José Echegaray

Cerca de 19708 frases e pensamentos para a busca por José Echegaray;

⁠A ESCOLHA DO TEMA DE PESQUISA
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“A escolha de um tema para pesquisa mostra-se diretamente interferida por alguns fatores combinados: o interesse do pesquisador, a relevância atribuída pelo próprio autor ao tema cogitado, a viabilidade da investigação, a originalidade envolvida. Mas é preciso reconhecer que, por outro lado, a estes fatores mais evidentes vêm se acrescentar inevitavelmente outros dos quais o próprio pesquisador nem sempre se apercebe. Existe por exemplo uma pressão indelével que se exerce sobre o autor a partir da sua sociedade, da sua época, dos paradigmas vigentes na disciplina em que se insere a pesquisa, da Instituição em que se escreve o pesquisador, ou do conjunto dos seus pares virtuais e concretos.
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Tudo isto incide de maneira irresistível e silenciosa sobre o autor, mesmo que disto ele nem sempre se dê conta. Tornar-se consciente dos limites e desdobramentos sociais e epistemológicos de uma temática é uma questão estratégica importante para aquele que se empenha em viabilizar uma proposta de pesquisa, sendo forçoso reconhecer que o sucesso na boa aceitação de um projeto depende em parte da capacidade do seu proponente em conciliar os seus interesses pessoais com os interesses sociais mais amplos. Começaremos então por aqui.
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Já se disse que um tema de pesquisa histórica (ou de qualquer outra modalidade de pesquisa) deve ser relevante não apenas para o próprio pesquisador, como também para os homens de seu tempo – estes que em última instância serão potencialmente os leitores ou beneficiários do trabalho realizado. Daí a célebre frase, cunhada por Benedetto Croce e reapropriada por Lucien Febvre, de que “toda história é contemporânea”. Sempre escrevemos a partir dos olhares possíveis em nossa época, e necessariamente escreveremos não só sobre aquilo que de nossa parte consideramos ser relevante, mas também sobre aquilo que tem relevância para nossos próprios contemporâneos. Tirando eventuais arroubos visionários e prenunciadores de interesses futuros, todo historiador tem pelo menos um de seus pés apoiado no seu tempo. Por trás de sua escrita, é a um leitor que ele busca (conscientemente ou não).”
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[trecho extraído do livro ‘O Projeto de Pesquisa em História”. José D’Assunção Barros. Petrópolis: Editora Vozes, 2024. 20ª reimpressão]

Inserida por joseassun

⁠MÉTODO POÉTICO
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Meu método?
O mesmo das Estrelas.
Primeiro, surge uma ideia –
vaga, ou mesmo fantasmagórica.
Ou então uma combinação inesperada
de palavras, por vezes embaraçosa...
Talvez – quem sabe – uma imagem
cujas estranhezas e travessuras
afrontem todos os cânones.
Uma eloquente frase
que cale ao peito
solitária:
sincera
lágrima.
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Em uma palavra: Poeira
– nuvens de poeira desgarradas
vindas dos confins da mente
e das bordas do acaso.
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Mas então, depois de muito vagar pelos meus arquivos,
ou de pairar errantemente sobre os meus sonhos,
algumas delas começam a se combinar
– como se, irmãs, viessem
de famílias distintas –
E eis que surge,
alegre,
a Gravidade,
pronta a juntar em um só giro
o que se queria disperso e sem mais rumos:
Ansiosa para, com violenta ternura,
moldar a forma.
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Por fim, emerge,
do caos girante, uma estrela
– supremo milagre no delirante acaso
de um universo improvável
em sintonia fina.
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Faz-se o Poema
– estranho acontecimento
cuja tenra fornalha interna
queima a pretensão
de alimentar
as almas...
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A ti parece, este, um método por demais aleatório?
É porque não sabes de toda a paciência que foi necessária
para não limpar intempestivamente a poeira errante
que por tanto tempo pairava nos escuros céus
dos meus arquivos, sonhos, lembranças.
Quantas vezes fui tentado a deletar
um quase-embrião de verso,
ou quis me desfazer
da tal metáfora
tão desajeitada!
Mas ouvi a voz:
Guarda este pó
que de ti vieste.
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Sem esta paciência,
não seria possível a criança:
ver, do poema, a forma brotar esperança
como flor que redefine as suas próprias pétalas
e decide, magnífica e hesitante,
se pétalas terá...
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Ver, da alma poética,
redesenhar-se certo corpo
quando é corpo o que se quer...
E, quando não é isto o que se almeja,
aceitar-se como alma pura-chama,
ou reconhecer-se, mesmo,
tão somente como pó.
a dignidade do pó:
despretensioso,
periférico,
errante.
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Este é o método:
render-se ao que se tornou possível
no oceano do improvável
com a bem ajustada
sintonia fina.
Respirar
a poesia
como destino
que se fez do acaso...
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[BARROS, José D'Assunção. Revista Sede de Ler, 2024]

