o coração
em regresso,
Ganha o céu,
Traz consigo as estrelas,
Faz de tudo para que até
o pequeno gesto
Se eternize.
Cessa até a mais temerosa
Das guerras,
Faz gloriosamente
Com que a alma se torne humana,
E triunfalmente se pacifique.
Em profundo espírito de oração,
Olho para o céu perguntando:
- Foste tu o meu coração?
Ao menos estás aqui dentro,
Um bom motivo para fazer
Companhia para a sombra,
poesia e água fresca.
É um alento trazer-te para cá,
Só a poesia que é que me concede
Tal possibilidade embalada nessa rede,
E escrevendo uma prosa
de que tem sede e morre de amores.
Pode ser que sim, pode ser que não,
Se [realmente] foste tu
O meu coração, você está aqui
embalado por verso, poema e canção.
Hoje mesmo sem ter você por perto,
Tenho um balneário como companhia,
Viverei grande como a poesia do mar,
Navegando nas letras e agarrada
aos cometas - descobrindo o quê é amar
- sozinha -
Minh'alma não te alcança, confesso,
Não te alcança por continuar em lira
Para talvez embalar outros versos,
e amores que sequer foram descobertos.
Talvez o exílio do amor seja a missão,
para os poetas emplacarem com paixão,
e mexerem com toda essa gente
que foge até da emoção,
gente que finge que não sente,
e finge até que não é gente!...
Talvez você sequer tenha me desejado,
sinto por não tê-lo feito apaixonado.
Portanto, amor, mesmo que você não
fique do meu lado, e encontre outro
amor: continuarei escrevendo para você
não se esquecer que um dia alguém nessa
vida te escolheu para viver-te como amor.
Sinto você
que passa
Tua porção
que fica
Te amar é
uma delícia
Só de pensar
em você
Eu me viro
e desviro
Nessa poesia
devassa
Suspiro
e me inspiro.
Trago de ti
o melhor
Só aquilo que
me amacia
Vou além do que
te atiça
O amor que nos
perpassa
Tenho a certeza
que fica.
O pensamento
silencia
Para embalar
a delícia
De estar absorvida
E sorvida por
pura poesia
Pelas linhas
dessas súplicas
Não resistindo
a doce malícia
De sentenciar
o quê melhor
Suplicia de não
ter me encaixada
Nos teus verbos
e corporificada
Ao teu gosto,
maneira e mania.
Faço-me subversiva
Para provar
das tuas astúcias
E me inebriar
nos teus intentos
Rompendo as barreiras
das sensações
Para que eu não saia
dos teus pensamentos.
E dominando o teu
corpo indomável
Somos guerreiros
desarmados
Tomarei este
coração amável
Poetas do fim do mundo
De maneira misteriosa
e indizível
Brindando sempre
e a cada segundo
O amor que chegou
de vez imbatível
Fazendo dos nossos
corações bichos domados.
Por mais que queiram impôr uma pena
capital à um poeta, na alma dele mora
a chama redentora do mundo celestial.
O poeta é o abolicionista, o inconfidente
essencial - e para ele não há umbral.
O Universo é o prêmio dos poetas,
- nele cabem Ariano e as letras...
O Universo é o boticário dos poetas,
- é nele que removemos a trama espinhenta...
Está no poeta o olho do furacão: ele é
o princípio e o fim de toda revolução.
É fato, que toda a poesia
nasceu para ser castigada - mas nada,
nada mesmo fará a alma do poeta fadigada.
O Universo é o mar dos poetas,
- com ele brincamos com as estrelas...
O Universo tem a força dos poetas,
- o cheiro de nós dois nele se intensa...
O Universo cabe no Sertão e faz lavoura
no Deserto, bobo é aquele que acha que
o poeta não tem nada de esperto...
O poeta finge que dorme, mas sempre
está com um olho fechado e outro aberto.
O Universo cabe na mão do poeta,
- só ele é domina a arte de semear a terra...
O Universo é o instante intacto da ternura,
- ele conhece bem a rota de fuga da amargura...
O prêmio do poeta sempre será o Universo,
- porque no nosso escrever
cabe o Universo inteiro...
O poeta finge que cansa, mas não
desiste nunca - o espírito do poeta é trigueiro,
o poeta arruma sempre um motim festeiro.
O Universo é a geografia dos poetas,
- é nele que abrimos estradas e somos lenda...
