Cecilia Meireles Poemas Compromisso
Embora as chuvas fortes da vida
acompanhadas de ventos tempestuosos,
e frio intenso impeçam meu sol de sair,
as águas me purificam,
e os sentimentos sempre me aquecem....
Às vezes me desapego um pouco do meu estado normal,
perco o equilíbrio e faço coisas que nunca fiz,
falo o que nunca imaginei falar.
desperto a atenção de quem passa,
dou gargalhadas escandalosas,
e deixo a vida me levar e meus sentimentos dominar,
sinto me dona de mim, sem ter que dar satisfações,
uma irresponsável pra sociedade,
mas uma louca responsável pela alegria de viver…
beijo, abraço canto e encanto,
isto não acontece sempre,
mas, quando quero, deixo acontecer,
Será ousadia?
Hoje acordei meio sol,
Intensa, radiante, viva, iluminada,
intrépida, inspirada, determinada,
a fim de aquecer quem por mim passar,
sem calor demais ou de menos,
mas com equilíbrio na alma,
me desviando de tudo que possa me esconder,
me sufocar ou me anular...
Hoje eu acordei assim,
entregue à vida e com muita sede de amar.
Hoje estou a fim de brilhar...
E você?
Respeito é bom e eu gosto sabe porque?
Porque ele cabe dentro da
delicadeza de uma pessoa, ele
se veste de gentileza, e anda
calçado pela boa educação. Sua
essência é a sabedoria e seu maior
objetivo é não ser invasivo e nem
arrogante seja em qualquer
circunstância.
Abra os olhos
Se coloque de pe no dia de hoje
E não se preocupe, porque
as portas Deus abre, os seus sonhos
Ele realiza, os seus milagres Ele faz
acontecer e nada e nem ninguém o
impede de agir por você
Segunda-feira...
E o que quero dizer é que não sei como
será o seu dia e nem imagino como será
a sua semana, mas se você colocar Deus
à frente de tudo, eu posso te garantir
que cada segundo será perfeito e
muito abençoado por Ele.
Nem sempre um dia ensolarado consegue nos convencer a abrir os olhos pela manhã, as vezes gotas de chuvas insistem em pingar no nosso interior, alagando nossa fonte de sentimentos, causando uma enxurrada de pensamentos confusos. Pode ser que não tenhamos aquele ânimo, aquela força, aquela vontade de levantar e reagir ao sol que irradia la fora, pode ser que a alma nos impulsiona a esconder debaixo de um lençol de dor, pode ser que teus sonhos frustrados sejam os causadores destas torrentes, nestes instantes tudo pode ser um bom motivo para que seu dia seja escuro. Mas chega uma hora que as janelas devem ser abertas, que devemos permitir o sol entrar, que nem sempre podemos nos entregar as emoções, e que as flores insistem em perfumar o nosso dia. É necessário se permitir, acordar, deixar que o embaraçar do dia modifique as vontade do coração e renove as forças do corpo que precisa apenas de um primeiro passo pra que tudo seja perfeito… como dizia Caio Fernando de Abreu "Porque a força de dentro é maior que todos os ventos contrários..."
Você não pode modicar o seu dia, mas pode permitir que ele seja modificado.
Este sorriso que
levo foi projetado
por dores que passei,
por lutas que superei
e por guerras que venci...
Meu sorriso tem histórias.
No último andar é mais bonito:
do último andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O último andar é muito longe:
custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua no terraço
fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem
para ninguém os maltratar:
no último andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.
Marcha
As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns vivos pela tona,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos tristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
Eu não dei por esta mudança
Tão simples, tão certa, tão fácil.
Em que espelho
Ficou perdida
A minha face?
I
ASSIM aos poucos vai sendo levada
a tua Amiga, a tua Amada!
E assim de longe ouvirás a cantiga
da tua Amada, da tua Amiga.
Abrem-se os olhos - e é de sombra a estrada
para chegar-se à Amiga, à Amada!
Fechem-se os olhos - e eis a estrada antiga
a que levaria à Amada, à Amiga.
(Se me encontrares novamente, nada
te faça esquecer a Amiga, a Amada!
Se te encontrar, pode ser que eu consiga
ser para sempre a Amada Amiga.
II
E assim aos poucos vai sendo levada
a tua Amiga, a tua Amada!
E talvez apenas uma estrelinha siga
a tua Amada, a tua Amiga.
Para muito longe vai sendo levada,
desfigurada e transfigurada.
Sem que ela mesma já não consiga
dizer que era a tua profunda Amiga.
Sem que possa ouvir o que tua alma brade
que era a tua Amiga e que era a tua Amada.
Ah! do que disse nada mais se diga.
Vai-se a tua Amada - vai-se a tua Amiga!
Ah! do que era tanto, não resta mais nada...
Mas houve essa Amiga! mas houve essa Amada!
Canção do Amor-Perfeito
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.
Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.
Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.
Pássaro
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
Coloquei meu sonho em um navio
E o navio em cima do mar
E abri o mar com as mãos
Para meu sonho naufragar
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?
Não encontro caminhos
fáceis de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança, em cada lugar.
Rastro de flor e de estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.
"O vento é o mesmo: mas sua resposta é diferente, em cada folha. Somente a árvore seca fica imóvel, entre borboletas e pássaros."
(do poema "O Vento, do livro "Mar Absoluto".)
Vigília das Mães
Nossos filhos viajam pelos caminhos da vida,
pelas águas salgadas de muito longe,
pelas florestas que escondem os dias,
pelo céu, pelas cidades, por dentro do mundo escuro
de seus próprios silêncios.
Nossos filhos não mandam mensagens de onde se encontram.
Este vento que passa pode dar-lhes a morte.
A vaga pode levá-los para o reino do oceano.
Podem estar caindo em pedaços, como estrelas.
Podem estar sendo despedaçados em amor e lágrima.
Nossos filhos têm outro idioma, outros olhos, outra alma.
Não sabem ainda os caminhos de voltar, somente os de ir.
Eles vão para seus horizontes, sem memória ou saudade,
não querem prisão, atraso, adeuses:
deixam-se apenas gostar, apressados e inquietos.
Nossos filhos passaram por nós, mas não são nossos,
querem ir sozinhos, e não sabemos por onde andam.
Não sabemos quando morrem, quando riem,
são pássaros sem residência nem família
à superfície da vida.
Nós estamos aqui, nesta vigília inexplicável,
esperando o que não vem, o rosto que já não conhecemos.
Nossos filhos estão onde não vemos nem sabemos.
Nós somos as doloridas do mal que talvez não sofram,
mas suas alegrias não chegam nunca à solidão de que vivemos,
seu único presente, abundante e sem fim.
A palavra liberdade
vive na boca de todos:
quem não a proclama aos gritos
murmura-a em tímido sopro
