Cartas de Despedida da Namorada
Nós não o perdemos
Nós não o perdemos, ninguém o perdeu.
Nós ganhamos o privilégio de viver 31 anos com uma pessoa maravilhosa. Ganhamos da vida a oportunidade de conhecer uma pessoa especial, e dizer que fomos felizes é pouco para descrever.
Se eu pudesse voltar no tempo para tê-lo de volta, voltaria.
Se fosse preciso renunciar a todos os títulos acadêmicos para tê-lo de volta, sem dúvida eu faria. Qualquer um de nós faria.
E, se tivesse essa alternativa, eu escolheria viver mais 31 anos de novo com ele, sem mudar nada do que foi. Tudo do mesmo jeito: os mesmos momentos bons e ruins, todos os momentos e a vida exatamente como foi. Perfeito como foi, porque não teria sido perfeito de nenhuma outra forma, se não fosse ele exatamente do jeito que é.
Hoje, esse ciclo não se encerra. Continuaremos vivendo, não apenas com tristeza, mas com o orgulho de quem o teve.
Cada lembrança, cada sorriso, cada risada, cada instante. Seu jeito, seus trejeitos, sua luta e suas vitórias não esqueceremos.
Procuro sempre olhar o lado bom das coisas e, após essa constatação do quão dolorida é a sua ausência, fica claro que viver com ele foi viver um paraíso na terra.
E o melhor de tudo é que um dia o encontraremos de novo. Ele estará feliz e ansioso para nos ver. Mas, enquanto esse dia não chega, tenho certeza de que o seu desejo é que vivêssemos bem, com a alegria que ele nos mostrou.
Espero que essas palavras encontrem paridade com o sorriso dele, mas sei que as palavras nunca serão suficientes para substituí-lo. Por isso, a melhor forma de viver neste momento é entender que a sua vida foi uma dádiva e que as nossas, por causa dele, foram privilegiadas.
Sobre este texto: não é o melhor que já escrevi, até porque nunca pensei em escrever sobre a sua despedida. Nunca pensei, porque só o amor nos faz acreditar que certas pessoas são imortais.
recado ao futuro amor da minha flor
ei, você que está com ela agora
não seja um amor de quinta. Seja alguém que cuida, que demonstra, que se faz presente. Dê flores, elogie, ajude com tudo que estiver ao seu alcance. diga que a ama diga mesmo. Mesmo sabendo que você nunca será eu. E nunca vai amá-la do jeito que eu a amei.
mas tente. Tente de verdade.
não seja só mais um amor de quinta-feira, e muito menos um amor que passa. Seja alguém que fica. Trate ela como merece: como a princesa que é. Elogie aqueles olhos incríveis. E nunca nunca mesmo esqueça de dizer que o look dela está lindo. Sempre a elogie, sempre valorize cada detalhe.
mas seja você. Do seu jeito. Não tente me imitar, só não falhe no essencial.
se algum dia houver um desentendimento, converse. Ela é compreensiva, é coração aberto. ela vai ouvir, vai procurar o melhor caminho para os dois.
ah, meu rapaz ou moça
cuide bem da minha flor. Só peço uma coisa: não cuide melhor do que eu cuidei. Porque talvez meu coração estranhe. Mas ele aceita. Ele entende. Porque quem ama de verdade, deseja o bem. Sempre.
talvez você ainda não a veja como eu vejo. Mas deveria começar a vê-la como uma rosa. Uma rosa que muda de cor, que tem suas fases. Talvez uma rosa preta cor que ela ama. Ou uma vermelha como eu sempre a vi: vibrante, intensa, madura. Uma mulher encantadora, segura, que sabe o que quer e como quer.
ela é uma rosa livre. Não a coloque numa redoma. Essa rosa precisa de sol, mas não em excesso. Precisa de cuidado, delicadeza, atenção diária. Porque ela floresce com amor, e murcha com descuido.