O Universo é a casa dos poetas,
- é nele que mora a felicidade imensa...
O poeta já nasceu sabendo
que nada desanima e que tudo desafia - a poesia.
E sempre haverá mil motivos para continuar
escrevendo a poesia.
O poeta conhece a dor, e sabe o quê é a alegria;
conhece o Universo da nostalgia, e o caminho
da galáxia que extasia - o Universo da Poesia.
Por detrás dos arbustos,
Cá estou eu
- silente -
Embalando divinos
Argumentos - absolutos.
O que você quer de mim,
Eu quero muito mais...
Sou um desejo que de ti
Não sai - e não desfaz.
Estou nos teus sonhos
Mais augustos, pedindo
Por nós teus carinhosos
Abraços - robustos.
Tenho loucura por ti
E me assanho doidamente
Por esses teus lábios
Quentes e úmidos.
Nunca vi olhos tão lindos,
E tão gentis olhos escuros
Que provocam em mim
- um oceano -
De desejos ocultos.
Talvez o quê eu mais deseje
de ti seja intangível,
- escrevo.
Ou talvez não,
nada que a poesia
Não possa tocar o teu coração,
- incrível...
Numa insegurança
implacável
Está este corpo,
Nada que o teu
Colo não resolva,
- se ele for amável...
Carinhoso e inefável.
Neste meu canto de exaltação,
- desfaço-me por ti e sem fim...
Sim, assumiria para você
Que ainda sonho contigo,
Se você tivesse reparado
O quê é importante para mim.
Tenho nos meus abismos
mais escondidos
- inscritos -
os teus beijos
ofertados à eles;
ali estão os teus
beijos habitantes
dos meus recôncavos,
e nestes beijos
estão os afetos afogados.
O coração é bicho bom,
- é instrumento fino,
Quanto mais se aperta,
Mais se acerta [o tom]...
Estou correndo
na noite brumosa,
E desatada de mim
mesma na ágora
infante cercada
por essa relva azulada
- correndo de mim
para ir até você -
insinuando-me amorosa
aos caminhos
entreabertos que por ti
foram despertos.
Nunca correrei de ti,
só te espero;
Espero como quem
espera um milagre,
Um sinal celeste.
Dei para ti o meu
corpo sublime,
E com vocação amante
com a fé de quem ama
Crendo que poderá seguir
adiante - assim te espero.
Poema bom é para ser copiado,
Tal qual um beijo roubado,
E um bom vinho tomado.
Poema é bom é como um corpo
assanhado, - extasiado;
Igual ao céu estrelado,
E eu juntinha de ti,
Bem pertinho do meu namorado.
Poema bom é sempre desejado,
Tal qual um chocolate trufado,
Pronto para ser provado.
Poema bom é para ser declamado,
Ao pé do ouvido para te deixar
corado, - avermelhado;
E você pertinho de mim,
Um verdadeiro poema revelado.
Entregar-me,
Entregar-me inteira,
Até você tomar-me inteira.
Entregar-me toda em tuas mãos,
Com a tua vontade agarrada aos teus cabelos,
Os nossos corpos são um só novelo,
E são nossos os mais lindos desejos.
Fazer-te meu,
Fazer-te todo meu,
Até você ser inteiro meu.
Acarinhando-te com minhas mãos,
Com a minha vontade agarrada na tua pele,
Os nossos lábios são só uma fonte que verte,
Esse amor é a dádiva que o destino recebe.
Somos de nós,
Somos repletos de nós,
Até o infinito tem inveja de nós.
A Lua invade o vale,
Ei-lo aqui neste embalo,
Em meus flancos, - nem um pouquinho mansos...
Hei de fazer-te apaixonado, um sereníssimo regato.
Eu tenho um passo que é só meu,
Não suporto o quê por mim
Não foi criado
- nada me coloca -
Amarrada.
Sou bela porque voo livre,
Vivo solta e não me prendo à nada
- sou indomada -.
Eis-te aqui e um roseiral
Em floração que não
teme o tempo,
E que nasceu em meio às rochas.
E neste momento está
dançando no vendaval...
Expressão de fé e de entrega
Ao mundo celestial.
Não vivo à toa, gosto
de ser apreciada,
E de viver levemente sempre
Tendo um bom motivo
para estar apaixonada.
Há um mundo em movimento
Dentro de mim,
E uma audácia que não se acaba.
