Casamento Fracassado
Tu me destruís-te e eu ainda estou tentando me reconstruir, ainda estou procurando a paz que levaste de mim.
Quando eu te encontrei, estavas com o coração em pedaços e sangrando por causa de alguém. Eu consertei as tuas rachaduras, coloquei curativos e transbordei amor dentro dele para que se curasse mais rápido e houvesse a possibilidade de tu me amares também. Mas este amor nunca chegou até mim, ele nunca existiu. E não estando satisfeita, deixaste o meu coração igual ao que o teu era antes, destruído. A reciprocidade no amor nunca existiu, mas a dor continuou residindo aqui dentro. Eu ainda estou em cacos...
No fundo eu só queria ter alguém para dedicar os meus versos falando sobre amor. Mas o que me restou foi falar sobre dor.
A gente guarda tanto amor dentro do peito esperando a pessoa certa chegar e acabamos esquecendo de que não existe hora certa para amar.
Eu sempre quis dirigir, mas o Charlie dizia: “A próxima peça.” O diretor era sempre ele, a próxima nunca chegou. Talvez se tivéssemos ficado casados, a peça chegasse.
Vi aquele documentário sobre o George Harrison recentemente e pensei: “Assuma. É só assumir. Seja como a mulher do George Harrison. Ser mãe e esposa é o bastante.” Então eu me toquei que não lembrava o nome dela.
Muitos advogados manipulam a verdade pra chegar aonde querem. Clientes não passam de negócios. Penso em vocês como pessoas.
No processo de mediação e do eventual divórcio, a situação pode ficar controversa. Então gosto de começar com algo positivo pra que se lembrem por que vocês se casaram.
Vamos admitir: o conceito de bom pai foi inventado há uns 30 anos. Antes disso, esperava-se que fossem caladões, ausentes, irresponsáveis e egoístas. A gente diz que quer que eles mudem. Mas, bem lá no fundo, a gente os aceita. Nós os amamos por esses defeitos, mas as pessoas não aceitam esses defeitos numa mãe.
Eu acho que essa palavra "sucesso" está carregada de uma concepção cultural errada sobre o casamento.
Acho que nós dois vemos o casamento como um meio, e não um fim. Nós o vemos mais como uma plataforma onde podemos nos desenvolver como indivíduos.
No começo de um relacionamento, tudo é emocionante e novo, parece que nada pode nos magoar. E gradualmente você percebe que, na verdade, qualquer coisa pode te magoar.
Eu estou cansada desse fascismo social. De conversas vazias, em que posso falar de tudo, menos da coisa mais importante na minha vida.