ela é como aquele livro que você encontra por acaso e, ao começar a ler, se vê preso em cada página. Quanto mais você lê, mais você entende que foi feito pra mergulhar ali. Te garanto: você vai se apaixonar perdidamente.
preto é sua cor favorita. Se estiver em dúvida, escolha preto… ou rosa. Pequenos detalhes importam.
se, ao vê-la, seus olhos não brilharem então você não a ama. Seu amor será de segunda. Mas, se os olhos brilharem com cada sorriso, com cada jeitinho único, com tudo o que ela é... então você está no lugar certo.
eu a vi brilhar, e por isso escrevo sobre ela. Porque encontros de alma não acontecem todo dia. E eu tive o privilégio de viver um.
li todas as páginas do nosso tempo, e foi como reviver tudo outra vez. Lindo. Intenso. Verdadeiro.
não fique com ciúmes, eu só a amei primeiro. E não foi o corpo, nem os olhos, nem o cabelo. Foi a alma. A alma dela eu amei e alma, quando toca a gente, não dá pra controlar.
mas saiba: nem todo dia será florido. Talvez você se perca numa página. Por descuido seu, ou alguma dor que ela te cause. Mas se isso acontecer, não desista. Volte à página anterior. Releia. Entenda. Corrija. E continue. Vale a pena.
seja paciente. Sempre. Ajude. Elogie. Faça poesias, textos, gestos. Expresse. Ame.
seja a presença que cura, não a que machuca.
a vida é curta, e talvez um dia você se veja escrevendo uma carta como essa pra outro alguém.
então, mais uma vez: não seja um amor de quinta.
seja sincero. seja transparente. E, acima de tudo, coloque ela sempre em primeiro lugar.
Como dizia Henrique e Juliano:
Cuide bem dela.
E te digo com o coração aberto:
Você nunca, em toda a Terra, vai encontrar alguém como ela.
Pode até encontrar alguém melhor…
Mas nunca será ela.
Nunca terá os defeitos dela.
E nunca jamais as perfeições.
Cuide bem da minha flor.
Eu não vou te levar no coração, eu vou te levar na alma.
Vou te levar no olhar, vou te levar naquela roupa bonita que você tanto gostava de olhar.
Mas eu vou te levar, porque o coração é um órgão simples sem você lá.
Então eu vou te levar e te lembrar em cada poesia de rosas que eu recitar e escutar.
Eu vou te levar, te esperando ansiosamente lá, lá onde eu me apaixonei por você pela primeira vez.
Lá, quando retornarmos para casa, eu vou poder me expressar,
e assim você me verá sem a maldade e as limitações do mundo.
E assim, assim eu estarei lá, no nosso primeiro altar, te esperando entrar,
para então poder me derramar
e compensar uma vida inteira de ansiedade
só para te amar de verdade de onde viemos, lá
na eternidade.
"A arte da cultura, nos versos que o tempo não apaga,
vivem Mestres e Mestras raízes,
mãos que moldam a arte da palavra, da dança e dos saberes,
guardiões da cultura popular, tradição espelho de um povo feliz,
donos desses países.
Entre os ritos e os cânticos, tece saberes que os livros não trazem,
é oralidade pura desse chão."
— (Mestre Malaquias da Viola)
REFLEXÃO
“O amor não termina no grito, mas na ausência, no tratamento raso, no descaso e na falta de cuidado. Não se desfaz na discussão, e sim na falta de compreensão, empatia e respeito, mas na indiferença. Quando dois corações já não se procuram no silêncio, não sentem mais saudades e não se declaram em palavras sentimentos de AMOR, é porque a desconexão chegou antes da despedida.
O triste é que, em alguns casos, não existiu tempo de dizer ADEUS.”
(Mestre Malaquias da Viola)
"O INVENTÁRIO DA AREIA E DO VENTO..."
