Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
Meu amor é desobediente. Que fica quando mando ir embora, que não foge quando o tempo fecha. Que me cala a boca com beijo de cinema, que ouve atento quando descarrego meus discursos. Meu amor é desobediente e sabe se verter. Diz que pra cada versão da minha teimosia, tem uma dose nova de sentimento. Pra cada anúncio de cansaço, um motivo a mais pra cultivar e cuidar do que é raro de viver. Não sei de onde tira essas coisas, desconfio que rouba meus livros. Aqueles que falo pra não mexer.
Mas não, desobediente que é, mexe com meu mundo e o coração.
Não consigo permanecer por muito tempo num teatro ou num cinema, mal posso ler um jornal, raramento leio um livro moderno. Não sei que prazeres e alegrias levam as pessoas a trens e hotéis superlotados, aos cafés abarrotados, com uma música sufocante e vulgar, aos bares e espetáculos de variedades, às feiras. Não entendo nem compartilho dessas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam
Nesse tempo de quarentena por causa do Coronavirus, me sinto como os que já eram cegos antes dos outros no filme "Ensaio sobre a cegueira".
O tempo tem sido para mim um bem supremo. Quando vejo os homens passear-se, ou gastar mal o seu tempo em discussões vãs. Tenho o desejo de ir a uma esquina e estirar a mão como um mendigo e dizer:
“Dei-me uma esmola, boas pessoas; dei-me um pouco do tempo que perdeis, uma hora, duas horas, o que quereis”.
Quem sou eu?
Uma pessoa em constante transformação e mudanças, se são boas ou más só o tempo dirá.
Estou pronta para mudanças da vida, estou aberta para as novas possibilidades que a vida está me dando.
Quer me conhecer?
A liberdade, que supõe ter tempo para viver, (…) é uma civilização contra o tempo livre, que não se paga, que não se compra e que é o que nos permite viver as relações humanas”, porque “só o amor, a amizade, a solidariedade, e a família transcendem”. “Arrasamos as selvas e implantamos selvas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com remédios. E pensamos que somos felizes ao deixar o humano”.
E antes que você desconfie, já lhe digo:
Não...eu não sou o tempo todo esta que você pensa que sou!
Em mim existem outros mundos, habitam outras galáxias, pairam outras órbitas!
Sei que isso pode lhe parecer confuso, e confesso, que até à mim me confunde às vezes!
É que ser eu, consiste em ser muitas outras que vivem dentro de mim, cada uma com seu mundinho particular.
Mas te garanto - e até juro! - que sem elas eu não seria nem metade do que sou!
Ando meio sem tempo
Pra certas picuinhas, certos desaforos,
certas situações que limitam minha
razão. "To" me cuidando mais, "to"
me preservando mais, to me amando
mais . "To" tentando achar meu lado
mais bonito e investir nele. Ultimamente
"to" procurando estar do lado de
pessoas que me acrescentam, e me
afastando daquelas que me aborrecem,
que me atrasam . "To" me sentindo
bem assim, "to até me gostando
mais, "TO ME ACHANDO" :)
Depois de algum tempo, percebermos que os contos de fadas não existem... e se existem não é com nós que eles se realizam...
Depois de algum tempo percebemos que os principes e as princesas eram apenas sapos fantasiados (e que aquela beleza, era só uma ilusão que escondia o que eles realmente são).
Depois de algum tempo, percebemos que a pessoa perfeita para nós, pode ser a mais imperfeita desse mundo.
Depois de algum tempo percebemos que temos que viver e usufruir da vida enquanto a temos, pois um dia já não a teremos mais para querermos usufruir...
Dois corações e a máquina do tempo
Caminhava no final da tarde como de costume quando avistei um casal de velhinhos, eles varriam juntos a calçada que estava tomada por grama recém cortada. Cena maravilhosa, o sol, o céu e aquele casal - que deve estar junto a um tempão - varrendo a grama, fazendo um mesmo montinho.