O meu coração é inteiro
quando se trata
De lealdade,
Quando você der
a minha falta:
Irás colher a fina
safra da saudade...
E quando você pensar
em me procurar:
Entenderás para sempre
que agiste tarde.
Deste meu corpo nascido
prum bom beijo,
E também para o perigo:
Sou nascida para o pecado, admito.
Resolvi deixar-te
de castigo,
Só porque você não
está aqui comigo.
Acostume-se com esse meu
jeito doido e bandido.
Só para revirar os teus sentidos,
E nos toques mais infinitos:
Pedi o ombro do meu moço,
Amei você com gosto.
A felicidade não tem preço,
Quando ela chega, te vira
E revira do avesso...
Ela tem sempre um começo,
E também um recomeço.
Com gestos e feitiços plenos,
O teu sorriso iluminou,
Só quem não deu valor,
É porque nunca enxergou...
Escrevo todos os dias
Para dizer que jamais te esqueço,
Entre nós haverá sempre um defeso,
Para nós o amor é indefeso;
Portanto, eu implacavelmente te protejo.
A minh'alma feminina se esconde
nas rendas e nos versos:
respira, sente e escreve a poesia,
que brota da alma florida.
Não resisto ao amor à moda antiga
Sou uma doce cantiga,
que só com a gentileza combina.
Por mais que venham as nuvens da rebeldia,
não consigo mantê-las para sempre.
Intimista subverto a escuridão em clarão,
e semeio as rosas sem espinhos pelo chão.
Sei de mim e sei de você,
o tempo tem o seu próprio tempo
de fazer brotar a paixão.
Nos perscruto, nos escuto e nos perpasso
a fim de percorrer contigo todos os nossos
- espaços. -
Vou te adorando solenemente a cada passo
- estou nos namorando -
e com a minha poesia te envolvendo
em meus carinhos, beijinhos e abraços...
Tenho por nós o zelo extremo
como a chuva que rega terra
para que a semente brote;
desejando que o amor e a paixão nunca nos falte.
E o sonho infindo de juntos nos banharmos
nessa doçura de dois conduzindo-nos
rumo ao apogeu do amor,
e que nenhum pouco refeitos nunca nos
faremos satisfeitos de nós dois;
E as frações de segundo são e sempre hão de ser
a fiel e teimosa expressão da eternidade.
Tão importante quanto escrever
ou sentir: é ser inspiração.
Ser inspiração para que alguém
continue sentindo ou escrevendo.
Ser é dar sentido para que o amor
continue existindo;
e a poesia nas linhas da vida
continue se escrevendo no ritmo
do coração e na infância
da alma de cada um.
Ser inspiração é ter coragem,
é um doce querer bem...
É ser uma sinfonia de música clássica,
e também um baile de carnaval...
É ter a ousadia de fazer de cada passo
que a vida dá, um passo original...
Ser inspiração é ser parte divinal
para que um coração não se sinta mais um.
No fundo todo mundo quer se sentir,
e continuar se sentindo especial...
É saber abraçar com lábios, com as palavras
que conduzem a pessoa amada à esfera celestial
- é trazer consigo o mais alto grau
de energia para levantar um astral.
Ser inspiração é ter bondade,
é não dar espaço para a saudade...
É ser suave como a noite,
e arder como fogo essencial...
É ter um quê de diabólico,
e também ser um tanto angelical...
A minha maneira vou escrevendo,
sentindo e nos inspirando;
para que um dia quem sabe
a gente acabe se amando.
Existe algo mais forte
do que você imagina em mim,
e que não desiste de continuar te esperando...
Eu assumo que o coração que mora em mim
está mais do que se apaixonando -
ele está a cada minuto te amando...
Podem até me faltar as palavras
Sempre saberei por onde começar,
Talvez você não me compreenda
Sou uma equação sem solução,
Ainda posso aprender a amar.
Com a cabeça no mundo da Lua
Os meus olhos só conhecem o Sol,
O meu coração é uma galáxia
Sou da noite, e também da manhã;
Sou um tanto doida, corro do divã.
Existe um tempo que é só meu
Só o amor pode me transformar,
Vou dançar um blues em cima da mesa
Não acho que esse coração seja meu,
Quero conhecer o lado azul da tua sutileza
Toda mocinha tem síndrome de princesa,
Querendo um princípe que a obedeça.
