Camelos e Beija Flores Rubem Alves
De orgulho em orgulho, de ingratidão em ingratidão e de humilhação em humilhação, a vida vai nos mostrando quantas pessoas deixamos pelo caminho.
Diziam que a pandemia traria um “plus” de fraternidade;
mas, até agora, o que continua em alta é a arrogância e a prepotência.
Gênese do verso
Eu pensei em me calar,
procurei me segurar,
mas a vida logo me deu
o dom de improvisar.
Vou tentar não misturar
emoção com a razão,
pois se isso for tentado
tudo vira confusão.
É capaz de desandar
quem quiser se aventurar;
pois o que vou aqui falar
pode servir pra rimar.
O que for para ser dito,
que se fale sem frear;
que seja logo entoado,
rimado e improvisado.
Quando o mote apressar,
não corra, vai ficar feio;
procure ser mais matreiro,
não se faça de arengueiro.
O que aqui já narrei,
foi deixado no caminho;
sempre quis andar certinho
com a fé como vizinho.
Prometo sempre guardar,
esse dom que já citei;
eu me atrevo em cravar,
poeta nunca serei.
Na arte sempre há lugar
pra quem verseja com zelo;
por isso guarde com esmero
esse verso verdadeiro.
Este mundo muito me intriga:
o simples vira complexo e o dificultoso, às vezes, fazemos involuntariamente.
Há dias que se anunciam difíceis; contudo, guiados pela batuta do Pai Celestial, tornam-se surpreendentemente leves e prazerosos.
Da leveza calculada de um gato doméstico à potência monumental de uma baleia-azul, a natureza demonstra que o extraordinário existe em todas as escalas.
