Cantar o Amor
Perdidos estão o vento, o tempo e a vida. Perdidos de amor, de cor, de intensidade. Segure nas asas do tempo, pegue uma carona com a vida e corra na direção do vento para alcançar os sonhos idealizados.
Se preciso de amor? Lógico! O amor está enraizado em mim. Ele vive em aqui dentro e eu sobrevivo dele.
Carta sem endereço
Escrevi em linhas abertas o meu sentimento. Mostrei em palavras o amor que sinto. Escolhi um papel delicado, adornado com borboletas – símbolo de despertar, de alma e de espírito. Minhas mãos tremiam enquanto eu derramava sobre a folha todo meu afeto, meu carinho, minhas intenções.
A carta ficou pronta.
O problema é o endereço.
Não sei onde ele mora.
Talvez more nas lacunas escondidas do tempo, em algum canto perdido entre o momento e espera. Talvez viva dentro do meu peito, oculto nas entrelinhas do que ainda não foi dito.
Dobrei o papel com cuidado, coloquei-o em um envelope e guardei. Quem sabe, um dia, ele entre em contato – e eu possa entregar pessoalmente. Cartas assim, sem data, podem esperar em uma gaveta. E, se não chegar ao destinatário, ao menos aliviam o peso da alma que ama silenciosamente.
Rita Padoin
Escritora
Quando amamos – e o amor é espiritual – a presença quase não se faz necessária, pois os espíritos se reconhecem e se complementam.
Amor invisível
Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.
Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.
Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.
O Amor que Perdi
Ah, eu amei! Amei mesmo!
Mas não esses amores que queimam como brasas
e com o tempo esfriam como o gelo.
O meu amor foi cego, louco, destemido,
desses que deixam o corpo mole
e a cabeça fervilhando.
Fiz loucuras por esse amor.
Menti, sim, menti por medo de perder.
Fiz trapaças para não te ver partir,
mas de nada adiantou.
E eu perdi. Sim, eu perdi!
Nada ajudou: nem trapaças, nem mentiras.
Caminhei pelo lado errado e destruí o que era nosso.
Entreguei meu destino ao erro
e vi o teu adeus virar minha sentença.
Ainda assim, esse amor arde escorrendo por minhas veias.
Uma chama que me consome em silêncio,
um fantasma do que poderíamos ter sido.
Mesmo perdendo, sou feliz — um feliz depressivo.
Ah, vejo-a linda e meu peito se enche de paz,
ainda que o meu mundo esteja em ruínas.
A felicidade dela é a minha derrota,
que aceito de joelhos e de alma aberta,
só por saber que ela ainda reina
e sempre reinará dentro do meu coração.
Amar é respeitar a vontade do outro! Se ele quer estar com outra pessoa que assim seja e siga, amor é ver e querer que o outro esteja e siga feliz, simples assim. Amor é liberdade sem falsidade e mentiras.
Triunfo é a junção da coragem e da ação imbuída de vontade e amor desde a execução até sua concretização.
A grandeza de um homem não está e nunca estará na dureza do seu coração. O amor que não entrega é porque falta é este nunca existirá.
Não existe outro caminho... ou você anda com amor e pelo amor ou na rigidez na insensatez do coração.
Pacto eterno de Amor
Te vejo...
E o meu coração
Acelera no peito.
Me perco em teus olhos
E, mais uma vez,
Insisto em te conquistar.
Esqueço quem sou
E o que significamos
Um para o outro.
Por centelhas de segundos,
Esqueço
Que você nasceu para me amar.
Nesse instante,
Somos apenas eu e você,
Aqui, agora.
Não me lembro
Das outras vidas,
Através do tempo.
Das noites quentes de amor,
Dos nossos casamentos,
Das vezes que me deixou.
Não me lembro
Do pacto que fizemos
De nos encontrarmos em todas as vidas.
Sou só eu e você,
Aqui, não em outros tempos.
Não por maldade —
Apenas não me lembro.
Que existe algo mágico,
Que nosso vínculo é infinito,
Que o nosso amor
É eterno e espiritual.
Esqueço
Que sinto o que você sente:
As lágrimas caindo
Do seu rosto,
O coração acelerado
— não é só o meu —
A raiva e a alegria
Que não são minhas.
Essa telepatia
Que não se explica,
Mas que está presente
No nosso dia a dia.
Mas por horas
Sou só eu,
Tentando ser vista,
Mostrando que existo.
Fico tentando chamar
Sua atenção.
Quero que me veja,
E que me ame de uma vez.
Esquecendo que você
Não vai se apaixonar por mim —
Vai se lembrar.
Lembrar quem eu sou.
Lembrar do contrato
Que fizemos:
De nos encontrarmos
E sermos felizes no final
Do nosso pacto eterno de amor.
Amor!
Amor não é algo que se dá, é
algo que se exala.
Já existe dentro de você — e não se limita a um relacionamento amoroso.
Cabe em qualquer situação.
Existem momentos na vida em que ninguém deveria se sentir só,
e nessas horas, não importa de quem venha o abraço de conforto.
Mas depois, você reflete e percebe:
talvez esteja no lugar errado, com a pessoa errada.
Porque, se quem deveria te abraçar, enxugar as lágrimas
e tentar te fazer sorrir não teve essa sensibilidade —
aquela que muitos teriam até com um estranho —
então algo precisa ser revisto.
O amor...
Na vida, precisamos nos encontrar primeiro, para que, quando surgir o amor verdadeiro, não nos percamos no outro. O amor deve vir como complemento, porque você, por si só, já é uma pessoa inteira.
Louca por você!
Os sentimentos se sentem,
não se explicam.
O amor não é um problema,
é caminho.
Por você, desprezei meus preconceitos,
lancei ao ar a minha sensatez,
esqueci velhos defeitos
e renasci outra vez.
Te amo não pelo que você faz,
mas pelo que acontece em mim
quando te vejo.
E o que eu sinto eu não consigo explicar.
Só sei que um calor sobe pelo meu corpo
e me deixa louca.
Louca por você!
A verdade do amor
Um dia pensei que poderia amar a todos.
Mesmo os que erram,
os que machucam,
os que me fizeram chorar.
Não por obrigação,
mas porque não sei guardar rancor.
Hoje não sinto raiva.
Sinto medo.
Algumas pessoas assustam
não pelo que fizeram,
mas pelo que ainda são capazes de fazer.
Minha capacidade de amar é imensa,
mas o instinto de sobreviver fala mais alto.
Amar à distância
é a forma que encontrei
de me proteger
sem perder quem eu sou.
E seguir inteira,
sem me dissolver
no ódio
nem na hipocrisia do mundo.