Inserida por joseassun

⁠PREMONIÇÃO
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Em um dia de meio dia,
meus olhos, somente os olhos,
tiveram uma visão.
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Lembro-me que a luz me doía
como uma ponta de sabre
 no corpo do coração.
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Lembro-me, sem muito assombro,
que tudo quedava incompleto,
como se as luzes buscassem em vão
o preenchimento das coisas.
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Na sintonia das imagens
dissecavam-se as paisagens
sem mistificação:
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Não obstante o colorido,
ficavam os homens repartidos
como se feitos de pão.
A uns: o ouro e a prata;
a outros: a fome e a crença;
a esses: a esperança;
para aqueles: quitutes em lata.
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Tanto sol doía
nos ombros da nação
(talvez não houvesse justiça
em sua distribuição).
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E talvez por ser evidente,
ficavam doídas e claras
as sombras dos coqueiros.
Ali, onde outrora era verde
espreitam crianças no desamparo.
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Desamparadas, porém livres,
querem construir a nação
– mas faltam-lhe os instrumentos:
os braços, e as mãos...
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Igualmente iluminados,
os andarilhos nas estradas:
pés descalços, chapéus de palha,
– ou capacetes e mãos de graxa –.
Todos, embora cansados,
querendo correr o chão.
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Mas falta-lhes segmento:
as pernas da multidão.
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Arre!
Tanto sol
arde como uma tarde
de Verão...
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BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Insurgências, 2024]

Inserida por joseassun

⁠VIDA, PAIXÃO E MORTE
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Há muito tempo, a um vale longínquo,
desceu, resoluto, o incerto profeta,
rolando... das mais altas colinas.
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Com uma brandura violenta
e uma arrogância singela,
anunciou fundamentos
de uma nova religião
cujo Deus, o maior,
o único Presente,
o Onipresente,
era a divina
Tangerina.
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“Nós somos
os seus gomos:
Universo onde tudo
com tudo se relaciona”
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Com sua tímida eloquência
e a confusão mais convincente,
tal profeta, pleno inconsequente,
foi arrebanhando entre as gentes
tantos milhares de seguidores,
que já se tornara uma nação.
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E por já ser tão poderoso,
a sua verdade foi eleita
como aquela verdade
mais do que perfeita.
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“Deus – O Inteiro –
É... a Tangerina!
E nós, gomos,
as humildes partes
do Universo Contínuo”.
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Deixar de ser não podia:
escritos foram proscritos
e outros então prescritos
nos áridos verbetes
dos dicionários
– todos estacionários!
Ergueram-se no patamar
das antigas escadas em ruínas
templos refeitos só de escombros.
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Floresceram capelas: gloriosas catedrais
visitadas pelos crentes, adorando a Tangerina.
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Hierarquias foram fundadas, pecados redefinidos;
todas as passagens reservadas
para santos e peregrinos.
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Mas eis que um dia sobe ao Vale,
vindo de um vale mais embaixo
(mas tão elevado quanto colinas),
um novíssimo profeta louco
cujo único mandamento:
Um Universo Descontínuo.
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“Somos parte sem um Todo;
Não há a pretensa Unidade,
pois o Universo é descontínuo”.
E os seguidores do Outro irritaram-se:
‘Mas que profeta é esse louco?’
Ele nega à Tangerina!’
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E o novo profeta louco
ia dizendo a seus gomos
que não havia unidade...
Desdizia de tudo um pouco:
na sua eloquente insanidade,
arrebanhava seguidores
num perigo mais premente.
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Mas antes que, à imagem do Outro,
erguesse um tempo de escombros
para fundar a nova religião,
o Outro mandou que o prendessem:
Sem chances de defender-se, queimou-se
nas cálidas sombreiras... da Santa Inquisição.
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Hoje, não sei qual a verdade vigente...
O renitente Santo Graal dos Dementes?
A Virgem Santa das Rainhas Loucas?
As Desteorias do Contra-Diapasão?
A longa lenga-lenga das nove?
Papai do céu do seu bolso?
Teoria da Transpiração?
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Cá do meu canto me calo.
Que importa? Se todo Templo
é sempre erguido dos escombros?
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[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Falas Breves, 2024]

