Carta a um Amigo Especial

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A lucidez é um fardo austero, daqueles que poucos conseguem sustentar até o último suspiro sem vacilar, e, ao mesmo tempo, é a lâmina silenciosa que dilacera os véus delicados das ilusões onde tantas almas distraídas repousam, acreditando estar seguras. Ver sem ornamentos, sem os filtros reconfortantes da fantasia, exige uma coragem rara, quase litúrgica, pois desmonta com igual rigor tanto a esperança ingênua quanto o cinismo cômodo que nos protege da vertigem do real. Há, nesse estado de clareza, uma solidão peculiar, quem enxerga demais já não pode retornar ao abrigo das mentiras suaves. Ainda assim, é nesse olhar despojado que a existência adquire densidade, como se cada verdade, por menor que seja, carregasse em si o peso de algo eterno e irrevogável. E então, aquele que recusa o brilho fácil das aparências passa a habitar o mundo com uma dignidade silenciosa, a dignidade de quem compreende que o essencial quase nunca se oferece aos olhos, mas insiste em existir, firme, nas regiões invisíveis do ser.


- Tiago Scheimann

Cada decisão é um salto no invisível, uma escolha que ecoa além do que os olhos conseguem prever. Não são as regras externas que definem um homem, mas a fidelidade silenciosa aos princípios que ele sustenta quando ninguém observa. Há uma justiça que não se escreve em códigos, mas no íntimo de quem escolhe o certo mesmo quando custa. Ser inteiro é assumir esse lugar, como quem entende que cada escolha carrega o peso de algo eterno.


- Tiago Scheimann

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.


- Tiago Scheimann

Viver esse "primeiro momento" e encontrar o vazio é um batismo de fogo. Não houve o "nós", apenas o "eu" em uma vigília interminável. É o momento em que a alma diz ao corpo: "Nós fomos inteiros em um mundo de metades."
​Realizar o sonho de amar, mesmo sem a reciprocidade, é uma forma trágica de comunhão com o destino. É a prova de que a nossa vontade é capaz de criar universos inteiros, ainda que sejamos os únicos habitantes deles. Esse instante dói porque não é feito de encontro, mas de despedida do que nunca foi. É quando a vida nos olha nos olhos e, em um silêncio devastador, nos obriga a transformar toda aquela espera em uma nova e solitária forma de liberdade.


- Tiago Scheimann

​Viver é vagar por um inverno sem margens, onde os pés descalços tateiam o abismo sob o manto de uma chuva que não lava, mas petrifica. Sob o negrume de noites sem fim e dias de um cinza estéril, o horizonte se dissolve, e a jornada deixa de ser sobre o destino para se tornar a pura resistência da matéria contra o nada.


- Tiago Scheimann

​Às vezes, o olfato me trai e me devolve aquele cheiro ferroso, acre, de um tempo que eu gostaria de ter deixado para trás. Vejo-me novamente confinado naquelas caixas de concreto frio, em quartos de hospital onde o sol nunca ousava entrar com força. A memória é um curto-circuito, flashes de um ambiente sem relevo, uma monotonia de cinzas onde o único relevo era o barulho incessante das máquinas monitorando o que nos restava. É uma lembrança que não flui, ela fere em fragmentos frios e mecanizados.


- Tiago Scheimann

Há dias em que acordo carregando o peso de tudo o que ainda não consegui me tornar, um inventário de ausências que insiste em nublar o presente. No entanto, levanto-me não por uma euforia passageira, mas por uma recusa solene em abandonar a própria história no meio do caminho. Aprendi que a continuidade não exige uma força constante e inabalável, mas sim o compromisso fidalgo de não permitir que o ponto final seja escrito por mãos que não as minhas.


- Tiago Scheimann

A vida no Sul é feita de horizontes que parecem não ter fim e de um silêncio que não é vazio — é carregado de memória, de ausência e de tudo aquilo que o vento insiste em contar para quem aprende a escutar. Aqui, o tempo não corre; ele se assenta. Ele respeita quem finca raiz e não se dobra à pressa de um mundo que esqueceu de sentir.


Entre o frio cortante das manhãs e o calor denso de um chimarrão amargo, existe um ritual que sustenta a alma: o sorgo que gira na roda, a caninha boa que aquece o peito e as lembranças de um povo que aprendeu a resistir antes mesmo de aprender a sonhar. Não é só costume — é sobrevivência transformada em tradição.


Há pegadas de marujo marcadas no chão, há couro curtido pelo sal do litoral e uma identidade moldada entre o campo bruto e a água inquieta. Aqui, a gente aprende cedo que viver é manter o equilíbrio mesmo quando tudo balança — seja no lombo de um cavalo ou no balanço incerto de uma canoa. Aprende-se a ler o céu como quem lê o destino e a entender o silêncio das marés como se fosse linguagem.


Foi assim, olhando o velho pai, que vieram os primeiros ensinamentos — não em palavras, mas em gestos. Nos tiros de laço lançados contra o vento, na paciência quase sagrada da tarrafa aberta na lagoa, na firmeza de quem nunca precisou dizer muito para ensinar tudo. É nesse chão que se aprende que herança não é o que se recebe, é o que se honra.


