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Cartas de Amizade Clarice Lispector

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Asas do Mesmo Pássaro


Esquerda e direita: asas do mesmo pássaro voraz, que voa alto sobre o rebanho adormecido. Elas batem em uníssono, fingindo oposição, enquanto o bico ceifa as liberdades que prometem defender. Os acéfalos, massa de manobra cega, agitam bandeiras opostas como se batalhassem por destinos distintos, mas servem ao mesmo voo predatório, manipulados por narrativas que os mantêm no chão, pisoteando uns aos outros em nome de ídolos vazios. Enquanto isso, desperta quem vê a gaiola: o multilateralismo, essa teia de tratados e cúpulas que escraviza nações soberanas a elites invisíveis. Esses visionários, que ousam questionar o consenso globalizado, são tachados de antidemocráticos, marginais, conspiracionistas. Silenciados por algoritmos, censurados em púlpitos digitais, exilados do debate público. O pássaro, incomodado, bica
os que ameaçam revelar suas penas sujas de ouro e poder. Mas o voo cessa quando as asas se rebelam contra o corpo e o rebanho, enfim, ergue os olhos para o céu.

REALIDADE PARALELA


Vivemos em réplicas de espelhos quebrados, onde o reflexo não devolve o rosto, mas o eco de um grito engolido. As mentes, lascadas como vidros sob o martelo do tempo, teias entre o frisson e o divino: o delírio vira profecia, o tremor das mãos se ergue como hino aos céus partidos. O que parece cura é veneno disfarçado de salvação, e o veneno, ah, ele se veste de milagre, cuspindo promessas em línguas que ninguém mais ouve. Aqui, o real se contorce como fumaça em vento contrário. Um homem ajoelha ante o altar de comprimidos partidos, crendo que a náusea é êxtase celestial, enquanto a multidão aplaude o surto como visão apocalíptica. Não é loucura, dizem; é revelação. Não é doença, insistem; é deus infiltrado nas veias. Mas o que aparenta ser santo desaba em abismo, e o abismo, fingindo luz, engole o que resta de nós. A distorção rasteja, invisível, reescrevendo o mundo: o céu chove cinzas que chamamos de bênçãos, o chão se abre em feridas que juramos serem portais. Fragmentos de mentes se chocam, confundindo o pus com óleo sagrado, e o que é se desfaz no que parece. Nesta paralela, a verdade não existe, só o eco de si mesma, distorcendo até o silêncio.

Há uma angústia silenciosa que se instala quando se percebe que já não se consegue resolver sozinho boa parte da própria vida. Não é apenas a dificuldade prática que pesa, mas a sensação profunda de invalidez, como se algo essencial tivesse sido retirado sem aviso. A autonomia, antes natural, passa a ser um privilégio distante, e cada decisão depende de terceiros, de permissões, de circunstâncias que fogem ao controle.
Essa condição corrói por dentro. O indivíduo sente-se diminuído, não por falta de vontade ou capacidade intelectual, mas por estar aprisionado a limites que não escolheu. Surge a frustração de querer agir e não poder, de saber o que precisa ser feito e ainda assim permanecer imóvel. A dependência forçada fere o orgulho, a identidade e a dignidade, criando um conflito constante entre o desejo de reagir e a realidade que impede qualquer movimento efetivo.

Sob a lona colorida do circo, o mundo parecia suspenso entre a fantasia e o espanto. As luzes se acendiam, os aplausos ecoavam e os sorrisos surgiam no rosto de quem assistia. O anão cruzava o picadeiro com passos firmes, arrancando risadas sinceras, enquanto a mulher barbuda surgia imponente, desafiando olhares e preconceitos com sua presença marcante.
No centro da arena, o homem bala de canhão se preparava. O silêncio tomava conta por um instante, até o estrondo cortar o ar e o público explodir em aplausos, vibrando com a coragem e o risco transformados em espetáculo. Tudo parecia mágico, intenso, vivo.
E então vinha o palhaço. Com sapatos grandes, maquiagem exagerada e um sorriso pintado no rosto, ele tropeçava, brincava, fazia o público rir e esquecer, nem que fosse por alguns minutos, os pesos do mundo lá fora. Crianças batiam palmas, adultos sorriam, e o circo cumpria seu papel de encantar.
Mas por trás da maquiagem e do riso fácil, havia silêncios que ninguém via. Porque nem sempre que o palhaço está sorrindo significa que ele esteja feliz.

O feminicídio é uma das faces mais cruéis da violência no Brasil. Ele não é “apenas mais um crime”: é o assassinato de mulheres por serem mulheres, resultado de uma cultura de desrespeito, posse e desvalorização da vida feminina. Sentir repulsa diante disso é o mínimo; o necessário é transformar essa repulsa em consciência, postura e ação.
Cada mulher que sofre violência é filha de alguém, muitas vezes mãe, irmã, amiga, é uma vida inteira de histórias, sonhos e contribuições interrompidas. E há um ponto que deveria nos tocar profundamente como homens: todos nós nascemos de uma mulher. Foi uma mulher que nos gerou, que enfrentou dores para nos trazer ao mundo, que nos alimentou, amamentou, cuidou e sustentou nossa vida nos momentos mais frágeis. Nossa própria existência começa no cuidado de uma mulher.
Como, então, pode existir ódio, agressão ou indiferença contra quem representa a origem da nossa vida e da vida de toda a sociedade? Respeitar mulheres não é favor, não é gentileza é princípio básico de humanidade e justiça.
Repudiar o feminicídio é dever coletivo. Isso passa por não normalizar agressões, não rir de desrespeito, não silenciar diante de sinais de violência e educar meninos e homens para o respeito, a empatia e a igualdade. Uma sociedade que não protege suas mulheres está falhando consigo mesma.
Que a indignação não seja só discurso, mas mudança real de atitude. Porque toda mulher merece viver com dignidade, segurança e liberdade. E porque a vida de uma mulher nunca pode ser tratada como algo descartável.

Aditivo


E tu és lutador vitorioso
E a dor não te bloqueia o movimento
E tens do medo insano o livramento
E não te fechas ao maravilhoso


E não te rendes ao que é vicioso
E da justiça és um instrumento
E frente ao incerto e ao duvidoso
Não paralisas o teu pensamento


Nem abres mão da tua a alegria
E a verdade dá perseverança
E da fraternidade é motor


E movimenta toda utopia
E leva a toda bem aventurança
E o seu combustível é o Amor

⁠É triste, mas, é verdade!!!
As pessoas com deficiência são vistas ainda com muito estigma pela sociedade, seja por falta de conhecimento, ou mesmo, pelo próprio preconceito impregnando nas interações sociais. É bem uma realidade, as pessoas não aceitam quem somos. A sociedade meio que impõe que uma pessoa cega deve enxergar, que uma pessoa surda deva ouvir, que uma pessoa com deficiência física deva andar e ser ágil como qualquer pessoa, que a pessoa com deficiência intelectual deva pensar tão rápido como as demais pessoas, e, que uma pessoa autista deva interagir e se socializar como qualquer outra pessoa.
É triste, mas, é verdade!!!
A cada dia que passa, observo que ter empatia e alteridade não é tão fácil, não é toda pessoa que guarda em seu coração esses princípios. Às vezes, até as próprias pessoas com deficiência são preconceituosas consigo mesmo e com as demais pessoas. Muitas das vezes, observo oque existe de verdade é o egocentrismo vestido de humildade, a maldade vestida de bondade e a falsidade vestida de generosidade.
Com isso, não consigo mais confiar em pequenas e simples palavras!!!
Assim, diante de tudo, vivo a minha verdade! Porquê vivendo a minha verdade, não corro o risco de me decepcionar, de me entristecer e de me esvanecer em uma prisão da minha própria mente.

Sobre o direito, Spinoza afirma que existe no mundo um ordenamento essencial, e dele vem o direito natural que tem por origem Deus. O direito natural é para o filósofo as normas que dirigem a natureza. As regras através das quais a natureza se ordena estendem-se até o limite do seu poder. Se o homem seguir as leis da natureza, estará seguindo também as leis de Deus. Se os homens seguirem as regras e ensinamentos recomendados pela razão, o direito natural irá se expressar através dessa razão, que é a natureza do homem.

