Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
Qualquer desequilíbrio que o homem provoque em si mesmo, tanto em seu complexo psicológico, físico ou mental,contraria de fato o Grande Pensamento, que pode trazer-lhe como consequência sérias alterações no ritmo normal de sua vida.
O ser que nada observasse, e que nem ainda o que simplesmente visse, fosse para ele objeto da menor preocupação mental, terminaria por anular sua mente, o que equivaleria a enclausurar as portas de sua inteligência a qualquer aspiração própria de seu gênero.
O ser para lograr de seus organismos físico e psicolólico um funcionamento perfeito e obter um máximo de rendimento, necessita aumentar dia a dia sua atividade mental e física em forma progressiva e inteligente, a fim de não pertubar o normal desenvolvimento das possibilidades internas, em especial as psicológicas e mentais.
Tudo que permaneça alheio ao homem é como se não existisse para ele, mas nem por isso deixa de existir para os demais.
As Leis Universais sustentam os pilares da Criação e animam a vida de tudo quanto existe. Tais leis estabelecem uma nova relação de causas e efeitos, que permite compreender, sem dificuldades, o amplo panorama da existência humana, ao mesmo tempo que orientam e prescrevem normas de conduta para percorrer as sucessivas etapas do aperfeiçoamento.
CONCEITOS
Diante do caos espiritual que assola grande parte do mundo, produto da efervescência de ideais extremistas que ameaçam a independência mental do indivíduo e sua liberdade, que é seu direito imanente, faz-se necessário buscar soluções reais e permanentes, começando pela substituição de certos conceitos totalmente inadequados para a vida.
A Logosofia guia o entendimento humano, levendo-o a encontrar soluções dentro de si mesmo para, depois, contribuir com seus semelhantes, igualmente munidos de tão inestimáveis elementos de juízo, no grande esforço para resolver os complexos e tortuosos problemas que afligem a humanidade.
ESPÍRITO
O espírito - força anímica que alenta o ser - é uma parte inseparável dele, cuja existência real é inegável e perfila os caracteres da própria vida. A vida humana, em seu conteúdo espiritual, é tudo aquilo que, transcendendo o comum da vida física, interessa vivamente a inteligência humana.
A Logosofia demonstra que o espírito do ser se manifesta à sua razão por dois meios e expressões diferentes, os quais se comunicam entre si e se identificam como propriedade individual. Esses meios a que nos referimos são sua mente e sua sensibilidade.
O bem que fizermos ao semelhante deve ser espontâneo, nunca obrigado, sem sequer pelas circunstâncias. Isto quer dizer que nossa bondade terá que estar subordinada unicamente ao nosso lire-arbítrio e ao nosso sentir.
Sejam permanentemente ativos, como tudo o que Deus criou; como a própria Natureza que está em constante atividade.
A vida não deve ser colocada dentro dos problemas, mas os problemas dentro da vida.
A natureza é sábia e contém o nectar da Sabedoria.É a primeira mestra do ser humano.
O inefável prazer de viver não se experimenta enquanto não começamos a olhar nossa vida como o principal dos trabalhos que devemos empreender.
Às vezes pode mais a força de um sentimento que a de mil pensamentos juntos.
Há duas coisas que são, sem dúvida alguma, inseparáveis, porquanto constituem uma mesma e absoluta verdade: a Criação e seu Criador.
A fidelidade é uma força indissolúvel, quando seu objeto - seja um ser, uma ideia, um pensamento - constitui algo que se acha consubstanciado conosco.
A fortuna pode enriquecer o homem materialmente, mas se ele não enriquece também sua inteligência, a vida continuará misérrima.
A moral se edifica com o bom semplo, não com palavras.
É sabendo - e não crendo - que o homem sonsegue ser verdadeiramente consciente.
Nunca, como nos tempos atuais, foi tão necessário, útil e instrutivo o conhecimento das defesas mentais.
As susências, quando são promessas de novos encontros, servem para fortalecer os laços do mútuo afeto.
O inefável prazer de viver não se experimenta, enquanto não começamos a encarar nossa vida como o principal dos trabalhos que devemos empreender.
A alegria é vida, mas não a alegria externa, senão a que nasce do interno, ou seja, a alegria que surge da consciência.
O homem reflexivo rara vez se deixa levar por seus pensamentos, e até nos momentos mais críticos costuma amparar-se na serenidade.
A vida é atividade constante: a própria Natureza nos demonstra isso.