Lembrei dos meus avós que estão completando cinquenta anos de casados. Pensei em como os relacionamentos tem mudado, sobre a independência das mulheres e as consequências que mergulham nós, homens, ainda mais na “síndrome de Peter Pan”.
Quando afinal definiram-se os prazos de validade? Porque ficou tão difícil o “felizes para sempre”? Teria a evolução não acompanhado os corações? Bem, poderíamos argumentar centenas de motivos, partir de vários pontos de saída, para ao final, cruzar a mesma chegada: o ser humano segue intolerante.
Sabem o mais interessante na história do casal que varria a calçada? Quando me aproximei deles ouvi o velinho disparar a seguinte frase: "mah dio cristo cabeçuda non me vare o meu que o vento leva."
Para se compor a essência da união é necessária a aceitação, mais do que a de outro, a própria. Quando nos vemos seres falíveis, compartilhamos os medos e aceitamos que a perfeição de uma relação está justamente na imperfeição humana, é quando descobrimos o milagre que fez de nós, seres tão egoístas, capazes de amar.
A busca pela satisfação por vezes traz a solidão. A ânsia de encontrar-se alguém acaba por ser o prelúdio do fim. No oceano das possibilidades, das tecnologias que tornam o de ontem velho demais para o hoje, nascem as novas gerações, cada vez mais consumistas até mesmo em quanto as relações.
Caminhava eu num final de tarde quando avistei dois velinhos que juntos varriam a calçada: seria isso o amor? Um montinho de grama feito por duas pessoas? Não; acredito que o amor daqueles dois estava justamente no xingamento que sucedeu a cena, estava na certeza de que mesmo se os ventos não fossem favoráveis e desfizessem aquele montinho, ainda assim eles poderiam refazê-lo.
A paixão é o que você somente admira, já o amor, é o tanto que você aprende a reconsiderar.
"Já venho percebendo faz muito tempo: a vida, toda ela, se liga em pontos. Linhas tortas que de tão tortas um dia se cruzam."
Por mais que o tempo passe, é impossível curar as feridas que foram deixadas por quem a gente tanto amou.
O amor é sol que chama a sombra pra ser outra coisa. É relógio que marca um tempo diferente. É um jeito que escapole do controle. É música que faz os medos ficarem doidos de vontade de dançar.
Do texto "O amor é sol
Sentir saudade de alguém não é sobre quanto tempo passou desde a última vez que você o viu ou da última vez que vocês tenham se falado. É sobre aquele momento que você está fazendo alguma coisa e deseja que aquele alguém estivesse ali, bem ao seu lado.
Meu sentimento continua o mesmo, porém, muito mais maduro.
Busquei nesse tempo adjetivo para descrever o que há aqui dentro, não encontrei nenhuma definição.
Há um tempo, gritava a sete cantos, hoje me ponho calado.
Não por vergonha ou medo de expor o que eu sinto.
Talvez pelo amadurecimento que a vida nos traz.
Há muito tempo eu não te vejo
Você esqueceu meu endereço
Há tantas ruas e nomes prontos para se apresentar
A minha carta voltou
Palavras nobres de sentimento
Escondidas em tinta, papel e argumentos.
Mas o meu amor deseja o mesmo que eu
Dizeres bons em poesias cantadas
Foi assim que me conheceu
E o que parece real apenas se esconde do reconhecer
Eu vou fazer um Mural com seu sorriso
E mostrar ao mundo a flor que Deus me deu
Há muito tempo eu não te vejo
Você esqueceu meu endereço
Há tantas ruas e nomes prontos para se apresentar
A minha música mudou
Refrão de amor e versos claros
Escorridos em lágrimas que escrevem tudo aquilo que eu sinto
Mas o meu amor deseja o mesmo que eu
Dizeres bons em poesias cantadas
Foi assim que me conheceu
E o que parece real apenas se esconde do reconhecer
Eu vou fazer um Mural com seu sorriso
E mostrar ao mundo a flor que Deus me deu
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