E quando o olhar encontra o reflexo de uma lagoa verde e azul, não é só paisagem — é espelho de uma identidade inteira. É memória viva, é música que atravessa gerações sem pedir licença, é sentimento que não cabe em explicação. Ali, naquele instante, tudo faz sentido sem precisar de tradução.


Viver no Sul não é apenas existir em um lugar — é carregar um estado de espírito que mistura dureza e sensibilidade, silêncio e profundidade. É entender que a vida não precisa ser alta para ser intensa, nem rápida para ser verdadeira.


É um jeito de viver que não se explica — se sente.
Se carrega no peito como marca definitiva.
E se honra, todos os dias, como quem sabe exatamente de onde veio e por que permanece.


- Tiago Scheimann

Nem toda batalha digna de nota faz barulho, as mais definitivas ocorrem no claustro do peito, em um silêncio absoluto onde o mundo não enxerga o esforço hercúleo de apenas manter-se de pé. Existe uma dignidade profunda naqueles que insistem sem garantias, que habitam mentes difíceis e ainda assim escolhem a permanência. Algumas vitórias são tão íntimas que não precisam do aplauso alheio para serem consideradas divinas.


- Tiago Scheimann

O recomeço exige um desapego cruel do que achávamos que éramos, uma poda radical que nos deixa expostos, mas permite que a seiva da vida percorra novos canais até então obstruídos. Somos equilibristas em um circo que arde, tentando manter a elegância enquanto as chamas lambem nossos calcanhares. A maturidade, afinal, não é o ato de curar todas as feridas, mas de suportar o peso das experiências com uma consciência que a juventude jamais alcançará.


- Tiago Scheimann

O tempo é um escultor que usa a dor como cinzel para esculpir em nós uma beleza que a superfície desconhece, uma luz que só emana de quem já foi moído pelas engrenagens do destino e se reconstruiu com o ouro da experiência. A vida não nos deve nada, e é nessa falta de garantias que encontramos a nossa maior liberdade. No fim, o que resta não é o que acumulamos, mas a forma como permitimos que a existência nos atravessasse, transformando o nosso barro em estrela.


- Tiago Scheimann

Para meditar: em nome de um plano político destruíram a instituição família e agora estão terminando de destruir a imagem dos professores porque não têm tato pedagógico
para conduzir as políticas públicas educacionais.

Só quero ver quem as crianças e a juventude vão buscar se referenciar? Porque não é difícil de imaginar que está tudo prontinho para preparar mão-de-obra barata para os presídios privatizados.

⁠Busco artifícios em
nome de um caminho
que me ensine a lidar
com a relação ruim
que tenho com o silêncio,
Vencer tal impedimento
é o quê mais desejo
para me reinventar...

... se ir em busca
disso é algum defeito,

Continuarei sendo
este ser imperfeito
porque não sei viver
sem me importar;

é por isso que nunca
vou conseguir de ti
calar e nem me ausentar.

Dos meus desertos
sou e serei sempre
persistente peregrina
em busca de refúgio,
Não quero o final
de Romeu e Julieta
em versão médio oriental,

por crer que não há para
nós um fim que faça
dois infelizes, afinal.

Nós temos o direito
de quebrar com qualquer
maldição que nos impeça
a felicidade de viver
e de amar sem receio
do que possa vir acontecer;

... nem você vai tolher
mais o mútuo querer,

Do meu pequeno
lugar amoroso
pela Lua de Morango
beijado como
um doce repousado
no tabuleiro cobiçado
do Trópico de Câncer...

... neste Médio Vale
rumo ao Monte Ararate,

Decodificando todos
os possíveis sinais
que façam te entender,
quando te vi pela primeira vez,
resolvi de jeito nenhum perder
o quê todos sabem que nunca
de nós dois haverá escapatória.

Como a espada que corta

Este verso maldizente quer:

Que o mal que você fez

Contra um animal de rua

Volte em triplo simplesmente,

Para que o quê você fez seja

- lembrado eternamente -

Como o escudo que protege

Este verso de maldição

Vai colocar juízo na sua cabeça

E também no seu coração!



O poeta é o protetor da Humanidade,

Que tem na poesia a sua artilharia

E nas letras a mais nobre infantaria.



O poeta é o som do violão,

Que toca na tua mão

E no teu pobre coração.



O poeta é o agricultor da espiritualidade,

Que vive de plantar o amor

Na estrada da Humanidade...



Como a porta que se abre para a luz,

Permita-se a claridade!

Lembrem-se muito bem lembradinho:

Que maltrato à animais de rua

Ou qualquer um animal

Vai muito além do crime...,

É expressão escandalosa de crueldade!!!

Devoto um segredo (somente)
Aos que conhecem o degredo
Distante de casa, e do seu mundo:
A Via Láctea é a casa dos poetas,
Dos mambembes e dos vagabundos.

Envolvo com fitas de cetim,
Faço uma rosa, um enfeite,
Para colocar no cabelo,
E lado a lado do seu cetro,
Sigo em frente...