Todo ensinamento moral não avalizado pelo exemplo de quem o dita, atua em sentido contrário na alma de quem o recebe.
É costume, no sentir comum das pessoas, pensar no que fariam com aquilo que lhes falta, deixando de fazer muitas coisas com o que realmente têm.
O simples fato de evitar o cometimento de uma falta constitui o primeiro passo para a remissão das culpas, porque não cometê-las é um princípio da redenção própria inquestionável. O homem terá reparado o mal em si mesmo, eliminando-o antes que se materializasse, e isso terá sido feito por um ato livre da vontade, sem necessidade de nenhuma intervenção alheia. Eis aí o belo; eis aí o grande e o sublime.
Conhecer as leis universais e cuidar de não infringi-las é a forma mais evidente e verdadeira de acatar a vontade Toda-poderosa de Deus.
Saibam os homens que enquanto estiverem alheios ao conhecimento das leis cósmicas viverão numa eterna inquietude e num amargo cativeiro.
Para expressar as ideias não é necessário ferir a quem não comungue come las.
Para defender-se basta e sobra assinalar aos que atacam, pondo a descoberto suas armas e intenções.
SOBRE O RIO PARANAPANEMA
Nasci não-muito-longe das barrancas do Paranapanema. Rio que passa na minha aldeia, que não é o Tejo e nem o Nilo, mas que também é cheio de contos, causos e cantos.
Místico que sou, sempre acreditei que os rios têm alma. Choram, guardam segredos, sangram e sorriem. Também pensava assim Tales de Mileto, segundo o qual a água é o elemento primeiro do universo.
Meu rio, que hoje recebe o status de “rio mais limpo do Estado de São Paulo”, vira e mexe é alvo de interesses escusos. Sempre travestido de um pseudo-progresso-autossustentável:
"Meia dúzia de carrascos movidos pela ambição
Tentaram matar o rio com indústrias na região
O povo da redondeza fez das tripas coração
A empresa criminosa bateu com a cara no chão"
Sempre que ouço novas investidas contra o “Panema” tenho vontade de armar uma esquadra de barcos-cheios-de-carrancas para espantar esses maus-espíritos-que-andam na região.
Mas aí há amigos que me garantem que a poesia e o canto dos violeiros são a melhor cruzada para mobilizar o povo e proteger o rio. De fato, a voz e a viola de Tião Carrero e Pardinho sempre se ouve em suas águas abençoadas:
"O rio Paranapanema é obra do Criador
É espelho das estrelas o mundo do pescador
No livro da natureza vai entrar mais um poema
Vamos cantar a beleza do rio Paranapanema
O rio Paranapanema deságua no Paraná
Mas toda a sua beleza deságua no meu cantar "
SOBRE UM ONZE DE SETEMBRO
Era um onze de setembro
Nem mesmo Dante teria pintado inferno tão horrendo
Primeiro, os aviões do apocalipse
Depois , as explosões da morte
O fogaréu-do-juízo-final que se seguiu
Cessou a voz do cantor
Em seu lugar se ouviu o som e o lamento da profecia:
“Era Raquel chorando por seus filhos;
não querendo ser consolada,
pois eles já não existem mais."
Mataram os poetas e os profeta
Mataram o Salvador
Milhares seriam mortos depois...
Os anjos-da-morte haviam triunfado
Os "yankees" haviam hasteado suas bandeiras
Assim se desabou a arquitetura da liberdade...
Era o dia onze de setembro de 1973,
o Chile-país-irmão, chorava e enterrava seus filhos...
(PARA QUE NÃO NOS ESQUEÇAMOS DE NENHUM DOS HOLOCAUSTOS)
Em todos os momentos de sua vida, por amargos que sejam, confies firme e decidamente em Deus.
A formação consciente da individualidade responde, inexoravelmente, aos altos fins da evolução do homem.
Como as montanhas o homem guarda dentro de si riquezas ignoradas.
O propósito humano não deve tender a buscar a igualdade pela violência ou por meio arbitrário, pois, consegui-lo traria uma igualdade injusta - ou, ainda, uma simulação de igualdade.
A vida não deve ser colocada dentro dos problemas, mas os problemas dentro da vida
Toda palavra dirigida intencionalmente contra alguém com o único propósito de ofendê-lo, haverá de ferir tarde ou cedo o mesmo que a proferiu.
Para expressar as ideias não é necessário ferir a quem não comungue com elas.
Para defender-se basta e sobra em assinalaar aos que atacam, pondo a descoberto suas armas e intenções.
