Miguel delibes
eu sei que a alegria nada mais é do que a sensação de saber que existe realmente vida além da morte.
Deitei-me sobre a relva e enquanto olhava o céu, um raio forte de luz veio na minha direção, provocando em mim uma sonolência incontrolável, não sei por quanto tempo. Só sei que quando os abri, contemplei a casa dos meus sonhos na colina com vista para o mar. Do livro: PAGINAS QUE O TEMPO RASGA.
Tudo acontece talvez seja o destino...
Já que o destino sempre em ensinou
Que demos agarrar as oportunidades
E já mais as deixar fugir.
Eu acredito que nesta vida tudo se aproveita...
Uma amizade que será sempre eterna
Ou um amor que se guardar para sempre dentro do coração
E um colega de trabalho que sempre vai precisar da nossa ajuda.
Também creio que a nossa boca
Confessara que Deus tudo pode e Ele sempre será fiel.
Tudo acontece e nada se perde... Tudo.
Há palavras que têm o poder de mudar tudo a nossa volta e nos fazer acreditar que somos capazes de ir sempre mais longe.
Já faz algum tempo que me questiono sobre como mudar o meu pensamento, de forma que essa mesma mudança se reflita no comportamento de todo o mundo que me cerca, pois não somos seres individualmente isolados. Nós vivemos em um contexto histórico social globalizado, que grita constantemente por uma transição de pensamentos e transformações urgentes.
As mídias vendem o que lhes oferecem e despejam sobre todos nós uma visão caótica, que nos intoxica dia a dia com seus conteúdos.
Compete aos humanistas uma reflexão das palavras que se estão a fermentar dentro deles mesmos para salvação da própria humanidade. Por vezes tudo parece tão vago, mas temos que considerar que é no sentido exato do vocábulo “vago”, que reside a própria ignorância. Desta forma, então vamos combate-la com a criação de bases estáveis de sustentação que erguem os blocos globalizados.
Afinal, que idéia tem hoje um artista sobre arte? Será que arte é apenas pintar uma tela, escrever um poema ou outra coisa qualquer que a envolve? Porque será que os artistas estão tão dispersos e ao mesmo tempo tão desanimados ao ponto de desacreditarem de seus potenciais? Será que a criação de um movimento não tem mais finalidade?
Quando me absorvo na análise destas perguntas, afim de obter respostas satisfatórias, tento trazer em mente outros tempos. Tempos esses, não muito distantes, que um movimento artístico fazia muito sentido, de forma que chegava a abalar as bases das velhas civilizações.
Qual será a melhor forma para se moldar uma civilização? Acredito na palavra escrita acima: “Mude seu pensamento e você mudara seu mundo”. Mudar seu mundo é o papel de qualquer e cada ser humano, mas como nem todos têm o dom da palavra cabe então aos humanistas esta missão.
Uma só palavra tem o poder de um simples fósforo: incendiar um grande bosque! Vendo assim, as tuas palavras são como um pequeno fogo que se apoderam de bosques, desertos, cidades, estados e nações. Desacreditar as palavras que lavramos dentro de nós é o mesmo que cruzar os braços para nada se fazer.
Um gênio não se faz gênio, ele nasce gênio. Ele vive no seu tempo sem saber que as suas ações serão determinantes e transformarão o pensamento coletivo do seu tempo.
Se nos predispuser mos ao silencio, se anular mos as nossas metas, idéias ou ideais, então me convenço cada vez mais que nós: é que estamos a contribuir para que lentamente o nosso mundo morra.
Não posso ficar indiferente ao que observo, nem me esconder do resto do mundo quando tantas coisas novas surgem em cada dia.
Dizer que vivo numa era que antes deram o nome de Contemporânea, quando na verdade estou consciente que o tempo presente em que eu hoje vivo, não é se não, o surgir desta nova era a Global. Temos que nos afirmar no tempo e descrever o mesmo, recomeçando do ponto de partida das nossas vidas a iluminar os que estão em volta de nós.
A calamidade provocada pela inércia neste preciso momento leva-nos cada vez mais a nos afastar uns dos outros e deste modo a era que tem surgido aparece no vácuo.
