Kim Mc Milen
Diz por que descobertas são letais?
Os monstros se tornaram literais
Eu brincava de polícia e ladrão um tempo atrás
Hoje ninguém mais brinca
Ficou realista demais
Tem algo errado com o mundo
Não tire os olhos da ampulheta
O ser humano, em resumo, é o câncer do planeta
A sociedade é doentia e julga a cor a careta
Deus escreve planos de paz, mas também nos dá a caneta
Eu sou brasileiro
Funkeiro nato, coração e alma de maloqueiro
Quando você ver o meu sinal
Tá na hora de meter o pé
Pra minha casa
E não é pra ir tomar café
Hoje eu só quero que você se sinta bem
Bem ciente que não deve nada para ninguém
A perda de um amigo, de um familiar
Parece que o mundo já vai desabar
E, a qualquer hora, vem na mente a memória recente
De um truta ou de um ente que não vai voltar
Atitude sempre que se for cobrado
Não se empolga com a altitude
Vem com o alicerce bem fortificado
Dinheiro não vai comprar virtude
Visão de futuro
É só viver colhendo os frutos
Então cuidado com o plantio
Que cê trás pra você
Agora vós, ricos
Chorai e pranteai por vossas misérias
Que sobre vós hão de vir
As vossas riquezas estão apodrecidas
E as vossas vestes estão comidas de traça
O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram
E a sua ferrugem dará testemunho contra vós
E comerá como fogo a vossa carne, pois
Acumulaste tesouro para os últimos dias
Você sabe quem é uma pessoa por quem ela convive, mais ainda por quem ela se relaciona. Ao enxergar isso, talvez você pare de endeusar a versão desta pessoa que você criou e alimenta em sua mente.
“mil motivos pra sorrir, mil motivos pra chorar, me sinto um astronauta vendo o mundo mudar do nada”
Quando meus olhos se perdem no nada
Pode saber que você tá na mente
No canto da boca, uma meia risada
Ah, quando eu penso na gente
Eu não sei, pô
Parece que tudo muda de lugar
E de repente você tá tão perto
Aquela vontade de te abraçar
Só que cai a ficha que cê não tá perto
O cidadão de bem dá um tiro do bem
Com sua arma do bem no suspeito do mal
Que não matou ninguém e não roubou ninguém
Mas adivinha quem é o vilão do jornal?
Alguém avisa pro falso cristão
Que todo jovem preto um dia foi um feto
Não venha me dizer que é a favor da vida
Se quando nos assassinam você fica quieto
O papo é reto, poucas ideia
Sobrevivência, revolução
Eles vão tentar tomar meu lugar
Mas tipo Rosa Parks, eu digo: Hoje não
Não é por ódio que eu tô no ringue
É por amor, Martin Luther King
O principal foco dessa resistência
É não deixar que o ódio me contamine
Eles nunca choram as nossas dores
Mas sempre censuram a nossa revolta
Quem faz da maldade um boomerang
Não pode reclamar no momento que volta
Fogo no museu, fogo no Pantanal
Fogo na Amazônia e cadê os moralista?
Cês só reclamam do nível do fogo
Quando o povo grita: Fogo nos racistas
Eles criticam fogo nos racista
Só pra mudar o foco do problema
Quem problematiza é quem menos se importa
No quanto o racismo diário nos queima
Terra que exalta a meritocracia
Finge que não sabe o passado que tem
Diz que é só trabalhar pra ser alguém na vida
Mas nóis só começa do modo ninguém
Olhe bem nos olhos de uma mãe solteira
Que foge da fome e das bala perdida
Cadê as suas dez dicas pra ser milionário
E discurso de coach pra vencer na vida?
Sem equidade não há justiça
Vitimismo é o que vão dizer
Pimenta no olho do pobre não arde
A menos que um dia ela pingue em você
Essa polaridade funciona de quê?
Ninguém tá disposto a largar o osso
Enquanto se discute o lado menos podre
O pobre continua no fundo do poço