Quando o homem carece de razão para sustentar seus pontos de vista, é melhor que dirija sua vista a outros pontos para obtê-las.
A obediência se fundamenta na disciplina e também no princípio de acatamento inteligente do inferior ao superior; o contrário seria subordinição forçada.
Os loucos, os cínicos e os hipócritas são os únicos que não advertem seu triste papel e o ridículo que rodeia suas desviadas atitudes.
Quando conheças o valor das palavras, compreenderás o que significa prometer e não cumprir
JESUS E A VIOLA
Jesus quando andava pela Galileia
sempre carregando São Pedro na boleia
passava certa feita, por uma das pairagens da Palestina
e em uma bela capela, foi convidado
pra ver ali rezando, um povo ensimesmado
Pararam os dois na porta! Só um pouquinho...
Depois seguiram em frente, os dois pelo caminho.
Lá adiante-e-pelas-tantas, espiaram um casebre alegre
onde se ouvia uma viola roceira-bem-brejeira.
Estava nas mãos de um violeiro que tirava versos em fé
em forma de toada, de pagode, e chamamé:
Se um dia eu chegar no céu
Viola entra primeiro
Viola cheia de fitas,
ta dengosa, ta bonita
A festa estava uma alegria que até o mestre seduzia
visto que Ele , pegando a viola, entrou também na cantoria
deslizou nas cordas seus dedos com maestria
e ao som de divinas canções
harpejou a viola em vinte-e-uma-afinações
indo embora só quando já raiava o dia
e quando então abençoava os foliões
Diz a lenda que São Pedro com ar indignado
perguntou ao Bom Mestre: Por que Senhor?
Lá atrás os fiéis estavam a rezar e não quiseste aquele santo-chão pisar?
E mais adiante , numa festa-de-farra-não-modesta,
não só quiseste entrar, mas também dela fizeste “questã” de participar!!!?
O Senhor, em tom sereno, então lhe respondeu:
É verdade compadre!
Lá atrás estavam rezando...
Porém vi muita gente a maldade ruminando.
Aqui não! Todos estão felizes e cantando!
E os males-do-coisa-ruim estão exorcizando!
Aprenda essa verdade se é que tu me prezas:
Uma boa fé cantada, vale mais que cinco rezas!...
SOBRE DEUS E O DIABO NUM REPIQUE DA VIOLA
Foi Guimarães Rosa quem melhor descreveu... Foi Glauber Rocha quem melhor encenou... Mas foi a dupla Edu Lobo e Capinam quem melhor cantou a trama acima.
Tudo está codificado em poucas palavras na canção “Viola fora de moda”, um mantra bem aos moldes-mágicos da literatura surrealista. Nela, o “Tinhoso”, debochado, apresenta-se para tentar fazer um pacto com um violeiro infeliz. Esse violeiro é uma metáfora de nós mesmos na dança da vida.
Veja a releitura que, tirando as alparcas dos pés, arrisco a fazer:
“Moda de viola”
Moda de viola é o espaço artístico/religioso onde sempre há pelejas místicas entre Deus e o “Cão”. Disso sabem muito bem os violeiros que , no sertão do Urucuia, entre um benzimento e outro, vivem proclamando nas noites de lua cheia: “Bom violeiro ou vem de Deus ou vem do “Demo”.
“De um cego infeliz podre na raiz, ah, ah”
A canção é um lamento “de profundis” que brota de uma alma que se sente relegada ao Hades-da-condição-humana. O violeiro é cego, infeliz e podre na raiz. Mas, apesar do inferno da inutilidade, ele ainda canta, nem que para isso precise ouvir um eco de sarcasmo-sepulcral: “ah, ah”! Violeiro não vive só de amor e comédia. Ele tira versos da tragédia que o amarga nos dramas históricos. Faz coro com Nietzsche: ”Amo aqueles que não sabem viver a não ser como os que sucumbem..."
“Vivo sem futuro, num lugar escuro, e o diabo diz, ah, ah”
Nos porões da existência, esse assum-preto-sub-homem, escancara a sua falta de perspectiva. Mais..., tem que ver cara-a-cara o responsável direto pela situação: o “Bode-preto”, que, não bastasse ser o causador da infelicidade, deixa a dor ainda mais cruel por continuar a soltar sua ironia-de-penumbra-dantesca ao final da frase melódica: “ah, ah”!...
No livro sagrado de Jó, o “Cujo” aparece como um ministro do primeiro escalão de Deus, responsável pelo “controle de qualidade do criador”. Parece que aqui o caso é semelhante.
