Caos
Chamaram de diabo o caos, de pai a ordem, e de filho a forma perfeita, mas tudo é apenas graus de organização.
A trindade cristã é uma metáfora mal compreendida: o diabo é o caos inevitável, o pai é a tentativa falha de ordem, e o filho é só um instante raro de simetria.
Do equilíbrio perfeito entre caos e ordem emerge a metaordem: o verdadeiro motor da evolução humana.
“Entre o dogma e o caos, o Direito constrói uma terceira possibilidade: regras para seres humanos que não possuem certezas absolutas.”
A serenidade não consiste na ausência do caos, mas na conquista de um centro que o caos já não consegue deslocar.
O Direito é a tentativa desesperada de colocar ordem no caos que o coração escolheu ignorar, transformando o perfume da juventude em tinta de carimbo e o suspiro em cláusula penal.
O Direito é uma tentativa elegante de domesticar o caos humano sem jamais conseguir deixá-lo em silêncio.
Você pode passar a vida esperando que o caos se dissipe, que as circunstâncias se alinhem e que o mundo finalmente lhe conceda a tranquilidade necessária para começar a viver. Até descobrir, tarde demais, que a vida nunca esteve à sua espera em algum lugar depois da tempestade: ela acontecia justamente no intervalo entre uma incerteza e outra, enquanto você adiava o presente à espera de um futuro que nunca prometeu ser mais sereno.
Anjos cuidam de você
(Mauro A Evaristo)
Eu sei que não comenta com ninguém,
Mas no caos consegue se sair bem,
Você percebe sem saber explicar
Perfume de anjos no ar.
Sei que sente flores a exalar
Pouco importa qual seja o lugar,
Consegue nos ambientes se sentir bem
Mesmo não falando com ninguém.
As vezes você lança o olhar
Sem saber os mínimos "porquês"
Mesmo não sabendo o que dizer
É inteligente em não comentar
Que sabe que nada precisa dizer
Pois, anjos revezam no cuidado a você.
feradapoesia.blogspot.com
... o que rotulamos
como 'caos', na verdade, não nos
assedia como uma força devastadora;
porém, como um movimento renovador —
um caminhar, por vezes íngreme, entre o
perecível que nos desafia e aprimora
e o imperecível que nos emancipa
e eterniza!
Sou a luz e a sombra
O bem e o mal
A união de todas as coisas
O caos e a paz
Sou o infinito de um universo
Finito em sua limitação
Em um mundo de prisões e correntes
Me jogo no mais profundo dos abismos
Para encontrar a libertação
Do caos, renasço em fogo e sangue
Trocando de pele como uma serpente
Mas mesmo que a essência se mantenha
Eu já não sou a mesma
Caminhando na escuridão da noite
Não aceito as algemas do carcereiro
E quando for o momento
Sairei do meu próprio jeito
Com a cabeça erguida
Por jamais ter sido submissa
E muito menos subordinada a todo esse teatro
A essa peça de marionetes mal acabadas.
- Marcela Lobato
