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â IPANEMAÂ
Ipanema, Ipanema
Sem VinĂcius
E Tom Jobim.
Ipanema, ai que pena
SĂł restou isso pra mim
A leitura de um poema
Ipanema, mar sem fim.
Na imensidão do do céu
Olha o mar um querubim
A lamentar esta cena
Ipanema tĂŁo pequena
Sem VinĂcius e Tom Jobim.
Ipanema me distraio
Vendo a praia, cai a tarde
E o sol tem pena...
Nada cura esta saudade,Â
Deste amor que sempre invade Minha alma tĂŁo pequena.
â ConfissĂŁo de um artista incompreendido
Eu sĂł sou artista quando escrevo.
Tocar, cantar â tudo isso, por mais que me habite, me degrada. HĂĄ um processo silencioso de deterioração da minha alma artĂstica quando tento me expressar fora da palavra. Como se algo se perdesse no ar. Como se aquilo que eu sou, no fundo, nĂŁo coubesse no gesto ou na voz.
Minhas melodias? Eu as crio em catarse. Elas nascem do abismo, do indizĂvel, mas raramente alcançam quem ouve. Alguns me dizem, com um sorriso breve: âmuito legal.â Outros me parabenizam â por educação, talvez. Mas eu percebo. Eu sei. A lĂngua que falo, com minha arte, nĂŁo chega audĂvel aos seus ouvidos.
Eles nĂŁo escutam o que eu ofereço. Escutam outra coisa. Um som qualquer. Um ruĂdo bonito, talvez. Mas nĂŁo escutam eu.
Ă por isso que, quando escrevo, me sinto inteiro. Porque sei que um â um sĂł jĂĄ basta â um leitor, em qualquer tempo, hĂĄ de entender. HĂĄ de perceber. HĂĄ de aprender a lĂngua secreta do meu ditirambo. Porque a palavra escrita nĂŁo exige pressa, nĂŁo pede aprovação imediata. Ela se deixa ler por quem for capaz de ouvir o silĂȘncio entre as sĂlabas.
E Ă© ali, nesse instante invisĂvel, que eu sou artista por inteiro.
â O Alter Ego e o Labirinto
Na literatura, o alter ego do autor raramente Ă© um sĂł.
Ele se desdobra, se infiltra em mĂșltiplos personagens, e por vezes se oculta no que nĂŁo Ă© dito, no que se evita.
Em Labirinto Emocional, meu primeiro romance, publicado em 2005, meu alter ego se dividiu em dois homens: Valter e Paulo.
Valter Ă© jornalista, alcoĂłlatra, devastado por uma perda que o tempo nĂŁo cura â um filho perdido na Europa, tragado pelos rastros da guerra.
Ele carrega o peso da memória e do fracasso, mas também da lucidez crua de quem jå viu o mundo pelo avesso.
Ă um homem que jĂĄ foi centro, mas hoje gira em torno de um vazio.
Paulo Ă© mĂșsico da noite, filho da boemia carioca.
Conhece Valter em Copacabana, num tempo em que os bares tinham alma e a amizade era vĂcio raro.
Paulo vĂȘ em Valter um espelho trincado â e, talvez por isso, nĂŁo foge dele.
Eles criam uma amizade intensa, marcada por silĂȘncios, desconfianças e lealdades tortas.
Enquanto Valter afunda nas suas crises, entre surtos e lapsos, Paulo se aproxima de Rute, a filha Ășnica de Valter â a mais bela, a mais viva â e casa-se com ela.
NĂŁo hĂĄ escĂąndalo. HĂĄ destino.
Paulo se torna o cuidador de Valter, quase um herdeiro nĂŁo nomeado.
Ă ele quem permanece quando o mundo se vai.
Talvez o alter ego nĂŁo esteja sĂł em Valter. Nem sĂł em Paulo.
EstĂĄ no abismo entre os dois.
Na fronteira tĂȘnue entre decadĂȘncia e continuidade.
Na pergunta silenciosa: quem somos quando os outros começam a cuidar do que um dia foi nosso?
Labirinto Emocional Ă© isso.
NĂŁo Ă© apenas um romance sobre amizade, amor, decadĂȘncia e lucidez.
Ă um romance sobre o artista diante do espelho:
partido entre o que viveu e o que ainda insiste em escrever.
FARDO
â Deixe eu lhe dar sĂł um pouquinho do meu prazer.
Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra vocĂȘ...
Se eu lhe der tudo de mim, serei um fardo pra vocĂȘ.
Diz o poeta, com razĂŁo:
Que amor demais dĂĄ combustĂŁo.
Acende o fogo da paixĂŁo,
Mas toda chama, um dia, apaga.
E todo amor, meu bem, um dia acaba...
Deixe eu lhe dar sĂł um pouquinho do meu prazer.
Uma frase para terminar o mĂȘs de setembro, mĂȘs do combate ao suicĂdio: "VocĂȘ sĂł depende de uma pessoa para ser feliz, vocĂȘ mesmo." Lembre-se. Toda vez que vocĂȘ quiser por um ponto final em sua vida, que ele sempre venha acompanhado de uma vĂrgula. Temos a vida toda para recomeçar, reconstruir e como uma fĂȘnix nĂłs renascernos das cinzas...
"O arrependimento Ă© necessĂĄrio pra todos, mas sĂł alguns usarĂŁo dele, e outros se arrependeram de nĂŁo te-lo usado quando podiam... Ouça o que o EspĂrito de Deus diz Ă s Igrejas"
"NĂŁo fique feliz com a derrota do seu irmĂŁo, amanhĂŁ pode ser vocĂȘ, porĂ©m em vez de tripudiar sobre a sua dificuldade, dele bons conselhos"
"O tolo acha que engana todo mundo, mas esta enganando sĂł a si mesmo...
Até o diabo sabe seu fim, menos o tolo!"
"Deus sempre foi bom pra mim, até mesmo quando eu so tinha lågrimas nos olhos, Ele me deu seu ombros como consolo, e me estendeu as suas mãos"
â O evangelho de Cristo, é para os fracos!
SĂł os fracos precisam de Deus!
Os "fortes" se perdem na ignorùncia da sua força.
â "Jesus chorou, porque entendeu, que o sĂł o amor era capaz de curar as feridas da alma e do mundo, e salva-los da morte eterna"
â "Ame aquilo queÂ
Deus ama,
E odeie aquilo que
Deus odeia,
SĂł assim vocĂȘ
EntenderĂĄ como
Ă segui-lo"
â "VocĂȘ sĂł sentirĂĄ o gosto de
uma derrota se aceita-la.
Enquanto estiver em pé
haverå luta, enquanto houver luta, a esperança da vitória estarå ao seu alcance"
Saudades
Saudades do tempo passado
das escadas da pracinha,
das conversas da madrugada
o riso solto da gurizada,
Do Beco do Graxaim
Onde a vida corria serena e a
preocupação era a espera do nada.
Saudades daquela menina
de saia curta e perna comprida.
Esperar chuva quentinha
cheiro de terra Ășmida
arco-Ăris no cĂ©u sorria.
Dormir na casa da amiga
Guerra de travesseiro,
onde o cigarro escondido
era o que havia de proibido.
Cheiro de gasolina no
amanhecer do dia,
colocada no Jeep Willys
onde percorreria
estrada de chĂŁo batido
para encontrar na fazenda
os primos em correria.
Saudades do tempo de outrora
sem relĂłgio
sem hora.
Saudades de mim agora...
