Cansa de Mesmice
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado não sei.
De nada me serviria sabê-lo
Pois o cansaço ficaria na mesma,
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto –
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma tranquilidade lúcida
Do entendimento retrospectivo...
um dia a gente cansa...cansa de viver se policiando e se medindo o tempo todo pra agradar as pessoas,pra ficar mais bonita,pra parecer inteligente,pra entrar nos padrões. tudo é aparência, pra todo mundo,e já nem percebemos que fazemos tudo no "automático". é tudo interesse. as pessoas não fazem mais amizades por acaso ou por querer conhecer alguém. não, não é mais ingênuo assim. as pessoas se unem com outras que possuem algo que lhes interessem, seja dinheiro,'' contatos" ou qualquer outro tipo de coisa. não lutamos mais pela felicidade, lutamos para sermos aceitos! mas, mesmo depois de tirarmos essa conclusão vamos continuar com os mesmos pensamentos e atitudes pq simplesmente não percebemos mais.
Esses dias eu estava lendo uma matéria sobre a escravidão na china e pensei em o quanto eu sou fútil me preocupando com quantos likes vou receber no facebook enquanto nesse exato momento existem pessoas,sendo escravizadas,torturadas e mortas e nós simplesmente não estamos nem aí. "não é comigo nem com alguém que amo então..."
quando eu era menor e se passava uma notícia como "pai mata o próprio filho no estado de..." as pessoas ficavam horrorizadas com a possibilidade de uma coisa dessas acontecer,se tornava assunto em todos os lugares e hoje coisas muito piores do que essa acontecem e ninguém se surpreende mais...já virou comum!
a questão é: no que estamos nos tornando?
E Resistentes como a água…
Ser capaz, como um rio que leva sozinho a canoa que se cansa,
de servir de caminho para a esperança.
E de lavar do límpido a mágoa da mancha, como o rio que leva, e lava.
Crescer para entregar na distância calada um poder de canção,
como o rio decifra o segredo do chão.
Se tempo é de descer, reter o dom da força
sem deixar de seguir.
E até mesmo sumir, para, subterrâneo, aprender a voltar
e cumprir, no seu curso, o ofício de amar.
Como um rio, aceitar essas súbitas ondas
de águas impuras que afloram a escondida verdade nas funduras.
Como um rio, que nasce de outros, saber seguir,
junto com outros sendo e noutros se prolongando
e construir o encontro com as águas grandes do oceano sem fim.
Mudar em movimento, mas sem deixar de ser o mesmo ser que muda.
Como um rio.
Se salto alto machuca, use rasteirinha, se maquiagem cansa, seja natural, se não tem príncipe, fica com o sapo, se fechar a boca dá fome, seja gordinha, se carregar bebê 9 meses dá trabalho, não engravide, se só existe homem galinha, fica sozinha, se os dias com tpm são ruins, valorizem os sem ela. Mulheres, entenda-as e vire uma delas!
O Cão Sem Plumas
A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
A vida não me cansa porque amanhã ainda tenho um bocado de ilusões... e um sonho doido pra dar certo.
Tenha um pouco de fé...
-O Senhor não se cansa de tentar?
-Deixe-me responder com uma história. Era uma vez um vendedor, certo? E ele bate numa porta. O homem que atende diz: "Hoje não preciso de nada." No dia seguinte, o vendedor retorna. "Fique longe daqui", diz o homem. No outro dia, o vendedor está de volta. O homem grita: "Você de novo! Eu avisei!" O sujeito fica com tanta raiva que cospe na cara do vendedor. O vendedor sorri, enxuga o cuspe com um lenço, depois olha para o céu e diz: "Deve estar chovendo." Mitch, a fé é isso. Se cospem em seu rosto, você diz que deve estar chovendo. Mas mesmo assim, volta no dia seguinte.
E ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixes a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir.
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.
Tudo é possível debaixo do sol, – e a mesma coisa sucederá acima dele, – Deus sabe.
É regra velha, creio eu, ou fica sendo nova, que só se faz bem o que se faz com amor. Tem ar de velha, tão justa e vulgar parece.
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
