Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)
E quando ninguém acreditou,
Eu acreditei em nós,
porque amor também é fé em movimento.
Mesmo sem aplausos,
seguimos sendo milagre,
dois corações sob o comando de algo maior.
Enquanto houver Deus no centro
e amor no passo,
vencer será apenas continuar de mãos dadas
Sonhe alto comigo, amor,
mas venha de mãos dadas com a realidade.
Que nossos sonhos saibam voar
sem esquecer o peso doce da vida,
porque é no equilíbrio entre o céu e o agora que o teu sorriso me ensina a acreditar.
E se ninguém enxergar o que somos, não importa.
Há um amor maior guiando nossos passos,
um Deus que escreve linhas retas com nossas falhas.
Com Ele no centro e você no meu peito, até os milagres parecem simples:
amar, persistir e vencer, juntos.
Beija-me com teus beijos de amor,
como quem ensina o coração a respirar,
demora teus lábios no meu silêncio
até que toda ausência aprenda a ficar.
Beija-me com teus beijos de amor,
e que o mundo pause no meio do gesto,
que nossas dores se esqueçam do nome
e virem abrigo no calor do teu peito.
Beija-me com teus beijos de amor,
não como promessa, mas como verdade,
pois quando tua boca encontra a minha
até o tempo se rende à eternidade.
Patinando no Amor
A gente entra no amor sem saber o equilíbrio,
escorrega nas expectativas, cai nos excessos,
ri de nervoso tentando fingir controle.
Amar também é perder o eixo.
Entre quedas e giros tortos, aprendemos juntos
que não existe coreografia perfeita.
Só passos improvisados, mãos dadas,
e coragem pra tentar mais uma vez.
E se cairmos de novo, tudo bem:
patinar no amor é isso mesmo.
O importante não é não cair,
é levantar com alguém disposto a continuar.
O Amor Pode Ser Traduzido?
O amor fala línguas que a boca não alcança,
vive nos silêncios, nos olhares demorados,
nas mãos que se procuram sem pedir permissão.
Como traduzir o que só o sentir entende?
Talvez seja verbo quando insiste,
talvez seja substantivo quando fica.
Amor é erro perdoado,
é escolha repetida mesmo cansado.
Se há tradução, ela não cabe em palavras:
é gesto, é presença, é ficar.
É quando dois corações se entendem
sem jamais precisar explicar.
O primeiro amor não ficou
— virou lição.
Ensinou-me limites escritos em cicatrizes, fez de mim abrigo de mim mesma, e no silêncio entre partidas
descobri que amar não é se perder.
3 amores
O primeiro amor foi lâmina:
entrou sorrindo e saiu deixando dor.
Ali aprendi que o coração sangra em silêncio e que amar, às vezes,
é aceitar a ferida.
O segundo amor foi neblina:
parecia abrigo, mas escondia o chão.
Me ensinou que confiança não nasce de promessas, e que mãos vazias também sabem enganar.
O terceiro amor foi espelho quebrado:
não matou o sentimento,
mas rachou a crença.
Porque há quem diga
“eu te amor” como isca,
e parta satisfeito por ter
iludido quem só queria verdade.
Mas há uma promessa:
o amor vence.
Mesmo quando nos quebraram em mil pedaços, a fé no sentimento é real, e um dia ele curará cada ferida.
E tudo que sonhamos será cena de filme:
juntos, para sempre, com a pessoa certa.
O amor,
a gente escolhe viver.
O respeito,
a gente mantém mesmo
quando dói.
A bondade,
a gente reparte sem
calcular retorno.
O perdão,
a gente pratica
para não virar prisão.
Nem todos vão retribuir
do jeito que esperamos,
nem todos sabem vestir
a roupa da reciprocidade.
Mas seguir certo nunca
foi sobre aplausos,
é sobre dormir em paz
com a própria consciência.
Porque quando ninguém vê,
Deus vê.
E quando ninguém reconhece,
Ele reconhece.
A recompensa não nasce
da mão dos homens,
vem do céu
— no tempo certo, do jeito certo.
Talvez eu tenha feito da solidão um abrigo, não por desprezo ao amor,
mas por respeito ao estrago que ele sabe fazer.
Porque perder alguém não é sobre despedidas, é sobre as partes de nós que nunca voltam.
