Caminhada com meu Pai
A vida é uma estrada que não foi feito para ser percorrida com pressa, com ansiedade e afobação. A vida não foi feita para ser comprimida dentro da janela de um carro, trem ou avião. A vida foi feita para ser trilhada a pé, devagar, pois só assim será possível explorar e apreciar todas as belezas que vamos encontrando no caminho. Só assim poderemos nos demorar nos detalhes, apreender as ternuras, nos embriagar com os aromas, nos envolver nas levezas e respirar com calma as sutilezas desse milagre bonito que é viver.
Enquanto o turista caminha ligeiro e distraído, muitas vezes concentrado em fazer fotos no celular, ou mesmo em conferir suas mensagens, preso a tudo que bem conhece e alheio ao desconhecido bem diante de seu nariz, o peregrino desfruta a caminhada como um eterno aprendiz. Presta a maior atenção no que é novo e em tudo que se renova, enquanto deixa as marcas de suas pegadas impressas no chão. Lembra, o tempo todo, que a jornada sempre vale a pena, quando vivida com muito interesse e entusiasmo.
Os dias, o tempo, as estações, as pessoas, os desejos, mudam a cada instante. Já pensou se tudo fosse sempre a mesma coisa? A vida seria monótona e estagnada. Há verdades silenciosas em cada detalhe à nossa volta que nos ajudam a crescer como árvore plantada à beira das águas.
Nossa jornada tem o período de renovação, descanso, reflexão e mudanças. Precisamos perceber a chegada de cada um e se dispor a viver o indispensável.
Estamos inseridos em um mundo onde as pessoas são imediatistas e as responsabilidades diárias: cursos na escola, faculdade, projetos, trabalho, entre outros acabam roubando o que mais de precioso temos: contemplar a natureza, descansar e amar o próximo. Algo que poderia ser praticado naturalmente tem sido buscado com esforço.
A fragrância das flores precisa ser sentida, o sorriso da criança contemplado, o casal de idosos admirados. As semanas passam muito depressa e aqueles que hoje temos amanhã não teremos.
Infelizmente, entretanto, a correria da vida está resultando em perda da compreensão e vivência do belo. Precisamos ser graciosos, despregando-se do marasmo, limpando todas as coisas„ soprando para longe as nuvens ameaçadoras de destruição e sofrimento para que vejamos as montanhas dos desafios, crendo que a vitória virá. É fácil perder de vista as coisas lindas e amáveis quando reduzimos a nossa vida a “querer ter sempre mais bens matérias”. As mudanças tem que existir e escolhas devemos fazer: procurar um amigo esquecido, escrever um bilhete de amor, perdoar, abraçar bem apertado alguém e sussurrar: “eu amo você”, ser gentil e paciente, ajudar uma pessoa triste, brincar com um cachorro, caminhar com um amigo, pedir desculpas, incentivar o próximo, preparar surpresas pra alguém…
Tudo muda se eu ou você mudar.
A verdadeira amizade é aquela que está conectada a você sem estar presente, ter você em suas preces mesmo de longe, caminhar de mãos dadas com você, mesmo caminhando sozinho
Podes não ver o fundo da estrada, podes não ver para lá do horizonte. O que importa é continuar a caminhada com fé e com garra!
Como é triste a solidão. Sentir um turbilhão de sentimentos e ao mesmo tempo fingir não sentir nada. Deitar no travesseiro, pensar em você, e não poder ouvir tua linda voz, te tocar, sentir teu cheiro, te olhar. A gente sempre ouve dizer que temos que correr atrás dos nossos sonhos, de que amamos. Mas é simplesmente desgastante caminhar sozinho. E não há nada de errado em estar sozinho, mas, caminhar ao lado de alguém que nos dê a mão, com certeza, faz todo o trajeto valer a pena.
E a verdade é que a gente sempre sabe a hora certa de desistir. Mas insiste até não aguentar mais. E vai sofrendo, colecionando decepções atrás de decepções. Eu sei que não se deve culpar ninguém pelo o que passamos, contudo, se a gente não crescesse ouvindo: " a esperança é a última que morre", talvez, não as alimentasse tanto.
Não tenha medo do mal . Ele existe, mas só te alcança se você abraçá-lo em algum momento da sua caminhada.
Kadu Rodrigues
Se as estradas por onde vou são longas ou curtas ainda não sei, só sei que estou aqui e o meu destino é caminhar.
Que cada passo que eu der seja para o meu crescimento, pois o Deus que está à frente tem sempre sonhos maiores.
EM CADA RUÍNA
Em cada ruína já tecida
Um garotinho sem um trocado fizera parecer
Que costumava andar sem rumo e descalço
Para da terra se sentir vivo. Dela crescer
Foram vários espinhos Que o furaram
E vários cortes que sangrou
Dos solos ruins e os bem cuidados
Que aquele menino já pisou
Não se cansa nem descansa
De trilhar este rio de eixos
Mesmo sabendo que irá se ferir
No mar das incertezas de enfermos
E quando não menos, em cada sã relance de ruínas
Que vaga, sonda e prevalece
O garoto descalço que não conhece
Abraça o mundo que o entristece
Volta e meia o tempo que enfraquece
A força de ventos fortes que devastam
As dores não são ilusões que aqui padecem
Deste rio de descompassos.
Feito um psicólogo, um livro fechado.
A barca do Porto, ou o ubar que vem e vai
Vivo este momento de menino, um desdém
Um fim de outono que não me satisfaz.
Vai chegando o finalzinho do ano e todo mundo nos pergunta quais são as metas para o ano novo. Já fui logo fazendo minhas resoluções para o próximo ano e os outros que seguirão. Decidi que eles não terão meta alguma. Isso mesmo! Sem metas pra alcançar, sem lugar definido pra chegar, sem troféu almejado pra conquistar. No próximo ano vou fazer valer a caminhada: admirar a beleza da paisagem; curtir cada brisa que soprar no meu rosto; ver D'us em cada olhar que cruzar no meu caminho; desfrutar de cada banho de chuva que acabar tomando; apreciar os desenhos e as cores que o céu pinta enquanto eu estiver pelas ruas; deixar que o caminho me revele a surpresa que tem guardado no final, sabendo porém, que a felicidade não estará lá no lugar onde vou chegar, mas sim ao longo da caminhada.