Ah! Alcancei a crista da onda, aquele ponto cego onde o oceano se torna abismo e as águas, memória; um ápice que não é o topo da montanha, mas o momento em que a descida se torna a única forma de abraçar a terra. Já tenho em mãos o inventário do mundo: o sangue ramificado em filhos, o suor cristalizado em ofícios e os pequenos templos de tijolo que chamo de lar, mas à mesa, o banquete é de silêncio e o tilintar do garfo no prato vazio ecoa uma fome de ser...
A água na geladeira, guardada em vidros gélidos, retém o gosto de todos os rios que não naveguei, sabores de partida, espera e esquecimento que se misturam aos meus pensamentos, cavalos selvagens chicoteados pelo cronômetro. Eles galopam para o ontem em busca de um rastro, caem mortos no solo estéril do agora e fixam o olhar vítreo num amanhã que nunca se deixa tocar, enquanto meu centro se desfaz como um catavento enferrujado tentando ler o sentido dos ventos em dispersão...
Aos quarenta e oito invernos, o corpo reclama o aluguel do tempo e a força, antes uma lança de ferro, hoje é um fio de seda segurando o peso de uma existência que parece ter durado séculos. O álcool deixou de ser celebração para tornar-se um solvente, um mergulho em águas turvas para ignorar o naufrágio das células e os pequenos motins que minha própria biologia organiza contra mim...
Sinto a falta daquela euforia bruta dos finais de ciclo da juventude, da liberdade que cheirava a asfalto quente, antes que o acúmulo de dias se tornasse uma biblioteca de angústias. O livro da [minha] vida decidiu queimar suas próprias páginas; a história quer se abreviar, quer o ponto final antes que a tinta acabe, transformando-me em um ancião que assiste à própria biografia ser devorada pelas traças da finitude, enquanto o horizonte insiste em escrever capítulos sobre minha pele cansada...
Nesse processo de liquefação, aprendi a coreografia secreta do riso para mascarar o estrondo das quedas, descobrindo o luxo de chorar por dentro, uma chuva privada que irriga jardins que ninguém visita. Distanciei-me das âncoras que me prendiam a portos de gente falsa, buscando uma ecologia do ser onde o propósito é a presença da luz e o silêncio dos pensamentos que já pararam...
Não há mais o que explicar sobre a vista que embaça ao tentar ler o que está perto; talvez a alma tenha decidido focar apenas no que é infinito, desdenhando o que é ainda palpável. Sigo agora por este desfiladeiro onde a avalanche dos dias transforma o concreto em névoa e as lembranças em espectros sombrios e distantes, aceitando que tudo morra finalmente em mim, para que eu possa, despojado de tudo, renascer, quem sabe um dia, no vazio...
--- Risomar Sírley da Silva ---
Nihil Obstat
É preciso que a música aparente
no vaso harmonizado pelo oleiro
seja perfeitamente consistente
com o gesto interior, seu companheiro
e fazedor: o vaso encerra o cheiro
e os ritmos da terra e da semente,
porque antes de ser forma foi primeiro
humildade de barro paciente.
Deus, que concebe o cântaro e o separa
da argila lentamente, foi fazendo
do meu aprendizado o Seu compêndio
de opacidades cada vez mais claras,
e com silêncios sempre mais esplêndidos
foi limando, aguçando o que escutara.
Bruno tolentino
O céu e a chama
Havia um céu claro, inteiro,
um azul de infância, sem mágoa,
um tempo certo, verdadeiro,
que a chuva vinha quando era água.
Surgiu uma espessa fumaça,
nascida do metal e da pressa,
que tingiu o azul de desgraça,
e a chuva em ácido desce em praga.
Corrói a folha, a colheita,
ferve os rios, apaga o orvalho,
um verão que nunca aceita
o outono, nem seu trabalho.
E quando a última nuvem se esvai,
nem o azul nem a água voltarão...
Esse céu é o pacto que fizemos.