(da filosofia de Spinoza)

Quando eu era mais jovem,
não tinha experiência.
Errei. Chorei.
Isso, me ensinou.
Eu cai. Me machuquei. Levantei. Cicatrizou.
Hoje tenho, mais cuidado.


Na escola, eu repeti de ano.
Eu senti tristeza.
Precisei estudar. Busca informação.
Consegui resultado. Isso, deixa feliz.


Da simplicidade,
até a grande responsabilidade.


Um caminho. Um passo, de cada vez.


Precisa esperar.
Ter paciência.


No quebra cabeça,
começa pela primeira peça.

Existe uma casa, para eu morar.
Existe um lugar, para eu dormir.
Existe um lugar;
para me proteger da chuva,
do sol,
e do frio.
Existe uma comida e
uma bebida,
que me dá vida.
Existe movimento, no meu corpo.
Um dia eu nasci,
eu vivo,
sei que vou morrer um dia.
Eu fui no Hospital,
lá existe gente que trabalha.
Fico feliz, com o pouco.
Durmo, e acordo.
O tempo passa.
Vejo terra, no chão.
Vejo montanha.
Eu estava em um lugar, fui para outro.
O carro, precisou consertar.

⁠Soneto de Oitenta e Um

Em Tóquio, ergueu-se o sonho em chamas vivas,
Zico guiando o manto à imensidão,
Com passes, gols, jogadas tão altivas,
Fez do Brasil o dono da emoção.

Leandro, Júnior, Adílio — obra-prima,
Andrade, Nunes, raça sem pudor,
Na terra do sol, brilhou nossa rima,
Calou o Liverpool com seu fervor.

Foi mais que um jogo: foi libertação,
A taça do mundo em nossa mão,
A glória eterna em rubro-negro tom.

E desde então, a história eternizou,
O mundo viu o quanto o Mengo é bom,
Oitenta e um: o ano que não passou.

Edson Luiz ELO
Rio de Janeiro, Dezembro de 1981

Hoje chorei. Como havia muito tempo não chorava. Não havia razões claras. Apenas chorei. Talvez por razões passadas, histórias ancoradas no porto do meu ser, ali onde a dor não se ossificou, não se fez concreta, não mostrou a face, mas pairou soberana e silenciosa.
Talvez por razão nenhuma. Nem sempre a dor tem razão. Dói por doer, por não ser outra coisa, por ser dor apenas.

Jogar Conversa Fora ( Ou? )

Gosto De Pôr Para Fora O Que Sinto Em Minha Vasta Alma, Através Das Palavras, Por Meio Das Letras ; Sem Me Importar Se Essas Palavras Jamais Serão Lidas Ou Comentadas, O Que Me Importa É O Prazer Desse Momento, É O Que Sinto Ao Escrevê-las, Isso Me Dá Pleno Prazer Alimentando Minha Alma Transbordando Meu CoraÇão..., As Coisas Que Escrevo São Apenas Meus Pensamentos Vestindo Bellas Palavras.

A Minha Boca Fala Do Que Está Cheio O Meu CoraÇão
!!!
( Ser Poeta É Falar Com A Alma )

Pai olha pra mim
Preciso tanto de ti

Pai sei que errei
E o quanto falhei

E agora venho clamar
Por sua graça e amor sem par

Pai estende sua mão, quero seu perdão, sem ti nada sou

Pai ouça meu clamor, te imploro o favor, oh meu salvador.

Pai eu sei que falhei
Por ti não busquei

Pai eu busco a ti
Quero voltar a sorri

Pai estende sua mão, nos trás salvação, vem morar em mim
Pai por Cristo Jesus, e o sangue na cruz, que seja assim.

Até o fim.