Inserida por joseassun

⁠O ANJO
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Enquanto bebia seus drinques, um antes do outro,
começaram a lhe crescer asas cada vez maiores:
bem desenhadas, cheirosas... brancas e polidas.
O sorriso verteu-se puro, sincero, acolhedor.
Falava agora a deliciosa língua dos anjos
com suas palavras estranhas e belas
a soar qual música nos ouvintes
e a reluzir como imagens
no pleno espaço.
Puro êxtase
profano
e sacro
de quem via.
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As cores do paraíso a ele se abriram, como se misturadas em um crisol.
A inteligência, não mais em greve, discorria sobre todos os arranjos:
cinema, viagens, lares e lugares... filosofia, arte, sabores e amores.
Com a luz que de si emana... contava piadas de cair o siso!
Iluminava, fundo e profundo, as jovens rosas no gineceu...
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Até que a noite, por fim, se pôs... cedendo caminho ao sol.
O sono chegou leve, pois Deus viera buscar seus anjos
espalhados pelos bares, festas e casas de flores...
Fechou cada pestana, junto ao sutil sorriso.
Depois, na paz do mundo, adormeceu.
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Na tarde seguinte, ao despertar,
as asas tinham regredido.
Transfiguraram-se
em uma ressaca
confusa e cinza.
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BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Ipotesi, 2023]

Inserida por joseassun

⁠NO CÔNCAVO DA MÃO MORTA
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No côncavo da mão morta
havia uma chave...
não sei para que castelos.
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Para qual porta, oh Deus Entranhas,
tal chave – tão triste chave –
em certo dia foi forjada?
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Havia aquela chave
não como uma pedra
no meio do bom caminho,
mas no côncavo da mão morta.
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E essa mão,
tão inerte e já bem morta,
cujo corpo era seu mero apêndice,
ao mesmo tempo oferecia
e segurava a chave.
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O gesto, embora pálido,
tinha a cor dos desesperos!
Parecia dizer, nos entrededos:
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Pega esta chave,
se tu és digno dela,
e cuida do seu metal
como se fosse cristal
precioso, de tão frágil.
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Antes de tudo o mais,
colhe-a como uma fruta
já por mais do que madura.
A ela recebe – tão suculenta –
entre teus próprios cinco dedos.
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A chave, no côncavo da mão morta,
parecia a mim implorar-assim:
“Leva-me... a meu destino,
que para isso nasci”.
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E a mão côncava
acrescentava:
“Leva-a, que somente por isso
insisto em me entreabrir”
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[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Ipotesi, 2021]

