Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)

Data e Dedicatória (Mário Quintana)

Teus poemas, não os dates nunca... Um poema
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora estrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez ainda nem tenha nascido,
Dedica, pois, os teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...

Sarabatana flechou coração do cantador da aldeia
Que vive apaixonado fazendo poemas pro rio
E passa o dia contemplando seu pé de taperebá
Beijando bocas sonhadoras que vem lá do Amapá

Na ponta da pena
Escrevo poemas
Transcrevo fases
Relato momentos
Crio fantasias
Imagino amores
Encontro rimas
Descrevo você
Transmito alegrias
Vivo o tempo
Lembro de fatos
Concluo pensamentos
Sonho acordado
Revivo momentos
Olho para o futuro
E me vejo no escuro
Procuro o eterno
Encontro o provisório
Vivo o presente
Almejo um novo amanhecer
Caminho adiante
Encontro amigos
Fujo dos inimigos
Vivo momentos
Todos são fases do tempo
Na ponta da pena
Escrevo situações
Relato emoções
Transcrevo sensações
A vida é uma flor
Renasce todos os dias
Exala um forte odor
Revive com o sol quente
Murcha num momento de dor
Morre com falta de amor!!!!

Luto poético

Escorre um sentimento de luto
Túmulos de poemas e poesias
Enterradas em esquecimentos
Papeis amarrotados e sem cor
Frases sem sentimento...
Uma eterna falta de amor
Sepulcro onde se enterram letras
Se chora por palavras em vão
Besteira que saiam do pensamento
Mas que no fundo...
Era o sentir do coração
Descanso da entrega poética
Um vazio, uma falta, uma solidão
jaz pensamentos de poetas mortos
Pensamentos que mesmo com tempo
Os que conheceram, jamais esquecerão.

Eu conseguiria escrever mil textos , mil poemas , inspiração não me falta.
Sabe oque me falta no fundo ?
Vontade de pensar em algo que não seja você .

⁠Gosto muito de escrever
Tenho bastante poemas em meu pv
Acho que tem muitos que falam de você
Mas como saber se nem sonhava em te conhecer
Mas a vida é assim cheia de surpresas
Ela sempre nos deixa besta
Sonhamos todos os dias com algo diferente
Mas nunca paramos para dar valor ao presente.

Será que em algum dia alguém poderá me olhar com admiração?
Ler meus poemas deprimentes e ruins.
Gostar do meu estilo cafona.
Escutar berros nos karaokês.
Meu gosto musical peculiar.
Ver com carinho minhas playlists.
Postar fotos fofas minhas.
Entender minha amizade com personagens fictícios.
Me enxergar, me ouvir, me amar, me admirar, ver minha evolução com carinho.
Eu não consigo me ver tanto, me ver com outros bons olhos.
Alguém um dia será capaz de me ver?

Série
Poemas de Marcio Melo


____Quando sentires o teu coração bater como uma pulsação rápida e latente, quando as flores se revelarem em cada estação e os pássaros te alegrarem com os seus cantos,
quando o inverno se tornar primavera e no outono as folhas se verdejarem sem cair,
quando todos os dias forem ensolarados e as noites estreladas com a lua romântica a brilhar no céu apaixonado,
saberás que o amor chegou,
quando a vida parecer bela, só lembrando de quem a ama,
quando ela for a tua razão de viver e respirar e suspirar de amor, saberás que é a hora do amor,
quando as cores enfeitarem a vida e nas cores uma alegria que anuncia a felicidade,
quando nada mais importar além do amor, ela será os teus pensamentos e sonhos, o teu ar no frescor e viajar no vento,
quando os pensamentos se perderem no olhar distraído e ela for o teu único sentido,
então saberás que estás apaixonado e que a paixão é a manifestação do amor numa entrega incondicional...

