Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo
Da mesma maneira que viciamos em coisas que fazem mal para nossa saúde, também podemos viciar em coisas saudáveis e livres de sofrimentos.
Juruti velho
Vila de cantos e encantos,
De brincadeiras sem cessar...
Os teus filhos que estão longe,
Esperam janeiro chegar
Vila de gente simples,
Mas de rica sabedoria popular!
Ah, se todos soubessem,
Como é bom te amar
Terra da mandioca, da pajiroba,
e do famoso mucajá...
De nossa Senhora da Saúde,
Que está sempre a nos abençoar.
Tens praias de areia branquinha,
e águas límpidas feito cristal!
Que preenchem os igapós, igarapés...
És, o teu cartão postal
Tua mata é a nossa esperança!
Quero te ver brilhar...
Pois um dia, eu sei:
Que todos irão te saudar!
Teus filhos de ti, têm orgulho,
E sonham em te ver prosperar!
Pois um paraíso assim, na terra,
é difícil de encontrar!
Para cada lado que eu olho vejo várias pessoas, mas mesmo em meio a multidão me sinto só.
E assim sigo vivendo, acompanhado mas definitivamente sozinho.
No ENEM é tipo assim: "Seguranças, me acompanhem até lá fora, o trajeto pode ser perigoso, preciso que estejam atentos e me protejam, ou estarão demitidos". A gente fica mais protegido que a Rainha da Inglaterra e mais monitorado que os presos das penitenciárias americanas!
Eu ainda vou ultrapassar muita gente que me subestima e duvida da minha capacidade. E quando eu estiver lá na frente, vou olhar para trás só para lembrá-los o quanto eu sou capaz e vê-los "comendo poeira" e então verão que não se deve duvidar da minha força de vontade de ter uma vida de sucesso!
Acha mesmo que me conhece? Engano seu, às vezes nem mesmo eu me reconheço! Por trás desse belo rosto há um ser oculto completamente diferente do que todos julgam conhecer. Meu alter ego, um "outro eu"!
Eclipse
Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está
Senhores
Onde estão os meus tambores
Onde estão meus orixás
Onde Olorum
Onde o meu modo de viver
Onde as minhas asas negras e belas
Com que costumava voar
Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está
Senhores
Quero de volta
Os meus tambores
Quero de volta
Os meus orixás
Quero de volta
Meu Pai Olorum
Em seu esplendor sem par
Quero de volta
O meu modo de viver
Quero de volta
As minhas asas negras e belas
Com que costumava voar
Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está
Séculos de destruição
Sobre os ombros cansados
Estou eu a carregar
Confuso sem norte sem rumo
Perdido de mim mesmo
Aqui neste lado do mar
Um dia no entanto senhores
Eu hei de me reencontrar.
Mãe
Noite,
Os anos já pintaram de luar os teus cabelos,
No entanto, tudo parece estar acontecendo agora,
Neste instante.
Noite,
Após tantos anos,
Neste momento,
Vejo tudo diante de mim,
Como se estivesse assistindo a um filme
Da infância:
Nós, teus filhos, todos pequenos,
O relógio parado na hora de privações,
Tantos sonhos de asas quebradas pelos cantos
De nossa casa pobre, sem conforto;
Tu, mulher ainda jovem, tão boa, tão calma,
Constelação de esperança e ternura,
Inspirando segurança,
Inspirando fé, amor,
Em meio a tantos vendavais.
Noite,
Tua luta foi para nós teu maior ensinamento
Sofrias (hoje o sei), entretanto,
Em nossa presença, nunca uma lágrima
Rolou pelo teu rosto.
Noite,
Desde criança aprendi a amar-te,
Mas só hoje, adulto, é que vejo, comovido,
As incontáveis estrelas que brilham em teu ser
E que tantos vendavais não conseguiram apagar.
Raízes
Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
A vida aqui tem sentido
Aqui é que é meu lugar
Oxum passeia na praça
Xangô conversa no bar
Hoje de volta pra casa
Convivo com os Orixás
Estou de volta pra casa
Aqui tudo é natural
Té felicidade é fruto
Que se consegue alcançar
Enfim reencontro a fonte
Donde axé jorrando está
Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
A vida aqui tem sentido
Aqui é que é meu lugar
Aqui tem congada samba
Batuque pra se dançar
Tem mulheres lindas lindas
Lindas feito Iemanjá
Mulheres de largas ancas
E doce encanto no olhar
Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
A vida aqui tem sentido
Aqui é que é meu lugar
Agora livre de abismo
Livre pássaro a voar
Aqui tenho vida plena
Com a benção dos Orixás
Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
Hoje vivo como vive
Caracol no meu quintal
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