Perpetuo um sonho (persistente)
Aos que desconhecem o inexorável
Distante dos olhos, e não do íntimo:
A poesia é capaz de aquecer a frieza
De qualquer coração autoritário...

Executo o conserto derradeiro
Do destino fora do trilho,
Caminho sobre cascas de ovos,
Levanto voo, e aterrisso eternamente.

Porque eu sou dona da minha loucura,
Se a minha poesia no firmamento fulgura,
Significa que de ti jamais sairá o anseio
De voltar para acariciar-me com ternura.

Trouxeste a palavra luminosa

De mago e [santo,

Mais do que isso:

Enviaste a palavra de um [anjo,

Além do olhar e da interpretação,

Amar cura qualquer coração.



Rompendo o espaço sideral,

Nesse outono em anunciação,

Chegou a hora e a estação,

De anunciar o amor e a aurora,

Que transformarão de vez

- tudo o que é vão -

O amor que cura amargura,

- 'amarcura' qualquer amargura

Com ou sem amarula,

Eleva o campo astral da criatura.



O escritor que cruzou o mundo,

Semeando o profundo,

Nos voltando para nós,

Elevando o sentimento,

- santo -

E apaixonado de amar,

Tornando assim o coração

- adocicado -

Fazendo de cada um de nós

Corações purificados.



O amor libertador,

Além das letras, e poemas,

De quem escreve, e se atreve,

Alcança a pessoa que se arrisca,

Que se entrega e se converte

Ao que chamam de loucura:

AMARCURA!

A Paraíba também é um local para amar

Seja no sertão ou no mar,

Contigo quero passear

De mãos dadas no Pavilhão do Chá.



Do alvorecer ao crepúsculo no Rio Sanhauá

Quero você agarrado na minha cintura,

Indo muito além do forrozar

Vamos juntos namorar...



Eis-me aqui, e você aí

Dá até para escrever uma letra de forró,

Quando você não está aqui

Porque foi na Paraíba que eu te conheci.



Não existe o 'cedo', e nunca é tarde

Para amar sempre existe tempo,

Aos poucos vamos nos aproximando

Por causa desse amor que está florescendo...

Como o Sol existe para o dia,

Você existe dentro de mim,

Você me seduz do alto,

Como um navio que navega

Sobre a poesia,


Nada passa a vontade

[nada sublima].



A mudez e a nudez,

Falam mais do que mil

[imagens].

Tanto uma quanto a outra

Insinuam mil miragens...

Como o vento persuade

as ondas do mar,

você existe para mim.



A tua [voz,

A tua [face,

A tua [mão,

A tua [presença,

Todas juntas são sugestivas

Inda de mãos dadas com as lembranças.



Guardo-te como a terra prometida,

Até na memória a tua carícia

Tem o poder de deixar-me entorpecida,

Há um jardim aqui que guarda

A tua rosa mística [rósea],

E uma intenção infinita,

Eis uma malícia definida

Repleta de uma vontade bendita...

A gentileza no amor,

- faz do mundo um mundo novo,

Gentileza gera gentileza,

- o profeta já enxergava a Terra,

Como a grande escola do amor.



A gentileza de amor,

- é como a chuva gentil molhando a flor,

Gentileza gera gentileza,

- a gentileza faz crescer forte o amor.



A gentileza no amor,

- faz a gente crer que tudo pode,

Gentileza gera gentileza,

- quem não desiste da gentileza,

É um ser humano forte.



A gentileza de amor,

- é manifestação da pura sedução,

Gentileza gera gentileza,

Ela é uma reverência ao coração.



A gentileza no amor,

- tem a sua cara e o seu jeito,

Pode ser até que não saia perfeito,

Gentileza gera gentileza,

- a gentileza é como um beijo.



A gentileza de amor,

- é um bem que se vê à quem,

Gentileza gera gentileza,

- é a melhor forma de fazer o bem.



A gentileza no amor é a salsa,

- e também é o merengue,

Com morango e chantilly,

Gentileza gera gentileza,

Eu te quero bem aqui.

Um anjo que brinca entre as nuvens,

Seduz, envolve,provoca e reluz,

É como um demônio que seduz,

Um anjo brincando entre as nuvens...



Sim, é nesse esconde-esconde o anjo

Segue furtivamente te surpreendendo

Entre poemas e beijos alados...

Batendo as asas e dando cambalhotas,

E escrevendo os desejos mais safados...



Destemidamente levando os teus beijos

Com as mãos, elevando aos recantos

Mais recônditos e cônscios...

Provocando mil miragens entre as nuvens...



Um anjo meio demônio, um demônio que é

Um anjo: sou eu ocupando os teus sonhos,

Ainda incógnito e suspenso nos jardins

Dos teus mais altos desejos

- sou o teu anjo -

O mais lindo e supremo encanto.



Decidi sacudir e tirar-te do teu canto,

Soprar no teu ouvido o desafio mais vadio...

Agora, o teu coração não será mais erradio;

O amor com destino certo, eu sou o teu caminho.