Camelos e Beija Flores Rubem Alves
A burocracia começa pelo idioma complicado. Se já é difícil falar a própria língua, imagine então o resto. Português é burocrático.
Acho que o diabo resolveu abrir o portal dimensional do inferno bem de frente para a Praça dos Três Poderes, em Brasília, pois de uns anos pra cá a coisa piorou bastante.
Eu crescí ouvindo que tudo o que acontece de ruím é para melhorar a vida da gente, e que depois da tempestade sempre vem a bonança, e eu costumo seguir isso ao pé da letra, o problema é se o temporal demorar passar e a gente morrer antes do tempo bom, aí é muita sacanagem.
Quando eu cheguei por aqui, na internet, não existia Orkut, nem Facebook, nem Twitter, e ainda assim eu acho que ela era melhor do que hoje, porque não havia quase nada, ou nada, de criminalidade e vulgaridade. Os primeiros internautas eram bem educados e confiáveis. Agora as coisas mudaram bastante, pro bem e pro mal também.
Cinquenta por cento das falhas dos serviços públicos são falhas de caráter, o restante é incompetência, ou descaso político.
Cada novo governo que se apresenta, deve ser capaz de ignorar os problemas e jogar a culpa apenas nos govenos anteriores. Isso não melhora a situação do país, mas atrai eleitores.
Se tem uma coisa que não entra na minha cabeça, é esse negócio de mesário voluntário. Mesário poderia ser uma profissão autônoma remunerada, se não houvesse quem trabalhasse em troca de uma marmitex e dois dias de folga do trabalho.
A morte acontece quando a alma dissocia-se do corpo, integrando-se na grande energia universal. Depois da morte, tudo continua existindo. É apenas um retorno, e nada mais.
Fale apenas aquilo que as pessoas querem ouvir, e nunca, jamais, o que precisa ser dito ou queira dizer, esse é o lema dos medíocres.
O problema não é o quanto você amou o outro, mas o quanto você deixou de se amar. Você só vai entender o amor quando precisar abrir mão do outro em prol de si mesmo.
Quando se tem empatia, a conscientização acontece, naturalmente. E empatia se aprende em casa, ainda na infância.
Se o filho do Pelé fosse pobre, talvez ele já teria sido espancado e morto, como acontece com muitos por aí. Eu posso até estar errada, mas tenho pra mim que o negócio, aqui no Brasil, não é cor não, e sim dinheiro. Tem gente que só respeita dinheiro, infelizmente.