Não me importa se às vezes não recebes, meu amor é chama que
não se apaga, queima mesmo na distância, e retorna a mim em
doces lembranças tuas.
Ser amor é a sua essência mais pura,
como o sol beijando a pele em manhã calma.
Tudo que você entrega de coração aberto faz o mundo e quem ama mais bonito e inteiro.
Não se entristeça se nem todos sabem receber, o amor verdadeiro não se mede em retorno.
O que você doa com ternura
e paixão volta suavemente,
Feito abraço ao luar.
Que esta noite guarde o que somos:
dois corações conversando baixinho,
antes que o amor vire rotina outra vez.
Se a noite é breve,
o sentimento não é.
Final de semana acaba,
mas o amor insiste em ficar.
E enquanto o mundo dorme,
meu coração acorda
só pra te amar um pouco mais.
Os dois lados do amor
O amor começa simples,
quase distraído,
uma mensagem,
um toque sem intenção.
Depois vira costume,
vira abrigo querido,
vira medo de perder,
vira tensão.
Tem dias de riso fácil e café dividido,
e outros de silêncio pesado no ar.
O mesmo “fica” dito no ouvido
é o “vai” engasgado que ninguém quer falar.
Amar é errar tentando acertar,
é prometer hoje e falhar amanhã.
É machucar sem querer machucar,
e ainda assim pedir pra ficar.
O amor não é só filme,
nem poesia bonita,
é cansaço, escolha, repetição.
E mesmo quebrado,
às vezes insiste,
porque partir também
dói no coração.
Oásis onde encontro
Meu coração, antes deserto,
agora floresce,
Teu amor é o oásis
onde encontro repouso,
E em teus olhos,
rios tranquilos correm sem fim,
Saciam minha sede,
me fazem renascer
a cada instante.
Em teus braços,
descubro a fonte infinita,
Que borbulha dentro de mim
como uma canção secreta,
Cada toque teu é água
que me embriaga de vida,
Cada palavra tua é pão
que nutre minha alma faminta.
E aqui quero permanecer,
meu abrigo eterno,
Onde o tempo se dissolve
e só resta a plenitude,
Teu amor é meu refúgio,
minha casa, meu tudo,
E nele habito para sempre,
bebendo da tua essência sem fim.
-
Às vezes o amor não
pergunta se vale a pena,
ele simplesmente fica.
Fica no silêncio que aperta o peito,
no nome que ainda mora na boca
mesmo quando o coração tenta desaprender.
Esperei como quem acende
velas no vento,
acreditando que o frio
era só passagem,
que o gelo nos teus gestos
um dia viraria abrigo
e não essa distância
que corta sem faca.
Perdi horas,
pessoas e versões de mim
tentando proteger algo
que só eu segurava.
Te vi ir, passo por passo,
enquanto eu ficava parada
aprendendo a sangrar sem fazer barulho.
E hoje,
se me perguntam se valeu a pena,
respondo com a verdade que doeu aprender:
valeu para me ensinar
que amor não é espera infinita,
é encontro — ou não é.
Como morreu o Amor?
O amor não morreu de repente,
não foi queda, nem faca, nem veneno.
Morreu sentado ao nosso lado,
esperando uma palavra que não veio.
Morreu quando o silêncio virou resposta, quando o toque virou hábito sem calor.
Cada “depois a gente conversa”
foi um passo a mais no seu cansaço.
Morreu de pequenas ausências repetidas, de promessas deixadas em rascunho.
Não foi falta de sentimento —
foi excesso de descuido.
E no fim, o amor morreu de amor:
amou sozinho, amou demais.
Até entender, tarde demais,
que amar também precisa ser amado.
Os abrigos da alma
Teu amor é o abrigo que minha alma procurava quando o mundo parecia vento frio em rua vazia.
Em teus braços encontro silêncio que cura, e no teu olhar, uma casa acesa mesmo em noite tardia.
Há tempestades que não assustam mais, porque tua voz é teto firme sobre meus medos.
Teu riso cobre minhas cicatrizes como cobertor antigo,
e teu carinho faz primavera nascer nos meus invernos.
Se um dia o mundo desabar lá fora,
que desabe
— aqui dentro há morada.
Pois teu coração é refúgio eterno no meu, e minha alma escolheu em ti fazer morada.