Aquela fumaça, a nossa ambição.
Aos pés da jaqueira pedi perdão.
Naquele momento senti a magia; a ancestralidade ali surgia,
diante de uma lágrima que na minha face escorria.
Olhei para o céu e uma voz sombria dizia:
— Levanta a cabeça, meu filho, chegará o grande dia.
Fiz a minha saudação, três nomes na mente surgiam:
Mepere, Bokolo e Iyá Bambá.
Inocentemente, foram louvadas nesse dia.
Novamente a voz sombria surgia:
— Siga em frente e acredite, chegará o seu grande dia.
Última Esperança
— "Por que tanta tristeza e tanta dor?"
Ao coração eu perguntei um dia.
E êle, em resposta: — "Já morreu o
amor."
Ao coração eu perguntei um dia:
— "Por que esperar se já morreu o amor?"
E êle: — "Sem esperança eu morreria."
- Stecchetti
Teu Nome
Teu nome foi um sonho do passado;
Foi um murmurio eterno em meus ouvidos;
Foi som de uma harpa que embalou-me a vida;
Foi um sorriso d’alma entre gemidos!
Teu nome foi um echo de soluços,
Entre as minhas canções, entre os meus prantos;
Foi tudo que eu amei, que eu resumia—
Dores—prazer—ventura—amor—encantos!
Escrevi-o nos troncos do arvoredo,
Nas alvas praias onde bate o mar;
Das estrellas fiz lettras—soletreio-o
Por noute bella ao morbido luar!
Escrevi-o nos prados verdejantes
Com as folhas da rosa ou da açucena!
Oh quantas vezes na aza perfumada
Correu das brisas em manhan serena! ?
Mas na estrella morreu, cahiu nos troncos,
Nas praias se—apagou, murchou nas flores;
Só guardado ficou-me aqui no peito
—Saudade ou maldição dos teus amores.
- José Bonifácio, o moço
UMA CANÇÃO DE AMOR
Vais me dizer, querida, se é verdade Que ontem à noite, cheia de saudade,
A sós contigo tu disseste assim:
"Como saudoso êle há de estar de mim!"
Muito te enganas, meu amor, sòmente Se tem saudades de quem anda ausente,
E por fôrça do muito imaginar
Chego a te ver, e chego a te escutar,
Tal e qual se estivesses ao meu lado, Eis por que, muito embora apaixonado,
Não tive ontem saudades, companheira:
- Estiveste comigo a noite inteira.
Friedrich Ruckert
ELEGIA 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
- Carlos Drummond de Andrade
Há beleza, quando a luz do sol reflete o teu olhar. Amendoados olhos teus,lábios carnudos, gosto doce, perfume teu. Sinto por todos os lados.Acho,que o mundo cheira você. Chama viva que arde,plenitude quando tua voz eu ouço .
O que isso? Frequência Cardíaca alterada, dispneia, sudorese nas mãos. É como fico ao te ver ,teu sorriso largo,tua timidez ,me deixa fascinada. Você e eu somos um. Me perco em você, porque eu sei que em ti eu me acho. Porque ao te ver, me enxergo. Ninguem quer se perder. Pois eu não sou, tua metade.E nem você é metade minha. Somos apenas dois em um com fome e vontade de nos amar.
Nos dias de hoje, sentir-se desejado não é algo difícil. Mas, para alguns, quando esse desejo parte da pessoa amada, ele tem um valor inestimável.
Talvez eu seja ingênuo, mas por que haveria de existir fetiche maior do que ser amado?
Garanto que qualquer um que tenha provado disso jamais se contentará com desejos superficiais.
Uma dica
Quando você for ENSINAR algo a alguém, lembre-se que a outra pessoa não sabe do que se trata, ela ainda está aprendendo. Copiou?
Tem gente que "ensina" como se estivesse falando pra si mesmo.
ENSINAR exige empatia e paciência. Lembre-se disso!!!