“Disso eu me encarrego, moda de viola não dá luz a cego, ah, ah!”
No auge da moda aparece o nó da trama bem à moda roseana: a possibilidade de um pacto com o “Gramulhão”. A frase “disso eu me encarrego” é um eco das palavras apresentadas a Jesus: “Tudo isso te darei se prostrado me adorares”. Aqui o “Coisa-ruim” subestima o instrumento sagrado do moribundo dizendo que ela não dá luz a cego. Era como se dissesse, “jogue fora tua viola e vem comigo” . E ainda continua impingindo-lhe a gargalhada-da-desgraça: “ah, ah”...!
Seguem acordes sem palavras...
Conclusões inconclusas:
Amigo violeiro: Não acredite no “Tristonho”. Ele é o pai da mentira! São Gonçalo o espantou. Para isso não usou a cortante espada de São Jorge, mas o poder exorcizante de seus acordes-rio-acima-e-celestiais. Uma viola bem tocada vale por duas rezas!
Agüenta aí cantador! Está escrito nas veredas do Grande Sertão: “Deus é paciência; o contrário é o diabo”. Lembre de outro musicante que, fazendo caminho , cantarolava: “Faz escuro, mas eu canto porque amanhã vai ser bom”.
Saiba que nos ponteios da vida, o "Todo Poderoso" não tem concorrente. Portanto faça o “Oculto” picar a mula repicando a viola, mesmo que ela seja como a minha, assim, fora de moda!
O RIO PARANAPANEMA
Nasci não-muito-longe das barrancas do Paranapanema.
Esse rio que passa na minha aldeia, não é o Tejo e nem o Nilo, mas também é cheio de contos, causos e cantos.
Místico que sou, sempre acreditei que os rios têm alma. Choram, guardam segredos, sangram e sorriam. Também pensava assim Tales de Mileto, filósofo grego, segundo o qual a água é o elemento primeiro do universo.
Meu rio, que hoje recebe o status de “rio mais limpo do Estado de São Paulo”, vira e mexe é alvo de interesses escusos. Estes, aliás, sempre travestidos de um pseudo-progresso-autossustentável como canta a canção de uma viola engajada:
" Meia dúzia de carrascos movidos pela ambição
Tentaram matar o rio com indústrias na região
O povo da redondeza fez das tripas coração
A empresa criminosa bateu com a cara no chão"
Sempre que sei de novas investidas contra o “Panema” tenho vontade de armar uma esquadra de barcos-cheios-de-carrancas, iguais aquelas do Rio São Francisco, para espantar esses maus-espíritos-que--se-entocaiam na região.
Mas aí, há amigos que me convencem que a poesia e o canto dos violeiros locais, são a melhor cruzada para mobilizar o povo e proteger o rio. De fato, a voz e a viola de Tião Carrero e Pardinho sempre se ouve em suas águas abençoadas:
"O rio Paranapanema é obra do Criador
É espelho das estrelas o mundo do pescador
No livro da natureza vai entrar mais um poema
Vamos cantar a beleza do rio Paranapanema
O rio Paranapanema deságua no Paraná
Mas toda a sua beleza deságua no meu cantar"
( Para meu pai que me levava pescar no Panema)
A ARTE DE ENVELHECER
Manchete que estava estampada no jornal do bairro:
"Velho de 51 anos morre atropelado no dia mundial sem carro".
Quase morri também! 51 anos...velho??? Eu tenho 52 !
Em compensação, no mesmo dia, recebi de um amigo, um artigo em que a jornalista Regina Brett, de Cleaveland, celebrava sua chegada aos 90 anos no apogeu de seu trabalho criativo e cheia de energia. Alguns dos seus segredos:
* Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que se trata a jornada deles.
* Tudo pode mudar num piscar de olhos; mas não se preocupe, Deus nunca pisca.
* Respire bem fundo. Isso acalma a mente.
* Ninguém é responsável pela sua felicidade, além de você.
* Perdoe tudo de todos.
* O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
* Deus te ama por causa de quem Ele é, não pelo que você fez ou deixou de fazer.
* Seus filhos só têm uma infância.
* Tudo o que realmente importa, no final, é que você amou.
* A vida não vem embrulhada em um laço, mas ainda é um presente
Quando disse para o meu amigo Mário que também pretendo chegar “lá-pela-casa-dos-noventa-cem", ele reagiu dizendo: " Não vamos limitar a graça de Deus"!
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