Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)

Que o seu amor te beije,
Como uma abelha,
Na escassez de flores
em pleno verão.

Eu fiz amor sozinho,
Não foi uma forma estranha.
Foi melhor,
Que feito com qualquer estranha.

Uma dose sem gelo por favor,
Pra desinfectar a ferida de um amor líquido,
Oferecido a conta gotas.

Dizia que era amor,
Mas tinha uma taxa de paz a ser paga.
Prefiro não expor tá?

É preciso amor pra poder pulsar,
Disse o poeta.
E se não pulsa,
onde estará os vivos?

O amor é um menino enxerido,
E o coração oferecido.
Desconhece suas travessuras.

A rosa branca no meu peito,
É que estou enlutado,
Pelo amor que dentro dele morreu.

O encontro com o verdadeiro amor,
É como raspar o tacho que foi preparado um doce,
Já sabendo o quão sera gostoso.

Carta ao remetente
Querido Tim Maia,
Você era o único que não queria dinheiro,
Só amor sincero.

Amor é sorte,
Mas ficar procurando no quintal
o trevo de quatro folhas,
Enquanto a felicidade bate na porta,
Não há sorte que ajude.

Recado ao remetente
Querido Tim,
Você era o único,
Que só queria amor sincero.

Amor é abrigo com porta entre aberta,
Onde quem escolhe ficar,
sabe o que quer.

O amor é como as Gymnopédies de Erik Satie: Uma repetição hipnótica de melancolia e paz, onde o vazio entre as notas diz mais que o som. Amar exige a coragem de ser vulnerável em um mundo que idolatra a frieza e o descarte imediato das emoções. É aceitar que a tristeza faz parte do arranjo, e que sem o grave, o agudo não teria onde se apoiar para brilhar. Que o seu afeto seja profundo o suficiente para não temer o silêncio do outro.


- Tiago Scheimann

O amor real não é um refúgio covarde contra a tempestade, mas o compromisso inegociável de dois náufragos que decidem construir uma ilha de paz no centro exato do furacão. Exige a coragem brutal de mostrar as próprias ruínas sem maquiagem e a paciência de reconstruir, pedra por pedra, o altar da confiança em solo movediço e incerto. Não aceite afetos rasos que temem a profundidade das suas águas escuras e a complexidade do seu arranjo interior mais íntimo e sagrado. Quem não sabe lidar com a gravidade do seu silêncio, jamais terá o direito de reger as sinfonias que pulsam em suas veias abertas. O amor é para os que não temem a intensidade de uma nota sustentada até o limite do fôlego.


- Tiago Scheimann

Que cada palavra aqui escrita seja um semente de superação, um escudo de honra e um hino de amor pela vida que não se rende à mediocridade do deserto rasteiro e sem alma. Você é o mestre da sua sinfonia, o autor da sua história e o arquiteto da sua paz interior sob as estrelas infinitas de um destino que você mesmo esculpe. Toque a sua música com todo o seu ser, ame com toda a sua verdade e viva com a dignidade suprema de quem sabe que o sublime é o seu único e verdadeiro lar.


- Tiago Scheimann

A disciplina é a forma mais alta e pura de amor-próprio, o escudo de aço que protege a sua chama interna contra os ventos do cinismo e da mediocridade social reinante. É a decisão de sentar-se diante da vida todos os dias e executar o seu dever com a precisão de um mestre, mesmo quando o coração, exausto, pede por uma trégua. Não espere que o mundo te entenda ou que a sorte te favoreça para começar a construir o seu império de significados, valores e virtudes. O sucesso real é o resultado de mil pequenas vitórias silenciosas sobre a vontade de desistir e de se entregar ao nada absoluto. Sua rotina é o seu altar, não profane o seu tempo com o que não te torna eterno.


- Tiago Scheimann

Mesmo cercado de pessoas e de amor, a solidão é uma companhia eterna. Não no sentido de estar sozinho, mas no de saber que ninguém compreende plenamente o que sinto, o motivo das minhas lágrimas ou a profundidade das minhas dores. Elas são particulares, habitam um lugar onde apenas eu consigo entrar.


As pessoas ouvem falar delas, podem até imaginar o que representam, mas jamais poderão vê-las ou senti-las da forma como eu as vejo e sinto. Minhas dores crônicas são aquilo que mais detesto em minha vida e, ao mesmo tempo, aquilo que está mais presente nela. Nunca me abandonam. Fazem-me chorar, refletir e imaginar como seria existir sem elas.


Às vezes penso que, se não as tivesse, talvez este texto jamais existisse. Talvez eu fosse uma pessoa diferente, com outros pensamentos, outras sensibilidades e outros silêncios. Por isso, gostando ou não, elas fazem parte de quem sou. Não as escolhi, mas aprendi que carregá-las também moldou a forma como enxergo o mundo, a dor e a própria vida.


- Tiago Scheimann

A complexidade do amor jamais deveria ter sido reduzida à banalidade que, lamentavelmente, hoje o circunda. Esse sentimento de natureza sublime não é um fenômeno que simplesmente irrompe na consciência; é uma construção meticulosa, quase quântica, arquitetada por duas existências que, outrora, eram universos absolutamente desconhecidos uma da outra.


Talvez muitos jamais alcancem sua verdadeira dimensão, nem experimentem sua essência em sua forma mais autêntica. Contudo, aqueles que efetivamente o vivenciam compreendem uma verdade inexorável: o amor transcende a linguagem. Qualquer tentativa de defini-lo com absoluta precisão fracassa diante de sua profundidade, pois existem sentimentos cuja magnitude excede a capacidade das palavras e só podem ser plenamente compreendidos por aqueles que os experimentaram.


- Tiago Scheimann

✝️ A Torá prioriza o amor a Deus, não a performance religiosa.


📖 Shemá: Deuteronômio 6:4-5

De todos os juramentos feitos no casamento, nenhum mencionava a solidão. Falou-se de amor, de parceria, de cuidado mútuo, de atravessar juntos o que viesse — mas ninguém avisou que, às vezes, o silêncio dentro da própria casa pode pesar mais que a ausência de qualquer pessoa no mundo.
A solidão compartilhada é estranha: você divide o teto, divide a rotina, divide até o espaço na cama, mas não divide a alma. E quando o coração começa a se sentir sozinho ao lado de quem prometeu ser abrigo, algo dentro de nós se quebra aos poucos, silenciosamente. Não é um rompimento abrupto — é um desgaste. Um desgaste que corrói devagar, quase invisível, até que um dia você percebe que está acompanhado, mas não está junto.
Talvez os votos não mencionem a solidão porque ninguém quer imaginar que ela possa existir no amor. Mas a verdade é que ela existe. E quando chega, ela dói de um jeito único, porque não é só a falta do outro — é a falta de nós dois.