Inserida por joseassun

⁠CARDÁPIO DAS PALAVRAS
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As palavras
devem ser servidas como pratos
rústicos ou requintados – com temperos abstratos.
Pede-se, por vezes, que ao som de música
ressoem nos ambientes adequados.
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“Canalha”, por exemplo...
É palavra que deve ser servida crua,
sem nenhuma música, em prato de velho barro,
de modo a causar repulsa já... na primeira sílaba.
– A não ser, é claro, nos próprios canalhas,
que adquiriram um gosto especial
por aquele estranho quitute...
Estes, quando a ouvem
de uma outra boca,
degustam-na
com lamber de beiços
– insolente e desaforado –.
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“Sublime”
é palavra etérea que deve ser servida em porcelana bem chinesa,
ao som de violinos perfumados com cores majestosas.
Por outro lado, há certamente palavras indigestas.
Disso sabe todo bom gourmé (palavra esnobe,
para escutar à borboleta, de gravata e terno,
ao menos quando pronunciada em português).
É bem este o caso (previnam-se com comprimidos)
da – pouco saborosa – “anti-inconstitucionalissimamente”.
Palavra que se orgulhava de ser a mais longa do nosso idioma,
e que deve ser democraticamente servida em uma bandeja longa,
para quarenta e dois convidados.
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Às vezes, os diminutivos ou aumentativos
já exigem uma nova forma de servir a palavra neles enraizada:
“Cachorrinho” as mulheres servem ao interlocutor sob a forma de canapé.
Mas “cachorrão” vem sempre entre duas fatias de pão...
E para comer na beira das calçadas,
ao som de tango amarelo!
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Palavras há que parecem ter sido feitas à mão
para que as letras se ajustem àquilo que significam...
As lagartixas tem vontade de subir pelo “p” e “d” de parede.
Da mesma forma, é palavra dura – e, para muitos, intransponível.
Ao ser pronunciada, ou mesmo escrita, come-se com máxima cautela
– para não quebrar os dentes ou trazer problemas mais indigestos–
tal qual fosse um pé-de-moleque de fim de festa junina.
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Mas há outras palavras que jamais combinam
com o gosto que trazem, ou deveriam trazer.
Ósculo chegou a ser banida do dicionário
porque era uma forma arcaica de beijo
apenas praticada pelos impotentes.
Tende a azedar sempre na boca,
assim que os lábios se tocam.
É servida em pequeno pote
esquecido ali ao canto.
Seu nenhum-sabor
só atrai os sobreviventes
do antepenúltimo século.
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[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Juçara, 2022]

Inserida por joseassun

⁠O INVENTOR
DE IDIOMAS
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Ainda adolescente,
inventou duas ou três palavras
que não se achavam em quaisquer idiomas.
Não faziam sentido em inglês, bielorrusso, javanês!
A bem dizer de todos os dizeres, não faziam sequer sentido
mesmo neste código mais do que secreto: o português.
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Depois percebeu que as duas ou três palavras,
que àquela altura já eram quatro ou cinco,
não eram irmãs, nem distantes primas.
Estranhavam-se, umas às outras,
como se não fossem feitas
da mesma alma-carne.
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Por causa disso
– da solidão de suas palavras –
demoradamente dedicou a sua vida
a inventar os idiomas que pudessem acolhê-las.
Fundou ainda uma escola de tradutores,
para traí-las umas nas outras.
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Mais cedo do que mais tarde,
alguns ociosos fundaram cátedras
especializadas em ensiná-las e estudá-las
muito solenemente, com leveza ou gravidade.
Assim, ele ganhou o seu primeiro – e único – Nobel,
em uma nova categoria que não era a Literatura,
recém-inventada, especialmente para ele.
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Quando por fim morresse
– do que dois ou três seguidores duvidavam –
alguém haveria de escrever na lápide, à maneira de epitáfio:
“gênio da humanidade”, “inventor de palavras”.
Mas um outro, ao perceber a injustiça,
certamente iria logo corrigir,
depois de um risco
no falso dito:
“Inventor
de
Idiomas”.
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E o mundo
ficaria em paz...
– tal qual sagrado cálice –
como nunca esteve depois do Verbo.
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[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Decifrar, 2022]

Inserida por joseassun

⁠MEDO DE TIGRE-ARANHA
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Tinha um medo crônico de tigres.
Podia ser até mesmo dos que estão nos filmes
enjaulados dentro de uma intransponível tela de Cinema
e incapazes de saltar para a nossa dimensão.
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Se vislumbrava um cartaz de propaganda
estampado com uma só destas feras,
ali mesmo deixava litros de medo
escorrerem por entre as pernas.
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O medo de tigres fora o companheiro
de toda a sua vida.
Desde a mais tenra infância
chorava ao ver desenhos de tigrinhos
nos pijamas e invólucros de refrigerantes.
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Isso tudo, apesar
de não haver tigres em seu continente,
e de sua pequena cidade jamais ter sido visitada
nem mesmo por um velho tigre desdentado,
protegido pela jaula de um circo.
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Tigres...
Esse pânico o acompanhou sempre
a cada dia, a cada instante de sua vida.
Foi a psicólogos caros, mas sem resultados.
Lá estavam, no fundo, sempre os mesmos tigres...
Espreitando, ferozes e listrados, no covil do inconsciente.
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[BARROS, José D’Assunção. Publicado na revista Simbiótica, 2023]

Inserida por joseassun

⁠O BEM

Digo sempre  não sem saber porquê...
Penso  ás vezes certo, só de falar com você...
Seu  conselho é o caminho mais certo...
Sem muitas voltas fica sendo o mais perto...
Quero te seguir para algum lado...Acredito no bem  e no bom sentido...
No teu sorriso de coração aberto...
A vida é uma prenda contigo por perto...