Embrulho


Como vou escrever poemas,
como vou redigir cartas
Meu coração está tomado de tristeza
Sinto que ele foi embrulhado por um saco plástico
Esse embrulho aperta meu coração, cruza ele por dentro
Aperta tão apertado que ele não bombeia sangue
Não tem sangue no meu cérebro, como vou escrever poemas sem a cabeça funcionar?
O máximo que posso fazer é lamentar
lembrar de quando meu coração era virgem sem embrulho
De quando meu cérebro tinha sangue pra ficar ocupado pensando em poemas sobre você

Extraviou-se por desfiladeiros de neblina, por tempos reservados ao esquecimento, por labirintos de desilusão.

É meio estranho
Mas é uma coisa do bem
Todo mundo acha
Que cada um deve achar alguém

Não sei o que é
Mas ilumina meu caminho
Não sei de onde vem,
Mas me dão com muito carinho

Alguns falam que machuca
Mas isso é bobagem!
É bom, mas pode ser curto,
Como um filme de curta metragem

Todo mundo tem!
Admita, por favor!
Você já sentiu por alguém!
Isso, se chama amor

Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposas igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

BRASÍLIA
A flor do cerrado
não tem praia nem mar
mas tem lindo lago
de lábios rosados
e olhos azuis
que se prendem ao céu.
Tem pedra bonita
tem luz de pepita
e lua de cristal
Brasília é infinita
constelação de poderes
estrelas soberbas
que sobem e que caem
do alto da torre
à rampa do congresso...
Brasília é rock roll
da Capital Inicial
das Plbes Rudes
e Renatos Russos
de camelos e Para-lamas
do voo da gaivota
da Asa Norte à Asa Sul
Brasília é uma flor
que ainda desabrochou
da praça sem poderes
ao autódromo esquecido
governo falido
servidor ausente...
Brasília de presente
de passado distante
da fé do bandeirante
do padre sonhador
Brasilia ainda é menina
de laços de fita
que o poeta cantor.
Eu amo Brasília
em suas grandezas
e em suas carências
quem dera que um dia
o vale perdido
o dito paraíso
sem medo e sem culpa
assumisse a sua sina
de ser jovem menina
na paz entre os homens
na justiça e no amor.

Evan do Carmo

O Amor de Dudu nas Águas


Estou virando uma menina
tornada mulherinha
com tanta coleirinha
de maturidade
ainda assim me sinto parida agora
tenra, maçã nova
nova Eva novo pecado.
Tudo gira e eu renasço menina
vestido curto na alma de dentro...
Deixo no mar os velhos adereços
a velha cristaleira, os velhos vícios
as caducas mágoas.
Nasce a mulher-menina de se amar
com água no ventre e no olhar.
Nasce a Doudou das Águas.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

Virtudes Ociosas e Bolorentas

Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa onde a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas onde faltavam sinceridade e verdade, e com fome me fui embora do inóspito recinto. A hospitalidade era fria como os sorvetes. Pensei que nem havia necessidade de gelo para conservá-los. Gabaram-me a idade do vinho e a fama da safra, mas eu pensava num vinho muito mais velho, mais novo e mais puro, de uma safra mais gloriosa, que eles não tinham e nem sequer podiam comprar.
O estilo, a casa com o terreno em volta e o «entretenimento» não representam nada para mim. Visitei o rei, mas ele deixou-me à espera no vestíbulo, comportando-se como um homem incapaz de hospitalidade. Na minha vizinhança havia um homem que morava no oco de uma árvore e cujas maneiras eram régias. Teria feito bem melhor visitando-o a ele.
Até quando nos sentaremos nós nos nossos alpendres a praticar virtudes ociosas e bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? É como se alguém começasse o dia com paciência, contratasse alguém para lhe sachar as batatas, e de tarde saísse para praticar a mansidão e a caridade cristãs com bondade premeditada!

Henry David Thoreau
Walden ou A vida nos bosques (1854).

A Fome e o Amor

A um monstro

Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!

Augusto dos Anjos
ANJOS, A. Eu e Outras Poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

"O amor é tudo que temos,
o único caminho pelo qual
um pode ajudar o outro..."

Eu acredito no amor. Não como uma salvação.
Mas como um prêmio de quem consegue se achar.
E se conhecer.

Cada noite que Deus dá
meu amor, que esta no céu
despetala uma estrelinha
para ver se ainda o quero.