Vida
A vida não vem com manual,
vem com dias claros e noites longas,
com risos que nascem do nada
e silêncios que pesam toneladas.
Ela não pede permissão para mudar,
nem avisa quando vai doer.
A vida ensina enquanto caminha,
às vezes com carinho,
às vezes com quedas.
E quase sempre aprendemos
depois de errar,
depois de perder,
depois de chorar escondido.
Há momentos em que a vida floresce,
mesmo em solos improváveis.
E há dias em que tudo parece seco,
como se o tempo tivesse esquecido de passar.
Mas até na espera,
a vida trabalha em silêncio.
A vida não é só vencer.
É levantar quando ninguém aplaude.
É continuar quando o coração pede pausa.
É respirar fundo
e dar mais um passo
mesmo sem entender o caminho inteiro.
Ela é feita de encontros breves
que mudam tudo
e despedidas longas
que deixam marcas.
De sonhos que morrem
para que outros, mais maduros, nasçam.
A vida machuca,
mas também cura.
Ela tira,
mas devolve de outra forma.
Nada se perde totalmente —
tudo se transforma.
Viver é aceitar que não teremos controle,
mas ainda assim escolher tentar.
É aprender que força não é dureza,
é resistência.
Que coragem não é ausência de medo,
é fidelidade ao que vale a pena.
A vida passa rápido,
mas ensina devagar.
E quem aprende a observá-la
descobre beleza nos detalhes:
no café quente,
no pôr do sol inesperado,
num abraço que chega na hora certa.
No fim, a vida não pergunta
quantas vezes caímos,
mas quantas vezes amamos.
Não mede conquistas,
mede significado.
E talvez viver seja isso:
seguir mesmo sem garantias,
amar mesmo com riscos,
esperar mesmo cansado,
e agradecer
porque, apesar de tudo,
a vida ainda pulsa.
E enquanto ela pulsa,
há chance.
Há recomeço.
Há sentido.

" Espero que dê tempo
de novamente olhar em teus olhos
e viajar na beleza que existe no teu olhar
espero que dê tempo,
para podermos andar de mãos dadas
e sorrirmos sorrisos bobos
simplesmente tomando um sorvete
ou falando coisas sem sentido
espero que dê tempo
de trocarmos os mais deliciosos e desejados beijos
e muitos, muitos gestos de amor
espero que dê tempo
de tentarmos novamente outra vez...

há um tempo em que é preciso reciclar
jogar fora coisas velhas,
velhos hábitos, roupas , sonhos
e no aflorar das mudanças é preciso aprimorar o riso
pode ser que algumas coisas velhas queiram transformar-se em lágrimas
não,não podemos voltar, o tempo é exemplo que é pra frente que se vai
passado é objeto morto, coisas velhas
lá estão sonhos que não deram certo
ousadias infundadas, casas em péssimo estado.
reciclar, olhar para o futuro
almejar novos sonhos
fazer uma casa nova e nela sorrir
pois o futuro nos pertence
e é só o que temos...

" Vou adotar um animalzinho de estimação, pois vejo neles, anjos disfarçados.
Quando percebo a quantidade de pessoas que conheço,
me dou conta do quanto estou só, até porque ao analisar certas "amizades", vejo na maioria delas uma busca de interesses e isto é sim, combustível de solidão. Chegar em casa e não ter vontade de arrumar as coisas, não é liberdade é abandono. Quem sabe a obrigação de cuidar de um bichinho me dê a real dimensão do que é o amor.
Serei fiel até que a morte nos separe...

" Eu tinha a vida toda pela frente
e de repente, não a tenho mais
foi o tempo, sempre ele
impiedoso tempo
e como a maçã que depois da fase bela, cai
a vida esvai num segundo
eu tinha a vida toda pela frente
e de repente tenho a esperança
de dias melhores
de novas emoções
de sobreviver em meio ao meu caos particular
até quando dará certo esse futuro
não sei,
mas seja como for, tentarei chegar lá...

" Já andei descalço em dunas ferventes,
senti o calor subir pelo corpo e precisei de água
já estendi as mãos a ingratos que não souberam dizer valeu
vi o mundo mudar, crianças crescerem
vi amores confundidos com amizades
e amizades maiores que amores
vi filhos deixarem suas casas
e suas mães chorando
já vi filhos chorando
a ausência de suas mães
e ai o mundo foi escola, lar
tribunal e verdade
já vi arrependimentos verterem em olhos cansados, vermelhos
e a dor acompanhar até o fim
vi mãos que nunca deram nem pediram perdão
já andei de sandálias novas e isso foi muito bom
conheci realidades, duras e belas sociedades
conheci o amor e a beleza da vida
conheci colo de mãe
e lá foi o melhor lugar do mundo...