Obrigado JESUS.

Inserida por sabiolindo58

⁠"Uma mente aberta não pode ser cega. É a capacidade de enxergar além das aparências, questionar o óbvio e reconhecer a complexidade do mundo ao nosso redor que nos permite evoluir, aprender e transformar realidades. A verdadeira abertura de pensamento não é apenas uma escolha, mas uma ponte para o entendimento e a mudança.

Inserida por jomaxpbi

Sabe? Se tudo terminasse hoje, ficaria a certeza de que amei de verdade.
Mesmo não havendo como medir, não havendo como ver, não havendo quem possa confirmar, não havendo como registrar e certificar. Mesmo assim,  eu teria amado, e amado da maneira mais pura e simples. Apenas por ter amando...🪷 

Inserida por goncalves112

⁠O amor sempre acontece de surpresa
Quando ele chega nos deixa sem defesa
E quando parte nos deixa na incerteza
É difícil encontrá-lo
Por não sabermos onde achar
É impossível não senti-lo
E dele não participar

Inserida por maria_jose_marques

⁠Só acabará a guerra
Quando DEUS vier à terra
E com suas próprias mãos
Fizer a revolução

Inserida por maria_jose_marques

⁠Copacabana

Copacabana hoje você
Me fez sentir como criança
Pulei, e joguei e na água me desestressei
Em seus braços d’água me joguei
Minhas dores aliviei
Vi meus cabelos jogados
Feito uma trança
Me senti verdadeiramente criança
Nesse mar de amor d’água
Sorri de felicidade
Me afoguei de esperança
Voltei agora à São Paulo
Renovada para uma nova dança

Inserida por maria_jose_marques

⁠Mariah
Minha vida resumi
Aqui ao lado de vocês
Romântica eu sou
Intensa também
Amo demasiadamente
Hoje e amanhã
Amém

Inserida por maria_jose_marques

⁠Hoje pensei em você
Em como serão nossos dias
Logo que você aparecer
E me reservo a te esperar
Nessas noites de luar
Inspiro-me nesse amor que sinto
Coração bate acelerado
Esperando você chegar

Inserida por maria_jose_marques

⁠Homenageio sua chegada
Estrela do meu bem-querer
Nessa magia da vida
Razão do meu viver
Imensurável e infinito é o amor
Que sinto por você
Único repleto sem igual
Esse amor que sinto é celestial

Inserida por maria_jose_marques

⁠Saudade Eterna

Lá do outro lado, onde a luz reluz,
Existem sorrisos, um brilho que seduz.
São as almas queridas, que o tempo levou,
Mas o amor que deixaram jamais se apagou.

Em cada lembrança, em cada pensar,
É como se ainda estivessem a nos abraçar.
Essas pessoas, tão belas e raras,
Vivem em nós, como estrelas claras.

No dia de Finados, mais perto estão,
Em preces, lembranças, de coração.
E a saudade é brisa, suave e quente,
Que nos toca o rosto, tão docemente.

Que descansem em paz, ao lado da luz,
Enquanto a vida os honre, os lembre e traduz.
Pois o amor que plantaram, a bondade sem fim,
Ecoa em nós, eterno jardim.

Inserida por maria_jose_marques

⁠PERMITA DEUS

Peço encarecidamente SENHOR
Que permitas DEUS
Que eu seja feliz
Que eu ame e seja amada
Na mesma medida
Na medida que eu sempre quis
Permita DEUS que eu chore
Mas que meu choro, seja de alegria
Seja de felicidade
Por espalhar por aí
Todo amor e toda bondade
Que em meu coração habita
Permita meu DEUS que a felicidade chegue repentina
Se faça presente em minha vida
Que eu transborde
De amor e paixão
Pelo meu próximo
Pelo meu irmão
Permita DEUS que não seja um sonho, um devaneio
Que eu me deleite em meu próprio seio
Que em minha alma transborde amor transborde paixão
Permita DEUS que chegue a mim antes de minha morte
Assim falarei de minha sorte; que ao meu lado sempre esteve
Que eu deixei esse legado após minha morte

Inserida por maria_jose_marques