Paul Heyse
"Estou sozinho no meio destas vozes alegres e razoáveis (...) passam o seu tempo a explicar-se uns aos outros, a reconhecer com contentamento que são da mesma opinião. Que importância que ligam (...) ao facto de pensarem todos juntos as mesmas coisas"
"fiquei profundamente impressionado: pensei que deixara de ser livre (...) procurei libertar-me desta ideia e não consegui (...) Esperava que ela se dissipasse com as luzes. Mas a ideia ficou onde estava, em mim, pesada e dolorosa."
No momento em que estava pronta para retirar o curativo do meu nariz, um machado arrancou minha cabeça. - Diário de Beth Cardall
Nas ruas há também uma quantidade de ruídos equívocos que perpassa. Produziu-se pois uma mudança durante estas últimas semanas. Mas onde? É uma mudança que não se fixa em sítio nenhum. Fui eu que mudei? Se não fui, então foi este quarto, esta cidade, esta natureza; é preciso escolher?
"Eis que o homem, ao experimentar a liberdade, e ao sentir-se como um vazio, vive angustia da escolha."
"o homem... o homem começa a aborrecer-me. É ao livro que me prendo (...) à medida que vou envelhecendo, dir-se-ia"
"... uma pequena história, que não é vergonhosa nem extraordinária, recusava-se a sair. Nada de novo. Admiro-me de como se pode mentir com a verdade na mão"
Chega a noite, coração dispara, mente atormenta e a voz se cala.
Lágrimas involuntárias, corpo estremecido, conexões entrelaçadas ao fio da esperança, perseverança. Luta diária.
Sentimentos ampliados significadamente em detalhes mínimos e exagerados.
Lembranças tocantes, pensamentos sufocantes, momentos já distantes. Alma abalada.
Dias de frio, seu corpo pra me aquecer
Fogo misterioso, chamas ardentes
Nossas almas a se envolver.
Toque leve como flocos de neve
Mas tão quente quanto lavas de um vulcão
Sentidos aguçados, sentimentos a flor da pele
Coração em erupção.
Fragmentos de um coração quebrado
Fantasias escuras
Imaginação selvagem
Ponto auge da vulnerabilidade
Nuvens que dançam e que choram
Substimação que apavoram
Um pingo de sanidade
Lutando pela serenidade,
de sentimentos que afloram
Não é fácil sentir a dor do outro. Cansa, dói, é exaustivo. A empatia requer um esforço absurdo. Por isso é que tanta gente prefere chamar a dor que não é sua de mimimi.
É então isso…o Bem? Ser-se dócil. Muito dócil. Dizer sempre “perdão” e “obrigado”…É isto? O Bem. O bem deles…
Mas, enfim, tenho de reconhecer que sou sujeito a estas transformações súbitas. Sucede que só muito raras vezes penso; assim uma infinidade de pequenas metamorfoses vai-se acumulando em mim sem eu dar por isso, e depois, um belo dia, produz-se uma verdadeira revolução.
Que estava eu ali a fazer? Porque estava a falar com aquelas pessoas? (...) Tinha morrido a paixão que me submergia e arrastara durante anos; naquela altura sentia-me vazio?
Nós paramos de comer carne há alguns anos atrás. Durante um almoço de domingo no campo, nós olhamos pela janela e vimos nossos carneirinhos correndo felizes pelo campo. Dando uma olhada nos nossos pratos, nós percebemos que estávamos comendo a perna de um animal que até bem pouco tempo também estava correndo pelos campos. Olhamos um para o outro e dissemos - espere um minuto, nós amamos estes carneirinhos, são criaturas tão doces e gentis! Então porque o estamos comendo? - esta foi a última vez que fizemos isto.
Meus estranhos sentimentos da outra semana me parecem hoje bastante ridículos: já não me identifico com eles.
