Cansa de Mesmice

Cerca de 109177 frases e pensamentos: Cansa de Mesmice

Quando se corre atrás do espírito, apanha-se a tolice.

Ninguém se conhece tão bem como aquele que mais desconfia de si próprio.

Asa quebrada
da triste gaivota
sonho de voar!

A própria virtude precisa de limites.

Há grandeza mais verdadeira numa boa ação do que num bom poema ou numa grande vitória.

A imperfeição é a causa necessária da variedade nos indivíduos da mesma espécie. O perfeito é sempre idêntico e não admite diferenças por excesso ou por defeito.

As pessoas importantes fazem sempre mal em se divertir à custa dos inferiores. A troça é um jogo, e o jogo pressupõe a igualdade.

Os conselhos dos moços derivam das suas ilusões, os dos velhos, dos seus desenganos.

As pessoas vaidosas não podem ser astutas; elas são incapazes de se calar.

Só se pode conversar duas horas com uma mulher quando se lhe diz sempre a mesma coisa.

As obras de caridade que se praticam com tibieza e como que a medo, nenhum mérito, nem valor têm.

A verdade literária nunca poderá ser a verdade da natureza.

Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

A honestidade é uma cor delicada, que teme o ar.

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

O melhor modo de venerar os santos é imitá-los.

Erasmo de Roterdã
"The "Adages" of Erasmus". London: Cambridge University Press, 1964.

O homem que diz não ter nascido feliz, podia ao menos vir a sê-lo mediante a felicidade dos amigos e parentes. A inveja priva-o deste ultimo recurso.

A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham.

Ninguém é tão prudente em despender o seu dinheiro, como aquele que melhor conhece as dificuldades de o ganhar honradamente.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental