Miguel angel asturias
SEM TERRA
A terra que me ad comer
o pó que todos carregamos
a sol que queima pela tarde
e alma que viaja sem ninho.
O grito dos que nada tem,
o sonho inacabado dos cansados,
as palavras em forma de sinais
e os homens presos a estrada.
A volta de uma volta redonda,
a terra que é de ninguém,
o vale seco e triste
dos que nada tem nem o bem.
De terra em terra alheia,
o povo saiu para nada,
e no meio de tanta poeira
o que resta são dores e magoas.
Meu sonho atrasado
minha vida sem preço,
meu nome arquivado
só fala da desgraça sem a Graça.
Verde e amarelo
é meu grito,
o grito sufocado pela poeira e pela estrada,
aqui no locar esquecido
pelos capitães e generais sem praça.
Ofélia
Tudo em ti reluz como as joias da coroa do Rei,
tudo em ti é serena e calma manha,
os sonhos dos homens são como a areia junto ao atlântico
e tu és eterna entre os lábios dos poetas mesmo que adormecidos...
Há noite, tu deitastes e a lua resplandece sobre teu corpo,
de dia o sol és tu mesma quando passas,
porem nós homens nos perdemos nas sombras
e falamos apenas com o coração.
Ofélia doce madrugada dos apressados e dos caídos,
Ofélia das aguas límpidas e das lágrimas sinceras
porque em teu rosto existe o sonhos
dos que ainda amam e choram por ti.
ALVORADA
O tempo e tudo que fazemos com ele
as palavras e os sorrisos disfarçados,
as memorias as que retenho e as saudades dos que amo.
Os sonhos arquivados nas prateleiras,
o pó entre as memorias das coisas simples,
e de novo os sonhos que ninguém sonha como eu sonho
porque me debato antes de qualquer alvorada.
De novo eu e só entre o fim e o principio de tudo
que eu mesmo escolhi e aqui moro no lugar
por nome Fim do Mundo.
E que Mundo é este?
Saberás tu me responder a cerca das coisas simples,
fala me e e me responde e eu te direi tantas coisas,
as coisas que moram entre a razão e o coração.
O meu coração que bate tão pouco,
porque pouco ou nada tem...
e a razão que perco porque tão mal a entendo.
Saberás tu o dia que escurecera todas as manhas,
o dia que que alvorada deixar de existir?
O tempo o meu e o dos outros
que me acompanham lado a lado.
Nordeste
As serras ao longe brilham em meu peito
E o tempo aqui é hora morta
Quando ao meio dia os pássaros adormecem
Debaixo das copas das poucas arvores
E uma carreta envelhecida com um jumento cansado
Que vai Murmurando e maneia a cabeça
De um sol agreste que o vai queimando.
As terras secas em vales profundos
E um povo amável do fim do mundo
Que Suspira e respira a poeira das fabricas
Do gesso absurdo.
Enfim no fim de tudo
Nem uma escultura gesso existe neste pequeno
Paraíso de um Adão e de uma Eva
Para que a memória dos seus antepassados
Deixe de ser escura.
Nove horas da manhã
O som do teclado toma forma…
As suas mãos correm e se perdem
Na busca de novas melodias
Lá fora as mesmas coisas…
O movimento constante de sempre.
Em um se estar em parte alguma
Muitas das vezes incerta.
Será que estou só?…
Ou será que a vida se reduz apenas
A este momentâneo apenas?Na verdade,
gostaria de saber
Qual seria o ponto final disto tudo…
Murmurou ela e continuou…
Para onde vamos?
Se é que vamos
Para algum lugar.
Cântico dos desesperados
Caminhais por entre o fio da navalha
E de pés ensanguentados cambaleias
Temendo a direção do norte
Como também o caminho imaginário
Que se diz ser do sul.Resumis um todo a uma escala mínima
E mesmo assim vossos sonhos são tão iguais
Aos que sempre vão pensando alto…
Eis a sina dos que bebem água turva pela manha,
O quanto basta para que vossa voz se confunda
Com a razão que tendes, mas que sempre vos tiram.
Conflitos e dores numa palavra tão simples
Que vos levara ao progresso,
Mesmo que este progresso esteja tão distante
E ninguém entre vós há que vos desperte.
Caminhais sobre o fio da espada
E aqueles que se dizem entender sobre vós
Nada sabem e nada fazem.
Panfletos que se perdem na virada do tempo
A mistura de seres sempre desesperados
Quando os vossos lamentos e cânticos se abafam
E todo mundo se encontra as escuras.
Gritais e não há entre vós um só que vos escute,
Bolívia não esta mais entre vós outros,
Ché foi morto por todos aqueles que se diziam
Protetores.
Existência e identidade de um povo
América do sul de todos os adormecidos,
Quando sobre o fio da cruel espada ensangüentada
Que lentamente a todos vos mata…
E ressume cada instante quando por entre as trevas
Nada mais se avista do que as próprias trevas.
Murmúrios, sobre telhados quebrados…
Em pleno amanhecer tão estranho e sempre tão doloroso.
Deus meu, deus meu… Será que entre nós
Existe alguém capaz de fazer frente a esta tão estranha
Manha sempre tão densa e sempre serrada?
Escrito quando viajei pelo
Paraguai – Asunción
"Nós, os artistas (desculpe-me o plural), temos direitos diferentes das pessoas normais, pois temos necessidades diferentes, que nos colocam acima - é preciso que se afirme e acredite - de sua moral. O seu dever é não se consumir jamais no sacrifício. O seu dever real é salvar seu sonho. A beleza tem seus direitos dolorosos: cria, porém, os mais belos esforços d'alma"... "As personagens de Cézanne, , como as belas estátuas antigas, não tem olhar. As minhas personagens, ao contrario vêm. Elas vêm mesmo quando acreditei que não devia pintar-lhes pupilas; mas, como as personagens de Cézanne, elas não exprimem mais do que muda aquiescência á vida"
"Aquilo que procuro não é real nem o irreal, e sim o inconsciente, o mistério do que há de instintivo na raça humana".
'A beleza tem seus direitos dolorosos: cria, porém, os mais belos esforços da alma'... "Nosso único dever é salvar nossos sonhos..."
A verdadeira liberdade não é aquela que você faz o quiser. E sim aquela que você sabe que pode fazer tudo, mas nem tudo lhe fará bem.
Certos casamentos podem ser descritos como uma TPM, seguida pela menstruação, seguida pela TPM, e assim por diante.
Numa fria esquina de um certo lugar duas bocas se falam mas querem se tocar, isso vira possível entre beijos e diálogos com o vento frio que não para de soprar, e em nenhum instante isso me faltará o ar, nem mesmo a fumaça de mais um cigarro que acabo de apagar,e só não apagará essa fria madrugada de boas palavras que não vejo nem a hora passar e que ficará acesa na minha memória como uma coisa boa para recordar
A pessoa se alto julgar sincera, sim, é fácil ! Mais sempre haverá algo a esconder. Com medo de falar a verdade e magoar alguém sem querer.
As pessoas especiais que passam em nossas vidas são que nem atalhos em destinos perdidos: nos obrigam a fazer escolhas para achar um novo caminho.
E lindo se encantar por alguém, mais se você se encantar um pouco a cada dia, um dia esse encanto pode vira paixão, e a pessoa que te encantou pode não querer tanto amor