Com a cabeça querendo ser tua
Os meus olhos só conhecem os seus,
Os teus olhos são um par de planetas
Que serão para sempre meus,
Sou da noite, e também da manhã;
Sou um tanto doida, corro do divã.
Um pedaço de carinho
E outro só braveza,
Que para te silenciar te beija
A boca com certeza,
Inteiramente não resisto
Ao teu corpo quente,
Na verdade sou um bicho selvagem
Você é acha que sou meio ausente,
É a maneira de estar com você
Sempre presente,
Um gato para colar comigo
Tem que ter coragem,
E tem que ser antenado e muito valente.
Eu posso afirmar com exuberância:
Apreciamos a vida com elegância.
Apreciamos as singelezas,
No nosso coração só há espaço
Para as certezas,
Os nossos beijos dobrados
Serão de invejar até as estrelas...
O teu sorriso é um convite
Para termos os nossos beijos trocados,
Do teu paraíso os beijos assanhados
São habitantes - a gente se adora
Além dos instantes;
Faremos o melhor de todos os romances...
Sonhamos com os nossos beijos
De namorados regados de desejos;
Somos dois atirados querendo sempre mais
E mais beijos...
Nós somos um, somos dois
'acanhados' que adoramos beijos aos bocados,
E doces loucuras de apaixonados...
Nos braços da alvorada
E na malícia do poente,
Vamos nos preparando
Para nos encontrar na boêmia poética
Bem de madrugada - não há desejo
Tão lindo, e alegria mais do que esperada
De uma mulher que deseja ser amada.
Quero olhar para você,
e dizer olhando nos
teus olhos:
"-Você é a
pessoa certa,
valeu a pena
ficar a tua espera!".
O teu jeito
e da tua palavra
de amor despertaram
em mim
a poesia concreta.
Toda a prudência
que tive
até agora foi
para me guardar
para te encontrar
aqui na Terra.
Aprendi que o melhor
do amor é
para dizer para a pessoa
que se escolheu
para ficar ao lado:
- Não tenho dado
o braço a torcer,
mas já te tenho
como o meu
amado.
Desejando
ser tua
como um vinho
delicado
que quanto
mais se bebe,
mais se deseja
beber...
Nada tirará
da minha mente
que nós vamos
nos pertencer.
Você me deu o seu coração,
E eu não vou devolver.
É de invejar o giramundo:
O quê não há de se perder,
Tenho uma constelação.
Levitando até as estrelas,
'Desabitantes' deste mundo,
Romanceando grandezas,
E habitantes inteiros de nós;
Somos duas naturezas - dois sóis.
Nessa delícia pressentida,
Ousadamente tocada,
Faz do meu coração, a tua morada;
O teu corpo vaporoso,
Faz de mim comprometida,
E de minh'alma apaixonada.
Há uma redescoberta,
Uma verdade que quer:
Amar demais esta mulher,
Esta é a certeza concreta
que me faz esperar,
o teu [bem-me-quer].
Travessamente me deixas
Brava o dia inteiro,
E quando cai a noite,
E você chega com esse
Teu jeitinho menino,
Que faz com que eu
te perdoe e sonhe,
deliciosamente contigo.
Os meus segredos destrinchados
Por tuas mãos,
- inesquecíveis -
Mãos repletas de delícias!
Nós dois derribados ao chão,
E num ritmo que só a nós interessa...
Quem tem um amor nessa vida,
E sabe que amar é bom a beça...
Não temos nada que nos impeça!
Temos nós dois, a primavera e a espera,
Que não há de nos deter;
Espiritualmente a gente se integra.
Você faz doce, eu sei...
Para que minha cabeça não se distraia,
E que eu passe o dia todo
Concentrada em nós dois;
Pare com isso! Você não precisa disso!
Estou completamente rendida
ao teu feitiço, mas você continua a me tentar,
E como caça, continuo a tua presa;
Quando menos eu espero,
Lá vem você e me pega de surpresa!
Esse tempo que não passa,
Vou torcendo para a noite chegar,
Estou esperando por você do jeito,
Que nós dois estamos acostumados,
Um conectado a alma do outro,
E que as nossas estrofes de inteira volúpia
Desabrochem em flores perfeitas...
E que esse dia de penar
Sem a tua atenção te traga
Lépido, faceiro, intrépido
- e travessamente celestial;
Enquanto esse dia não chegar, não sossego!