"Ah, todo mundo pode ensinar e blá blá blá." NÃO!!!!!! Todos podem fingir que ensinam, mas poucos têm a habilidade para tal.
Elas são essenciais
Quando somos crianças, queremos atenção, carinho, brinquedo.
Quando somos adolescentes, bobinhos demais, queremos estar só com os amigos.
Quando nos tornamos adultos (às vezes só no título), muitas vezes achamos que já sabemos tudo e não damos a elas o valor necessário.
Quando nos tornamos mães e pais, com um novo olhar para os nossos filhos, aí sim, reconhecemos o tesouro que temos em nossas vidas: Nossas mães.
MULHER
Ser sublime criado por Deus, criatura meiga
e sedutora que faz da vida um ideal.
Mulher criança, que na inocência cria um mundo de fantasias.
Mulher jovem, que na ingenuidade busca o amor e encontra sofrimento.
Mulher mãe, que se doa totalmente
para trazer ao mundo uma nova vida.
Mulher idosa, que no passado esteve forte para consolidar seus objetivos
e no presente preserva esses momentos nas mais puras lembranças.
Mulher sofrida, que na ansiedade tem a esperança de encontrar a paz.
Mulher negra, que suporta todo o preconceito sem perder a coragem nos
momentos de angústia.
Mulher sim, é aquela que cheia de virtudes ultrapassa os obstáculos e
alcança um lugar na sociedade.
Pela janela do meu carro
O sinal estava fechando e eu fui desacelerando. À minha frente duas motos já estavam paradas.
Na faixa de pedestres, indo para o lado esquerdo, atravessou um mulher muito bonita, corpinho de violão, daquelas que "param o trânsito".
Um dos motoqueiros não hesitou e levou automaticamente o pescoço e a cabeça para o lado esquerdo, acompanhando os passos da beldade. O outro motoqueiro logo em seguida fez o mesmo movimento e não perdeu a oportunidade de admirar aquela beleza.
E quem disse que homem disfarça essas coisas?
O mais interessante é que durante aquele pouco tempo entre sinal amarelo e vermelho os dois trocaram figurinhas.
Minha imaginação:
- Pô, cara, viu só aquela mulher como é gostosa?
- Pois é, ô mulherão!
Durante o papo um deles balançava a cabeça confirmando algo.
Acho até que já se tornaram melhores amigos.
P.S.: Vou começar a aproveitar essas histórias e criar contos do cotidiano. Rsrs
A FOME QUE NÃO É DE PÃO
Tem gente que morre de fome
Tendo o pão sobre a mesa.
Tem gente que adoece
Antes de qualquer tristeza.
Tem gente que envelhece
Sem ter vivido a beleza,
E carrega nas costas
O peso da própria leveza.
Tem gente que tem medo de fazer,
De pular, de cair, de tentar,
E passa a vida inteira
Apenas a observar.
Tem gente que vive no lusco-fusco
Em pleno sol de verão,
Com os olhos vendados
E a alma em escuridão.
Tem gente que nunca vê saída,
Nem quando a porta está aberta,
E prefere a cela conhecida
À liberdade incerta.
Tem gente que anda nu
Mesmo vestido de cetim,
Porque a nudez da alma
É a que mais assusta em si.
Tem gente que morre antes de viver,
Respira sem inspirar,
São estátuas de sal que se esqueceram
De como se deve andar.
Tem gente que ouve sem escutar,
Que olha sem enxergar,
Que fala sem dizer nada,
Que abraça sem apertar.
Tem gente que guarda o sorriso
Pra um dia que nunca virá,
E guarda tanto a alegria
Que a alegria definha no ar.
E seguem, cegos e mudos,
Cada um no seu lugar,
Esperando que um dia a vida
Os aprenda a despertar.
Mas o tempo passa em vão
Sobre os ombros de quem parou,
E a morte, paciente, espera
Por quem nunca começou.
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