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Carlos Drumond de Andrade Contagem do Tempo

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TEU CORPO

O teu corpo muda
Independente de ti
não te pergunta
se deve engordar.

É um ser estranho
que tem o teu rosto
ri em teu riso
e goza com teu sexo.
Lhe dás de comer
e ele fica quieto.
Penteias-lhe os cabelos
como se fossem teus.

Num relance, achas
que apenas estás
nesse corpo.
Mas como, se nele
nasceste e sem ele
não és?

Ao que tudo indica
tu és esse corpo
-que a cada dia
mais difere de ti.

E até já tens medo
De olhar no espelho:
Lento como nuvem
o rosto que eras
vai virando outro.

E a erupção no queixo?
Vai sumir? Alastrar-se
feito impingem, câncer?
Poderás detê-la
com Dermobenzol?
Ou terás que chamar
o corpo de bombeiros?

Tocas o joelho:
Tu és esse osso.
Olhas a mão.
A forma sentada
de bruços na mesa
és tu.

Mas quem morre?
Quem diz ao teu corpo – morre –
quem diz a ele – envelhece –
se não o desejas,
se queres continuar vivo e jovem
por infinitas manhãs?

"Destino é apenas algo que inventamos por que não podemos suportar o fato de que tudo o que acontece no mundo é acidental."

CIÚME.
O que é isso?
Que me faz ficar zangada
Ficar toda atrapalhada
Quando não estou contigo!
Será que é o ciúme
Que me faz ficar assim
Por não ter você por perto
E sempre longe de mim.
O que é isso?
É paixão descontrolada
É ciúme exagerado
Mais já parei pra pensar.
Vou deixar você sozinho
Vou seguir o meu caminho
Por que vou me libertar.
O que é isso?
Já não sei mais quem eu sou
Vou libertar-me deste amor
Que me faz tanto sofrer.
Este sentimento estranho
Que me faz enlouquecer
Percebi que é ciúme
Que eu sinto de você
O que é isso?
A doença do amor
É o medo de perder
Vou curar esta doença
Para não perder você.

A beleza não passa de uma maravilha que a natureza arma à razão.

Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica.

O insignificante presume dar-se importância maldizendo de tudo e de todos.

Há uma certa vergonha em sermos felizes perante certas misérias.

As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.

Do ódio à amizade a distância é menor que do ódio à antipatia.

Abandonando nobremente quem nos deixa, colocamo-nos acima de quem perdemos.

A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.

Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.

Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.

O amigo é um segundo eu.

São sempre desatinadas as vinganças por ciúmes.

Uma árvore nua
aponta o céu. Numa ponta
brota um fruto. A lua?

Há algo tocante na associação de dois seres para suportar a vida.

Deus, que eu morra no palco!
Não me coroem
De rosas infecundas a agonia!

Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.

Não há paixão que abale tanto a sinceridade dos juízos como a cólera.